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	<title>Fundação Metropolitana &#187; Políticas Públicas</title>
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	<description>Fundação Educacional e Cultural Metropolitana</description>
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		<title>BH anos 60, um Sonho Feliz de Cidade</title>
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		<pubDate>Wed, 30 Nov 2011 16:06:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sebastião Verly</dc:creator>
				<category><![CDATA[Memórias]]></category>
		<category><![CDATA[Politicas Urbanas]]></category>

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		<description><![CDATA[Belo Horizonte, a capital de Minas Gerais ou das Alterosas, do Estado das Montanhas, hoje é mais conhecida como BH ou Beagá. Em 1960, a Cidade começava a mudar. A população aumentava rapidamente, era o Êxodo Rural, a maioria dos imigrantes vinham do interior do Estado. Muitos eram estudantes buscando uma formação universitária. O Movimento Estudantil fervilhava. Os estudantes saiam às ruas em protestos, em campanhas políticas, com estardalhaços como foi na campanha eleitoral para Presidente, onde os poucos comunistas, com espadinha dourada na lapela, apoiavam o general Lott e uma massa populista com vassourinhas na gola, também douradas, atacava violentamente os comitês de Lott da coligação dos partidos PSD, Partido Social Democrático e PTB, Partido Trabalhista Brasileiro, e babavam pelo candidato apoiado pela conservadora e moralista UDN, a União Democrática Nacional. Os trabalhadores formais e da periferia organizavam-se. Lembro-me da UTP, União dos Trabalhadores da Periferia, e das greves dos bancários que fechou completamente os bancos durante vários dias, com repercussão nacional. Sem contar o pessoal da vizinha Cidade Industrial de Contagem que iniciava o processo de sindicalização e conscientização social que se refletia em nossas vidas. Até os taxistas faziam greve. O prefeito Aminthas de Barros, filiado ao PTB, recebera em 1º de janeiro de 1960, a Prefeitura com finanças mais ou menos saneadas e os serviços públicos em ordem. Esta foi a informação que “O Cruzeiro”, a mais importante revista de circulação nacional, em duas edições seguidas, mostrava com destaque. O ex-prefeito Celso Melo Azevedo era da UDN. Belo Horizonte, a primeira capital planejada do Brasil, cujas largas e arborizadas avenidas foram inspiradas em Washington, capital dos EUA, era considerada uma Cidade Modelo também em administração. O transporte público havia melhorado muito: os velhos bondes ainda rodavam, cada dia mais insatisfatórios e deficientes, os trólebus, ônibus movidos a eletricidade, silenciosos, macios e não poluentes, eram a tecnologia de ponta, mas, o DBO, Departamento de Bondes e Ônibus, ainda carecia de competências. O sistema contava com apenas 8 bondes em circulação, os quais atendiam os bairros mais populosos. Os trólebus entravam em operação. Os ônibus já estavam nas mãos dos inescrupulosos concessionários, que, por motivação econômica, começavam a substituir os velhos ”lotações”, com o capô destacado na frente, pelos modernos e confortáveis “monoblocos”, cujo nome vinha do modelo do motor Mercedes Benz. Sua principal característica era uma suspensão muito macia. Quando o motorista freiava ele ficava por alguns [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a rel="attachment wp-att-6256" href="http://www.metro.org.br/sebastiao/bh-anos-60-um-sonho-feliz-de-cidade/bh-anos-60"><img class="aligncenter size-medium wp-image-6256" title="bh anos 60" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2011/11/bh-anos-60-255x400.jpg" alt="" width="255" height="400" /></a></p>
<p>Belo Horizonte, a capital de Minas Gerais ou das Alterosas, do Estado das Montanhas, hoje é mais conhecida como BH ou Beagá.</p>
