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Comentários dos Leitores – 1a Quinzena – Agosto 2011

Publicado por Editor em Espaço do Leitor
data: 23/08/2011

De Hermes Soares:

Prezado Editor,
Anexo texto Publicado em 06/08/2011 por Carlos Soares em www.feirahippie.com
para analise e divulgação
Recordando e sugerindo…

Agosto de 2011,

A Feira Hippie está ai, magoada, desconfiada, mas unida. Quem acompanha o site www.feirahippie.com desde janeiro sabe como foi difícil e dolorosa a jornada de lutas. Quem nos acompanha conhece as nossas idéias e as nossas razões, para aqueles que estão chegando agora, um pequeno resumo do que defendemos ao longo deste tempo e seguiremos defendendo. Propostas, licitação, novo leiaute, aluguel de barracas, produtos industrializados, segurança; estes são os assuntos mais relevantes e sobre os quais temos opinião formada, vamos a elas:

Licitação

Além de ser um fato imoral, desumano e ilegal, não há uma única razão HONESTA que justifique a pretensão do prefeito. O direito ao trabalho é uma dos pilares da dignidade da pessoa humana. Licitar a vaga de quem sobrevive, há 44, 20 ou 10 anos, do trabalho que vende na Feira, é atentar contra a dignidade do expositor e de sua família, é atentar contra o direito ao trabalho. Não cabe, aqui, o lero-lero de que não há direito adquirido sobre o uso do logradouro público, a dignidade da pessoa humana é fundamento de nossa Carta Magna e se sobrepõe a qualquer outra consideração. Isto não bastasse, salta aos olhos a injustiça que é tentar afastar, de um evento de reconhecido sucesso, como o é o caso de nossa Feira Hippie, os responsáveis por esse sucesso.
A Feira não foi um evento criado por A ou B, nasceu, cresceu e se tornou conhecida de forma espontânea. O poder público veio depois e com o único propósito de arrecadar, jamais prestou qualquer tipo de colaboração relevante, muito pelo contrário. O sucesso da Feira Hippie de Belo Horizonte deve-se, única e exclusivamente, ao trabalho e dedicação dos expositores que lá estão a 40, 30 ou 20 anos. Tentar se apoderar deste evento, hoje, é uma forma mal disfarçada de furto, de apropriação indébita, de roubo puro e simples.
Justificar uma licitação como ação destinada a moralizar e acabar com o pretenso aluguel de espaço e venda de produtos industrializados, é mentir descaradamente. Se existe o aluguel de espaço e a venda de produtos industrializados – e existe, em dimensão muito, e bota MUITO nisso, menor do que alardeiam os meios de comunicação comprados pela estratosférica verba publicitária alocada pelo prefeito – é por DELIBERADA falta de fiscalização. É claro e cristalino que licitar e criar uma nova feira – a feirinha pisca-pisca & mão grande – não resolve nada. Sem fiscalização, em duas semanas teríamos um quadro muito pior do que o atual. E bota pior nisto!
A população de Belo Horizonte, que reconhece a Feira Hippie como PATRIMÔNIO da cidade e deu mostra de seu orgulho, apoio e carinho, deve permanecer atenta: motivos inconfessáveis mantêm a intenção do prefeito de ACABAR com a Feira Hippie. Desconfio, coisa de mineiro, que a Feira seja algo que ele vendeu, recebeu e TEM que entregar. Talvez uma forma de ajudar alguma dona de ONG falida. Oh desconfianças cruéis!

Novo Leiaute

Deixo bem claras duas premissas: desejo que a implantação seja realizada logo; gostaria que fosse por remanejamento linear. Isto posto, lutarei, por todos os meios LEGAIS, a favor de que se implante pelo remanejamento aprovado pela Comissão Paritária. Pouco me importa o que eu GOSTARIA, a decisão da Comissão Paritária deve de ser respeitada!
Um plebiscito, que tenha a concordância da Comissão, e sei que a atual Comissão concordará, é a única alternativa que aceito.

Segurança

Não consigo entender o que a PBH espera para iniciar o processo de implantação das Brigadas Contra Incêndio e Pânico. Será que apostam em um desastre? Seriam TÃO irresponsáveis?
Tentamos agilizar este processo mas esbarramos no fato de que a formação das Brigadas dependem de infra-estrutura que somente pode ser montada pela PBH: hidrantes; sinalização visual; extintores e outras. Em princípio de julho oficiamos a Regional Centro-Sul sobre este assunto e não obtivemos resposta até o momento.
Até onde irá a irresponsabilidade de nossos atuais governantes?

