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Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás!

Publicado por Sebastião Verly em Crônicas, Devaneios

Depois de Rudyard Kipling com seu poema “Se”, foi o grande comandante Ernesto Che Guevara quem nos trouxe o ensinamento sobre manter a serenidade e a ternura sempre.

A sabedoria revolucionária parece que paira acima das demais. O próprio Marx além da sua analise profunda do sistema capitalista embrenhou-se de corpo e alma na vida revolucionária. Mas, sempre com palavras razoáveis de calma e serenidade visando a paz justa, que é realmente o objetivo derradeiro da verdadeira revolução.

No Vietnam, vimos o velho Ho Chi Min (Ho Chi Minh significa “aquele que ilumina”) conduzir uma guerra totalmente desigual e morrer com a moral ainda mais elevada deixando uma mensagem de força máxima para animar e apascentar o povo vietnamita. Sua própria imagem transmitia a luz e a serenidade dos sábios.

Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás!

Ainda hoje, quem vê as fotos de Mao Tsé Tung, o Grande Timoneiro, perceberá em seu rosto toda a serenidade necessária para comandar uma revolução e seguir junto com seu povo que já era em seu governo, cerca de um bilhão de pessoas. Além disso, Mao é visto por muitos como um poeta, filósofo e visionário. Como conseqüência, seu retrato continua a ser caracterizado na Praça da Paz Celestial e em todas as notas de 100 Renminbi.

Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás!

Os grandes manuais de guerrilha ensinavam a construir bombas, a armar emboscadas e planejar a guerra, mas nunca ensinava esbravejar ou perder as estribeiras. A serenidade, até por uma sábia medida de segurança, tem de prevalecer.

Como está na letra da música da Legião Urbana: “é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã, porque, se você parar para pensar, na verdade, não há.”

Manter a serenidade pelo maior tempo possível é o grande desafio das pessoas que buscam o caminho do autoconhecimento verdadeiro. São muitas as provações que a vida nos apresenta como a nos testar constantemente. Podemos adotar a fuga e a alienação ou assumir com consciência e ação para o engajamento.

Manter-se lúcido é uma verdadeira proeza num momento em que temos que fazer poucas escolhas entre opções que nos pressionam. E como já estamos conscientes, despertos e às vezes até engajados na luta, nos indignamos, nos inquietamos. Mas mantemos os olhos ternos e determinados e nossos gestos firmes e suaves. A serenidade e a iluminação é uma conquista diária! Lembremos que a imagem do que há mais belo, perfeito está principalmente em nós quando transcendemos os momentos normais e caminhamos com serenidade.

Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás!

A serenidade real é mais visível nos olhos, até mesmo do que na própria face.  Ninguém pode evitar ser sacudido; mas ser provocado e ainda manter-se capaz de mergulhar e tocar sua própria força, isto é mostrado muito mais através dos olhos abertos, firmes e cheios de ternura. Quando a pessoa adquire tal segurança e vive efetivamente a serenidade tudo pode acontecer e os fatos podem até mesmo exigir uma resposta dura e corajosa. Mas, o interior permanece iluminado e sereno.

A raiva, a cólera, a perda do domínio da razão pertencem mais aos reacionários e às pessoas que defendem um mundo desigual para que possam se apropriar da riqueza acumulada. Esses sim, perdem a doçura porque na essência usufruem de riqueza e bens que deveriam ser melhor distribuídos. Podem alguns não ter consciência disso, mas agem instintivamente assim.

Convivi com muitos revolucionários e alguns deles ainda estão vivos. E todos mostram um verdadeiro amor pelas pessoas. Nossa luta revolucionária na verdade é contra o sistema e suas instituições. As pessoas são frutos temporários de toda a lógica perversa do sistema. Tanto é que para elas esse é o único jeito de viver. É o que chamamos de cultura do sistema capitalista. Doutrinam-se as pessoas, que, doutrinadas, passam a doutrinar as outras. Ás vezes, até com boa fé. Se bem, que os valores do sistema são ditados por suas regras e em nenhuma delas aparece a fé. Muito menos a boa.

É fundamental manter a calma e a serenidade. Mesmo quando a luta nos exigir rigor e força, temos de manter, ao lado da têmpera e da luta aguerrida, o famoso principio de Guevara: “Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás!”.

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Sebastião Verly - Sociólogo, Cronista, residente em Belo Horizonte - MG.
2 Comentários
  1. Thatiana Polatti

    Muito boa a mensagem e também muito difícil a lição. Para pessoas que são companheiras de Che, que tremem de indignação diante das injustiças, é muito difícil manter a calma. É verdadeiramente um exercício diário.

  2. Atônio amâncio de Oliveira

    Segundo as pessoas de bom senso, Che Guevara nunca pronunciou tal frase. Ela foi criada pela ala pensante da ditadura cubana para atrair simpatizantes,notadamente, gente intelectualizada. Volte uns 40 anos atrás e caia nas unhas dessa figura pra ver se voce iria ter alguma simpatia por ele ou Fidel na sua ilha-cárcere. Transformaram esse sujeito num herói, numa espécie de Robin Hood, coisa que ele nunca foi.

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