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Tal pai…

Publicado por Wesley Pioest em Poesia
data: 22/10/2012

É tanto que me surpreendo
A cada dia que passa mais pareço meu pai
E menos me pareço comigo mesmo.

Muitos anos atrás
Chegou um gato de estimação lá em casa
Minha irmã achava que o gato era dela
Eu achava que o gato era meu
Depois do almoço fomos tirar a dúvida:
Pai, de quem é o gato?
Ele baixou o jornal, a boca com o meio sorriso
E o palito, aquela ternura, decretou:
É dos dois.

Alguns dias atrás
Meu velho amigo e compadre ao telefone
Tirou a dúvida do fundo do baú:
Afinal, o que somos mais, compadres ou amigos?
Atravessei um oceano ao longo daquele segundo
Para, nem mais nem menos, me ouvir dizendo
A lição ensinada por meu pai:
Os dois.

As gerações se sucedem, mas pai é tudo igual,
Só muda de endereço.

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Wesley Pioest - Nasceu em Rubim, estudou em Belo Horizonte, passou por Itacarambi, Muriaé e passa atualmente por Gonzaga. Sempre em Minas. Seu vale é o Jequitinhonha, de onde veio e para onde há de voltar dentro em breve, por bem ou por mal. Publicou a Revista “Liberdade”, os livros “Impressões da Aurora”, “Jequitinhonha – Antologia Poética I e II”, “A Fala Irregular” e “Cabrália”. Parceiro inconstante de Rubinho do Vale, Vagner Santos e Romeu Santos em letras para canções.
Comentário
  1. Sebastião Verly

    Sábado dia 27 de outubro de 2012, às 11:00 horas será lançado na Livraria Quixote, um livro de Poesias com P.
    Sugiro dar uma passadinha por lá e ler uma meia dúzia delas. Há conteudo profundo e amplo, filosofia e saber.

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