Propostas

Que o prefeito desista de seu intento e entenda que a Feira Hippie é patrimônio da cidade de Belo Horizonte e merece ser tratada com respeito;
Que a PBH exerça a sua obrigação de fiscalizar;
Que fiscalização seja exercida de forma inteligente, humana e democrática;
Que a PBH enxergue a Feira como o que ela é: um evento reconhecido mundialmente e com grande potencial turístico e de lazer;
Que PBH deixe de ser inimiga e aproveitadora e se torne parceira;
Que a escadaria e o saguão exterior da PBH sejam destinados à exposição dos trabalhos de artesãos eventuais e em situação de rua;
Que as decisões da Comissão Paritária sejam respeitadas;
Que a honestidade de propósitos, o bom senso, a aceitação das diferenças, o respeito à dignidade e o diálogo sincero orientem, daqui para frente, a relação necessária entre os poderes públicos e a Feira Hippie de Belo Horizonte. Amém

Em tempo

Peço aos colegas que usem este espaço para comentar, divergir, elogiar, espinafrar, etc. Reconheço que o uso do e-mail se tornou quase que automático, é a força do hábito, antes não havia esta opção… Aqui seu comentário será apreciado por todos e pode produzir novas idéias, novas discussões e novas soluções. Reserve o uso do e-mail para assuntos pessoais, sugestões e solicitações. Participe e comente aqui! Obrigado.

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Vision, sobre o comentário de Maria Otávia no artigo “Cidade Administrativa: servidores apreensivos”

Sim sim! O Lula também reclamava o governo quando era da esquerda. Agora ele viu que não é tão fácil. Não se agrada a todos, por isso existe a democracia e a maioria decide!

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Vision, sobre o comentário de Sara Batista Belo Horizonte no mesmo artigo

Outro comentário para rir?
Ok! As máquinas estão lá com seus lanches engordativos e não saudáveis, mas você é obrigada a comer e pagar aqueles lanches? Traga uma fruta de casa!
Por que você não usa uma garrafa para tomar água em vez de usar os copos descartáveis?

“…só se for economia de inteligencia… de quem é administrado e não percebe que os decartavéis são altamente poluentes e os alimentos pouco saudáveis.” – Espero que você não se enquadre a este grupo! Eu não estou no meio!

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Vision, sobre o comentário de Rodrigo no mesmo artigo:

Vamos pensar na solução: Traga comida de casa! Oi, simples assim! Quando você pagou 20 reais por dia de estacionamento? Para quem?

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Vision, sobre o comentário de Cibele – BH no mesmo artigo:

É para rir, né? Jura que é este o seu pensamento?

“Juntamente com os seres-humanos os ratos são os um dos animais mais adaptáveis do mundo, em relação à condições geológicas e climáticas.
Os ratos são os animais que tem o organismo mais parecido com os dos humanos, por isso são usados frequentemente para pesquisas em laboratórios.”

Realmente somos muito parecidos. Você, uma moça sábia que é, entendeu muito bem o informe local para servidores. Sabe que não foi esse sentido.

Talvez quem não está presente na CAMG é porque teve que viajar para cuidar das questões interiores e exteriores do Estado.
Só mais uma pergunta (que talvez não tenha nada haver): já estudou “Política?”
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Cibele, em contra-resposta ao comentário de Vision:
Sr. “Vision”,

Primeiramente, saiba que o governo estadual, paga para a maioria AUXÍLIO transporte e alimentação, que mal paga a ida ao trabalho e um pão com manteiga por dia.
Quanto ao meu comentário, é ÓBVIO que foi uma crítica! A analogia entre ratos e humanos foi algo tão oportuno que até o “Sr.” concordou, afinal, deseja que os servidores sejam tão adaptáveis a ambientes “degradados” quanto os ratos e concorda que sejam cobaias!! Acredito que saiba que antes da antropização e degradação do meio ambiente, os roedores viviam em ambientes naturais e saudáveis e não geravam riscos a saúde de outros organismos, certo?!!
Na época destes comentários (há mais de um ano atrás) as condições de trabalho na CAMG eram péssimas, a estrutura foi inaugurada sem pensarem nos servidores que se instalariam no local (planejamento estratégico, onde estava??). Hoje, algumas coisas melhoraram, diante das insatisfações e reclamações dos que lá trabalham,e lógico, em resposta à imprensa, que está se libertando das amarras, divulgando os absurdos que lá acontecem.
Desde março de 2010, época da mudança, a CAMG é um verdadeiro canteiro de obras. Tudo é construído, destruído, reconstruído. Até mesmo os canteiros dos jardins, “mudam” de posição!! Vá lá hoje e encontrará banheiros entupidos com infiltrações de esgoto que perpassam 6 andares chegando a atingir o hall externo do prédio Gerais, fora o cheiro fétido dos corredores internos. Local perfeito para ratos “adaptados” não?????
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Vision, sobre o comentário de Lucas/ Betim no mesmo artigo:

Paga vale refeição e alimentação. Favor colocar reportagem onde o governo “avisa que não tem o mínimo interesse em investir nos funcionários”.

