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Ópera na madrugada

Published by Wesley Pioest in Poetry
data: 13/11/2019

Ópera na madrugada

Enquanto durmo
A alma me abandona
Vaga ao léu pela casa antiga
Perambula sobre as ruas da pequena cidade
Dialoga em sonhos
Com o espírito dos ausentes
Para depois retornar fatigada ao abrigo do meu corpo.
E assim acordo para mais um dia
Outro sonâmbulo neste mundo turvo
Ao alcance da tristeza, da solidão e do desalento
À procura da passagem que conduza enfim ao princípio
Com a pressa dos computadores e dos automóveis
Na emergência dos hospitais e das delegacias
Empurrado pelos relógios e pelos compromissos
Até o lugar de onde vim
Em que faz silêncio
A ópera da madrugada.

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Wesley Pioest - Nasceu em Rubim, estudou em Belo Horizonte, passou por Itacarambi, Muriaé e passa atualmente por Gonzaga. Sempre em Minas. Seu vale é o Jequitinhonha, de onde veio e para onde há de voltar dentro em breve, por bem ou por mal. Publicou a Revista “Liberdade”, os livros “Impressões da Aurora”, “Jequitinhonha – Antologia Poética I e II”, “A Fala Irregular” e “Cabrália”. Parceiro inconstante de Rubinho do Vale, Vagner Santos e Romeu Santos em letras para canções.
Comentário
  1. Antonio Angelo

    É, meu caro Wes, Rubim é mais que uma fotografia na parede, plagiando o sempre Drummond.
    E, poderia talvez dizer, também dói.

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