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Berlim

Publicado por João Evangelista Rodrigues em Poesia
data: 10/11/2009

berlin

O mundo todo

única verdade comemora

a queda do muro de berlim

brindes etílicos

rimas idílicas

fogos de sacrificios

murais coloridos

painéis de liberdade

míticos rituais

da mídia irremediável serva

comemora aos berros

nos bares e becos

o fim da história

a festa do mercado

saturado de inutilidades

mas perto de mim

persistem tantas

tristes

trágicas barreiras e muralhas

carros de luxo

casas em ruinas

berlim

o mundo todo

única verdade comemora

a queda do muro de berlim

brindes etílicos

fogos de sacrificios

murais coloridos

painéis de liberdade

míticos rituais

da mídia irremediável serva

comemora aos berros

o fim da história

a festa do mercado

saturado de inutilidades

mas perto de mim

persistem tantas

tristes

trágicas barreiras e muralhas

carros de luxo

casas em ruínas

falsas cores e luxúrias

cercas elétricas

caras fechadas

fechaduras de ouro

fachadas desertas

asilos de solidão

pobreza absoluta

desigualdade

e servidão

entre mim e meu vizinho

eu sozinho

não há paisagem possível

nem água nem passarinho

no carinho incomum

na esquina transita figura esquiva

me escuta

não há

um buraco sequer

uma brecha que seja

na parede que divide

o quintal das dores

universais

tudo de murmúrios e revides ocultos

se orgulha

doma

domina

doura a pílula da alegria

a linguagem triunfante

cega o sonho da esperança

nenhum caminho leva a honra

a roma ao amor entre os homens

todos os caminhos levam ao simulacro

ao rumor de um tempo sem nome

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João Evangelista Rodrigues - É poeta, compositor e produtor cultural. Residente em Belo Horizonte - MG.
2 Comentários
  1. Aloisio Antonio Gonçalves

    João, fica registrada a minha leitura e o prazer de saber que continuas com sintonia fina em relação aos muros espirituais.

    Abraços ,

    Chico Aloísio

  2. Naiara / Brasília - DF

    Maravilhoso!

    Percebo que o muro caiu, mas que dentro de nós existem muitos muros. Muitos ainda vivem como se houvesse a guerra e o adversário está lá fora pronto a nos atacar, criando estratégias de ataque ao inimigo… quando nosso pior inimigo somos nós mesmos e os piores muros são esses que estão dentro de nós!

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