Tamanho da Letra: [A-] [A+]

Embalagens e Recipientes – parte 3 – Barro, Pedra e Madeira

Publicado por Sebastião Verly em Crônicas Culturais, Geração de Renda
data: 19/05/2011


Pensávamos em deixar os vasilhames de barro e pedra para outra oportunidade. Mas, fomos alertados para a importância do pote e talhas em que se conservam água para beber: água potável, do buião para guardar o sal, das panelas de barros há muito em desuso substituidas pelas finas cerâmicas, modernamente industrializadas.


As panelas de pedras, dizem fazem comidas mais saborosas e mais saudáveis, como a tradicional moqueca de peixe capixaba ou baiana.


Menciono ainda aqui o pilão de madeira. O pilão mais utilizado na Região Central de Minas, onde nasci, era um tronco na horizontal, no qual era feito um furo em forma de cone ou ogiva, para diversas utilidades. A primordial era pilar o arroz, daí lhe veio o nome Pilão. Servia para “limpar” os grãos de café, para fazer o pelar o milho para canjica e para fazer um prato maravilhoso que é a paçoca de carne com farinha de mandioca. Mais raro havia o pilão de duas bocas. O mais curioso do pilão era o trabalho conjunto de duas socadeiras, que, numa harmonia incrível alternavam-se nas batidas com as duas “mãos de pilão”, no pilão de um só bojo.


Nos últimos tempos, o pilão mais usado e ainda hoje encontrado à venda é o da segunda figura, feito com o tronco na vertical.


Um dos aspectos que mais me chamavam a atenção, ao presenciar o uso do pilão era ver duas pessoas socarem ao mesmo tempo, num ritmo e harmonia de rara precisão.


Lembrei agora do cocho mais usado para alimentação de animais. A palavra cocho, para o homem do campo, identifica uma tora de madeira escavada, formando uma espécie de recipiente. O cocho é muito utilizado para se colocar sal para o gado, nas pastagens das fazendas. O cocho pode ser pequeno para deixar a água para galinhas até os enormes que nas fazendas era usado para por sal grosso para o gado, passando pelos tamanhos médios para alimentar os porcos.


E como é bom lembrar um vasilhame ainda hoje usado, o tonel, o quinto, o barril e a barrica, para curtir, dar cheiro, cor, sabor e envelhecimento à cachaça, para transportar o vinho e

o pequeno ancarote para manter a água fria para operadores de maquinas e caminhoneiros.


Tanoeiro ou toneleiro é um artesão dedicado ao fabrico de barris, pipas ou tonéis para embalar, conservar e transportar mercadorias, principalmente líquidos. Os barris podem ser feitos de madeira (carvalho, castanho, mogno, acácio ou eucalipto), mas são os de carvalho o de melhor conserva. A madeira ideal para conservar bebidas é a proveniente de carvalhos que tenham aproximadamente 150 anos. Após o abate da árvore, a madeira deve ficar cerca de 3 anos a secar ao ar livre.


A tina entre nós não é comum.

Ainda temos muito que rememorar, até com saudades, dos utensílios tradicionais que tanto facilitaram a vida da gente simples do interior. E o melhor de tudo: eram utensílios e embalagens perfeitamente recicláveis e mantinham o ambiente limpo e preservado. E como é bom ver e relembrar tão belos aspectos do artesanato doméstico brasileira. Mas como observou o Doutor Eduardo Mundim em nossa conversa hoje pela manhã, acabaram ofuscados pela tecnologia, pelo marketing e pelo design chic.

Compartilhar este Artigo

Leia mais artigos em Crônicas Culturais Geração de Renda

Sebastião Verly - Sociólogo, Cronista, residente em Belo Horizonte - MG.
Comentário
  1. é muito interessante

Deixe um comentário