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Embalagens e Recipientes – parte 2 – Algodão, Madeira, Cocos e Cabaças

Publicado por Sebastião Verly em Crônicas Culturais, Geração de Renda
data: 11/05/2011

A capanga é uma sacola simples feita de com a junção de duas peças de pano e sustentada por uma alça móvel ou fixa do mesmo tecido.


Já o embornal, ou bornal, como se diz em alguns regiões, é a mesma capanga, porém com mais acabamentos: uma “pampa” bem acabada e com botão para fecha. Não encontrei nenhuma imagem que reproduzisse bem esse utensílio. Confio que a maioria das pessoas já tenha visto um.


“Bornal velho aposentado
Já trouxeste das caçadas
Muitas vidas já extintas
Dos bichinhos das chapadas
Há tempos trazias morte
Hoje, vidas renovadas”

Sexteto de Cícero Moraes, extraído do blog do poeta belmontense

http://belmontepe.blogspot.com/2011/02/uma-vitoria-da-vida.html

Na mesma linha, a sacola de pano chegou a ganhar status de acessório feminino, ganhou alça de diversos materiais e até bordados nas laterais.


Com objetivo semelhante, havia um tecido especialmente para ser usado na montaria, que não recebia uma denominação muito clara, mas assemelhava-se aos famosos alforjes. A abertura era no meio e enchiam-se as duas partes para colocar em equilíbrio nos arreios dos animais.

Minha amiga Leda Julio Carvalho está me lembrando agora dos sacos usados como embalagem e para o transporte. Havia os sacos brancos, que vinham com farinha de trigo e açúcar cristal. Os sacos de aniagem, compostos de tecidos de juta, ainda são usados para transporte e manuseio da batata, do inhame e outros produtos maiores.


Por hoje, ainda tenho que registrar o uso das cabaças, que bem “curadas” duravam uma vida inteira. Serviam, em primeiro lugar para transportar água especialmente nas lavouras, depois para todo tipo de líquidos e são famosas nas historinhas do coelho e da onça, quando os cargueiros transportavam duas ou quatro cabaças de mel de abelha no lombo dos animais.Serrada ao meio tem-se a cuia que já foi de grande utilidade, notadamente usada para lavar o arroz antes de colocar na panela para cozinhar.


Pedem-me para incluir o coité e a cuia de coco, ambas totalmente em desuso. Mas tiveram seu papel como utensílio para manuseio de água e, muitas vezes, para pegar o açúcar, a farinha e outros cereais e produtos de menor granulometria. Originalmente, as farinheiras eram objetos simples como cuias de coco, coités e tigelas de barro.


Outro artesanato de grande utilidade precisa ser registrado: a gamela. Gamela é uma vasilha com a forma de uma tigela ou bacia, esculpida em madeira retirada de árvores cuja madeira é macia, um exemplo é a gameleira.

Pode ser redonda ou ovalada e é utilizada, quer na alimentação humana, como prato ou vasilha para levar a comida à mesa, quer para dar de comer aos porcos, para banhos, lavagens e outros fins.

Apesar de construção aparentemente simples, a gamela, que atualmente é utilizada apenas pelas famílias pobres ou como ornamentação em casas mais abastadas, não deve ser considerada um utensílio culinário primitivo. Foi necessário inventar primeiro os instrumentos de ferro para a produzir. As vasilhas de barro e pedra parecem ser as de construção mais antiga, sendo encontradas com frequência em sítios arqueológicos; desta forma, as gamelas devem ter sido inventadas em locais onde o barro não era abundante.

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Sebastião Verly - Sociólogo, Cronista, residente em Belo Horizonte - MG.
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