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São Romão, 300 anos de fé – parte II

Publicado por Padre Joao Delco Mesquita Penna em Crônicas Culturais, História, Religião, Turismo
data: 07/07/2015

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Para refletir o cenário, quero tomar como base a cidade de São Romão. A sua história remonta em torno de trezentos anos, desde que se tornou conhecida a Vila Risonha de Santo Antônio da Manga de São Romão. Segundo o historiador Xico Mendes, esta vila fecundou revolução nos corações de Maria da Cruz e do Padre Antônio Mendes Santiago. Em 1831, o arraial passa a condição de vila, e foi elevado à condição de Município em 1924, pela Lei Estadual nº 843 de 7 de Setembro de 1923.

Afirma também, que o município foi emancipado por três vezes e por duas vezes reduzido à condição de distrito, certamente por falta de desenvolvimento. A cidade, cujo município já dominou grande extensão de terra, chegou a governar a região de Formoso, Buritis e Arinos, confinando com os Estados de Goiás e Bahia. Por isso é considerada a MÃE de todos os outros municípios da região do Entre Vales e tem histórias fascinantes sobre o seu passado para serem contadas ao mundo.

Conta-nos ainda o historiador Xico Mendes, que foi nesta cidade que viveu o PADRE ANTÔNIO MENDES SANTIAGO que foi o mentor intelectual da CONJURAÇÃO DO SÃO FRANCISCO (Motins do Sertão), e promoveu a revolta de 1736 contestando a COROA PORTUGUESA. O PADRE MENDES, ainda hoje é considerado um exemplo de parteiro de utopias, “fecundador” de sonhos. “Já, naquela época, mantinha um espírito revolucionário, de mudança social”, afirma o historiador.

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Temos poucos dados para pesquisas, muito do que sabemos deriva das histórias populares, passadas oralmente por moradores mais antigos. Me impressionam bastante as histórias de resistência dos índios caiapós aos colonizadores, que chegaram desbravando rios e matas em busca de riquezas naturais, como também a luta dos povos negros, escravizados, para manter suas tradições religiosas, enfrentando a resistência da religião oficial.

Em São Romão, ainda se conta muitas histórias antigas, entre elas se fala da existência de um patíbulo com uma forca, onde até um padre teria sido enforcado. A construção da misteriosa Cadeia Pública data de 1880. Alguns dizem que teria sido a mando da vingativa Dona Joaquina do Pompéu, para prender e castigar severamente o assassino de seu esposo. A cadeia possuía em seus porões colunas de sal para esfriar o local, tornando o insalubre, e para dar o tradicional “banho de salmoura” após os açoites naqueles que ousavam infringir a lei.

Apesar de não termos documentos que precisem a data de sua construção, o estilo arquitetônico da Igreja de Nossa Senhora do Rosário indica que data dos primórdios da colonização. Há registro de vários monumentos históricos, os casarões onde pousaram ilustres coronéis em visita a São Romão e também um pelourinho, mas nada disso foi preservado, por falta de consciência preservacionista.

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