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SOS Bocaiúva – Salvemos esta Estação!

Publicado por Célia de Souza em Arquitetura, História, Patrimônio Histórico
data: 03/11/2009

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Nesta reportagem fotográfica apresentamos um quadro provocador, ao mesmo tempo maravilhoso e desolador. Aquela que já foi uma das mais belas estações ferroviárias de Minas Gerais, a Estação Ferroviária de Bocaiúva, no norte do estado está num processo de desesperada agonia. Durante o dia os meninos aproveitam suas plataformas para andar de bicicleta, mas à noite é uma terra de ninguém, segundo reclamam os moradores do Bairro Pernambuco, que pedem socorro às autoridades. Vamos enviar cópias desta matéria à Ferrovia Centro Atlântica, responsável pelo mesmo, ao senhor prefeito de Bocaiúva, ao IEPHA, ao IPHAN e também ao ministro Patrus Ananias que é filho de Bocaiúva.

A Estação Ferroviária de Bocaiúva fazia parte da Estrada de Ferro Central do Brasil e foi inaugurada em 1925. Foi ponta de linha por um ano, até a inauguração do trecho que alcançou Montes Claros, em setembro de 1926. O projeto de ligação com a Estrada de Ferro Bahia-Minas, que nunca saiu, é o que justificou a majestosa beleza da Estação Ferroviária de Bocaiúva. O nome da estação era uma homenagem ao político Quintino Bocaiúva, por ter este conseguido a transferência da sede da vila, de Jequetaí, onde se localizava, para a pequena vila que então servia de estação ferroviária.

Segundo se comenta na cidade, a empresa Ferrovia Centro Atlântica que foi criada a partir da privatização da antiga Estrada de Ferro Central do Brasil, que só utiliza esta linha para transporte de cargas, resiste a outro tipo de aproveitamento do imóvel alegando não ser seguro o trânsito de pessoas, pois as linhas estão ativas com o transporte de cargas. Não foi o que pudemos observar, pois durante o dia são os meninos andando de bicicleta pelas plataformas que podem ter a vida em risco, não apenas pelo tráfego dos trens, mas pela ameaça de desabamento do que ainda resta da estrutura dos telhados, e à noite quem se sente ameaçada é a própria comunidade, pois segundo os moradores ali se reúnem todos os tipos de infratores. As imagens falam por elas mesmas!

Lembramos a música Ponta de Areia de Milton Nascimento:

Ponta de areia, ponto final

Da Bahia à Minas, estrada natural

Que ligava Minas ao porto, ao mar

Caminho do ferro mandaram arrancar

Velho maquinista com seu boné

Lembra o povo alegre que vinha cortejar

Maria Fumaça, não canta mais

Para moças, flores, janelas e quintais

Na praça vazia, um grito um ai

Casas esquecidas, viúvas nos portais

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Célia de Souza - Cronista, residente em Belo Horizonte - MG
2 Comentários
  1. Rezende - Ilhéus - BA

    Bela reportagem. Merecedora de cuidados políticos. Que as autoridades se juntem em nome do povo, do municipio, do estado e do BRASIL.

  2. maria waldiney da silva

    O que é que estão esperando as autoridades responsáveis para restaurar este imóvel? Tanto dinheiro jogado fora e a cidade em completa decadência. Simplesmente inaceitável. Por favor tomem uma atitude urgentemente.

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