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Lucas/ Betim, em contra-resposta a Vision:

Prezado (a) tiete anônima do governo, que deve ser algum cargo comissionado (cabo eleitoral) ou jornalista do Estado de Minas, o que na prática consiste na mesma coisa. Apesar de você não ter tido a dignidade de se identificar, pois assim com o governo gosta das coisas obscuras e pouco transparentes, respondo a vc que basta olhar os EDITAIS dos concursos de algumas secretarias que você verá que existem cargos de nível superior com salários de R$ 1.200 sem nenhum benefício. Quando houve a mudança pessoas da SEGOV transmitiram a mensagem aos servidores que o projeto de governo visava não se onerar muito com Recursos Humanos. Apesar da imprensa corrompida não publicar, pessoas mais conscientes buscam informações em canais alternativos, sabendo que o governo passado deixou uma dívida pública de 80 bilhões, dos quais muitos deles foram usados com propagandas e mais de 1 bilhão na construção desta nova sede. Ainda bem que no Estado está tudo perfeito para este governo se dar a este luxo.

Na verdade eu peguei leve demais no primeiro comentário, pois inicialmente disseram q a nova sede do governo seria no aeroporto Carlos Prates, uma área urbana com alta densidade demográfica que qualquer pateta sabia que nunca poderia abrigar uma estrutura de um centro administrativo. Enquanto isso mandou recadinhos as empreiteiras amigas para comprarem terrenos na região do Serra Verde, que como agrado jogaram aquela avalanche de dinheiro para contratarem os mercenários para ficar panfletando em todas as esquinas de todas as cidades de Minas Gerais. Em suma, para mim aquilo foi pura malandragem, o CAMG foi um dantesco Caixa 2 protegido por lei.
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Vision, sobre o comentário de Fátima/Uberlândia no mesmo artigo

Qual irresponsabilidade? E aí? Inauguraram o hospital? Quando?
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Vision, sobre o comentário de JOSÉ MAURO SANTOS DE OLIVEIRA no mesmo artigo:

Finalmente alguém sensato!
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Vision, sobre o comentário de Rosimar no mesmo artigo

hahahahahahaha O melhor comentário!!!
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Cláudio Toledo, sobre o artigo “Bernardo Riedel, o Professor Pardal brasileiro”

FINALMENTE, hoje (20 de agosto de 2011) tive o prazer de conhecer o Prof. Bernardo. Adquiri um colimador produzido por ele e fiquei umas duas horas conversando e aprendendo com o mestre, enquanto ele terminava a peça. Me sinto muito orgulhoso de ter uma pessoa da sua importância científica morando na minha cidade, no meu estado e enfim, no meu país. Obrigado professor. (Obs.: Pessoal, o cara é fera mesmo!)
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Marco Antônio, sobre o artigo “Pobres Professores” de Sânia Campos

Sânia, também acho proveitoso realizar imersões no senso comum, e as viagens urbanas em coletivos são excelentes oportunidades para realizarmos essa experiência. Dentro do ônibus nos deparamos com as representações vigentes e podemos contrastá-las à realidade que observamos e que tentamos apreender na academia. E aí, vem questão: qual educação queremos? qual educação podemos? E o professor, como fica nessa história? Compartilho também algumas inquietações…
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LUISA CAMPOS, sobre o mesmo artigo

Aproveitando o excelente artigo, peço licença para acrescentar: “pobres alunos e pobres famílias”.
Trabalho com adolescentes (estagiários de ensino médio). Sabem utilizar celulares, computadores e outros instrumentos tecnológicos, mas se precisarem realizar um cálculo básico de matemática diria que eles não cursaram nem o ensino básico. Estão sem aula por volta de dois meses por causa da greve. Ficam tristes e sem rumo. E pior, não sabem de quem é a culpa. POBRE BRASIL.
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Josino Medina, em resposta a Frank Guimarães ao artigo “Josino Medina lança CD Sumidouro”.

