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Itacarambi

Publicado por Wesley Pioest
Data da publicação: 21/07/2021

Ali o rio fez uma curva Uma curva suave Um cotovelo ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ A rodoviária em que eu conversava com Careca A foz das águas que vinham do Peruaçu E que para a cidade convergiam ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Ali eu fiquei uns dez anos ou mais À margem esquerda do Velho Chico Vendo o meu filho subir em árvore Compartilhar este Artigo

Da família

Publicado por Wesley Pioest
Data da publicação: 25/06/2021

Família é entroncamento, É quando os rios se encontram. Quando as águas se misturam. Assim verseja meu primo poeta, Lembrando as alturas de Tio Velho E as alegorias de ser Almeida. Também assim suponho eu, Que vim por intermédio de Seu Pio, O Almeida mais Almeida dos Almeida. Meu primo está certo quando diz Que viver gravemente é Almeidar: Uma maneira especial de se estar Neste mundo. Família é algo que se repete inc...

A passagem

Publicado por Wesley Pioest
Data da publicação: 18/05/2021

É dura e bela a viagem Passageiros, vamos indo Estamos aqui de passagem Por este mundo findo A passagem aqui é breve Passageiros, entretanto Há luz ao final do túnel Quando quebrar o encanto? Com a idade passageira Na alma se acumulando Vai esse mundo sem eira Nem beira, nos apagando Vai esse mundo sem eira Nem beira, nos apagando Compartilhar este Artigo

Por um dia

Publicado por Wesley Pioest
Data da publicação: 20/04/2021

Um dia chegará o dia E não está longe esse dia O dia de descerrar a cortina O dia de dar bom dia Para o enfim último dia Em tudo parecido com o primeiro dia Porque assim são iguais os dias Um dia de semeadura antes Um dia de colheita depois E entre esses benditos dias Viver um dia após o outro Como outro dia não houvesse Pois que um dia é de chegar Até nascer o dia de ir embora E entre esses infindáveis dias Acumular...

A moldura

Publicado por Wesley Pioest
Data da publicação: 25/03/2021

O poeta sorri, na fotografia. Atrás dos bigodes, da cabeleira indômita, é apenas um rapaz que espera o futuro. Dito de outra forma: o poeta sorri para o futuro, esperançoso. Naqueles dias, e eram bons os dias, o poeta desce a Juiz da Costa Val e sobe a Contorno. Vai sem rumo? Vai para o mundo, vai para a vida. É ele que gasta a sola do sapato, é nele que bate o inquieto coração. O poeta é democrata, como seu país em ...

Memórias de adobe

Publicado por Wesley Pioest
Data da publicação: 01/03/2021

a minha cidade tem gosto de terra e nos meus sonhos parece ser cinza como o barro do adobe na parede das pequenas casas desenhadas como um novo mundo nas telhas do bairro do ipê do outro lado das barrocas que as chuvas faziam ano após ano nas ruas antes ruivas mas que agora nos meus sonhos são cinzentas da cor do adobe com que ergueram as casinholas uma a uma para abrigar as famílias que a água a enchente caudalosa maltra...

Tricot

Publicado por Wesley Pioest
Data da publicação: 02/02/2021

O poeta é feito de retalhos. Não afirmo, deixo no ar a brisa da indagação: talvez seja, ou posso estar redondamente enganado. Como, aliás, estou a estar. São problemas de tecimento, de arejar a flauta com outra embocadura. Pode ser diferente, e isso não é ruim, é coisa boa, à qual me entrego de alma e vou velejando, assovio, nas lonjuras. Palavra é artefato difícil, que eu, curioso, manejo, mais mal do que bem – ...

Poema de ano novo

Publicado por Wesley Pioest
Data da publicação: 05/01/2021

Um ano novo Sem muito logro Um ano alegre De boa verve Um ano inteiro Legal, maneiro Um ano a mais Nos meus anais. Um ano vário No calendário Ano otimista Que pague à vista Um ano peço E não me avexo Um ano amigo É o que preciso. Um ano farto De muito abraço Ano inconteste Que bem nos preste Um ano amável Muito agradável Um ano ou nada Topo a parada. Um ano a esmo E com bom termo Ano poema Que valha a pena Um ano imen...