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Festas juninas

Publicado por Sebastião Verly em Crônicas Culturais
data: 27/06/2018

Festas juninas

As festas juninas começam no dia 12 de junho, véspera do dia de Santo Antônio, dia 24 é celebrado São João e encerram dia 29 homenageando São Pedro.

A origem das festas juninas é pagã. Ainda antes da idade média, as anunciavam o solstício de verão no hemisfério norte e homenageavam os deuses da natureza e da fertilidade, para garantir boas plantações, boas colheitas e tudo de bom que o crente desejar.

No Brasil, as festas juninas, introduzidas pelos portugueses desde o século XVII, sofreram influências das culturas africanas e indígenas e ganharam características regionais.

Na região Nordeste, destacam-se Caruaru, em Pernambuco, e Campina Grande, na Paraíba, consideradas as 2 maiores festas juninas do Brasil.

Em Salvador, Bahia, é costume desejar feliz São João e muitas casas comerciais oferecem, para vender, fogueiras prontas caracterizadas para cada santo.

Em Belo Horizonte, a partir de 1993, a prefeitura municipal estimula com verbas e premiações as festas em cada uma das nove Administrações Regionais.

Em Porto Rico, na França, na Rússia, na Polônia, na Suécia, na Estônia, na Dinamarca e na Grécia realizam-se festas juninas, com características nacionais.

No Canadá, o dia de São João Batista é considerado o feriado nacional da Região do Quebec, a província canadense de língua francesa. Inicialmente vinculada à religiosidade católica que distinguia os canadenses francófonos dos anglófonos – inclusive com direito a vestir crianças como São João Batista – a festa se laicizou em grande escala e se tornou uma festa da identidade quebequense. Popularmente, porém, mantém o nome de Saint Jean. As fogueiras permanecem presentes, geralmente mais de 300 espalhadas pela província, bem como shows, desfiles e fogos de artifício.

Em Portugal, nas festas de ruas, comemora-se o São João, denominando-as de “festas joaninas”. No Porto e em Braga, o registro mais antigo da festa data do século XIV. Além do lançamento de balões de ar quente, costume que chegou ao Brasil, e dos arraiais com música e comida que acontecem em diversos bairros da cidade até de madrugada, uma das tradições da festa consiste em bater na cabeça das pessoas com alho poró ou, mais recentemente, com martelinhos de plástico. As mulheres esfregam ramos de erva-cidreira na cara dos homens que passam. Tratam-se de costumes ligados a festivais da fertilidade anteriores à cristianização da festa. Em Braga um dos costumes é a dança dos pastores e a dança do Rei David.

No Peru, os rios da selva peruana que recebem as pessoas para o “baño bendito” no dia de São João. Come-se o juane, um preparado de arroz, ovos, azeitonas, coxa de frango e chicória, tudo envolvido em folhas de uma planta chamada bijao, resultando em um formato redondo que remete à cabeça de João Batista, pedida em um prato pela filha de Herodíades. Em Iquitos, o baile que acontece após a missa e a procissão se realiza ao redor de uma palmeira carregada de presentes, chamada de humisha.

A festa bem preparada obedece a um verdadeiro ritual

Voltando ao nosso Brasil, os terreiros varridos e enfeitados com bandeirinhas de papel crepom de muitas cores ajudam a compor o arraial como o ambiente da festa, dando início à alegria e animação da festa junina. O “arraiá” com todas as suas características, representa o ambiente interiorano.

A fogueira é parte principal do cenário da festa. Há lugares que os festeiros criam uma forma de fogueira diferente para cada santo: a quadrada é de Santo Antônio; a redonda de São João e a triangular de São Pedro. Comidas e bebidas típicas são servidas ou vendidas em barracas.

Batata doce assada, pé de moleque, mungunzá e tapioca no Nordeste, no Sudeste tem a canjica, mingau de milho verde ou curau, pamonha, milho verde assado, pipoca, algodão doce, paçoquinhas de amendoim, também a maçã do amor, são principais quitutes da noite.

Vinho quente e quentão são as bebidas habituais. O forró ouve-se e dança nos salões. O casamento na roça que antecede a dança da quadrilha, faz parte da encenação nas festas juninas e é uma paródia do casamento feita em homenagem a Santo Antônio, o santo casamenteiro.

Sanfona, violão, viola caipira, triângulo, zabumba, pandeiro são instrumentos musicais básicos na festa. Pedro, Antônio e João, Isto é lá com Santo Antônio, Capelinha de Melão, Cai cai balão, O balão vai subindo, Chegou a hora da fogueira, Pula fogueira, Olha pro céu meu amor são as músicas mais tocadas e cantadas nas noites juninas.

Os fogos de artifício, rojões e bombinhas estouram e animam a festa. Os balões, ultimamente abolidos por questões de segurança, indicavam o início das comemorações. Pau de sebo, saltar a fogueira, correio-elegante, pescaria, barraca do beijo, argola, são algumas das brincadeiras que alegram mais a festa.

O mastro levantado com a figura do santo no extremo assegura o toque religioso da festa. As simpatias – especialmente as casamenteiras, dão o toque de ficção da festa. A quadrilha, dança que adota a caricatura de trajes caipiras no Sudeste ou do cangaço no Nordeste, anima o terreiro ou os pátios.

A marcação da quadrilha é feita com variações adotadas pelo marcador, tendo, basicamente, a seguinte sequência: balancê, anavan, tur, cumprimento às damas e aos cavalheiros, olha o túnel, anarriê, caminho da roça, olha a chuva, é mentira, olha a cobra, já mataram, caracol, travessê, coroar damas e cavalheiros e despedida.

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Sebastião Verly - Sociólogo, Cronista, residente em Belo Horizonte - MG.
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