<p>Em 1960, a Cidade começava a mudar. A população aumentava rapidamente, era o Êxodo Rural, a maioria dos imigrantes vinham do interior do Estado. Muitos eram estudantes buscando uma formação universitária. O Movimento Estudantil fervilhava. Os estudantes saiam às ruas em protestos, em campanhas políticas, com estardalhaços como foi na campanha eleitoral para Presidente, onde os poucos comunistas, com espadinha dourada na lapela, apoiavam o general Lott e uma massa populista com vassourinhas na gola, também douradas, atacava violentamente os comitês de Lott da coligação dos partidos PSD, Partido Social Democrático e PTB, Partido Trabalhista Brasileiro, e babavam pelo candidato apoiado pela conservadora e moralista UDN, a União Democrática Nacional.</p>
<p><a rel="attachment wp-att-6257" href="http://www.metro.org.br/sebastiao/bh-anos-60-um-sonho-feliz-de-cidade/bh-anos-60-2"><img class="aligncenter size-full wp-image-6257" title="bh anos 60 2" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2011/11/bh-anos-60-2.jpg" alt="" width="400" height="246" /></a></p>
<p>Os trabalhadores formais e da periferia organizavam-se. Lembro-me da UTP, União dos Trabalhadores da Periferia, e das greves dos bancários que fechou completamente os bancos durante vários dias, com repercussão nacional. Sem contar o pessoal da vizinha Cidade Industrial de Contagem que iniciava o processo de sindicalização e conscientização social que se refletia em nossas vidas. Até os taxistas faziam greve.</p>
<p>O prefeito Aminthas de Barros, filiado ao PTB, recebera em 1º de janeiro de 1960, a Prefeitura com finanças mais ou menos saneadas e os serviços públicos em ordem. Esta foi a informação que “O Cruzeiro”, a mais importante revista de circulação nacional, em duas edições seguidas, mostrava com destaque. O ex-prefeito Celso Melo Azevedo era da UDN. Belo Horizonte, a primeira capital planejada do Brasil, cujas largas e arborizadas avenidas foram inspiradas em Washington, capital dos EUA, era considerada uma Cidade Modelo também em administração.</p>
<p>O transporte público havia melhorado muito: os velhos bondes ainda rodavam, cada dia mais insatisfatórios e deficientes, os trólebus, ônibus movidos a eletricidade, silenciosos, macios e não poluentes, eram a tecnologia de ponta, mas, o DBO, Departamento de Bondes e Ônibus, ainda carecia de competências. O sistema contava com apenas 8 bondes em circulação, os quais atendiam os bairros mais populosos. Os trólebus entravam em operação. Os ônibus já estavam nas mãos dos inescrupulosos concessionários, que, por motivação econômica, começavam a substituir os velhos ”lotações”, com o capô destacado na frente, pelos modernos e confortáveis “monoblocos”, cujo nome vinha do modelo do motor Mercedes Benz. Sua principal característica era uma suspensão muito macia. Quando o motorista freiava ele ficava por alguns momentos oscilando verticalmente. Os passageiros, muitos vindos da zona rural, o comparavam ao cavalo e comentavam: “Eta carrinho bom de sela!”.</p>
<p>Em 1969, na época mais negra do regime militar, sendo prefeito nomeado Souza Lima, os governadores dos estados e os prefeitos das capitais estaduais não eram eleitos, o sistema de trólebus foi abolido e 50 carros foram enviados para Recife, Pernambuco, que em troca enviou um número equivalente de ônibus. A diferença era que os trólebus eram administrados por uma empresa pública, o DBO, que foi extinto, e os ônibus por empresas privadas. Os comentários que nunca saíam na grande mídia era de que a troca foi feita por pressão dos concessionários de ônibus, que eram os grandes financiadores das campanhas eleitorais e cuja relação com os políticos sempre foi marcada pela falta de transparência em nossas frágeis democracias. O ato do prefeito foi permitido pela ideologia dos militares que incentivavam a privatização de tudo o que era possível.</p>
<p><a rel="attachment wp-att-6258" href="http://www.metro.org.br/sebastiao/bh-anos-60-um-sonho-feliz-de-cidade/bh-anos-60-3"><img class="aligncenter size-full wp-image-6258" title="bh anos 60 3" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2011/11/bh-anos-60-3.jpg" alt="" width="428" height="290" /></a></p>
