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Quando os dias chegam ao fim

Publicado por Wesley Pioest em Poesia
data: 28/03/2011

Não tenho muito tempo, nem deuses a adorar.

Tenho talvez umas poucas horas

Que distribuirei entre os que passam, os que chegam

De longe para jamais descansar, os anônimos.

 

Não tenho a paciência infinita ou o pecado

Para lançar ao vento frio e cortante da manhã.

Tenho o olho míope e uma lembrança entrecortada,

Vejo tudo pela lente dos cinquenta anos.

 

Não tenho o tesouro arrancado dos mares, não

Tenho longas braças de terra a cultivar, tenho porém

Um lote de almas para lembrar e uma cidade.

O que fui está em mim gravado pela eternidade.

 

Não tenho aspiração ao novo mundo, às Índias, ao

Desconhecido. Enterrei os ídolos em cova funda.

Vou desgarrado em prumo como só eu posso ir adiante

Sem mais ninguém além de mim criado por deus.

 

Não sei qual deus, a origem não sei, nem me interessa.

 

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Wesley Pioest - Nasceu em Rubim, estudou em Belo Horizonte, passou por Itacarambi, Muriaé e passa atualmente por Gonzaga. Sempre em Minas. Seu vale é o Jequitinhonha, de onde veio e para onde há de voltar dentro em breve, por bem ou por mal. Publicou a Revista “Liberdade”, os livros “Impressões da Aurora”, “Jequitinhonha – Antologia Poética I e II”, “A Fala Irregular” e “Cabrália”. Parceiro inconstante de Rubinho do Vale, Vagner Santos e Romeu Santos em letras para canções.
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