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O presente

Publicado por Wesley Pioest
Data da publicação: 22/09/2020

no meu aniversário peço ao altíssimo que povilhe de estrelas o céu da pequena cidade que derrame como chuva fogueiras crepitantes ao longo da rua caetés e, se não for pedir muito, que as noites de são joão sejam eternas no meu e no seu coração e aproveito também para rogar aos santos reis minha eterna gratidão no meu aniversário convido os amigos para a outra vida que virá assim que esta vida se for no meu aniver...

Quase canção

Publicado por Wesley Pioest
Data da publicação: 19/08/2020

(wesley pioest & gonzaga medeiros & antonio angelo & lucio ferraz) Oh mulher de indizíveis olhos Que me trouxe manhãs ao coração Que é vento em forma de poesia Que vigia a minha alma E que, de repente, é canção. Naquela tarde essa mulher havia, No ar de violinos da ilusão As suas cordas me fizeram eterno, Tocadas em suave melodia Em parceria, pelas nossas mãos. Quando caminhava rumo à noite, Mulher de...

De profundis

Publicado por Wesley Pioest
Data da publicação: 14/07/2020

No nevoeiro da memória: a casa. A mais desabitada embarcação, Na qual varejo noites aziagas E perambulo, silenciosamente. Acinzentada, interminável: casa. Seus múltiplos corredores e vãos Conduzem sombras a lugar nenhum E replicam incuráveis pesadelos. A primeira casa: o purgatório. Para que semeasse a discórdia E no futuro enfim ressurgisse Em meio ao terror inafastável. No caos do último sonho: a casa. Decerto nun...

São João era natal

Publicado por Wesley Pioest
Data da publicação: 24/06/2020

Foto: Militão dos Santos lá vai o balão cai cai balão tinha traque a explosão a fogueira brincadeira a bombinha de salão o foguete as chuvinhas coloridas um clarão repentino lamparinas estreladas vão-se os fogos de artifício rebuliço diversão tem leitoa tem sanfona noite fria tem quentão céu se acende e o meu pai já me leva pela mão noite escura antigamente tudo esplende soltam bombas relampeia dentro em cada co...

O rio que quase apagou

Publicado por Wesley Pioest
Data da publicação: 18/06/2020

O som das águas ruivas do rio da pequena cidade, quase esqueci. Ficava no fundo do vale. Como eu, revoltou-se poucas vezes. Era brando, exceto quando a enchente exalava toda a sua fúria, a vontade de destruir. Hoje, enxuto, minguante: predominância de margens. O esquecimento devora, esfomeado, o seu, o meu manancial. Em seu curso, atravessei a infância. Água secou, lágrima também. Os peixes, o anzol no barro, a mantegue...

O pêndulo nos arrabaldes

Publicado por Wesley Pioest
Data da publicação: 11/05/2020

O poeta, qual enxadrista, avança, peça a peça, sobre o tablado onde dançam, entrelaçados, os tempos todos em que ele, o poeta, se refestelou. Delira perante a vitrine: ali expostas, uma a uma, as palavras que escreveu com seu sangue, desde a juventude, o inevitável caminho. Eis o script ante seus olhos de bardo que primeiramente os óculos e depois as larvas moldarão – ossos do ofício da sagrada mãe natureza. Terá ...

Despedidas

Publicado por Wesley Pioest
Data da publicação: 22/04/2020

Conforme me disse o amigo Conceituadíssimo poeta bomdespachense Que almeja cadeira na Academia Não devo sair de casa Pois estou à beira dos sessentanos. A isso acrescenta minha consorte Alguns comentários muito severos Sobre passado longo e futuro breve. Diria mais: futuro inconstante Pois não há nada mais incerto Do que o futuro, esse meu inimigo. Do passado posso ainda acrescentar Que esse companheiro jamais existiu Al...

O ermitão em sua gruta

Publicado por Wesley Pioest
Data da publicação: 31/03/2020

Agora vejo Dentro do atroz confinamento, Que perdi minha sombra. Percebo agora Mas já deve fazer algum tempo. Uma sombra, afinal, não some Sem mais nem menos Do dia pra noite. Ela nos deixa devagar, aos poucos. Lembro-me da minha sombra Acompanhando cada passo Nos paralelepípedos da rua, Nas calçadas, ao ritmo do baile, Conforme a dança. Andava eu debaixo da luz dos postes Naqueles dias primevos. Eu e minha sombra, esguia...