<p>Em educação, a prefeitura avançava com a renovação do Colégio Municipal, onde brilhavam os professores Guilherme Lage, Djalma Guimarães, geólogo, e o Doutor José Israel Vargas, químico, que veio a ser o criador do Centro Tecnológico de Minas Gerais, CETEC-MG, e primeiro Secretário de Estado de Ciência e Tecnologia de Minas Gerais, e mais tarde, por duas vezes ocupante do Ministério de Ciência e Tecnologia, federal. Foi o primeiro brasileiro a concluir o doutorado na conceituada Universidade de Cambridge, Inglaterra.</p>
<p>Em janeiro de 1963 assume a prefeitura Jorge Carone Filho, do PTB, que era tido pelos militares, e pelo aliado deles, o governador de Minas Gerais, Magalhães Pinto, como opositor. Carone foi cassado pelos vereadores na metade do mandato, no final de 1964, ano do golpe militar. Sua administração foi marcada pela polêmica. Em novembro de 1963 mandou cortar todas as árvores da Avenida Afonso Pena, dizendo que atrapalhavam o trânsito, e que tinham uma praga que ameaçava destruir todas as árvores da cidade.</p>
<p><a rel="attachment wp-att-6259" href="http://www.metro.org.br/sebastiao/bh-anos-60-um-sonho-feliz-de-cidade/bh-anos-60-4"><img class="aligncenter size-medium wp-image-6259" title="bh anos 60 4" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2011/11/bh-anos-60-4-500x371.jpg" alt="" width="500" height="371" /></a></p>
<p>Em 1969, ano do recrudescimento do Regime Militar com a edição do Ato Institucional nº5, o AI-5, que fechou o Congresso Nacional temporariamente e permitiu a cassação do mandato de muitos de seus integrantes, o governador nomeado Rondon Pacheco, que nunca teve vínculo com Belo Horizonte e foi um dos signatários do AI-5, autorizou a destruição pela mineradora MBR, hoje integrada à Companhia Vale do Rio Doce, da Serra do Curral que deu nome ao povoado de Curral Del Rei, origem da cidade, e que era o principal cartão postal da cidade.</p>
<p><a rel="attachment wp-att-6260" href="http://www.metro.org.br/sebastiao/bh-anos-60-um-sonho-feliz-de-cidade/bh-anos-60-5"><img class="aligncenter size-full wp-image-6260" title="bh anos 60 5" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2011/11/bh-anos-60-5.jpg" alt="" width="400" height="245" /></a></p>
<p>Um outro atentado que não podemos esquecer foi a compra de outro cartão postal da cidade, o Cine Metrópole, pelo banco Bradesco, que o derrubou e construiu um deplorável edifício administrativo em seu lugar. Naquele momento, além da atrofia da sociedade pelo regime militar, que reprimia ferozmente qualquer crítica, não havia uma mínima consciência ecológica, ambiental ou da importância do patrimônio histórico e arquitetônico.</p>
<p>Era o prenúncio do “Milagre Econômico”, em que os governantes buscaram resultados imediatos, não se interessando pelos impactos sociais, ambientais ou culturais. Em quatro anos no entanto o modelo se esgotou, o que levou os militares a iniciar sua estratégica retirada de cena, com a “Abertura Política”. Era um tempo em que a BH com seus 60 anos iniciava a formação de seu imaginário, como diz a música “Sampa” de Caetano Veloso, de “Um Sonho Feliz de Cidade”</p>
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		<title>Meus Óculos Cor de Rosa</title>
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		<pubDate>Mon, 31 Oct 2011 15:40:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sebastião Verly</dc:creator>
				<category><![CDATA[Devaneios]]></category>
		<category><![CDATA[Segurança Pública]]></category>
		<category><![CDATA[Dilma]]></category>
		<category><![CDATA[Segurança Publica]]></category>

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		<description><![CDATA[Depois da obra “1984”, de George Orwell, eu sempre tive muito cuidado a elogiar qualquer nova tecnologia que surge e que possa influenciar a vida das pessoas. Foi assim com os celulares que demorei a aderir e agora é assim com os tais óculos cor de rosa. A moça de uma gordura impar ajustou a rudes golpes os óculos em minha cara. Força não lhe faltava. Força e braços bem grossos tem Tamires, esse é o seu nome. Foi logo dizendo que era só pagar no caixa e sair logo da loja. Não sei se as palavras eram bem essas. O efeito é imediato. Tempos atrás, eu a xingaria com os nomes mais feios que conheço. Hoje vi que essa