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Finitude

Publicado por Wesley Pioest em Poesia
data: 15/01/2019

Finitude

Eu vi Isnaldo Coqui descer a ladeira

Com os cabelos agora esbranquiçados

E pensei: é a neve – o inverno chegou.

Não que o inverno seja tempo insosso

Nada disso, meu amigo, longe de mim.

O frio é branco como a face do osso

Que nos olha nos olhos de Rubim em Rubim.


Então vi Dona Maria vendendo bananas

Num carrinho de mão, ladeira acima

Com saudades do filho que a vida levou.

Pois Sinésio sumiu no caminhão do circo

Para nunca mais botar os pés em Rubim.

Ir embora sem voltar é morrer um pouco

Como a pequena cidade que morou em mim.

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Wesley Pioest - Nasceu em Rubim, estudou em Belo Horizonte, passou por Itacarambi, Muriaé e passa atualmente por Gonzaga. Sempre em Minas. Seu vale é o Jequitinhonha, de onde veio e para onde há de voltar dentro em breve, por bem ou por mal. Publicou a Revista “Liberdade”, os livros “Impressões da Aurora”, “Jequitinhonha – Antologia Poética I e II”, “A Fala Irregular” e “Cabrália”. Parceiro inconstante de Rubinho do Vale, Vagner Santos e Romeu Santos em letras para canções.
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