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De profundis

Published by Wesley Pioest in Poetry
data: 14/07/2020

De profundis

No nevoeiro da memória: a casa.
A mais desabitada embarcação,
Na qual varejo noites aziagas
E perambulo, silenciosamente.
Acinzentada, interminável: casa.
Seus múltiplos corredores e vãos
Conduzem sombras a lugar nenhum
E replicam incuráveis pesadelos.
A primeira casa: o purgatório.
Para que semeasse a discórdia
E no futuro enfim ressurgisse
Em meio ao terror inafastável.
No caos do último sonho: a casa.
Decerto nunca foi a manjedoura,
(As paredes nuas parecem gritar)
Pois dela é irresistível fugir.
Casa vazia: por tudo abandonada.
Labirinto que gira como pêndulo,
Assinalando a passagem dos anos,
Um medo frio a corroer os ossos.
A casa onde tudo iria acontecer
Mas nada acontece. Um murmúrio
De almas a vagar pelos cômodos
(Já ao entrar me dou por perdido).
Das profundezas, intacta, a casa.

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Wesley Pioest - Nasceu em Rubim, estudou em Belo Horizonte, passou por Itacarambi, Muriaé e passa atualmente por Gonzaga. Sempre em Minas. Seu vale é o Jequitinhonha, de onde veio e para onde há de voltar dentro em breve, por bem ou por mal. Publicou a Revista “Liberdade”, os livros “Impressões da Aurora”, “Jequitinhonha – Antologia Poética I e II”, “A Fala Irregular” e “Cabrália”. Parceiro inconstante de Rubinho do Vale, Vagner Santos e Romeu Santos em letras para canções.
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