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Brasil, a culpa é de quem?

Publicado por Nádia Campos em Política Nacional
data: 25/04/2016

Brasil, a culpa é de quem

Escrevo este texto em resposta a uma mensagem sem autoria conhecida que recebi de uma pessoa que estava decepcionada com o PT e finalizava com esta pergunta: “Eu deixei de ser partido, continuo trabalhador… e você?”

Eu nunca me filiei a partido político algum, mas pela primeira vez, após ver a cena de domingo comecei a cogitar. Como faremos que a Reforma Política, Agrária, Cultural, Educacional e a Justiça Social que queremos aconteça? Sabemos que os menos propícios a conduzi-la são os políticos de direita.

Nunca concordei com estas alianças que o PT fez com argumento de ter governabilidade e poder dar passos nas reformas sociais, mas não posso deixar de reconhecer os avanços.

Tratando da área da Cultura em que atuo, sabemos que a cultura popular brasileira e seus mestres da oralidade pela primeira vez na história foram valorizados, tiveram algum espaço, voz, fizeram intercâmbio com outros mestres de outras regiões, apesar do mínimo espaço oferecido pelas mídias de massa e do muito que ainda temos que avançar neste sentido. Dar importância a esta questão é não se deixar perder a identidade do povo brasileiro.

Quanto à pergunta anterior, minha resposta é que mesmo não havendo concordado com as alianças que o PT fez, com a média que fez para agradar a elite e a mídia brasileira para tentar de alguma forma governar o país, não posso concordar que estes falsos aliados, esta mesma elite e mídia atuem desta forma inescrupulosa desrespeitando a nossa inteligência. Um exemplo terrível foi um congressista de extrema direita, na frente de milhões de telespectadores fazer apologia a um torturador, responsável por torturas e mortes dos que queriam ter voz e direitos durante o Regime Ditatorial instalado pelo Golpe de 64. Talvez eu seja uma das poucas jovens do país que se preocupe com isto, pois meu pai foi preso por quase três anos e duramente torturado com métodos brutais e inumanos, por lutar e sonhar por uma sociedade mais justa.

Para a elite escravocrata patriarcal brasileira é bem conveniente convencer a população que o há de ruim no país é culpa do PT. Deve ser como projetar um peso ancestral que carrega em suas costas que recai principalmente sob os filhos de escravos, degredados, os povos indígenas, usando como arma a mídia de massa que manipula diariamente 80 milhões de telespectadores. É triste pensar que a maioria destes telespectadores não procura outras fontes de informação em que se basear, e se conformem com Globo e no máximo Veja, Istoé. Meios tendenciosos que apoiaram a ditadura militar e sempre desrespeitaram a imagem dos movimentos sociais e dos pobres deste país.

Neste contexto em que estamos, se nos prestarmos a comparar os noticiários da mídia “convencional” brasileira com os diários de outros países sobre este golpe disfarçado de impeachment, concluímos que os povos de outros países terão mais condições de compreensão intelectual do que está se passando aqui do que os próprios brasileiros. As pessoas estão extremamente confusas. E o que me preocupa é o oportunismo das Elites do Poder, cheias de pensamento de extrema direita, de ódio e preconceito, do que elas podem fazer com estas mentes ingênuas em nome de Deus e da família.

Sei que pessoas do PT erraram, sei que pessoas erram, que o poder corrompe facilmente o lado vaidoso do ser humano e sei que a corrupção neste país não começou agora. Sei que a mídia e o judiciário fizeram muita vista grossa para os governos de direita, o que nunca fariam com os governos de esquerda.

Não posso aceitar que todo petista seja chamado de ladrão, pois meus pais são petistas nunca roubaram um centavo e cresci acompanhando a entrega que eles deram em momentos de atuação na vida pública em prol da construção de creches de alto padrão nas periferias de Betim, no esforço para a construção do Hospital Regional, em defesa das crianças e dos adolescentes, dos idosos, na implantação do Orçamento Participativo em Minas Gerais, levando eletrificação para comunidades rurais, renunciando fins de semana para tomar medidas em prol de desabrigados por enchentes, etc, etc, etc.

Conheço outras pessoas do PT que lutaram pelo saneamento básico, destino correto de resíduos sólidos, direitos humanos, cultura popular, etc, etc, etc e não são ladrões. Não podemos, pelos erros de alguns, aceitar que se faça dos petistas o que foi feito com os judeus na Alemanha nazista. Mesmo que a violência seja em menor grau.

Definitivamente o PT não é o mal do Brasil. A votação no congresso nos demonstrou isto. O mal é a desinformação, a facilidade de se deixar manipular de muitos e de ainda não termos tradição de organização e ativismo suficiente pela REFORMA POLÍTICA, e penso que tod@s nós somos responsáveis, pois temos preguiça de entrar para a política, de nos organizarmos para cobrar e propor. Achamos mais fácil ficar de fora e culpar os políticos. Se eu ficasse olhando somente para meu umbigo, talvez ficasse quieta e calada. Mas como a educação que tive me ensinou a pensar no todo, principalmente nos mais desfavorecidos pela Roda Viva da História, eu me posiciono, me expresso pacificamente, preferindo estar sempre à esquerda. Pois enquanto houver pessoas ocupando espaços de poder querendo manter a ordem das diferenças e da desigualdade, existirá o contraponto lutando pelo florescimento da generosidade humana.

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Nádia Campos - Cantora, compositora e arte-educadora.
2 Comentários
  1. Verly

    parabéns!

  2. Lindíssimo texto. Assino embaixo!

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