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BH: Aonde Vai Chegar?

Publicado por Nádia Campos em Politicas Urbanas
data: 07/05/2012

Hoje em dia as cidades grandes apesar de oferecerem diversidades no que se trata de informação, serviços, ofícios, culinária, entre outros, também representam engarrafamentos, ruídos, poluição do ar, temperaturas mais elevadas, enchentes, insegurança, degradação ambiental, poluição visual, enfim um caos que gera uma doença muito comum dos nossos tempos: estresse.

Segundo Lana Calvacanti, cidade é uma aglomeração de pessoas e de objetos. Observando este conceito e a realidade, parece que Belo Horizonte, assim como outras metrópoles, está se organizando mais em função dos objetos do que das pessoas. É justamente o que caracteriza a visão “empresarial”.  As pessoas são tradadas como robôs ou peças para fazer mover a engrenagem deste sistema, enquanto os valores e necessidades humanas ficam para terceiro, décimo ou nenhum plano. Surgem as Promiscuidades Público Privadas que conseguem reunir numa só iniciativa a ganância de poder dos políticos com a financeira dos “empresários”.

Ainda bem que este sistema é tão visivelmente decrépito, que pessoas ativas, inteligentes, buscam brechas para defender os direitos do ser humano. Afinal as cidades deveriam ser construídas, planejadas e administradas com foco no bem-estar das pessoas. Deveriam girar em torno de serviços como saúde, educação, lazer, cultura, transporte. Mas o motriz “empresarial” atropela tudo, muitas vezes pela própria armadilha do sistema: os lucros cada vez mais concentrados, a ganância, a falta de compromisso com o coletivo.

Quando este compromisso está presente, acontece a organização e mobilização da sociedade que muitas vezes consegue pressionar e fazer com que o poder público corresponda à sua função.

A cidade de Belo horizonte foi fundada como capital do estado de Minas Gerais em 1897 em função da decadência do ciclo do ouro e o novo enfoque minerador no quadrilátero ferrífero. Mais de cem anos depois, a extração de minério de ferro que gerou a formação da cidade, é o que mais degrada os recursos naturais do nosso entorno, ameaçando descaradamente nossos mananciais hídricos sob o cinismo e a vista grossa dos políticos, que se convertem em meros instrumentos das máfias minerárias que os financiam. A riqueza em cursos d’água, o ótimo clima ameno, a localização foram fatores que tornaram o antigo povoado de Curral Del Rei atrativo para tão nobre escolha. Depois do avanço da industrialização, a população da cidade dobrou, chegando a ter 1 milhão de habitantes na década de 60. Nesta época foi instituída a Região Metropolitana.

Esse processo industrial descontrolado retirou populações do campo e gerou conglomerados de pessoas, as grandes cidades. A estrutura desses centros levam à perda da identidade das pessoas, e no caso da América Latina, perpetua uma nova etapa do processo colonizatório. Mas não desanimemos, o ser humano tem uma incrível capacidade de rebelião, apesar de às vezes preferir comodamente ser arrebanhado. Muitos de nós já nascemos em cidades e nem por isso perdemos nossa identidade e a vocação solidária. Ainda existem associações de bairros, movimentos sociais que conseguiram através de lutas e revindicações, manter áreas verdes preservadas.

No ano de 1992, graças à mobilização das comunidades dos Bairros Planalto, Itapoã e do entorno, foi criado o Parque Lagoa do Nado em uma antiga fazenda onde “empreendedores” pretendiam construir um conjunto de casas, destruindo aquela área verde já tão rara no município. Existe uma rara área de mata próxima ao Parque onde há como sempre a ameaça de verticalização. Por isso, foi criado o movimento Preserve a Mata do Planalto para defendê-la. Através da organização comunitária e de ações no Ministério Público, o empreendimento está embargado. Segundo o Sr Antônio Matoso, morador do bairro Planalto e membro da Associação de Moradores, a luta já dura dois anos e é difícil, já que a prefeitura e o próprio secretário de meio ambiente estão defendendo claramente os interesses empresariais, desconhecendo o aspecto ambiental. Para ele também a verticalização que está acontecendo na região da Pampulha é um absurdo.

