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Que futuro têm esses países? – parte I

Published by Antonio Carlos Santini in Africa, International
data: 19/01/2016

que futuro

                              Mo-Ibrahim

 

Haiti, Eritreia, Somália, Serra Leoa, Burundi e Zimbabwe são exemplos de países que não sobreviverão sem rápida e intensa ajuda externa.

Na raiz do desastre anunciado, as feridas deixadas pela colonização européia, o que inclui a rapina generalizada dos bens locais, a intensa degradação do ambiente natural e os mapas traçados – intencionalmente – de modo a juntar etnias em litígio no mesmo país.

O alerta é de Mo-Ibrahim, multimilionário sudanês e presidente da Fundação que tem o seu nome: se a integração regional não for acelerada, vários países não conseguirão sobreviver. De fato, fatores políticos (sucessivos golpes de estado), climáticos (seca e desertificação) e sociais (conflitos étnicos) assolam nações e provocam crescente êxodo das populações locais.

Para Mo-Ibrahim, há vários países inviáveis no continente africano. “O comércio intra-africano representa apenas 4% a 5% de nosso comércio internacional. Quem somos nós para pensar que podemos ter 53 países minúsculos e estarmos em condição de competir com a China, a Índia, Europa e Americas?” Só faltou dizer que os dirigentes eleitos têm saqueado sistematicamente o seu povo.

Pobre Haiti!

Aqui na América, o Haiti é um caso emblemático. Mas é um engano atribuir a agonia do país ao terremoto que arrasou a região em 2010. Para Ben MacIntyre, em artigo publicado no jornal The Times, de Londres, muito antes da destruição provocada pelo sismo de 12 de janeiro, o Haiti já era uma zona economicamente inviável, fragilizada por uma dívida com séculos de existência para com o seu antigo senhor colonial, a França.

Para Mac Intyre, a “falha” que destruiu o Haiti não são as falhas tectônicas apontadas pelos geólogos, nem o vudu e a feitiçaria a que alguns atribuíram o “castigo de Deus”. O artigo lembra “a série de déspotas que andam a saquear o país há anos. Mas, para muitos haitianos, a falha situa-se há 200 anos, diretamente na França colonialista. No século XVIII, o Haiti era a jóia da coroa imperial francesa, a pérola das Caraíbas, o maior exportador de açúcar do mundo. Mesmo pelos padrões coloniais, os escravos das plantações de cana do açúcar eram tratados de uma forma verdadeiramente inumana. Morriam em tal número que, por vezes, a França importava 50 mil escravos por ano para assegurar o número de trabalhadores e os lucros”.

Em 1791, os escravos se rebelaram sob a liderança de Toussaint Louverture, um escravo autodidata. Após uma guerra sem tréguas, o exército napoleônico foi derrotado. E o Haiti tornou-se independente em 1804.

“A França não lhe perdoou a insolência e a perda de receitas, afirma MacIntyre: 800 plantações de cana-de-açúcar destruídas, 3 mil plantações de café tomadas. O país foi alvo de um brutal bloqueio comercial. Em 1825, a França exigiu uma indenização de 150 milhões de francos-ouro, cinco vezes mais do que os lucros anuais de exportação do país. A Ordenação Real foi reforçada por 12 navios de guerra franceses com 150 canhões. Mesmo com a redução da dívida para 90 milhões de francos, o Haiti nunca se recompôs da sua dívida.”

Sob peso da dívida externa, que só seria liquidada em 1947, o Haiti nasceu praticamente falido. “Nessa altura, a economia do Haiti encontrava-se irremediavelmente destruída, o território desflorestado, mergulhado na pobreza, política e economicamente instável, e presa fácil do capricho da Natureza e da depredação dos autocratas”, afirma MacIntyre.

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Antonio Carlos Santini - Licenciado em letras – Português e Francês. Professor de Artes e Ciências Humanas. Evangelizador, compositor, autor de vários livros de catequese e poesia/ Licenciado en letras - Portugués y Francés. Profesor de artes e ciencias humanas. Es evangelizador católico, compositor de músicas religiosas, autor de varios libros de catequesis y poesía. Residente em Belo Horizonte MG
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