Alô, caro Frank…só hoje estou lendo seu comentário neste espaço e que boa surpresa. Estou agora furundando com a minha parceria mais Carlos Brandão. Na minha página no Clube Caiubi de Compositores estão postadas algumas canções deste novo trabalho. Um grande abraço, Josino

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Hugo Borgno, no artigo “Feijoada no Minas Tênis Clube”
Más una memoria impecable de Verly.
Me da un gusto enorme deleitarme con estas verdaderas obras de Verly, obras que leo y vuelvo a leer por su claridad y realismo y que, como en este caso, me hacen sentir allí junto a este escritor disfrutando de esa hermosa ciudad y de su amistad.
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Sebastião Verly, autor, em resposta ao comentário de Hugo Borgno no artigo “Feijoada no Minas Tênis Clube”

Quanta felicidade me traz ler os comentários deste amigo. Ainda longe, ainda distante é um dos melhores amigos que já conheci neste mundo. Meu sonho é volver a vê-lo. Farei todo esforço para voltar ao Uruguay para mais um abraço e confirmação de nossa amizade.
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Disso, sobre o artigo “Letícia Leal no Projeto Quinta Musical”

Com certeza farei presença ao trabalho de Letícia Leal dia 11 de agosto. Adoro esta menina e da forma carinhosa como ela executa uma viola.
Digo isto,porque tambem sou violeiro e essa raiz jamais poderá acabar.
Abraço a todos!
Felicidades sempre!
Disso
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Marcos Leonel de Campos sobre o artigo “Resposta ao Comentário do leitor Adriano” de Carlos Bittencourt Almeida

Ótimo texto, realmente desnuda nossas diferenças, psiquicas e comportamentais entre macho e fêmea.
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Wallace Carrieri sobre o artigo “Hamurabi e a Logística Reversa” de Sebastião Verly

Muito bom poder ler seus textos aqui. Quanto tempo! Enviei-lhe um email pra saber das novas. Abração.

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Comentário
  1. Antônio Moreira

    Antônio Moreira ao Editor
    Sugiro a publicação deste luminoso artigo do ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, sobre a atualíssima questão das rebeliões ocorridas em alguns países árabes e especialmente na Líbia, onde os acontecimentos se sucedem de forma dramática. Creio que a divulgação deste artigo é esclarecedora sobre a postura da Diplomacia Brasileira que está assumindo um papel cada vez mais importante no mundo. Transcrito do jornal “Folha de São Paulo”, edição de 1º de Setembro de 2011, página A3