Para a arquiteta Dorinha Alvarenga uma ação que de fato poderia garantir que Belo Horizonte fosse um lugar melhor para se viver, seria o planejamento urbano e ambiental de médio e longo prazo. Diz que as leis deveriam ser modificadas para atender melhor as demandas sociais. “Os interesses de empreendedores e da propriedade, a meu ver comprometem e muito a qualidade de vida da população.”

Se as cidades não forem reorganizadas e repensadas desde o destino de resíduos, o trato das águas, os meios de transporte, a preservação do verde, as relações entre as pessoas e uma adequação aos ciclos da natureza, elas estão condenadas a caminhar para um caos irreversível. Deixo a pergunta para @ leitor@: Será possível existir uma cidade sustentável?

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Nádia Campos - Cantora, compositora e arte-educadora.
6 Comentários
  1. Gláucia

    Sou do Movimento das associações de moradores de BH. Acabo de chegar de uma audiencia Pública, Plano Diretor Pampulha/Venda Nova. Rídículo. Querem enfiar goela abaixo algo pronto,diagnóstico feito por uma empresa contratada, e que a população avalize e valide aquilo. Em meio a muitoas discussões, contraponto, e não concordancia, eles não tem opções para nós.
    A única que deram foi fazermos nossas observações, no site, e verão o que pode ser feito.Sem garantia logicamente, de que mudariam alguma coisa. Bastante ditatorial. Mudanças super importantes da cidade, discutidas, em menos de duas horas.
    Com falar em sustentabilidade? Como falar em participação popular, e democrática?
    O barco está afundando.

    • Nádia Campos

      tá mesmo… o jeito é voltar para a roça!!!!!!!!!!!!!

  2. Mario Arellano

    Es increíble la falta de preocupación de las autoridades de todo tipo por los problemas de la gente. Sólo tratan de mostrar algunas cosas hechas en sus cortos mandatos. En Santiago, tú ya debes pensar muy bien a qué hora salir para no triplicar el tiempo de traslado en auto. Empresarios orgullosos inauguran sus nuevos edificios en los mejores barrios, asfixiando el tráfico y aumentando la contaminación. Ahora se han dado cuenta que no hicieron las obras necesarias para mitigar este impacto y se demoran media hora en salir del estacionamiento de sus lindos edificios…

  3. André Campos

    Essa é uma vantagem de ser de Pompéu!

  4. Edna Ferreira

    Faço parte do Movimento da Habitação da Arquidiocese de BH, coordenada pelo Pe. Piggi e vejo que é possível sim, construir uma cidade sustentável. Nosso projeto, antes de tudo visa a mudança da lei do uso do solo e a partir daí provamos que em Belo Horizonte tem terra que resolve toda problemática do déficit habitacional. Pretendemos mudar a lei do uso do solo de ZEPAM para ZEIS. Isto, de acordo com o projeto, permite que todas as famílias tenham moradia digna com 250M2 preservando nascentes, criando parques lineares e o melhor, em regime de auto-construção. Mas eis a questão: E as empreiteiras? E a politicagem? É aí que esbarramos. Eles combinam entre eles, compram os políticos ( e os políticos se vendem, claro), para que eles, os políticos, não votem para a mudança da lei. Nos deparamos também com a política do meio ambiente, que diz estar preservando o meio ambiente, mas quando chega um grande empresário para comprar a tal terra de preservação ambiental, a coisa muda. Temos uma Apostila com todos os argumentos e provas de que é possível
    unir moradia para todos e cidade sustentável.

  5. Nádia Campos

    Oi Edna,
    Te parabenizo muito pelo seu trabalho e da para ver o seu envolvimento pela causa do bem comum. Eu concordo q o problema é a politicagem, o imediatismo e a falta de visão coletiva. Mas te desejo sucesso no seu trabalho. Precisamos de pessoas e organizações assim com espaço, voz e autonomia! Abraços

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