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Viva Melhor com Elegância

Publicado por Sebastião Verly em Cotidiano
data: 26/03/2012

A primeira vez que li o Pequeno Tratado das Grandes Virtudes, o que me chamou a atenção naquele livro de André Compte Sponville foi ver a Polidez como a primeira virtude. Com várias leituras, passei a admirar a Polidez e a me esforçar muito para cultivar essa tão valiosa virtude.

Com esta introdução, pretendo abordar uma outra virtude que não consta especificamente daquele Tratado, mas que passou a ser muito importante para o meu dia a dia. Especialmente nas relações humanas e nas relações amorosas.

Eu a conheci através de uma pessoa admirável, cheia de qualidades, uma pessoa humana sublime bem acima dos simples mortais. Falo da Elegância. Essa pessoa escreveu que quando um casal em crise procura uma terapia, a primeira pergunta que deve ser feita é: “quem perdeu a Elegância primeiro?”

Parei para pensar e gostei muito da pergunta. Não dá para viver a dois sem Elegância. Aparentemente o termo é bem amplo e as definições são muitas. Algumas palavras são assim mesmo. Comportam varias definições. Entretanto, todas as pessoas sabem muito bem o seu verdadeiro sentido.

Homem e mulher precisam agir com Elegância um com o outro. E homens ou mulheres com pessoas do mesmo gênero. Essa atitude vai de um extremo a outro. Pode ser um simples recato, um cuidado com as vestimentas, o zelo com o decoro, o capricho nas palavras, gestos e comportamentos. Até mesmo quando se pretende agradar é preciso saber fazê-lo elegantemente. A elegância vai muito além do que as camadas mais altas da sociedade entendem.

Até os anos 60 as relações entre marido e mulher eram bem mais rígidas.  Por um lado, esse rigor nas relações limitava o prazer e a qualidade de vida, por outro, exigia um comportamento formal que beirava a posturas elegantes. Os casais já haviam evoluído da fase em que a esposa tratava o esposo como “senhor” e caminhava a passos largos para a emancipação da mulher. Os movimentos feministas gritaram pela liberdade total da mulher. A família permanecia mais estável e as relações eram mais sólidas.

Muitas pessoas confundiram o movimento de mudança daquele tempo e acreditou na libertinagem e na permissividade excessiva como a proposta geral. Somente uma pequena camada pensante compreendeu o caminho a seguir. E nas décadas seguintes chegamos ao fato do ex-presidente Collor agredir nossos olhares com um gesto grosseiro e de baixo nível. Eu, que até então desconhecia o significado daquele gesto, hoje o vejo por todo lado exibido até por garotos e garotas. A mídia, com o exemplo do apresentador de TV Faustão vulgarizou o sexo, a sexualidade, sensualidade e a sensibilidade. E para coroar, o ex-presidente e o apresentador, representam a política e a mídia nada elegantes.

O fato é que a Elegância deve surgir do coração. Temos que desenvolver a inteligência e o tato para oferecer o que há de melhor em nosso interior, especialmente para a pessoa amada. Uma pessoa verdadeiramente elegante é uma pessoa livre e liberal, que pratica a liberdade no seu sentido mais profundo e filosófico.

A Elegância, como todas as grandes virtudes é uma atitude que se fundamenta em outras virtudes, que aplicamos nos relacionamentos, especialmente entre marido e mulher. É aquele cuidado, aquela finesse que, se empregados na atenção entre os cônjuges e entre as pessoas em geral, prolongam a simpatia, o amor e a amizade.

A separação de um casal decorre em maior grau do agravamento da perda da Elegância. Chega a um ponto em que a situação torna-se insuportável.   Manter um nível saudável de Elegância exige um esforço maior que o normal e um tipo de cultura desta virtude admirável que só se aprende na prática. É claro que o amor tem um papel decisivo na manutenção da Elegância.

Preventivamente, devemos procurar a terapia para descobrir o que ainda podemos fazer para salvar um relacionamento que apresente sintomas de crise. É bom prestar atenção em todos os momentos e gestos, dentro e fora de casa, para perceber os sinais – claros ou sutis – que a vida nos oferece quando fraqueja a nossa Elegância.

É com a Elegância que as pessoas são seduzidas. E as pessoas sedutoras e seduzidas, com elegância, tornam o mundo um lugar bem melhor para se viver.

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Sebastião Verly - Sociólogo, Cronista, residente em Belo Horizonte - MG.
4 Comentários
  1. Ivone Viana

    Prezado colega, gostaria de compartilhar os seus “memorandos” com os demais. Parabéns

    • verly

      Ivone, fico feliz com seu apoio. Comopartilhe por favor.
      Muito obrigado
      Verly

  2. José Carlos Azevedo

    Bom dia: Eu vou mais além. Não importaria pra mim quem deu início a falta de elegância se tenho em minha mente que a elegância é aplicada no sentido maior; sou obstinado pela importância do que corresponde elegância no sentido maior. Ou é ou deixa de ser a partir do momento de sua convicção. Assim ser elegante é ser eficaz e simples sem se fazer notar.
    José Carlos Azevedo

    • verly

      Parabéns pelo excelente comentário. Mande sempre adendos aos meus ecritos.
      Muito obrigado
      Verly

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