Psicologia

XXII – Resistir ao Domínio Psiquiatrizante

Publicado por Bill Braga
Data da publicação: 15/07/2022

Não há mais o que dizer da monótona monotonia dos dias de cárcere nesta clínica. Nem mais o violão, nem mesmo ter conhecido Fernanda, nada aplaca a dor de estar… Porque não é a dor de ser ou de existir, mas a dor de não poder ser plenamente, de existir como uma ave, com asas cortadas e correntes prendendo as patas. Sem falar nas grades da gaiola que evitam qualquer mínima tentativa de voar. A Pinel é minha gai...

XXI – Necessidade de se apaixonar

Publicado por Bill Braga
Data da publicação: 09/06/2022

Abro meus olhos e, mais uma vez a cena se repete: Valéria deitada na cama ao meu lado, eu no chão, o mesmo quarto, a mesma TV, as mesmas portas. Como eram iguais aqueles dias, que teimavam em não passar, dentro da clínica-prisão. Já não agüentava mais a monotonia, a mesmice. Ainda mais que eu tinha saído, tinha respirado os ares da liberdade por pouco tempo, até me trancafiarem novamente. Tinha flanado pelas ruas...

XX – Uma Bomba Relógio Ambulante

Publicado por Bill Braga
Data da publicação: 26/05/2022

Aqui, na Pinel, os dias são quase sempre iguais, apesar de todas loucuras possíveis e impossíveis estarem reunidas em um mesmo lugar. Normalmente acordo em meu colchão no chão, para evitar as terríveis dores de coluna. Olho para cima e ao lado está: ou a melancólica Valéria, ou a carinhosa Sandra, companheiras que se revezam em velar meus sonhos noturnos. Rapidamente colocamos meu colchão na cama, antes que o Sr. Luc...

XIX – Flashes entre Partidas de Buraco

Publicado por Bill Braga
Data da publicação: 18/05/2022

Ao passo que conto da chegada na Pinel, ainda me encontro cativo nesta simpática clínica. Em meio a Sandras, Valérias, Daniéis, Moniques, Fernandas, e tantos outros companheiros de jornada. Uns que se foram, outros que ficam. E eu que já estive do lado de fora, voltei, e não sei quando sairei novamente. Só me resta escrever, é a única forma de não deixar adormecer o potencial revolucionário dentro de mim, minha resi...

XVIII – O Potencial Revolucionário da Loucura

Publicado por Bill Braga
Data da publicação: 12/05/2022

Apagar e acordar. Acender e desligar. Lembrar e esquecer. Lembrar é esquecer. Nessa dialética entrei desde aquela primeira internação, na clínica Santa Maria. Drogado pelos anti-psicóticos e tranqüilizantes mais pesados, era nessa corda bamba que passaria a viver. E assim se teciam minha lembranças e esquecimentos, meus sentimentos e minhas paixões, meus conflitos e meus tesões. Ainda hoje, na Pinel, uma confusão me...

Amor, diálogo, comunhão

Publicado por Carlos Bitencourt Almeida
Data da publicação: 19/02/2022

Talvez dentre outros, existem dois modos de encontro humano nos quais estamos intensamente presentes, somos verdadeiros e dentro dos quais estamos de fato conectados, em relação íntima e profunda uns com os outros. Posso ser um psicólogo, médico ou simplesmente alguém que uma pessoa procurou para receber ajuda, para desabafar. Não quer dizer que necessariamente existe uma relação pessoal minha com esta pessoa. Posso s...

Brigas de Casal

Publicado por Carlos Bitencourt Almeida
Data da publicação: 30/07/2021

Toda relação de casal de longa duração dá oportunidade para que aconteçam atritos, discussões, brigas. Existem atritos que podem ser produtivos. Através deles podemos saber com mais clareza como nosso par se sente a respeito de nossos atos e omissões. Tudo depende da capacidade do casal de ir além do momento de raiva, da explosão, e conseguir dialogar, conseguir compreensão mútua. É freqüente porém que um casal...

XVII – Preso Por Meus Próprios Braços

Publicado por Bill Braga
Data da publicação: 16/06/2021

Realmente não sei mais o que fazer. Preciso sair, preciso ver o mundo. As conversas não mudam de tom, ficam no mesmo tom e eu sem perspectivas de sair. Porque não dão o braço a torcer, porque não me libertam? Talvez porque eu já tenha saído antes. Me lembro que saí. Lembro da sensação de passar por aquela porta de ferro, ver as árvores lá fora, os carros passando, gente. A primeira respirada, do ar da liberdade en...