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Comentário de Carlos Fóscolo de Pompéu-MG para Milton Tavares Campos, autor da “Carta aberta ao companheiro Paulinho Vanucchi”

Publicado por Editor em Espaço do Leitor
data: 20/05/2010

Prezado Milton,

Acabo de ler, pela primeira vez, um artigo seu.  Embora tenhamos quase sempre tido pensamentos ideológicos opostos, não posso deixar de concordar com muitos de seus pensamentos exarados no seu artigo, principalmente com a sua abordagem pragmática quanto ao problema de se desejar vingança contra os torturadores. Como você implicitamente bem coloca, ações assim podem não atingir o alvo certo, e além disso não trará qualquer benefício para as partes, principalmente para as famílias que gostariam de saber que fim tiveram seus entes queridos.  Nos meus anos de faculdade, iniciados em 1964, tive um colega de sala — José Carlos Novais da Mata Machado –  na Faculdade de  Direito da UFMG, que foi um dos desaparecidos.

Seu artigo dá-nos o testemunho de alguém que viveu na carne infames torturas que só podem ter sido perpetradas por seres de espíritos inferiores, talvez no afã de querer agradar a seus superiores. Superiores esses, que, talvez nem realmente quisessem este resultado final. Por isso, concordo plenamente com você e  acho que neste momento — muito mais do que a ânsia de vingança — artigos como o seu atingem muito mais o objetivos de sua causa, mostrando  uma realidade que muitos desconhecem, ao descrever as agruras dos ambientes de tortura, contribuindo assim para que tais fatos jamais voltem a ocorrer.

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Resposta do autor Milton Tavares Campos:

Carlinhos, peço licença para continuar te chamando assim.

Agradeço por seus comentários ao artigo ”Carta aberta ao companheiro Paulinho Vanucchi”, Secretário Nacional de Direitos Humanos, em que a mensagem é no sentido de apoiar a posição do presidente Lula de não mexer na Lei da Anistia, que foi o que prevaleceu no STF.

Primeiro, tentei mostrar que não tem sentido guardar ressentimentos, pois isso faz mal é ao hospedeiro e não a quem o provocou.

Segundo, aquelas pessoas não tinham tanta consciência do que praticavam quanto os que comandavam, os que apoiavam, portanto não seriam um alvo racional de uma atitude de punição.

Terceiro, existem as ideologias representadas na midia, na estrutura estatal em suas várias formas. Ao invés de eu reclamar da forma como a midia ou o Estado agem, hoje eu me sinto em condições de ter minha pequena midia, minha pequena maneira de agir. Se os outros são ruins vou tentar fazer melhor.

Em quarto lugar, eu tenho uma convicção de que o Brasil tem um lugar reservado no futuro. Penso que em 50 anos seremos a superpotência global hegemônica, ou seja, temos um futuro brilhante para todos os brasileiros das várias ideologias.

Quinto, nosso passado não encerra tantos traumas quanto em outros países. Em nossa história a tradição foi sempre de conciliação nacional. Compare a libertação dos escravos no Brasil e nos EUA. Seu pai, Doutor Hugo Fóscolo,  falava muito disso em suas magníficas aulas de história no Ginásio Dona Joaquina,  aí em Pompéu. Veja o que aconteceu depois de 10 anos da Guerra dos Farrapos: os revoltosos foram incorporados ao exército imperial e até hoje o Rio Grande do Sul é o estado que tem mais oficiais generais.

Temos uma tradição conciliadora no passado e um futuro brilhante. Para isto basta nos unirmos.

Por isto acho que reabrir estas feridas é pura falta de sensibilidade. Creio que você entendeu.

Agora também não vou ficar passando a mão na cabeça desta turma, acho que eles têm que explicar direito o que fizeram e reconhecerem os erros, pois senão a sociedade brasileira não confiará neles. Mas aí já não é problema meu.

Eu quero olhar para frente e não para o lado. Acho que chegará o momento em que alguém contará tudo como história, mas é preciso que os fatos venham à tona, não sei se você concorda com isso.

Já me estendi muito.

Um abraço.

Milton.

Link para o artigo comentado:

http://www.metro.org.br/milton/carta-aberta-ao-companheiro-paulinho-vanucchi

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3 Comentários
  1. Os dois lados, em seu tempo tiveram suas razões. Não se deve remexer cinzas do passado pois podem surgir situações presentes de proporções incalculáveis. Seria melhor que ministros que hoje estão tendo a chance de ter em mãos o destino da Pátria cuidassem mais e melhor de resolver problemas presentes, do hoje que ficar apiaçando o que já foi. Uma atitude para se chamar à razão os que devem, se fosse esta a definição final teria que sentar nos bancos da Lei torturadores e terroristas de ontem pois nossa Constituição, a Carta Magna prevê que terrorismo não prescreve…. e então cabeças que no hoje se julgam ös Poderosos¨poderiam deixar de o ser sendo obrigados a responder também por seus crimes de ontem. Lembrar que na Russia EXPURGOS foram a tônica do PARTIDÃO em diversas ocasiões da história… Vamos ser inteligentes e deixar o passado como tal? Vá trabalhar Sr. Vanutti, nossa Pátria precisa de todos, mesmos aqueles que um dia olharam-na de um modo que não era a aspiração de seus filhos, em sua totalidade. Seja um bom Ministro, entre os tantos deste governo combata a patifaria que glasa os diversos segmentos do País, escreva seu nome nos anais da história da Pátria com galhardia e não como o homem que queria dar luz a mumias do passado. Senhor, não atira pedras aquele que tem telhado de vidro….(disse Sun Tzu …. principios de filosofia do Mundo, Escola da Vida…) . Um abraço .

  2. Marcos Leonel de Campos

    Esperei um pouco para dar minha opinião ainda não firme, pois pergunto. Porque a Argentina país vizinho esta levando ao bancos dos réus os militares responsáveis pelos crimes praticados pela didatura.

  3. A politica no brasil geralmente está uma sujeira!

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