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A Primeira Atenção: o Conhecido

Publicado por Editor em Castaneda e Don Juan
data: 04/01/2011

A primeira atenção é, como já disse, a consciência que toda pessoa normal desenvolve a fim de lidar com o mundo diário; ela abrange o conhecimento do corpo físico.

A primeira atenção é o que somos como homens comuns. Por força de um controle tão absoluto sobre nossas vidas, a primeira atenção é o bem mais valioso que o homem comum possui. Talvez seja mesmo seu único bem.

Levando em conta seu valor real, os novos videntes começaram um rigoroso exame da primeira atenção através de Ver. Suas descobertas moldaram sua visão global e a visão de todos os seus descendentes, embora muitos deles não compreendam o que aqueles videntes realmente Viam.

As conclusões do rigoroso exame feito pelos novos videntes tinham muito pouco a ver com a razão ou a racionalidade, porque para examinar e explicar a primeira atenção é preciso vê-la. Só os videntes podem fazer isso. Mas examinar o que vêem na primeira atenção é essencial. É o que permite à primeira atenção a única oportunidade que jamais terá de compreender seu próprio funcionamento.

Em termos do que os videntes vêem, a primeira atenção é o brilho da consciência desenvolvido a um ultrabrilho. Mas é um brilho fixado na superfície do casulo, por assim dizer. É um brilho que cobre o conhecido.

O inventário da primeira atenção

Ao examinar a primeira atenção, os novos videntes descobriram que todos os seres orgânicos, exceto o homem, acalmam suas emanações prisioneiras agitadas, de modo que possam alinhar-se com as emanações externas que lhes correspondem. Os seres humanos não procedem assim; em lugar disso, sua primeira atenção faz um inventário das emanações da Águia no interior de seus casulos.

Os seres humanos notam as emanações que têm dentro de seus casulos. Nenhuma outra criatura faz isso. No momento em que a pressão das emanações livres fixa as emanações do interior, a primeira atenção começa a observar a si mesma. Nota tudo a respeito de si mesma, ou ao menos tenta, mesmo das maneiras mais aberrantes. Este é o processo que os videntes chamam de fazer um inventário.

Não quero dizer que seres humanos escolheram fazer inventários, ou que podem recusar-se a fazê-los. Fazer um inventário é a ordem da Águia. O que está sujeito à vontade, entretanto, é a maneira como a ordem é obedecida. Embora não me agrade chamar as emanações de ordens, é isso o que elas são: ordens a que ninguém pode desobedecer. E, contudo, a maneira de fugir à obediência às ordens está em obedecer-lhes.

No caso do inventário da primeira atenção, os videntes fazem-no porque não podem desobedecer. Mas depois de completá-lo, atiram-no fora. A Águia não nos ordena que veneremos nosso inventário; ela só ordena que o façamos.

As emanações no interior do casulo do homem não são acalmadas com o propósito de serem combinadas com as externas. Isto é evidente depois que se vê o que as outras criaturas fazem. Ao acalmar-se, algumas delas chegam realmente a fundir-se com as emanações livres, e movem-se com elas. Os videntes podem ver, por exemplo, a luz das emanações dos escaravelhos expandindo-se a um tamanho imenso.

Mas os seres humanos acalmam suas emanações e então refletem sobre elas. As emanações focalizam-se em si mesmas. Os seres humanos levam ao extremo lógico o comando de fazer um inventário, e dispensam todo o restante. Uma vez que estão profundamente envolvidos no inventário, duas coisas podem acontecer. Podem ignorar os impulsos das emanações livres, ou usá-las de um modo muito especializado.

A razão humana aparece ao vidente como um brilho opaco incomumente homogêneo, que raramente reage. Quando chega a fazê-lo, à pressão constante das emanações livres, vê-se um brilho que faz a concha ovóide ficar mais forte, porém mais quebradiça.

Auto-reflexão

A razão na espécie humana deveria ser abundante, mas na realidade é muito rara. A maioria dos seres humanos volta-se para a auto-absorção. A consciência de todos os seres vivos tem um grau de auto-reflexão, para permitir que interajam. Mas nenhuma, exceto a primeira atenção do homem, possui tal grau de auto-absorção. Contrariamente aos homens de razão, que ignoram os impulsos das emanações livres, os indivíduos auto-absorvidos usam cada impulso e transformam-nos a todos em uma força para agitar as emanações aprisionadas no interior de seus casulos.

Observando tudo isso, os videntes chegaram a uma conclusão prática. Viram que os homens de razão são destinados a viver mais tempo, porque, ao ignorar o impulso das emanações livres, aquietam a natural agitação do interior de seus casulos.

Os indivíduos auto-absorvidos, por outro lado, usando o impulso das emanações livres para criar mais agitação, encurtam suas vidas. A primeira atenção trabalha com o conhecido e muito bem com o desconhecido. Ela o bloqueia; ela nega-o tão ferozmente que, no final, o desconhecido não existe para a primeira atenção. Fazer um inventário torna-nos invulneráveis; é por isso que o inventário começou a existir.

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