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O Armagedon

Publicado por Wesley Pioest em Poesia
data: 06/07/2012

Um dia triste e duro como aço. Nem os pássaros cantam.

A luz do sol é como fogo e queima.

A saudade invade casas, apartamentos e sobrados,

Nuvens caem, estrelas amanhecem nas estradas como flores

Sem árvores, peixes batem à minha porta.

É a fome, uma solidão maior do que a morte.

Meus amigos cairão, um a um, atingidos pelos relâmpagos

Sob as montanhas na tempestade de fios dourados

Para logo depois voarem como se tudo fosse apenas sonho.

Mas é real. Não estou louco. Os fantasmas voltaram.

O ar sobe em cubos translúcidos e vão como espelhos

Nos refletir para sempre em agonia nos rios de chocolate.

Ai minha doce vida, vai me abandonar, navio em chamas.

Vejo chegar a tarde com milhões de pernilongos sedentos

E a lua se esconder nas mãos do imenso universo que desaba.

Vem a chuva, noturna, densa como o mais frio oceano

Dança em torno de meu corpo sem asas e me sepulta no ar

Enquanto corro em ruas sem fim e me perco.

É o dia mais triste, tudo acabará. Nem o vento e a sua música.

Nada além do terremoto. Canto em labaredas.

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Wesley Pioest - Nasceu em Rubim, estudou em Belo Horizonte, passou por Itacarambi, Muriaé e passa atualmente por Gonzaga. Sempre em Minas. Seu vale é o Jequitinhonha, de onde veio e para onde há de voltar dentro em breve, por bem ou por mal. Publicou a Revista “Liberdade”, os livros “Impressões da Aurora”, “Jequitinhonha – Antologia Poética I e II”, “A Fala Irregular” e “Cabrália”. Parceiro inconstante de Rubinho do Vale, Vagner Santos e Romeu Santos em letras para canções.
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