Memórias

A Melhor Manteiga do Mundo

Publicado por Sebastião Verly
Data da publicação: 13/05/2019

No ano de 1955, com quatorze anos de idade, eu fui transferido do Posto de Gasolina Jussara que ficava na saída de Pompéu, onde eu aprendi de tudo um pouco, para a Fábrica de Manteiga, de propriedade da mesma firma, Thomaz Campos & Cia Ltda. Na Fábrica eu fiquei subordinado diretamente ao Hipólito que era filho do Thomaz, sócio-presidente. Como já o conhecia, eu o chamava de Hipoltinho. Mas, quem me dava ordens, me ...

Ai que saudades dos blocos caricatos!

Publicado por Sebastião Verly
Data da publicação: 28/02/2019

Todos os anos, quando vem chegando o Carnaval eu me recordo de quando mudei para a Capital em janeiro de 1960. Minha maior expectativa era ver de bem pertinho o carnaval dessa Belo Horizonte. Os festejos de Momo eram muito diferentes do que são hoje. Eram outra coisa. O carnaval se caracterizava por festas, divertimentos públicos, bailes de máscaras e até manifestações de folclore e bom humor. Relembro um pouco mais a no...

Eu e seu Joaquim

Publicado por Wesley Pioest
Data da publicação: 13/02/2019

Seu Joaquim tem toda razão quando afirma que o homem é um jumento. Eu tenho nove anos, a ditadura militar ainda não lançou sua nuvem escura em minha alma, a pequena cidade é a minha nação, e a tarde que se vai incendeia o horizonte. Escuto sua voz de trovão para nunca mais me esquecer. A casa é de adobe, o chão de terra batida, as telhas vãs escoam o vento pelas frestas. Enquanto os meninos sobem o morro do Ipê par...

Bar do Portuga – III

Publicado por Sebastião Verly
Data da publicação: 07/02/2018

Com passos curtos, chegou, pediu a pinga e sentou-se a espera de audiência. Daí a minutos chega um cidadão pede uma cerveja estupidamente gelada e é convidado a compartilhar, dividir a mesa e ouvir seus causos. Começou a explicar algumas palavras pertinentes ao que ia contar e que caíram em desuso. Lembrou dos seus tempos de mais jovem e da prostituição. Engrenou conversa: – As prostitutas da capital vinham do in...

No Bar do Portuga II

Publicado por Sebastião Verly
Data da publicação: 31/01/2018

Fernando, o cidadão da cerveja de ontem, já esperava para ouvir sobre a velha Lagoinha, conforme sugeriu da vez anterior. Pediu a bôua, sentou-se e se pôs a falar. Não dá para falar, viu. Ninguém vai acreditar. A Lagoinha era o que há hoje e muitas vezes mais pela Praça Vaz de Melo e adjacências. A Vaz de Melo era única. O grande compositor Rômulo Paes fez aquela música: “Não há entre nós um paralelo, eu aqui...

A partilha do boi

Publicado por Carlos Scheid
Data da publicação: 25/01/2018

Quem não se lembra daqueles circos mambembes que atravessavam o interior do país, de cidade em cidade, de aldeia em aldeia, movidos por inexplicável amor à vida circense? Pelos anos 50, palmilhando as estradas de terra vermelha do Sul de Minas, lá vinha o circo… A lona em trapos, o palhaço desbocado, a bailarina gordota, o pangaré magrelo e o picadeiro barrento que o pó de serragem transformava em pasta marrom, f...

Bar do Portuga na Lagoinha

Publicado por Sebastião Verly
Data da publicação: 19/01/2018

Lembranças ajudam a viver. Sem nada para fazer em casa ia até o Bar do Portuga, ali na esquina, pedia uma pinga e ficava à espera de que aparecesse alguém com disposição para ouvi-lo. Sempre aparecia outro com tempo também ocioso. Muita coisa era inventada pela sua cabeça septuagenária. Outra parte poderia ser confirmada por registros de diferentes áreas. Sentava e, havendo ouvidos, lá vinha a história. Era em 1936...

Uma história e depois outra

Publicado por Sebastião Verly
Data da publicação: 28/12/2017

Minha mente sempre gostou de inventar histórias. E contava e ainda conta para mim com tantas evidências que eu acreditava e ainda acredito piamente nelas. Minha cidade, onde fiquei isolado do mundo até os 15 anos, era meu mundo. Quase todos os casos que eu ouvia, não sei que parte do meu cérebro optava por gravar sua triste versão, ou a tristeza era real como eu aquilatava. Assim, foi a história da moça criada pela av...