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Fatos energéticos

Publicado por Editor em Castaneda e Don Juan
data: 09/11/2012

Afastando moscas e mosquitos

Não se deve prestar atenção aos zumbidos. Não tente espantá-los com sua mão. Intente que se afastem. Construa uma barreira de energia em volta de você. Fique em silêncio, e do seu silêncio a barreira será construída. Ninguém sabe como isso é feito. É uma dessas coisas que os antigos feiticeiros chamaram de fatos energéticos. Pare seu diálogo interno. Isso é tudo de que se precisa.

Janelas do ser

Quando se lida com o nagual, nunca se deve olhar para ele diretamente. O único meio de olhar para o nagual é como se fosse uma coisa normal. É preciso piscar para poder romper a fixação. Nossos olhos são os olhos do tonal, ou talvez fosse mais próprio dizer que nossos olhos foram treinados pelo tonal, e portanto o tonal os reivindica.

Um dos motivos de sua perplexidade e desconforto é o fato de seu tonal não largar seus olhos. No dia em que fizer isso, seu nagual terá tido uma grande vitória. A obsessão das pessoas é arrumar o mundo de acordo com as regras do tonal. Portanto, cada vez que nos defrontamos com o nagual, fazemos o possível para tornar nossos olhos rígidos e intransigentes. Tenho de apelar para a parte do seu tonal que compreende esse dilema e você deve fazer um esforço para libertar seus olhos. O problema é convencer o tonal de que existem outros mundos que podem passar diante das mesmas janelas. Assim, deixe seus olhos serem livres, que sejam janelas de verdade. Os olhos podem ser as janelas para espiar para dentro do tédio ou para espiar para aquele infinito.

Fazer isso é uma coisa muito simples. Basta organizar sua intenção como se fosse uma alfândega. Sempre que você estiver no mundo do tonal, deve ser um tonal impecável, não gaste tempo com besteiras irracionais. Mas, sempre que estiver no mundo do nagual, também deve ser impecável, não há tempo para besteiras racionais. Para o guerreiro, a intenção é o portão do meio. Fecha-se completamente atrás dele, quando ele se dirige para qualquer das duas direções.

Outra coisa que se deve fazer ao enfrentar o nagual é mudar a linha de visão de vez em quando, para quebrar o encanto do nagual. Mudar a posição dos olhos sempre alivia o fardo do tonal. Se você estiver num apuro desses, você mesmo deve ser capaz de mudar de posição sozinho. Mas essa mudança só deve ser feita como um alívio, e não como mais um meio de se entrincheirar para salvaguardar a ordem do tonal. Meu palpite é que você procuraria utilizar essa técnica para esconder a racionalidade de seu tonal por trás dela, acreditando assim o estar salvando da extinção. A falha nesse raciocínio é que ninguém deseja nem procura a extinção da racionalidade do tonal.

Movimento dos olhos

Os novos videntes recomendam um ato muito simples quando a impaciência, o desespero, a raiva ou a tristeza cruzam seu caminho. Recomendam que os guerreiros girem os olhos. Qualquer direção serve. Eu prefiro girar os meus na direção dos ponteiros do relógio. O movimento dos olhos faz o ponto de aglutinação deslocar-se por um momento. Nesse movimento, você encontrará alívio. Isso substitui o verdadeiro domínio da intenção.

O olhar do guerreiro

O olhar do guerreiro é lançado ao olho direito da outra pessoa. E o que faz é calar o diálogo interno, e depois o nagual toma conta, daí o perigo dessa manobra. Sempre que o nagual prevalece, mesmo que seja apenas por um instante, não há meio de descrever a sensação que o corpo experimenta.

O olhar no olho direito não é fixo. É, antes, apoderar-se à força por meio do olho da outra pessoa. Em outras palavras, a gente agarra alguma coisa que está atrás do olho. Tem-se a sensação física real de que se está segurando alguma coisa coma vontade. Não há meio de descrever exatamente o que se faz. Alguma coisa estala de algum lugar abaixo do estômago. Essa coisa tem direção e pode ser focalizada sobre qualquer ponto.

Só funciona quando o guerreiro aprende a focalizar sua vontade. Não há meio de praticar isso, e portanto não recomendo nem encorajo a sua utilização. Num dado momento na vida de um guerreiro, simplesmente acontece. Ninguém sabe como.

O segredo está no olho esquerdo. À medida que o guerreiro progride no caminho do conhecimento, seu olho esquerdo pode agarrar qualquer coisa. Geralmente, o olho esquerdo do guerreiro tem um aspecto estranho, às vezes, fica permanentemente vesgo, ou menor do que o outro, ou maior, diferente, de algum modo.

Sempre olhe para a pessoa que está envolvida com você numa disputa, cada um puxando a corda por uma ponta. Não puxe a corda simplesmente, olhe para cima e olhe nos seus olhos. Você saberá então que ela é uma pessoa, assim como você. Não importa o que ela disser, não importa o que fizer, estará tremendo nas bases, assim como você. Uma olhada dessas leva o oponente a ficar indefeso, mesmo que por um instante. Aí você dá o golpe.

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