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Ao seu feitio

Publicado por Wesley Pioest
Data da publicação: 21/03/2019

Um cara ao olhar dentro de si Não encontrará todas as partes Mas verá além da pequena cidade E se desencantará em forma de arte Até que alcance o outono esse cara Salgará a terra em que pisou Até que chegue o inverno esse cara Dispensará todas as promessas Menos a que realmente importa Aquela a que seu pai lhe condenou E não mais se traduzirá em palavras Como o barro que saiu do chão Toma outra forma por obra da m...

Eu e seu Joaquim

Publicado por Wesley Pioest
Data da publicação: 13/02/2019

Seu Joaquim tem toda razão quando afirma que o homem é um jumento. Eu tenho nove anos, a ditadura militar ainda não lançou sua nuvem escura em minha alma, a pequena cidade é a minha nação, e a tarde que se vai incendeia o horizonte. Escuto sua voz de trovão para nunca mais me esquecer. A casa é de adobe, o chão de terra batida, as telhas vãs escoam o vento pelas frestas. Enquanto os meninos sobem o morro do Ipê par...

De estimação

Publicado por Wesley Pioest
Data da publicação: 31/01/2019

Feito um cão que ladra e não morde Demarco meu território. Daqui até lá, de lá pra cá, acolá. Depois estico as pelancas Sobre o capacho, a rede na varanda, E astuciosamente faço a vigília. Ao modo de um cão, todo lealdade. Diferentemente de um cão Prescrevo-me logo um cálice de vinho Que, como queria o meu compadre João Sebastião, sábio o bastante Para ir morar distante da capital, Esfria o sangue quente Esquen...

Finitude

Publicado por Wesley Pioest
Data da publicação: 15/01/2019

Eu vi Isnaldo Coqui descer a ladeira Com os cabelos agora esbranquiçados E pensei: é a neve – o inverno chegou. Não que o inverno seja tempo insosso Nada disso, meu amigo, longe de mim. O frio é branco como a face do osso Que nos olha nos olhos de Rubim em Rubim. Então vi Dona Maria vendendo bananas Num carrinho de mão, ladeira acima Com saudades do filho que a vida levou. Pois Sinésio sumiu no caminhão do circo Para...

Uma pequena prece

Publicado por Wesley Pioest
Data da publicação: 09/01/2019

Com o barro cozido do chão Faremos outra cidade Vamos nascer nessa cidade Antes que o dia se apague Erguer uma nova nação Com o pó que resta no chão Por toda a eternidade Brindaremos à amizade Nós vamos nos dar as mãos Antes que seja tarde E sobrevenha a escuridão É tudo que eu lhes peço Do fundo do coração Compartilhar este Artigo

Poema natalino

Publicado por Wesley Pioest
Data da publicação: 28/12/2018

Neste Natal envio essa caixa com presentes para os amigos cheia de jovens anos e de anos antigos Há quem os prefira empoeirados outros os que saem do forno vai um ano bem passado? ou um tinindo de novo? Recebam como gestos de ternura contidos ao passar do tempo em toda falta de abraço em cada longo silêncio Tantos anos vou distribuindo eles me carregam em seu bojo então recomendo cuidado ao abrirem o estojo São quase sess...

Do cárcere

Publicado por Wesley Pioest
Data da publicação: 11/12/2018

eis o mundo a infestar os olhos amalgamado de tal forma à retina que somente a ele é dado reconhecer nessa turbidez de espelhos nessa solidão de transeunte desde o tempo convertido em sombras ao réquiem da noite que se aproxima é o mundo uma profusão de vozes reverberadas por frestas e pátios para onde alguém relutaria embarcar por onde ninguém concederia seguir desde as tréguas no outono ao limiar do mais fátuo apo...

Farinha do mesmo saco

Publicado por Wesley Pioest
Data da publicação: 22/11/2018

nunca tirei grandes lições dessa interminável guerra aqui nos trópicos quando vem a tormenta abro a janela para que entrem os ventos do mundo e se desafio a lei da gravidade deixo cair os braços ao longo do corpo já quando perguntam da vida digo que desde pequeno meu sonho é virar farinha Compartilhar este Artigo