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Se o poeta acorda bem humorado…

Publicado por Wesley Pioest em Poesia
data: 31/08/2012

I)   Há, sob a névoa que encobre essa manhã,

uma outra manhã, mais resplendente,

Seja pelo sol amordaçado em fumaça

ou pelo abismo em total silêncio.

Lá vou eu, morro abaixo, automóvel,

para a cidade grande e indiferente.

Sei que esse dia enorme e venturoso

logo há de me engolir como um polvo.

II)    Há, após a névoa que emoldura essa manhã,

uma cidade a me aguardar, ardente,

Que se fosse líquida, seria uma cachaça

ou o canavial ao qual afaga o vento.

Lá estarei em breve, rua afora, intratável,

no consultório, obturando o dente.

Sei que logo a noite descerá seu toldo

e me abraçará como se abraça um polvo.

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Wesley Pioest - Nasceu em Rubim, estudou em Belo Horizonte, passou por Itacarambi, Muriaé e passa atualmente por Gonzaga. Sempre em Minas. Seu vale é o Jequitinhonha, de onde veio e para onde há de voltar dentro em breve, por bem ou por mal. Publicou a Revista “Liberdade”, os livros “Impressões da Aurora”, “Jequitinhonha – Antologia Poética I e II”, “A Fala Irregular” e “Cabrália”. Parceiro inconstante de Rubinho do Vale, Vagner Santos e Romeu Santos em letras para canções.
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