menina deve ter feito excelente curso de vendas e sabe o que o cliente quer. Ou melhor, o que ele precisa. Perguntei: Você fez curso comigo?, lembrando de meus cursos para vendedores. Ela objetivamente não respondeu. Percebi que a sua objetividade me dará mais prazer na vida e quanto mais cedo melhor. Não vamos perder tempo com aquelas conversas de vendedores. Papos inúteis. Sai dali e quis passar no Sebo, logo na rua de cima. O sebo agora é só de livros escolares para primeiro e segundo graus. Perguntei ao rapaz que atendia para onde tinha ido o “Páginas Antigas”, meu sebo preferido. - Não sei e nem quero saber, respondeu o gaiato. Olha aí a vantagem dos novos óculos. Vi claramente como o rapaz era objetivo e não me deixava perder tempo. Os jovens de hoje são bem mais diretos e claros. Saí ainda mais feliz. A chuva começou a cair e com meu novo equipamento pude ver como é bom morar em BH: as águas se acumulavam nos bueiros entupidos por lixo e folhas de árvores e criavam verdadeiras piscinas. Quanta beleza, e de graça! Nos bairros, a coisa ainda é mais linda porque leva terra ao natural: vermelhinha. Tentei entrar na Casa de CDs e o dono sabendo é claro que eu iria perder mais tempo mostrou-me sua cara fechada como a dizer vá embora, já que não vai comprar nada mesmo! Isso me fez compreender que felizmente as pessoas preocupam mais com você do que tudo. Entrei na livraria e, talvez para fazer graça, disse ao gerente, que por sinal era meu conhecido e tem meu primeiro nome: - Xará estou entrando com um livro. Tem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a rel="attachment wp-att-5978" href="http://www.metro.org.br/sebastiao/meus-oculos-cor-de-rosa/dilma"><img class="aligncenter size-medium wp-image-5978" title="dilma" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2011/10/dilma-500x347.jpg" alt="" width="500" height="347" /></a></p>
<p>Depois da obra “1984”, de George Orwell, eu sempre tive muito cuidado a elogiar qualquer nova tecnologia que surge e que possa influenciar a vida das pessoas. Foi assim com os celulares que demorei a aderir e agora é assim com os tais óculos cor de rosa.</p>
<p>A moça de uma gordura impar ajustou a rudes golpes os óculos em minha cara. Força não lhe faltava. Força e braços bem grossos tem Tamires, esse é o seu nome. Foi logo dizendo que era só pagar no caixa e sair logo da loja. Não sei se as palavras eram bem essas.</p>
<p>O efeito é imediato. Tempos atrás, eu a xingaria com os nomes mais feios que conheço. Hoje vi que essa menina deve ter feito excelente curso de vendas e sabe o que o cliente quer. Ou melhor, o que ele precisa. Perguntei: Você fez curso comigo?, lembrando de meus cursos para vendedores. Ela objetivamente não respondeu.</p>
<p>Percebi que a sua objetividade me dará mais prazer na vida e quanto mais cedo melhor. Não vamos perder tempo com aquelas conversas de vendedores. Papos inúteis. Sai dali e quis passar no Sebo, logo na rua de cima. O sebo agora é só de livros escolares para primeiro e segundo graus. Perguntei ao rapaz que atendia para onde tinha ido o “Páginas Antigas”, meu sebo preferido.</p>
<p>- Não sei e nem quero saber, respondeu o gaiato.</p>
<p>Olha aí a vantagem dos novos óculos. Vi claramente como o rapaz era objetivo e não me deixava perder tempo. Os jovens de hoje são bem mais diretos e claros. Saí ainda mais feliz.</p>
<p>A chuva começou a cair e com meu novo equipamento pude ver como é bom morar em BH: as águas se acumulavam nos bueiros entupidos por lixo e folhas de árvores e criavam verdadeiras piscinas. Quanta beleza, e de graça! Nos bairros, a coisa ainda é mais linda porque leva terra ao natural: vermelhinha.</p>
<p>Tentei entrar na Casa de CDs e o dono sabendo é claro que eu iria perder mais tempo mostrou-me sua cara fechada como a dizer vá embora, já que não vai comprar nada mesmo! Isso me fez compreender que felizmente as pessoas preocupam mais com você do que tudo.</p>
<p>Entrei na livraria e, talvez para fazer graça, disse ao gerente, que por sinal era meu conhecido e tem meu primeiro nome:</p>
<p>- Xará estou entrando com um livro. Tem problema?</p>
