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O FIT mal terminou e já deixa saudades

Publicado por Vladimir Pôla em Teatro
data: 20/08/2010

A equipe organizadora do FIT-BH 2010, fez um trabalho de última hora, mas de excelente qualidade. Existiram alguns atropelos de produção, mas o Festival novamente foi um sucesso, lembrando que o Festival esse ano não aconteceria por problemas das mais diversas ordens. Mas aconteceu com muito sucesso, e fica aqui declarada nossa admiração pela equipe, que nos atendeu com todo o carinho e dedicação. Os agradecimentos são para todos, destacando o fundamental apoio do Coordenador do FIT, de toda a equipe, que vai dos seguranças aos produtores, que conseguiram se desenrolar de forma satisfatória. Organizar um Festival dessa magnitude em tão pouco tempo mostra a qualidade da equipe. Como diziam os antigos: “carro apertado é que anda”. Agradeço a todos, especialmente ao Bruno Borges, que me atendeu na última hora com grande empenho.

Chega de conversa fiada e vamos ao FIT-BH2010.

MENUS LARCINS – Grupo Delit de Façade – Teatro de bonecos (França) – pensem um cenário maravilhoso, abram os olhos e vejam a nossa Praça da Liberdade. Minha assistente voluntária era minha filha Rachel de 14 anos, que relutou em ir assistir ao espetáculo. De repente do meio da Praça, próximo ao prédio/casarão da antiga Secretaria de Justiça, Alameda à direita do Palácio da Liberdade, Rachel avistou uma grande mão apontando para as janelas do Belíssimo prédio. “Pai olha lá, que povo doido, andando atrás de uma mão, acho que é o povo do FIT”, saímos correndo como duas crianças atrás do cortejo. O cortejo parou, seguindo indicação da mão, que apontava para uma das janelas do prédio/casarão da Secretária Estadual de Cultura, de repente uma das janelas se iluminou, e ali, para nós, começou o espetáculo. Bonecos apareceram, e nesse conto o tema foi Criança e Natureza, personagens do imaginário infantil, ilustraram com muita graça a cena. A luz se apagou, a mão nos guiou para a próxima janela, também no prédio/casarão da Secretaria Estadual de Cultura. Próxima cena: Um pouco do bom humor negro, o menino cresceu! Uma simpática boneca de uma velhinha surge na janela, “Tô com fome!” gritou uma voz adolescente lá de dentro, a bela senhorinha preparou-lhe uma comidinha ao som de belas músicas, dançando, cantando e muito feliz. “QUERO CARNE!”, gritou a voz. A simpática senhorinha, para atender à fome do adolescente, começou a jogar pão aos pombos. Com muito empenho, conseguiu capturar um pombo. Voltou a cantar e preparou a ave para o rapazinho, ele comeu e não satisfeito voltou a gritar “QUERO MAIS CARNE!”. A simpática senhorinha dessa vez pegou um restinho de comida e começou a chamar um gato, “chanim, chanim”, mas nada de pegar o esperto gato. A senhorinha teve uma idéia, pegou o resto dos ossinhos e começou a chamar um cachorrinho “Totó, Totó… nada. Auau, auau… nada”. A voz lá dentro voltou a gritar, dessa vez ouviram-se móveis quebrando, portas batendo “QUUUUUUUUEROOOOOO CAAAAARRRRRRRRRNNEEEEEEEEEEE!!!!!!!!!!!!!!!!!!”. A senhorinha teve uma excelente (péssima) idéia, pegou uma bonequinha e começou a chamar atenção de uma criançinha “Nana neném…”, canções de ninar. O público foi ao delírio. Como pode a maldade ser tão hilária?, “só FREUD explica, ou não”, pois parte do público que não entendeu ficou “chocado”.

Próxima Cena: A mão levou o cortejo de volta ao prédio/casarão da antiga Secretaria de Justiça. A janela se iluminou e apareceu um louco, com os cabelos muito parecidos aos de “Albert Einstein” O boneco estava internado em um sanatório. A Rachel minha assistente voluntária e filha, que não queria ter ido ao FIT, quando entendeu que “Albert Einstein”, estava num hospício, foi ao delírio “Pai que peça doida é essa, muito legal. Que que é isso, velho? Tô de cara!!!” Hehe. Uma senhorinha na janela ao lado, muito parecida com a senhorinha da outra cena. Com um capacete improvisado, óculos de aviador e uma asa feita com pedaços de guarda chuva, sobe na janela para poder pular do prédio/casarão, “KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK…” o público foi ao delírio, veio uma mão por trás, segurou a senhorinha e colocou na boca dela um remedinho psiquiátrico, hehehe. Voltamos para a outra janela do mesmo prédio/casarão. Estava “Einstein” e seus amigos comemorando o domingo, pois eram liberados para jogar um baralho. De repente, na entrada do prédio/casarão, dois funcionários do sanatório, colocam uma grande lixeira na porta, e assustadoramente, a senhorinha que queria voar, sai de dentro do lixo, gritando, com som ao fundo do bom e velho Rock, “HOJE EU VOU PASSAR O DOMINGO NA RUA!!!” o público e a Rachel: “KKKKKKKKKKKKK…” (eu também!). Próxima cena, ninguém entendeu nada, personagens do imaginário infantil, bonequinhos guerreando, um tirando a cabeça do outro e jogando da janela: lixeira, brinquedos e até um gato foram arremessados no local protegido por grades, o público não tava entendendo nada, nem eu, nem a Rachel, algumas pessoas se levantaram para ir embora, mas não conseguiram tirar os olhos da janela. De repente escuta-se a voz de uma mãe gritando ”FILHO, PÁRA DE BRINCAR E VEM COMER!” eis que surge na janela, um cabeção de criança, a viagem imcompreensível para todos era nada mais que uma criança criativa desenvolvendo a sua “viagem/brincadeira” de criança.  “PLAC, PLAC, PLAC” muitos aplausos, assovios, público feliz e novamente, como sempre, fim de outro belíssimo espetáculo do FIT BH 2010.

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Vladimir Pôla - Geógrafo, colaborador do portalmetro. Residente em Belo Horizonte - MG
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