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Cubismo

Publicado por Wesley Pioest em Poesia
data: 02/12/2011

A palavra me dá medo

Como pesadelo

Um abutre

Pousado em meus ombros

A matéria fluida

Do primeiro dia do mundo

Retornando em ondas

Punhal

 

A palavra é toda a coisa

Que se queira

Uma mesa

Sol na linha do horizonte

O sinal o signo

Intérprete do que se passa

O que se sonha

Luz e sombra

 

A palavra a tudo se presta

Sendo nada

A significação

Embora de toda água beba

Em todo lugar esteja

Antes do homem

Matéria prima

Incompreensível

 

A palavra é construção

Arquitetura

Texto imagem

Poema imerso em água

Vagalume em noite escura

Ambivalência

Em papiro escrita

Em silêncio ecoa

 

A palavra

O nome que tudo inicia

Inintelingível

 

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Wesley Pioest - Nasceu em Rubim, estudou em Belo Horizonte, passou por Itacarambi, Muriaé e passa atualmente por Gonzaga. Sempre em Minas. Seu vale é o Jequitinhonha, de onde veio e para onde há de voltar dentro em breve, por bem ou por mal. Publicou a Revista “Liberdade”, os livros “Impressões da Aurora”, “Jequitinhonha – Antologia Poética I e II”, “A Fala Irregular” e “Cabrália”. Parceiro inconstante de Rubinho do Vale, Vagner Santos e Romeu Santos em letras para canções.
Comentário
  1. Jônatas

    Profunda e apreciável. Deve ser saboreada lentamente, verso a verso, no silêncio. Semelhante a obra exposta acima da poesia, é complexa, aos olhos ligeiros, reveladora, ao observador penetrante.

    [A palavra]
    “Em papiro escrita

    Em silêncio ecoa”

    ecoe!

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