<p>O Xará apenas deu um muxoxo. Muxoxo é aquele barulhinho que a gente faz com os lábios para mostrar um certo desagrado. Mas, no seu caso era a tal e preciosa objetividade. Para que tomar meu tempo expressando em palavras. A chuva parou e ainda dava tempo de voltar ao Banco do Brasil, de onde sai com tanta raiva ontem. Hoje seria a prova de fogo para os novos óculos.</p>
<p>Cheguei correndo a tempo de tirar a última senha, aquela mesma que ontem julguei uma burocracia inoportuna, para ir diretamente ao caixa como me ensinou rispidamente a Rafaela, atendente que me prestava seus serviços no dia anterior.</p>
<p>Fui ao caixa e a moça inicialmente horrorosa, logo se transformou com meu novo auxiliar ótico. O que é que o senhor quer: sacar, pagar, o que é? Como disse anteriormente, que beleza é lidar com os jovens de hoje. Objetividade clareza e tudo que o cliente mais precisa.</p>
<p>Quero transferir meu saldo de conta corrente para uma conta de poupança.</p>
<p>- Trouxe a Carteira de Identidade?</p>
<p>- Eu o sei de cor é &#8230;</p>
<p>- Quero ver a carteira de identidade, disse com toda a saudável energia que traz no corpanzil.</p>
<p>Sorri agradecido por tamanha gentileza. Espero que ela não me tome por irônico, mas gostei mesmo da moça. Digitou algo e entregou-me dois tickets. Eu quis maiores explicações porque sabia que fora minha a ultima senha dada para o caixa preferencial dos idosos, mas ela me antecipou: olhe para trás e verá quantos cabeças brancas ainda tenho que aturar hoje.</p>
<p>Olhei e vi que alguém poderia conseguir entrar depois do horário de fechamento da agência, nunca se sabe e fui embora feliz da vida. O atendimento hoje é muito mais prático. A perda de tempo acabou.</p>
<p>Estava com sede e um pouquinho de fome e decidi passar no supermercado para comprar algo. No tal caixa dos “pés na cova”, a moça conversava com a colega que quando está de boa vontade embala as compras.</p>
<p>A moça do caixa, ao invés de me entregar o troco nas mãos o colocou em cima de uma das compras e continuou a conversa com a colega embaladora. Com meus novos óculos pude ver que ambas consideram o idoso uma pessoa capaz e saudável e nada de ficar tratando-o com mesuras.</p>
<p>Satisfeito fui para casa passar uma flanelinha nos meus novos óculos. Leio na internet que o Brasil já é o quinto país com maior número de usuários de óculos cor de rosa do mundo. Indico o inclusive para a presidenta Dilma pois tenho certeza que ela vai adorar a Política de Segurança Pública de seu governo.</p>
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		<title>O Petróleo é Nosso!</title>
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		<pubDate>Thu, 13 Oct 2011 18:00:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Editor</dc:creator>
				<category><![CDATA[Editorial]]></category>
		<category><![CDATA[Energia]]></category>
		<category><![CDATA[Políticas de Defesa]]></category>

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		<description><![CDATA[O Estado do Rio de Janeiro é hoje o grande sócio do governo federal na partilha dos royalties do petróleo. Por estar de frente às áreas da plataforma marítima onde é explorado o petróleo, algumas de suas cidades costeiras passaram a servir de apoio a estas atividades. Como as reservas conhecidas foram crescendo aos poucos, os demais estados federados não se deram conta que, pela Constituição Federal os estados costeiros têm jurisdição sobre o território das ilhas não federais, mas não sobre a plataforma continental. Constitucionalmente, a plataforma marítima está sob jurisdição federal exclusiva. Detentores dos mais importantes órgãos da midia nacional e dos dois maiores PIB, Produto Interno Bruto, o governo do Rio tem conseguido se unir a São Paulo na estratégia de se intitularem “Estados Produtores”, como se a Plataforma Marítima estivesse dentro de seus territórios. E sua primeira grande vitória foi usar a influência na mídia para martelar estes conceitos até que conseguisse, como acabaram por conseguir, que os representantes dos demais estados, considerados “Não Produtores” passassem a