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O inúmero

Publicado por Wesley Pioest em Poesia
data: 22/03/2013

Aqui estou. Presente, invisível, quase não eu.
Um pouco de mim, um quase mim, tantos
e diferentes que fui, o que serei, seja o que for.
O último da linhagem do silêncio – a quem
a própria voz me surpreende, sobressalta:
por evidente, tudo estava escrito antes de mim
e para além sei que estará, fora de mim.
Dizer que sou é pouco dizer, quase não dizer.
Os estranhos de mim, os obscuros, parcos
e indiferentes ao que rodeia: humanidade.
A quem a palavra não aperfeiçoa – o próprio –
ou o outro, se está em si por completo, se
está fora de si, e então me encontro, último
da linhagem que vem do clã das efemérides.
Por decifrável, um qual, um algum, eu, só.
Por indecifrável, múltiplos de mim, que fui.

Pois tudo nada mais é do que eu, sempre eu.
Não passa de eu, eu, eu.
Eu, apenas eu.

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Wesley Pioest - Nasceu em Rubim, estudou em Belo Horizonte, passou por Itacarambi, Muriaé e passa atualmente por Gonzaga. Sempre em Minas. Seu vale é o Jequitinhonha, de onde veio e para onde há de voltar dentro em breve, por bem ou por mal. Publicou a Revista “Liberdade”, os livros “Impressões da Aurora”, “Jequitinhonha – Antologia Poética I e II”, “A Fala Irregular” e “Cabrália”. Parceiro inconstante de Rubinho do Vale, Vagner Santos e Romeu Santos em letras para canções.
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