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Ignorância

Publicado por Wesley Pioest em Poesia
data: 13/05/2011

O mundo para mim é o mundo que vejo:

nem bem os olhos veem, a alma capta o sobrevoo,

em mim interpretado como sinal e respiração,

o mundo que me cabe em que me caibo,

o único que sei e que me sabe,

o mundo palpável.

O mundo para mim é também o que me escapa:

assombrado desde a infância, escuro, denso,

em mim eviscerado como palavra e memória,

o mundo intraduzível aos meus idiomas,

o abismo de onde caio e para onde vou,

eu, a minha ignorância.

O mundo para mim está tatuado à minha volta:

exílio do que era sonho, anotações de passagem,

em mim retornado absoluta perplexidade,

o mundo refletido na ambição, no desejo,

um dos tantos mundos neste mundo,

dos homens desiguais.

O mundo para mim é o mundo que enfrento:

para desafia-lo desde o primeiro dia nesta vida,

é que vim para mudar e ser mudado,

o mundo de que nada sei e que me ignora,

o último que terei que suportar,

este fim de mundo.

 

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Wesley Pioest - Nasceu em Rubim, estudou em Belo Horizonte, passou por Itacarambi, Muriaé e passa atualmente por Gonzaga. Sempre em Minas. Seu vale é o Jequitinhonha, de onde veio e para onde há de voltar dentro em breve, por bem ou por mal. Publicou a Revista “Liberdade”, os livros “Impressões da Aurora”, “Jequitinhonha – Antologia Poética I e II”, “A Fala Irregular” e “Cabrália”. Parceiro inconstante de Rubinho do Vale, Vagner Santos e Romeu Santos em letras para canções.
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