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A moldura

Publicado por Wesley Pioest
Data da publicação: 25/03/2021

O poeta sorri, na fotografia. Atrás dos bigodes, da cabeleira indômita, é apenas um rapaz que espera o futuro. Dito de outra forma: o poeta sorri para o futuro, esperançoso. Naqueles dias, e eram bons os dias, o poeta desce a Juiz da Costa Val e sobe a Contorno. Vai sem rumo? Vai para o mundo, vai para a vida. É ele que gasta a sola do sapato, é nele que bate o inquieto coração. O poeta é democrata, como seu país em ...

Memórias de adobe

Publicado por Wesley Pioest
Data da publicação: 01/03/2021

a minha cidade tem gosto de terra e nos meus sonhos parece ser cinza como o barro do adobe na parede das pequenas casas desenhadas como um novo mundo nas telhas do bairro do ipê do outro lado das barrocas que as chuvas faziam ano após ano nas ruas antes ruivas mas que agora nos meus sonhos são cinzentas da cor do adobe com que ergueram as casinholas uma a uma para abrigar as famílias que a água a enchente caudalosa maltra...

Tricot

Publicado por Wesley Pioest
Data da publicação: 02/02/2021

O poeta é feito de retalhos. Não afirmo, deixo no ar a brisa da indagação: talvez seja, ou posso estar redondamente enganado. Como, aliás, estou a estar. São problemas de tecimento, de arejar a flauta com outra embocadura. Pode ser diferente, e isso não é ruim, é coisa boa, à qual me entrego de alma e vou velejando, assovio, nas lonjuras. Palavra é artefato difícil, que eu, curioso, manejo, mais mal do que bem – ...

Poema de ano novo

Publicado por Wesley Pioest
Data da publicação: 05/01/2021

Um ano novo Sem muito logro Um ano alegre De boa verve Um ano inteiro Legal, maneiro Um ano a mais Nos meus anais. Um ano vário No calendário Ano otimista Que pague à vista Um ano peço E não me avexo Um ano amigo É o que preciso. Um ano farto De muito abraço Ano inconteste Que bem nos preste Um ano amável Muito agradável Um ano ou nada Topo a parada. Um ano a esmo E com bom termo Ano poema Que valha a pena Um ano imen...

Para mim e para vocês, neste Natal

Publicado por Wesley Pioest
Data da publicação: 21/12/2020

I Dezembro é mês de fazer oferendas, de rogar, de jogar as cartas da esperança. II Em poema premonitório de alguns anos, feito em outro dezembro, abri o coração e pedi ao Criador: quero o meu país de volta! Era o meu desejo, continua sendo. Mas o Criador não me ouviu ainda. Chega sempre o fim do ano e renovo, de alma limpa, a minha súplica aos céus para que nos devolvam o país no estado em que se encontra. Pois eu q...

Pandemia

Publicado por Wesley Pioest
Data da publicação: 30/11/2020

Quando esta pandemia acabar Não restará nenhum abraço A dar e a vender. Já nos teremos esquecido. Novos hábitos virão, futuros e Presentes, adquiridos, pétreos. Eu olharei pela janela e aí está O mundo que desaprendi, Outro, diferente, triste, pétreo, Uma distância entre nós inteira Vai se interpor, como um muro De concreto armado, firme e Alto, tijolo e cimento, ou arame Farpado, e seremos esquecidos. Nos tocaremo...

Dentadura

Publicado por Wesley Pioest
Data da publicação: 30/10/2020

As palavras, como amantes, Também abandonam a gente. Eu sei, você sabe, não mais Que de repente. As palavras, como dentes, Vão e vêm em nossa boca. Quando mais precisamos delas Calam-se, indiferentes. E se somem, em um segundo, Parece até que é pra sempre. Mas as palavras, como amantes, Um dia voltam pra gente. (Para Gonzaga Medeiros) Compartilhar este Artigo

O presente

Publicado por Wesley Pioest
Data da publicação: 22/09/2020

no meu aniversário peço ao altíssimo que povilhe de estrelas o céu da pequena cidade que derrame como chuva fogueiras crepitantes ao longo da rua caetés e, se não for pedir muito, que as noites de são joão sejam eternas no meu e no seu coração e aproveito também para rogar aos santos reis minha eterna gratidão no meu aniversário convido os amigos para a outra vida que virá assim que esta vida se for no meu aniver...