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Finitude

Publicado por Wesley Pioest
Data da publicação: 15/01/2019

Eu vi Isnaldo Coqui descer a ladeira Com os cabelos agora esbranquiçados E pensei: é a neve – o inverno chegou. Não que o inverno seja tempo insosso Nada disso, meu amigo, longe de mim. O frio é branco como a face do osso Que nos olha nos olhos de Rubim em Rubim. Então vi Dona Maria vendendo bananas Num carrinho de mão, ladeira acima Com saudades do filho que a vida levou. Pois Sinésio sumiu no caminhão do circo Para...

Uma pequena prece

Publicado por Wesley Pioest
Data da publicação: 09/01/2019

Com o barro cozido do chão Faremos outra cidade Vamos nascer nessa cidade Antes que o dia se apague Erguer uma nova nação Com o pó que resta no chão Por toda a eternidade Brindaremos à amizade Nós vamos nos dar as mãos Antes que seja tarde E sobrevenha a escuridão É tudo que eu lhes peço Do fundo do coração Compartilhar este Artigo

Poema natalino

Publicado por Wesley Pioest
Data da publicação: 28/12/2018

Neste Natal envio essa caixa com presentes para os amigos cheia de jovens anos e de anos antigos Há quem os prefira empoeirados outros os que saem do forno vai um ano bem passado? ou um tinindo de novo? Recebam como gestos de ternura contidos ao passar do tempo em toda falta de abraço em cada longo silêncio Tantos anos vou distribuindo eles me carregam em seu bojo então recomendo cuidado ao abrirem o estojo São quase sess...

Do cárcere

Publicado por Wesley Pioest
Data da publicação: 11/12/2018

eis o mundo a infestar os olhos amalgamado de tal forma à retina que somente a ele é dado reconhecer nessa turbidez de espelhos nessa solidão de transeunte desde o tempo convertido em sombras ao réquiem da noite que se aproxima é o mundo uma profusão de vozes reverberadas por frestas e pátios para onde alguém relutaria embarcar por onde ninguém concederia seguir desde as tréguas no outono ao limiar do mais fátuo apo...

Farinha do mesmo saco

Publicado por Wesley Pioest
Data da publicação: 22/11/2018

nunca tirei grandes lições dessa interminável guerra aqui nos trópicos quando vem a tormenta abro a janela para que entrem os ventos do mundo e se desafio a lei da gravidade deixo cair os braços ao longo do corpo já quando perguntam da vida digo que desde pequeno meu sonho é virar farinha Compartilhar este Artigo

Promessa

Publicado por Wesley Pioest
Data da publicação: 08/11/2018

Quando a luz do sol nascer de novo Escreverei sonetos em seus ombros. Árvores não crescem sem germinar. O futuro é semente em nossas mãos E para a vida fazer sentido Alguma coisa há de se perder - Como a luz do sol após a noite Voltaremos a nascer o novo mundo. Basta não resistir ao encantamento De esquecer e dormir o eterno sono Até que a alma atravesse o mar escuro. Encontrarei você, isso é seguro. Compartilhar est...

Retrato da praça ao meio dia

Publicado por Wesley Pioest
Data da publicação: 01/11/2018

vou juntando os cacos e reconstruindo a praça vejo rosalvo abrir a tenda e dielson tirar do baú uns tais picolés mini-saia quando o dia está ao meio césar fecha seu comércio e holmes cerra as estantes o que era o mercado faz-se longo suspiro na porta da casa novaes tio álvaro tira o chapéu e a enxurrada de meninos informa que no ginásio as aulas dão até logo no sinuca de seu quincas o rádio entoa canções para esp...

As tardes eram azuis

Publicado por Wesley Pioest
Data da publicação: 17/10/2018

há retratos desbotados que nunca se apagarão no fragmento da memória as tardes eram azuis bem azuis, debaixo do céu e um coração palpitava no sonho daquele menino resplandecente que eu era a cidade, de tão pequena mal me cabia no bolso que a irmã costurara no algodão xadrez da loja um menino que atravessa a praça inteira e a vida terá poema recitado no alto falante da igreja seu sorriso vai abrir a lona imensa do ci...