Memórias

XV – Fatos Desobjetivos

Publicado por Bill Braga
Data da publicação: 02/03/2021

Sobre médicos e loucos, ou talvez médicos-loucos, digo uma coisa: é tudo uma questão de representação. Hoje entendendo isso, e por mais que ainda permaneça encarcerado, entendi que tenho que jogar o jogo, para sair. Temos que entrar nele para modificá-lo, para invertê-lo para expor cruamente nossa razão única, nossa visão de mundo diferenciada. Definitivamente eles, homens de branco, familiares, não estão prontos...

Festa de São Sebastião em Pompéu, memórias

Publicado por Sebastião Verly
Data da publicação: 20/01/2021

Nos meus tempos de criança e adolescente, por volta de 1948 a 1960, na cidade onde nasci, a maior diversão, especialmente para a pobreza, eram as festas religiosas. Festa para pobre era a festa religiosa, ali não havia distinção de classe social. Passada a época das Folias de Reis, que tinham seu auge no dia 6 de janeiro, começávamos a esperar pela festa do glorioso São Sebastião. Eu ficava encantado com tudo. A come...

XIV – Vivendo e Aprendendo a Jogar

Publicado por Bill Braga
Data da publicação: 18/01/2021

Daniel, meu amigo cativo que esteve comigo há pouco, não fala. Sábio, ouve, olha para o alto e ri. Seu diagnóstico, ditado pelos homens de branco, deve ser de autismo. Eu o considero um grande esperto. Não diz, mas ouve tudo à sua volta, capta a energia de quem está a sua volta e ri ironicamente, um riso sábio. Dizem que nos deram dois ouvidos para escutarmos mais do que falarmos, nem todos pensam nisto. Ele é um gran...

Bar do Portuga na Lagoinha

Publicado por Sebastião Verly
Data da publicação: 17/12/2020

Lembranças ajudam a viver. Sem nada para fazer em casa ia até o Bar do Portuga, ali na esquina, pedia uma pinga e ficava à espera de que aparecesse alguém com disposição para ouvi-lo. Sempre aparecia outro com tempo também ocioso. Muita coisa era inventada pela sua cabeça septuagenária. Outra parte poderia ser confirmada por registros de diferentes áreas. Sentava e, havendo ouvidos, lá vinha a história. Era em 1936...

XIII – Dissociações Conexas

Publicado por Bill Braga
Data da publicação: 15/12/2020

Acordei novamente na Pinel, esta clínica que tem se transformado em minha morada. Não que aqui eu tenha aquele sentimento de lar, aquele acolhimento… Não que minha cama, com este estrado estragado, que estraga minha coluna diariamente seja um repouso. Não é o lugar, são as pessoas. Estes autistas, narcóticos, maníacos e estas depressivas, suicidas, me fazem me sentir em casa. Me dão o acolhimento que ameniza o e...

Memórias de uma Galinhada

Publicado por Sebastião Verly
Data da publicação: 21/10/2020

Joaquim Lacerda, era filho de um líder político da antiga UDN, a União Democrática Nacional, partido político que com seu discurso moralista experimentou o poder federal por 8 meses no breve mandato de Jânio Quadros, em 1960. Vou contar um caso ocorrido com ele em meados dos anos 60. Era um homem muito bem humorado, jovial e farrista, casado com a Cotinha, que depois se tornou empresária hoteleira. Teve com ela seis fil...

XII – Uma Ilha de Alegria na Pinel

Publicado por Bill Braga
Data da publicação: 14/10/2020

Viver no mundo sob a lógica tirânica dos sãos pode ser mais confortável, mas para os inadaptados, aqueles que ganham asas, é torturante. Sim, pois os sãos não conseguem perceber o autoritarismo com que agem, aceitando apenas aquele nível de realidade visível aos seus olhos entorpecidos. É como na cena do célebre filme Matrix, em que Morpheus, não por acaso com este nome, dá ao jovem Neo a opção de escolher entre...

XI – Prisão Domiciliar

Publicado por Bill Braga
Data da publicação: 20/07/2020

O colo de Sandra me deu o acalanto que precisava. Não sei porque, mas toda noite, fosse ela ou Valéria que estivesse comigo, sentia necessidade de deitar-me em um colo. Não em um qualquer, mas naqueles colos. Queria mesmo que fosse o colo da minha namorada. Havia tempo que ela não me visitava, por onde devia andar? Não era o amor o sublime sentimento que passava por cima de tudo e de todos? Doce ilusão, o amor é tão fr...