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As bodas do tio Bené – Parte 2

Publicado por Tarzan Leão em Cotidiano
data: 05/11/2010

Será o Benedito?

Será o Benedito?

“Isso acontece, meu amor”, disse Elisângela, para consolar o marido que não conseguia esconder a frustração por haver falhado logo na noite de núpcias.

“Foi a primeira vez que isso me aconteceu”, defendeu-se Benedito. “Pode ter sido de tanta emoção, meu anjinho. Quando vi esse corpo escultural, as carnes durinhas, sem estrias, sem nenhuma celulite, esses peitos empinados, meu coração disparou. Estou tremendo até agora, veja aqui”, e ergueu o braço direito, exibindo a mão trêmula.

Ela o abraçou. O seu corpo quente contrastava com o dele frio e trêmulo. Um fio de suor escorreu pela fronte de Benedito, banhando o rosto e emoldurando o seu indisfarçado olhar de tristeza. Depois de um breve silêncio, ele propôs:

“E se a gente fizesse de outra forma?”, sugeriu, buscando uma maneira de satisfazer a jovem cuja excitação era vista a olhos nus.

“Preocupa não, Dito. Temos ainda uma vida pela frente”, respondeu, tentando disfarçar o seu desgosto.

“Pode também ter sido por causa do cansaço. O dia hoje foi muito cheio, extrapolei na bebida e na comida”, completou, buscando uma explicação racional para o seu fracasso naquela noite.

“Já falei pra não se preocupar. Até parece que isso é o fim do mundo!” E inexperiente, continuou: “Tive um namorado, o Tarcísio, que era virgem. Ele também brochou na nossa primeira vez. Coitadinho, quase morreu de vergonha. Passou vários dias fugindo de mim. O seu maior medo, me confessou, era que eu contasse para as minhas amigas. Mas, isso foi só na primeira vez. Depois o danadinho quase me matou”, concluiu rindo. “Quer saber de uma coisa? Acho que todo homem, em algum momento, já deu uma brochadinha, embora nenhum assuma isso.”

“Comigo foi a primeira vez, juro”, defendeu-se. “Ultimamente eu tinha alguma dificuldade com Neide. Mas falhar, nunca falhei. Em mais de trinta anos de casados, era natural que um não sentisse tanto interesse pelo outro. A gente ficava um mês, até três meses sem fazer amor. Eu saía com umas garotas em Brasília. Elas sempre elogiavam o meu vigor”, disse orgulhoso de si. “Agora vamos dormir.” Finalizou, virando-se para o outro lado.

“É. Vamos dormir”, concordou Elisângela, pensando no que acontecera.

Quando Elisângela acordou no dia seguinte, quase não acreditou no que viu: sobre a cama, ao lado, o seu café da manhã como jamais vira em casa de seus pais. Frutas as mais diversas, chocolate quente, pão, queijos, presunto, biscoitos. O som ligado em volume mínimo apenas o suficiente para tornar o ambiente romântico.

Naquela manhã, ali mesmo na cama entre frutas, queijos e biscoitos, depois de muito esforço, os dois se amaram, tirando assim parte da má impressão causada na noite anterior.

Ao anoitecer tentaram novamente, mas, para a decepção do casal, mais uma vez Benedito não passou das preliminares. Para não deixar Elisângela a ver navios, ele lhe fez carinho de outras formas, só parando quando ela sentiu orgasmo. Findo o ato, não trocaram uma palavra sequer. Preocupado, ele quase não dormiu, temeroso que viesse a fracassar outras vezes. E fracassou. Para a sua desdita, se fôssemos fazer uma estatística, ele sairia perdendo de quatro a um para Elisângela.

Num ponto os homens estão todos de acordo: não há maior vexame do que brochar na cama com uma mulher. Benedito, que já na primeira noite enfrentara problemas dessa natureza, ficara com dificuldades enormes. Mal Elisângela o procurava, ele começava a suar frio com medo de falhar. Pensou até em consultar um psicólogo antes de decidir tomar Viagra. Um mês depois um comprimido só não bastava. Para o bem do seu casamento, pensou, precisava aumentar a dose. E esse foi o seu maior erro.

(CONTINUA…)

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Tarzan Leão - Filósofo, professor e escritor. Residente em Paracatu - MG.
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