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The End

Publicado por Guto Amaral
Data da publicação: 24/08/2012

Meus pés estão frios Como podem querer, esperar de mim Que finja que nada me importa. Meus pés estão frios E todo o calor que vejo, no fim Não me atinge, não me conforta. Meus pés estão frios Como gotas de desprezo Como batidas amargas à porta E decerto não vejo Como aquecê-los em tão fria sina. Perdi meu dom Perdi meu calor Não creio no homem, na burocracia Não creio no bom, nem no labor Não creio no tempo, nem...

Refúgio

Publicado por Guto Amaral
Data da publicação: 10/08/2012

Buscar refúgio Uma guarida que me proteja enquanto escrevo Que não permita que me vejam Enquanto escancaro minha alma Para tentar retirar dela Pequenos fragmentos poéticos Com o qual tecerei alguns poemas tolos. Quão desastroso seria Se me vissem em tal posição desguarnecida Me isolo em meio à natureza E ali percebo que não há poesia Que resista à metafísica de Alberto Caieiro Que as linhas poéticas com que foram t...

Pretensão

Publicado por Guto Amaral
Data da publicação: 26/07/2012

Escrever com vontade De fazer existir Por uma fração de segundo Uma idéia pura Um pensamento claro Nascidos da vontade de querer dizer Do medo de ser ridículo E da certeza de não ter nada além da mensagem Que não se cala Nunca se calará Até que seja ostentada Grafada, editada, selada. Escrever com vontade De se fazer existir E de ousar autorar A mensagem que segue rondando Zumbindo perniciosa aos ouvidos Invadindo son...

Parca Poesia

Publicado por Guto Amaral
Data da publicação: 12/07/2012

De minha poesia que é parca Devo valentia aberta a faca A Manoel de Barros e atoleiros Que me ensinou a ser oleiro De palavras naturais De encontros casuais De cheiros e texturas E de sombras e amarguras Fundir novos vocabulários Novas contas ao escapulário Da língua portuguesa E muito preso a certeza De que os verbetes portugueses Acham-se gastos de alfinetes Precisando de reforma estrutural Transformando seu gene cultura...

Trajetória

Publicado por Guto Amaral
Data da publicação: 29/06/2012

Minha vida é um rio E por mais piegas que a idéia possa parecer a vós Doutos senhores donos da verdade Isso não retira dela o caudaloso movimento de revolta A amargura estática de contemplar o mundo Sabendo que jamais retornarei àquele ponto Sabendo que o rio jamais retorna Ainda que eu suplique, clame, reclame Jamais tornarei a ver A curva de anteontem Jamais tornarei a sentir O ar da montanha ao sol da manhã Caminhare...

Dia dos namorados

Publicado por Guto Amaral
Data da publicação: 15/06/2012

A vontade de estar aqui Não se mistura não se compara Eu sei bem porque vim E nada de ti me separa A teu lado as aves cantam em bemol A lua brilha qual sol austral E todas as verdades que tenho Se dissolvem no tempo Que corre mateiro, em ritmo incerto. Tua presença marcante me conclui Sou o pleno, ainda incerto e inacabado, Mas sou pra todo o sempre O seu eterno namorado Compartilhar este Artigo

Identidade

Publicado por Guto Amaral
Data da publicação: 01/06/2012

Onde nasceu José Rodrigues Betim? Em que Minas escavastes tuas estruturas Gerais? Que fizeste com os lucros de teu Pau-Brasil? Aonde entram Maias, Incas e Astecas no tempero sul-americano? Se era Novo o mundo, porque o fizeram uma cópia mal feita do Velho? Se o planeta é Terra, como pode faltar comida? De que vaca ordenharam a Via-Láctea? Que faremos ao chegar ao fim do universo? Compartilhar este Artigo

Cidade

Publicado por Guto Amaral
Data da publicação: 18/05/2012

Cor de cidade Cheiro de cidade Gosto, densidade Capacidade de se repetir ao infinito Sem nunca ganhar sentido Cidade Engrenagens que se cruzam Sem se olhar nos olhos Perver-cidade Aglutinação de significantes Repetição de insignificantes Alunia E no sétimo dia fez-se a luz E ainda que nossos olhos continuassem fechados O calor da luz criou a sensação de enxergar Os outros vultos insones Reuniram-se calados, cansados E c...