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Chile: Preso o assassino do folclorista Víctor Jara

Publicado por Editor em Cultura e Arte
data: 29/05/2009

CHILE VICTOR JARA

Segundo informa a agência France Press trinta e seis anos após o assassinato do cantor e folclorista chileno Victor Jara, que junto com Violeta Parra se tornou emblema da música de esquerda latino americana, um juiz chileno ordenou na terça feira dia 26 de maio a prisão do criminoso. A execução ocorreu dias após o Golpe de Estado que instaurou a ditadura de Augusto Pinochet em 1973.

O juiz ordenou a prisão do ex-soldado José Adolfo Paredes Márquez, atualmente de 54 anos, que foi quem fuzilou Jara por ordens de superiores do Exército chileno. Segundo declarou o juiz Eduardo Fontes a jornalistas “Paredes quedó recluido en la Cárcel de Alta Seguridad en calidad de autor material del crimen de Víctor Jara”.

O preso se declarou inocente na saída do tribunal, antes de ser transferido para a prisão. O juiz não esclareceu sobre os autores intelectuais do crime contra o artista.

No ano passado a justiça chilena concluiu a investigação sem identificar os que ordenaram a execução de Jara, e identificando somente um militar que foi o responsável pelo recinto esportivo aonde ele permaneceu preso.

A investigação foi aberta há duas semanas e a prisão de Márquez foi a primeira conseqüência, mas espera-se que os seus superiores também tenham o mesmo destino nos próximos dias.

O cantor morreu em 16 de setembro de 1973 em um ginásio coberto no centro de Santiago, que hoje leva seu nome, e aonde permaneceu detido junto com outros cinco mil prisioneiros políticos.

Segundo a investigação judicial, neste lugar Jara foi brutalmente espancado e torturado e suas mãos, que simbolizavam sua música foram esmagadas com golpes de coronha de fuzis, o que as deixou reduzidas a uma grande ferida.

O cantor se fez conhecido em toda a América Latina por suas canções de forte conteúdo social, como “ Te Recuerdo Amanda” e “El derecho de vivir em paz”, que podem ser ouvidas clicando nos endereços eletrônicos abaixo. Jara é uma das mais de 3.000 vítimas, entre mortos e desaparecidos, que deixou a ditadura de Pinochet (1973-1990). A título de lembrança a ditadura brasileira é acusada de ter assassinado ou desaparecido com 427 militantes de oposição segundo informações da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça.

Te recuerdo Amanda

El derecho de vivir en paz

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4 Comentários
  1. Sânia Campos

    A iniciativa de resgatar e registrar a memória de acontecimentos e lutas sociais e populares é muito importante neste tempo que “querem transformar nossa história em poeira”. Apagar a memória!Como se a vida seguisse sem rumo, numa estrada sem eira e sem beira…

  2. Ulises - Belo Horizonte

    Parece que no Chile, em que pese às apariências, os abusos das autoridades e a falta de liberdades estão muito presentes. Tenho notícias de que há perseguições e prisões políticas de opositores ideológicos ao atual regime pseudo-democrático da B… . É lamentável constatar que, na verdade, nada ou pouco mudou e que a morte de S. A.Victor Jara junto com mais de 3000 vítimas de P… , foram em vão.

  3. Edson Mota

    Mataram o poeta mas suas obras nunca morreram.

    O Victor faz parte daqueles que vieram na terra só de passagem
    e seguiu para outra dimensão.

    Mota, São Paulo, Brasil

  4. ANTONIO ASSIS PINHEIRO

    É impressionante a desenvoltura com que os assassinos que depuseram Salvador Allende cometeram impunemente tantas
    atrocidades. São monstros que merecem, no mínimo,
    prisão perpétua.

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