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O Enigma da Mente: o Conhecido, o Desconhecido e o Incognoscível

Publicado por Editor em Castaneda e Don Juan
data: 03/12/2010

Existiam uma série de verdades que os videntes, antigos e novos, haviam descoberto sobre a consciência, e essas verdades foram dispostas em uma seqüência específica, objetivando melhor compreensão. O domínio da consciência consistia em internalizar a seqüência total de tais verdades.

O desconhecido é algo que se apresenta velado ao homem, embalado talvez por um contexto terrificante, mas que, apesar disso, está a seu alcance. O desconhecido torna-se o conhecido em um dado momento. O incognoscível, por outro lado, é o indescritível, o impensável, o inconcebível. É algo que jamais será conhecido por nós, e ainda assim está ali, fascinando e ao mesmo tempo horrorizando em sua vastidão.

Diante do desconhecido, o homem é aventureiro. Dar-nos uma sensação de esperança e felicidade é uma qualidade do desconhecido. O homem sente-se robusto, jovial. Mesmo a apreensão que o desconhecido desperta é muito gratificante. Os novos videntes descobriram que o homem fica em sua melhor forma diante dele.

Sempre que o que é tomado como sendo o desconhecido revela-se como o incognoscível, os resultados são desastrosos. O incognoscível não tem qualquer efeito energizante. Não está ao alcance do homem, e por isso não deveria ser invadido totalmente ou mesmo com prudência.

Delimitar o desconhecido, de modo a separá-lo do incognoscível, através do uso controlado de ver, significa torná-lo acessível à nossa percepção. O desconhecido e o conhecido estão realmente na mesma base, porque ambos estão ao alcance da percepção humana. Tudo o que esteja além de nossa capacidade de perceber é o incognoscível.

A primeira verdade sobre a consciência é que o mundo exterior não é realmente como pensamos. Achamos que é um mundo de objetos, mas não é. Não é tão sólido e real como nossa percepção foi levada a crer, mas também não é uma miragem. O mundo é uma ilusão, como tem sido dito; ele é real por um lado, e irreal por outro. Preste muita atenção nisso, pois isso deve ser compreendido, e não simplesmente aceito. Nós percebemos. Isto é um fato concreto. Mas o que percebemos não é um fato concreto, porque aprendemos o que perceber.

Algo lá fora afeta nossos sentidos. Esta é a parte que é real. A parte irreal é o que eles dizem estar lá. Tome uma montanha, por exemplo. Nossos sentidos dizem-nos que se trata de um objeto. Ela tem tamanho, corpo, forma. Nós temos até várias categorias de montanhas, extremamente precisas. Não há nada de errado com isso; a falha está simplesmente em que nunca nos ocorreu que nossos sentidos desempenham apenas um papel superficial. Eles percebem do modo como o fazem porque uma qualidade específica de nossa consciência força-os a atuar desse modo.

Os videntes dizem que pensamos que há um mundo de objetos apenas por causa de nossa consciência. Mas o que existe realmente são as emanações da Águia, fluídas, sempre em movimento e, no entanto, inalteráveis, eternas. Nossa racionalidade não pode por si só responder sobre a razão de nossa existência. Todas as vezes que tentamos fazê-lo, a resposta transforma-se em matéria de fé. Os antigos videntes tomaram outro caminho, e encontraram uma resposta que não envolve apenas a fé. Eles viram.

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