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Dia do vizinho

Publicado por Sebastião Verly em Cotidiano
data: 21/08/2013

Na ultima semana, acertei um novo valor para o aluguel do apartamento de que sou inquilino há 13 anos. É muito alto o valor, mas ainda considero-me feliz em poder continuar a usufruir desse privilégio em morar numa rua como poucas no mundo.

Eu considero como a rua onde eu moro o trecho que vai do prédio em que vivo até os dois extremos para alcançar a Avenida Contorno pela parte da esquerda bem como pela parte da direita.

Outro dia quando vinha do vip-mercado, que fica a dois quarteirões no final da rua de cima, uma linda jovem travou conversa comigo e acabei sabendo que ela mora no prédio bem em frente ao meu. Gisele, nome da menina, uma beleza de moça e uma simpatia de pessoa. A jovem me prometeu trazer bananas pratas de seu sítio, uma vez que reclamei que as do mercado são colhidas verdes. Reencontramos no aniversário de um garoto nosso vizinho e ela confirmou a promessa. Na semana seguinte, mandou-me alface, mexerica e limão vermelho colhido em suas terras e garantiu que da próxima vez trará bananas.

No prédio, toda segunda feira, meu vizinho do andar de baixo faz questão de me oferecer carona até o trabalho, quando ele vai comprar tomates para sua esposa preparar o delicioso tomate seco. Na casa ao lado, o pai do garotinho Gabriel sempre que passa e me vê sair pelo portão vem logo para algumas palavras rápidas que sejam. Descendo a rua praticamente em todos os endereços recebo um cumprimento que vai se consolidando nesses 13 a 14 anos de vivência por aqui.

Já contei em minhas crônicas anteriores sobre os animais, aves, cães e gatos, das árvores frutíferas, das flores raras e belas e tantas coisas e situações que aqui existem.

Na última safra, a frondosa goiabeira produziu uma grande quantidade, além do normal, porém as frutas foram colhidas antes das minhas expectativas. Na próxima safra, espero que sobre para mim. Se não sobrar não tem importância. O bom é ver que a garotada trepa na árvore para a colheita dos frutos.

Na semana anterior quando voltava do trabalho um maracujá caiu raspando no meu rosto. Trouxe-o para casa e fiz um delicioso suco.

As flores começam a enfeitar, com sua raridade. o “papo de peru’, ou com sua beleza, o “amor agarradinho” e agora um “chorão” que toma boa parte do passeio da frente de um prédio no segundo quarteirão.

Depois do último censo, encontro por aqui, em trânsito para sua residência, a linda mulher que fez o recenseamento em minha casa, e já firmei um namoro unilateral com ela, que se chama Terezinha. Algumas vezes conversamos e, além do nome, já sei que trabalha no IBGE e gosta do que faz.

A rua não tem bar ou outro comércio qualquer, mas tem uma garagem onde os vizinhos se reúnem para jogos de cartas e, num curto período do ano, também se joga o dominó. O local está sempre movimentado. Essa garagem tem uma boa e constante frequência. Um pequeno televisor fica ligado a maior parte do dia e sempre tem alguém para assistir. Ali mistura-se gente da rua e da vila (ex-favela) numa boa. A vila hoje tem um beco que serve de ligação com a parte de cima do bairro e facilita o acesso mesmo de quem deseja ir a pé para locais mais próximos e até para o centro da cidade.

Na frente, a garotada, muitos vindos de fora, assenta-se no baldrame ou na beira do passeio para enrolar os papelotes de maconha da boa “manga rosa” ou da mais barata, cheia de misturas diversas.

O que mais temos nesta rua é liderança. Pelo menos três lideres revezam-se em cada situação. Um deles é o Davi pai de uma menina e dois meninos e que nos últimos tempos mudou-se da vila do final da rua, mas mantém seus interesses por aqui. No sábado mesmo, o Davi dava banho em um belo cão que apareceu por aqui, com aparência de feroz mas de uma doçura impar e uma beleza rara.

No último final de semana ele esteve no meu local de trabalho, que fica aqui próximo, pedindo apoio para um evento na rua, no próximo dia 17 de agosto, com o inovador e apropriadíssimo título de “Dia do vizinho”.

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Sebastião Verly - Sociólogo, Cronista, residente em Belo Horizonte - MG.
2 Comentários
  1. Marcos Leonel

    Felicitações a volta de Sebastião Verly. A valorização do vizinho reforça a máxima “Viver é conviver”.

  2. verly

    Muito obrigado pela força. Esta publicação me estimula a escrever mais. Espero ainda nos encontrar mais vezes por aqui.

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