Español
Tamanho da Letra: [A-] [A+]

Caminante no hay camino, camino se hace al andar

Publicado por Denise Paiva em Crônicas, Política Nacional
data: 29/03/2010

Caminante no hay camino, camino se hace al andar

Há uma perplexidade invadindo a alma de brasileiros democratas e uma certa insegurança também. Não tememos por grandes hecatombes, não cremos que haverá “tsunamis” devastadores comprometendo nossa vida republicana, nossas conquistas democráticas, mas alguma coisa que corrói e enferruja vem nos preocupando.

Os espaços político-partidários não têm mais as mesmas demarcações que já tiveram em outros tempos. O ácido do descompromisso público impregna, contamina, debilita o que tradicionalmente chamávamos de esquerda e de direita. O público e o privado passaram a se confundir/interagir numa relação prosmícua em muitos quadrantes.

Os fatos vêm e vão conforme a dinâmica da grande mídia. Surgem e desaparecem como se o real fosse ficção, ou se o real fosse apenas um plasma daquilo que os interesses do calor da hora moldaram.

Temos hoje, um governador Arruda preso, ele que desde a época do painel do Senado se mostrou meio bobo. Fez o que todos fazem, é da geração de engenheiros que encobre e enrola tudo na medição das obras públicas.  Foi pego, talvez menos por um imperativo da lei ou da justiça, mas, para tentar salvar a imagem da nossa “República Nunca Dantes Tão Corrupta” e contrapor a imagem dos principais mandatários que precisam ser salvaguardados

Ninguém duvida que no Brasil existam acordos de impunidade que acontecem à margem e à revelia das instituições, por conivência ou pela fragilidade delas. Impunidades ainda acobertadas por discursos hipócritas que banalizam a ética e a moral.

A pérola de 2010 foi o Ministro Celso Melo do STF chamando criminoso de paciente. Ele está certo! Vitimas de doenças, sejam epidemias, endemias, pandemias, são pacientes mesmo. O que é a corrupção no Brasil? Pergunte aos médicos.

Precisamos de bandeiras? Novas, ou antigas?  Preciso de uma bandeira para continuar me sentindo brasileira! Para continuar, sobretudo, tendo orgulho de ser brasileira.

Peço ajuda aos amigos. Qual a saída? Como militante, indago: quais são as tarefas? Qual o caminho? Lembrando o poeta espanhol Antonio Machado: “Caminante no hay camino, camino se hace al andar”.

Compartilhar este Artigo

Leia mais artigos em Crônicas Política Nacional

Denise Paiva - Pós-graduada em Serviço Social – Assessorias: Ministério da Saúde e Ação Social de Moçambique (1978-1980) - P.M.Juiz de Fora em três mandatos – Gabinete da P.M.São Paulo na Gestão Luísa Erundina (1990-1992) - de 1992 a 2005 junto à Presidência da República e Ministério da Justiça em Brasília – Atualmente é Pesquisadora e Consultora. Residente no Rio de Janeiro - RJ.
3 Comentários
  1. Denise Paiva

    Relendo meu artigo, creio que faltou uma palavra. Depois de pergunte aos médicos, deveria ter colocado Ironia!. Ou será que ficou subentendido?

  2. Sânia campos

    “O que será
    Que será?
    ………………
    Que anda nas cabeças?
    Anda nas bocas?…”

    Pois é Denise .
    Perplexidade. è esta a palavra que define os sentimentos que percebo nas conversas com amigos, companheiros de lutas e projetos. Pode até parecer saudosismo. Mas quantos sonhos, quantas ações tecemos! Entusiasmo e garra. Disposição para construir novas formas de fazer, a participação popular na gestão da cidade. Erros, acertos , aprendizados. Mas as diferenças estavam demarcadas. Romper o populismo, o clientelismo,, dar transparência aos gastos públicos, estabelecer critérios públicos para as políticas públicas, compreender a dimensão educativa de cada ação e se comprometer a alargar cada vez mais as possibilidades…
    E agora? O que se passa? As amarras da burocracia e das instituições, os gabinetes e a preservação do poder, não como um meio mas um fim em si mesmo, é o que está regendo as relações e práticas políticas? Cada vez é menor o espaço para refletir e construir as propostas e o imediatismo se sobrepõe aos sonhos e utopias.
    Mas como você cita: “no hay camino, camino se hace al andar”, como guerreiras sonhadoras só nos resta seguir … Abraço, Sânia

  3. Denise Paiva

    É isso aí…. Não é por acaso que dizem que compartilhamos a mesma visão de mundo.
    Sinto que as pessoas estão com medo e inseguras. Tudo que foge ao padrão de conformidade ditado pelas regras do poder gera desconfiança e até descaso.
    Este padrão tem atingindo de morte até as relações de amizade. É pena! É muita perda no que chamamos de capital social e/ou afetivo.
    Tudo que já pulsou, em nós, um dia, como qualidades ou virtudes- especialmente, nossa capacidade critica e de promover mudanças – viraram, defeitos e pecados. Precisamos reencontrar nossa alma ou nossa “anima” que encerra um conteúdo mais abrangente.
    Mas, vamos em frente que atrás vem gente tão perplexa quanto nós.

    Abs
    Denise

Deixe um comentário