aceitá-los e a repetí-los. A partir da imposição deste conceito, qualquer redução da participação desses estados passa a ser tratada como “Concessão dos Estados Produtores”. A partir desta esperteza, sentam-se à mesa de negociação como os irmãos ricos que se dispõem a ajudar os irmãos pobres, mas dentro de estreitos limites. Todo o petróleo extraído da plataforma marítima está no Mar Territorial brasileiro, em sua Zona Econômica Exclusiva, que é bom que se diga, não é algo pacífico diante das leis internacionais, ou seja, a qualquer momento existe o risco de seu questionamento, o que deve ser esperado na medida em que se anunciam novas descobertas. Se nem sequer o direito do país costeiro está assegurado, pois esta Zona Econômica Exclusiva ainda não está regulamentada pelos órgãos internacionais, nenhum estado confederado tem a mínima condição de considerar esta área seu território próprio. Se houver tal questionamento aos direitos econômicos do Brasil sobre estas jazidas, não são as forças dos estados costeiros que deverão entrar certamente em ação. Se o governo federal através da Marinha de Guerra constrói submarinos, e se arma sabendo que precisa defender esta riqueza, não serão os estados costeiros que irão pagar a conta, mas sim o governo federal, com recursos arrecadados dos cidadãos dos estados costeiros e não costeiros sem nenhuma discriminação. Portanto o petróleo é produzido em território federal e não há que se [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a rel="attachment wp-att-5718" href="http://www.metro.org.br/editor/o-petroleo-e-nosso/petroleo"><img class="aligncenter size-full wp-image-5718" title="petroleo" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2011/09/petroleo.jpg" alt="" width="550" height="385" /></a></p>
<p>O Estado do Rio de Janeiro é hoje o grande sócio do governo federal na partilha dos royalties do petróleo. Por estar de frente às áreas da plataforma marítima onde é explorado o petróleo, algumas de suas cidades costeiras passaram a servir de apoio a estas atividades.</p>
<p>Como as reservas conhecidas foram crescendo aos poucos, os demais estados federados não se deram conta que, pela Constituição Federal os estados costeiros têm jurisdição sobre o território das ilhas não federais, mas não sobre a plataforma continental. Constitucionalmente, a plataforma marítima está sob jurisdição federal exclusiva.</p>
<p>Detentores dos mais importantes órgãos da midia nacional e dos dois maiores PIB, Produto Interno Bruto, o governo do Rio tem conseguido se unir a São Paulo na estratégia de se intitularem “Estados Produtores”, como se a Plataforma Marítima estivesse dentro de seus territórios. E sua primeira grande vitória foi usar a influência na mídia para martelar estes conceitos até que conseguisse, como acabaram por conseguir, que os representantes dos demais estados, considerados “Não Produtores” passassem a aceitá-los e a repetí-los. A partir da imposição deste conceito, qualquer redução da participação desses estados passa a ser tratada como “Concessão dos Estados Produtores”. A partir desta esperteza, sentam-se à mesa de negociação como os irmãos ricos que se dispõem a ajudar os irmãos pobres, mas dentro de estreitos limites.</p>
<p>Todo o petróleo extraído da plataforma marítima está no Mar Territorial brasileiro, em sua Zona Econômica Exclusiva, que é bom que se diga, não é algo pacífico diante das leis internacionais, ou seja, a qualquer momento existe o risco de seu questionamento, o que deve ser esperado na medida em que se anunciam novas descobertas.</p>
<p>Se nem sequer o direito do país costeiro está assegurado, pois esta Zona Econômica Exclusiva ainda não está regulamentada pelos órgãos internacionais, nenhum estado confederado tem a mínima condição de considerar esta área seu território próprio. Se houver tal questionamento aos direitos econômicos do Brasil sobre estas jazidas, não são as forças dos estados costeiros que deverão entrar certamente em ação.</p>
