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Os mexeriqueiros

Publicado por Wesley Pioest
Data da publicação: 25/01/2023

(para Gonzaga Medeiros e Teodorico Figueiredo) . Dois amigos meus, tão gente fina, São os que têm a língua mais ferina. Tanto ferem como causam dissabor Os mexericos seus, seja a quem for. . Espiam tudo e seus largos ouvidos Nada deixam passar despercebido. E o que escutam vai rapidamente Sendo espalhado ao vento diligente. . Parecem duas comadres a futricar E em meio às gargalhadas, agregar Alguns detalhes novos, ali e a...

A amizade

Publicado por Wesley Pioest
Data da publicação: 13/01/2023

  (de Lucio Ferraz) (para Wesley Pioest) Amizade boa é assim, Uma espécie de sensação Entre o diáfano e o inefável Que suavemente nos acomete E não nos deixa esquecer. Lembro-me do seu pai E sua doce serenidade Levando-o pela rua São Geraldo Daquela pequena Rubim, Gigantesca em nossa imaginação. Amizade boa é assim, Vaga pelas dobras do tempo, Não envelhece nunca E na sua senescência É o que dá sentido à v...

Algumas considerações

Publicado por Wesley Pioest
Data da publicação: 31/10/2022

. o sol traça uma exata parábola pelo céu azul mais azul daquela pequena cidade que os olhos esquecem jamais . passa dezembro, chega março a chuva caindo, a garoa a saudade aperta o peito com a sua mão cheia de dedos . mas e o tal amigo? virou luz e aquele outro? enlouqueceu aquela confraria? gato comeu . a vida passou, não há remédio seu curso é trotar, indiferente e tudo mudará, agora, sempre Compartilhar este Arti...

A velha senhora

Publicado por Wesley Pioest
Data da publicação: 19/09/2022

A idade bate à minha porta. Estou aqui, ela diz, a sorrir Mostrando os afiados dentes. Eu sou um crente absoluto E a recebo com a mesa posta Dizendo: eu também estou. A caneta me escapa das mãos Um frio me percorre o ombro E a velha senhora se apoia No espaldar alto da cadeira. Assim é a vida, suspira ela, Não estamos totalmente sós. A idade é uma velha amiga Há mais de sessenta anos. Quando cheguei aqui estava, Quando...

Conversa na esquina

Publicado por Wesley Pioest
Data da publicação: 30/08/2022

Mas de onde vêm os filmes? Vêm das raízes das árvores Que tecem seus fios no pântano No pântano cinza do córtex. E a música, de onde vem? É claro que vem das pedras Esfomeadas de líquens De onde o silêncio fugiu. Os poemas, alfarrábios? Estes vêm com os mascates Outrora de antigamente Para a gaveta dos sonhos. . E eu, então, como vim? Eu mesmo não sei dizer Só sei dizer que escrevia Antes mesmo de falar Antes d...

Poeira e sombras

Publicado por Wesley Pioest
Data da publicação: 29/07/2022

Alguém, por horas a fio, Enfrenta a noite interrompida Então cerra os olhos Para escutar o timbre Que pulsa em seu coração. . Olhos fechados sabem melhor Dos rios desgovernados Que correm como ampulhetas E da luz suave Que em breve desfalecerá. . Olhos se vedam como portas. Mas eis que pelas frestas Entram poeira e sombras E ao ocaso se acumulam Em cada cômodo da alma. Compartilhar este Artigo

Alguém se lembrará?

Publicado por Wesley Pioest
Data da publicação: 22/05/2022

Alguém escuta em embevecido silêncio delicada e atentamente a distante música que impregnou a tarde Mais ao fundo, enfeitando o horizonte, destaca-se, curvilínea, a serra mais linda de todas as serras Esse alguém um dia terá ido embora mas, às vezes, retorna para caminhar sobre a infância perdida nas ruas da pequena cidade Pois a saudade é a lembrança guardada nas gavetas da alma até que sejam abertas em tarde vindo...

(Português) A torre

Publicado por Wesley Pioest
Data da publicação: 25/04/2022

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