    Direitos humanos e ação diplomática

    Antonio de Aguiar Patriota

    Devemos evitar posturas que venham a contribuir para o estabelecimento de um elo automático entre a coerção e a promoção da democracia
    Comprometido no plano nacional com os direitos humanos, com a democracia, com o progresso econômico e social, o Brasil incorpora plenamente esses valores a sua ação externa.
    Diante dos eventos da Primavera Árabe, expressamos nossa solidariedade à mobilização social por maior liberdade de expressão e avanços políticos e institucionais em países submetidos a regimes autoritários. Tanto no Conselho de Segurança quanto no Conselho de Direitos Humanos da ONU, condenamos as violações cometidas pelos regimes líbio e sírio.
    Ao velar para que o compromisso com os valores que nos definem como sociedade se traduza em atuação diplomática, o Brasil trabalha sempre pelo fortalecimento do multilateralismo e, em particular, das Nações Unidas.
    A ONU constitui o foro privilegiado para a tomada de decisões de alcance global, sobretudo aquelas relativas à paz e à segurança internacionais e a ações coercitivas, que englobam sanções e uso da força.
    Ações militares sem a legitimação do Conselho de Segurança da ONU, além de trazerem descrédito para os instrumentos internacionais subscritos pela comunidade internacional como um todo, tendem a se transformar em fator de instabilidade, violência e violações de direitos humanos em grande escala, como demonstrou a intervenção militar no Iraque.
    Não nos esqueçamos de que o primeiro direito humano é o direito à vida. A primeira obrigação da comunidade internacional ao deparar com uma situação de crise é a de evitar o agravamento de tensões.
    Cada vez que a violência se dissemina, as primeiras vítimas são os segmentos mais vulneráveis: as crianças, as mulheres, os idosos, os desvalidos.
    Além de defendermos a legalidade das nossas ações coercitivas perante a Carta da ONU e o direito internacional, devemos sempre aplicar medidas adequadas, com os olhos voltados para os resultados almejados: a promoção da democracia, dos direitos humanos, a proteção da população civil, a criação de condições de estabilidade que geram oportunidade de progresso econômico e social.
    A ordem internacional não se fortalece com interpretações livres de mandatos do Conselho de Segurança. E, sempre que a ordem se enfraquece, quem mais padece são os mais fracos. Como bem assinalou o professor Richard Falk, da Universidade Princeton, em entrevista à Folha, houve, no caso da Líbia, uma lacuna entre o que foi autorizado pelo Conselho de Segurança e a ação da Otan.
    A relação entre a promoção da paz e segurança internacionais e a proteção de direitos individuais evoluiu de forma significativa ao longo das últimas décadas, a partir da constituição das Nações Unidas, em 1945. Não se pode afirmar que essa evolução, positiva em seu conjunto, seja obra de um grupo de países em particular.
    Ela é fruto de um embate de ideias em que os militarmente mais poderosos não estiveram necessariamente na vanguarda dos clamores por justiça e equidade. Lembro que os primeiros esboços da Carta da ONU incluíam referências escassas aos direitos humanos por razões que hoje podem parecer surpreendentes.
    Robert C. Hildebrand, que relata as negociações do documento em sua obra “Dumbarton Oaks”, credita essa circunstância ao fato de que os Estados Unidos temiam questionamentos à segregação racial ainda vigente no país e à preocupação do Reino Unido de que sua soberania sobre um vasto império colonial viesse a ser posta em xeque -como efetivamente ocorreu.
    A luta contra o apartheid proporciona um exemplo eloquente de ação conjunta do mundo em desenvolvimento contra práticas que atentam contra a dignidade humana. Quando o tema foi levado ao Conselho de Segurança da ONU, as objeções à aplicação de sanções contra o regime minoritário sul-africano partiram de membros permanentes ocidentais.
    Desde a adoção da Carta da ONU, a relação entre promover direitos humanos e assegurar a paz internacional passou por várias etapas. Sofreu paralisia em função da rivalidade ideológica da Guerra Fria; beneficiou-se do breve momento de consenso internacional do imediato pós-Guerra Fria e da ação internacional pela reversão da invasão iraquiana do Kuait.
    Em meados da década de 90 surgiram vozes que, motivadas pelo justo objetivo de impedir que a inação da comunidade internacional permitisse episódios sangrentos como os da Bósnia ou do genocídio em Ruanda, forjaram o conceito de “responsabilidade de proteger”.
    Embora a responsabilidade coletiva não precise se expressar por meio de ações coercitivas para ser eficaz, surgiram vozes particularmente intervencionistas e militaristas no chamado “Ocidente” que continuam gerando controvérsia e polêmica.
    A Carta da ONU, como se sabe, prevê a possibilidade do recurso à ação coercitiva, com base em procedimentos que incluem o poder de veto dos atuais cinco membros permanentes no Conselho de Segurança -órgão dotado de competência primordial e intransferível pela manutenção da paz e da segurança internacionais.
    O acolhimento da responsabilidade de proteger na normativa das Nações Unidas teria de passar, dessa maneira, pela caracterização de que, em determinada situação específica, violações de direitos humanos implicam ameaça à paz e à segurança.
    Para o Brasil, o fundamental é que, ao exercer a responsabilidade de proteger pela via militar, a comunidade internacional, além de contar com o correspondente mandato multilateral, observe outro preceito: o da responsabilidade ao proteger. O uso da força só pode ser contemplado como último recurso.
    Queimar etapas e precipitar o recurso à coerção atenta contra a “rationale” do direito internacional e da Carta da ONU. Se nossos objetivos maiores incluem a decidida defesa dos direitos humanos em sua universalidade e indivisibilidade, como consagrado na Conferência de Viena de 1993, a atuação brasileira deve ser definida caso a caso, em análise rigorosa das circunstâncias e dos meios mais efetivos para tratar cada situação específica.
    Não há espaço, no estabelecimento de políticas consistentes na área dos direitos humanos, para generalizações ingênuas nem para facilidades retóricas.
    Devemos evitar, muito especialmente, posturas que venham a contribuir -ainda que indireta e inadvertidamente- para o estabelecimento de elo automático entre a coerção e a promoção da democracia e dos direitos humanos. Não podemos correr o risco de regredir a um estado em que a força militar se transforme no árbitro da justiça e da promoção da paz.
    ANTONIO DE AGUIAR PATRIOTA é ministro das Relações Exteriores.

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