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O Emissário do sonho

Publicado por Editor em Castaneda e Don Juan
data: 18/10/2013

Através dos contatos de sonho com os seres inorgânicos, os feiticeiros antigos tornaram-se enormemente versados na manipulação do ponto de aglutinação, um tema vasto e soturno.

Eu não queria discutir isso, mas acho que está na hora de dizer que a voz que você ouve, lembrando-o para fixar sua atenção sonhadora nos itens dos sonhos, é a voz de um ser inorgânico.

Digamos que o emissário do sonho é uma força que vem das esferas dos seres inorgânicos. É por isso que os sonhadores sempre o encontram. Todos ouvem o emissário, muito poucos o vêem ou sentem-no.

Você deve entender de uma vez por todas que as vozes nos sonhos são coisas normais na vida de um feiticeiro. Você não está ficando louco, está simplesmente ouvindo a voz do emissário do sonhar.

Depois de atravessar o primeiro ou o segundo portão do sonhar, os feiticeiros chegam a uma fronteira de energia e começam a ver coisas ou a ouvir vozes. Na verdade não são vozes, e sim uma única voz. Os feiticeiros chamam-na de voz do emissário do sonho – energia alienígena consciente. Energia alienígena que procura ajudar os sonhadores dizendo coisas. O problema com o emissário do sonho é que ele só pode dizer o que os feiticeiros já sabem ou deveriam saber.

É exatamente o que eu disse: energia alienígena. Uma força impessoal que transformamos em muito pessoal, porque tem uma voz. Alguns feiticeiros têm confiança absoluta nela. Até mesmo a vêem.

Ou simplesmente ouvem-na como voz de homem ou de mulher. E a voz pode falar com eles sobre o estado das coisas, o que na maior parte das vezes é visto como um conselho sagrado.

Mas não pode ser um conselho. Ele só diz o que é o quê, e nós tiramos as conclusões. O emissário não diz nada de novo. Sua afirmação é correta, mas só na aparência é uma coisa reveladora. O que o emissário faz é meramente repetir o que você já sabe.

Nós vemos ou ouvimos porque mantemos o ponto de aglutinação fixo num determinado posicionamento, quanto mais intensa a fixação, mais intensa nossa percepção do emissário.

Certamente essa força é capaz de se materializar. E tudo depende de como o ponto de aglutinação está fixo. Mas fique tranqüilo, se você for capaz de manter um grau de desapego, nada acontece.

O emissário continua sendo o que é: uma força impessoal que age em nós por causa da fixação do ponto de aglutinação.

Toda a esfera dos seres inorgânicos tem sempre uma postura de ensinar. Talvez porque tenham uma consciência mais profunda do que a nossa, os seres inorgânicos sentem-se compelidos a nos manter debaixo de suas asas.

Se um feiticeiro deseja viver na esfera dos seres inorgânicos, o emissário é a ponte perfeita, ele fala sem mentiras, e sua tendência é ensinar, guiar. Eles ensinam coisas pertinentes ao seu mundo. O mesmo que nós ensinaríamos se fôssemos capazes de ensinar-lhes: coisas pertinentes ao nosso mundo. O método deles, entretanto, é tomar nosso eu básico como um medidor para o que precisamos, e em seguida nos ensinar de acordo com isso. Uma coisa tremendamente perigosa!

Se alguém vai usar seu eu básico como um medidor, com todos os seus medos, suas ganâncias e sua inveja etc. etc., e ensinar coisas que preencham esse estado de ser, qual você acha que seria o resultado?

O problema com os feiticeiros antigos é que eles aprenderam coisas maravilhosas, mas isso foi feito a partir de seu eu inferior não adulterado. Os seres inorgânicos tornaram-se seus aliados, e através de exemplos intencionais ensinaram maravilhas aos feiticeiros antigos. Os aliados executavam as ações e os feiticeiros eram guiados passo a passo para copiar essas ações, sem mudar em nada com relação à sua natureza básica.

Os envolvimentos dessa natureza interrompem nossa busca de liberdade ao consumir toda a nossa energia disponível. Com o objetivo de realmente seguir o exemplo de seus aliados, os feiticeiros antigos passaram suas vidas na região dos seres inorgânicos. É uma coisa assombrosa a quantidade de energia necessária para se realizar uma jornada ininterrupta como essa.

Só porque não nos ensinaram a enfatizar os sonhos como um genuíno campo de exploração não significa que eles não o sejam. Os sonhos são analisados em busca de seu sentido ou vistos como indicações de prodígios, mas nunca são encarados como uma esfera onde ocorrem eventos reais. Que eu saiba, só os feiticeiros antigos fizeram isso. Mas no final eles estragaram tudo. Ficaram cheios de cobiça e, quando chegaram a uma encruzilhada crucial, pegaram o caminho errado. Puseram todos os ovos numa única cesta: a fixação do ponto de aglutinação em um dos milhares de posicionamentos que ele pode adotar.

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