Tamanho da Letra: [A-] [A+]

Contrato de casamento

Publicado por Carlos Bittencourt Almeida em Consultas on line, Psicologia
data: 10/09/2014

casamento

Consulta do leitor Augusto Cantanhede

“Sou Augusto Cantanhede, jornalista no Folha Universal. Estou trabalhando numa matéria cujo tema é o homem casado que ainda mantém hábitos de solteiro. O homem que ainda age como se não tivesse uma esposa para dar atenção, que não liga para comunicar suas atividades, que passa o seu tempo livre com os amigos e esquece da esposa, tem amizades femininas que são pegajosas e muito íntimas, exagera na atenção aos pais. 

1 – O que leva um homem a agir de forma imatura, a manter hábitos e comportamentos de solteiro? 

2 – O que fazer quando os hábitos da solteirice não são abandonados? Quando a falta de responsabilidade, a conduta infantil e egoísta ameaça o relacionamento? Como agir com o marido que dá mais atenção aos amigos, que passa tempo demais fora, que não comunica as suas atividades? 

3 – Quais atitudes devem ser tomadas pelo homem que deseja ter uma postura madura e assumir as responsabilidades que estar casado implica? 

Aguardo sua resposta e peço que confirme recebimento deste e-mail” 

Resposta do autor:

Prezado Augusto,

O casamento que você descreve é típico de homens machistas. Mas esta conduta só existe porque a mulher é submissa, suporta. Por sua fragilidade, insegurança e medo de perdê-lo, dá a ele direitos que ela própria não exerce. Num casamento equilibrado, ou maduro, como você chama, os cônjuges estão em pé de igualdade. Direitos iguais. O contrato verbal que subjaz a todos os casamentos é explicitado e ambos estabelecem os direitos e tarefas que desejam um do outro e procuram cumprir. Se a mulher parece uma vítima inocente de um homem que permanece com vida de solteiro estando casado – como você chama – é porque ela permite. Não é vítima, é cúmplice.

Quando o contrato matrimonial é discutido abertamente, muitos tipos de casamento podem existir a partir daí. O casal pode decidir por uma estrutura fechada, onde ninguém terá amizades com o sexo oposto, a não ser que ambos estejam presentes, ou pode estipular que cada um terá o direito de manter amizades íntimas com pessoas do próprio sexo ou do sexo oposto. Não é o tipo de casamento, visto de fora, que revela se este casamento é maduro, equilibrado, ou não. É o grau de felicidade entre ambos, de diálogo, de acordos estabelecidos e cumpridos que revela a maturidade deste casal.

Como vão viver, se de modo possessivo e fechado ou de modo aberto e mais ou menos livre, será decisão recíproca, em comum acordo, e sempre aberto a novos avanços ou retrocessos, conforme o desejo de ambos. Num casal assim existe amor, o que significa: ‘Eu te quero feliz ao meu lado.’ ‘Tenho meus limites, nem todas as liberdades eu posso permitir, mas quero que vivermos juntos seja uma alegria, não uma prisão.’

Belo Horizonte, 23.08.2014

Compartilhar este Artigo

Leia mais artigos em Consultas on line Psicologia

Carlos Bittencourt Almeida - Psicólogo Clínico e escritor, residente em Belo Horizonte - MG Consultas online? envie suas perguntas.
Deixe um comentário