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Itacambira faz Vigília por Imagens Sacras

Publicado por Milton Tavares Campos em Cidadania, Religião
data: 16/02/2012

A Igreja Matriz de Santo Antônio, de mais de 300 anos, foi arrombada na madrugada da última quarta-feira, 15/02/2012, em Itacambira, na Região Norte de Minas Gerais, e foram levadas pelo menos cinco imagens sacras, que são parte da história da cidade, que gira em torno da igreja matriz, um prédio de mais de trezentos anos.
Os criminosos arrombaram a porta lateral para entrar na igreja. As imagens de São Vicente Ferri, São Sebastião, Santana Mestra, São Miguel e Santo Antônio foram retiradas do altar central. A imagem de Santo Antônio é a que tem maior significado pois está ligada à história da construção do templo no início do século XVIII. Durante a fuga a imagem de Nossa Senhora do Rosário a maior e mais pesada do acervo foi deixada para trás.
Segundo moradores, houve um velório na igreja, que durou até por volta de 22 horas da terça feira, dia 14, horário em que a igreja foi fechada. Por volta de 3 da manhã um carro arrancou em alta velocidade da lateral da igreja tomando a direção de Montes Claros. Uma camionete escura cabine dupla, com vidros escurecidos circulou na 3ª feira por volta de 15 horas, e pode ser uma pista.

No dia 31 de julho de 1998, a Igreja Matriz de Santo Antônio foi considerada como bem cultural, assim como seu acervo, e foi tombada pelo Instituto Estadual do patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA).

Tão logo correu a notícia do roubo, muitos fiéis compareceram ao templo e permaneceram em vigília na frente da igreja, clamando por justiça e pedindo que todos colaborem para a recuperação das peças sacras. A característica comum em roubos de peças sacras e obras de arte, é que há a orientação de especialistas, que conhecem bem o valor de cada imagem.

Apesar de seu alto valor histórico, religioso e cultural, e de haver uma máfia globalizada especializada no furto, receptação e comercialização destas obras, a melhor defesa é a divulgação, pois, devido à singularidade, as obras são facilmente identificáveis. A conduta dos mafiosos é esperar que o assunto caia no esquecimento para colocar os bens no mercado. Neste sentido estamos aqui dando nossa contribuição, pois este artigo com as imagens ficará permanentemente acessável na internet.

Informações podem ser passadas ao IEPHA/MG pelo telefone (31) 3235-2800.

Mais informações sobre Itacambira e a Igreja Matriz de Santo Antônio

A matriz de Itacambira pertenceu inicialmente ao bispado da Bahia. Foi constituída paróquia em 13 de maio de 1813, tendo autonomia sobre as igrejas de Montes Claros, Grão-Mogol e Francisco Sá. Itacambira recebeu, no século XVI, as pioneiras expedições exploradoras dos bandeirantes. O historiador Diogo de Vasconcelos atribui como fundador do arraial Fernão Dias Paes Leme, por ter ele encontrado as lendárias Serra Resplandecente e Lagoa de Vapabuçu.

Segundo registros históricos, a Matriz de Santo Antônio teve sua construção iniciada na primeira metade do século XVIII, e seu raro estilo é classificado como Barroco Oriental. Acredita-se que participaram de sua construção arquitetos e artífices trazidos pelos padres portugueses de Macau e Cantão, na China. O interior da igreja causa grande impacto visual, e até certo estranhamento, pelo aspecto despojado, muito diferente da apresentação estética convencional encontrada em templos católicos da mesma época em outras cidades mineiras. Essa singularidade e detalhes geométricos tornam a igreja um exemplar muito especial tanto do ponto de vista da estrutura, dos encaixes e entalhes quanto da composição da decoração de uma forma geral.

Mas a igreja deve sua maior divulgação ao romance Grande Sertão Veredas de Guimarães Rosa, que termina exatamente ali, onde o personagem principal, Riobaldo Tatarana, descobre o batistério de Maria Deodorina da Fé Betancourt Marins, o Diadorim.

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Milton Tavares Campos - Formado em Ciências Econômicas, Fiscal de Tributos, exerceu várias funções na Administração Pública. Foi professor da PUC/Minas/Betim. Residente em Belo Horizonte - MG.
Comentário
  1. Nádia Campos

    Lamentavel! Tomara que as imagens apareçam logo!

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