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Minha história para mim

Publicado por Sebastião Verly em Devaneios
data: 18/01/2019

Minha história para mim

Levantou mais cedo, raspou a barba, escanhoou bem, tomou um banho demorado, usou desodorante, coisa rara, vestiu a bermuda mais chique que ganhou no Natal do ano retrasado calçou o tênis que ganhou há um mês, passou creme no rosto. E saiu.

A princípio sem destino.

Logo que chegou à Avenida defronte seu prédio olhou pra todos os lados e para sua surpresa ali se bifurcavam os vários caminhos da estrada vida. A sua rota de volta para chegar por conde passou.
Seguiu o primeiro trilho que lhe deu na telha.

Passou pelos trabalhos sociais com o povo. A glória. Andou por vilas e favelas. Fez amizades e criou apatias em pessoas ingênuas. Sim, andando devagar por esse caminho, pode constatar como tem gente ingênua neste mundo. E crentes que são os tais. Alguns crentes demais.

A viagem não se interrompe. Passa na família, sente o amor e doa o amor que pode. Encontra muitas surpresas e só dá atenção para elas. Surpresas são sempre boas, relembra. Encontra os amigos e mestres da terapia em busca da felicidade. Lá está a contadora de histórias, contando aquela das cidades monocrômicas. Lá estão sábios e preletores. Cumprimenta-os com humildade.

Prossegue. Junta cento e dez mil dólares e faz o câmbio para ver aquele montão de cruzeiros. Dá vontade de queimar tudo. Mas, alguém apossa de tudo. Sem lenço e sem documento caminha pela estrada que não tem volta. Chega ao ponto que mais perto de onde tudo começou. Sem um centavo e obrigações mil. Como é interessante ver a força que ainda brilha nestes quilômetros que no tempo parecem anos e na estrada são horas de relógio que marca muito mais de 24 horas por dia. Caminhando vai encontrando gente boa, gente de todo tipo. Abraça uns, deixa-os para caminhar em novos campos.

O melhor da vida é ter alguém para amar demais. Na parte íngreme esta estrada imprevisível, encontra o filho, que naquele instante, começa a ser o melhor filho do mundo.

Caminhos ásperos. Mas caminhar é abrir caminhos. Segue para trás. Junta forças para melhorar as trilhas. Consegue em boa parte. De tempos em tempos, nesta caminhada, pessoas amigas cumprimentam e apoiam. Dizem mesmo: vá pelos caminhos andados e chegue onde chegou e veja de onde partiu para aonde vai.

Hoje é dia de festa. Nesse longo espaço percorrido, nesses tempos que foram tão breves em seus longos anos, refaz os sonhos, cria amores e seleciona amigos. Poucos mas, os melhores deste mundo. Amantes, namoradas de sonhos antigos e de poucos dias conhecida. Delírios.

Dá um pulo de volta ao lado esquerdo da avenida e sorri ao perceber que a estrada de sua vida é cheia de atalhos, desvios, trilhas sinuosas e retas maior que a do Mirim, que lá no sertão de Pernambuco dizem que é uma estrada de terra, longa, arretada, escaldante e cansativa, mas há flores, frutos, comidas típicas, crenças e superstições que vai juntando para fazer palestras para gente que andou por caminhos paralelos, em distâncias tão ou mais longas do que as que ele percorreu.

Mais tarde, pretende caminhar mais alguns quilômetros espalhados por 672.000 horas medidas se cronometradas. Sentado à beira do caminho espera que outras picadas se abram para ele caminhar de volta ao seu aconchego, lá bem distante, talvez milhões de quilômetros percorridos nessa longa estrada da vida.

Espera encontrar muita gente boa nesta caminhada que lhe abraçarão com saudade, amor, ternura e carinho.

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Sebastião Verly - Sociólogo, Cronista, residente em Belo Horizonte - MG.
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