<p>Se o governo federal através da Marinha de Guerra constrói submarinos, e se arma sabendo que precisa defender esta riqueza, não serão os estados costeiros que irão pagar a conta, mas sim o governo federal, com recursos arrecadados dos cidadãos dos estados costeiros e não costeiros sem nenhuma discriminação. Portanto o petróleo é produzido em território federal e não há que se aceitar a falsa dicotomia entre Estados Produtores e Não Produtores. Em suma, O Petróleo é Nosso!</p>
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		<title>Catadores: Não à Tração Humana!</title>
		<link>http://www.metro.org.br/heliana/catadores-nao-a-tracao-humana</link>
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		<pubDate>Thu, 13 Oct 2011 17:02:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Heliana Kátia Tavares Campos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Lixo e Saneamento]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.metro.org.br/?p=5763</guid>
		<description><![CDATA[Josi Costa, música e Assistente do Festival Lixo e Cidadania O advento do 10º Festival Lixo e Cidadania que deverá reunir em Belo Horizonte Catadores de Lixo de várias cidades brasileiras nos obriga a refletir as vitórias alcançadas e aquelas por vir. Conquista de tempos idos, o catador recuperou a profissão do antigo comprador de garrafas e ferros velhos tão comuns em nossas cidades na nossa infância e na de nossos antepassados. Pelas ruas ouvia-se o barulhinho característico de dois ferrinhos se batendo e o chamado: OLHA O GARRAFEIRO! OLHA O FERRO VELHO! Alguns modelos de coleta seletiva implantados no Brasil tentaram desprezar este personagem histórico e tão importante social e economicamente. Houve, no entanto uma reação e citaria Belo Horizonte como um dos exemplos. Parceiro prioritário da coleta seletiva e destaque no reconhecimento público de seu trabalho, o catador ganhou ali destaque nacional. Em 1973, com a criação do Comitê Interministerial de Inclusão Social dos catadores, o Presidente Lula demonstrou o apoio que daria a esta categoria profissional nos anos seguintes. Hoje reconhecido pelo Código Brasileiro de Ocupações ser um catador é ter uma profissão. O Festival Lixo e Cidadania perenizou a luta do segmento por meio de seus eventos anuais, e criou um ambiente de debate franco, aberto, democrático e participativo com igualdade de direito a voz que o tornam único. Reina aí a liberdade e a criatividade no seu limite e reflete a valorização e a dignificação do trabalho do catador. É o espaço considerado politizado e reivindicatório. Bom seria a existência desses eventos no nível estadual. Mesmo que para isso fosse necessário intercalar com a realização em um ano dos festivais estaduais e no outro o festival nacional. Talvez assim houvesse uma maior participação da categoria. Mas a prática demonstra que centenas de milhares de catadores, profissionais da coleta seletiva ainda têm condições insalubres de trabalho, fazendo a catação nas ruas, nos lixões. Coletando os materiais recicláveis muitas vezes com TRAÇÃO HUMANA, arriscando suas vidas no trânsito suportando pesos desproporcionais à sua força física, empurrando ou puxando seus carrinhos ladeira abaixo e ladeira acima, no sol e na chuva para viabilizar um projeto que teria que ter todo apoio do poder público e da sociedade. Dona Geralda, dona Maria Braz, e tantos outros, tantas outras, quanto esforço!!!!!!!!! Conforme previsto na Lei do Saneamento Básico é prioridade e independe de licitação a contratação de catadores para a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a rel="attachment wp-att-5764" href="http://www.metro.org.br/?attachment_id=5764"><img class="aligncenter size-full wp-image-5764" title="catadores" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2011/09/catadores.jpg" alt="" width="630" height="401" /></a></p>
<p style="text-align: center;">Josi Costa, música e Assistente do Festival Lixo e Cidadania</p>
<p>O advento do 10º Festival Lixo e Cidadania que deverá reunir em Belo Horizonte Catadores de Lixo de várias cidades brasileiras nos obriga a refletir as vitórias alcançadas e aquelas por vir.</p>
<p>Conquista de tempos idos, o catador recuperou a profissão do antigo comprador de garrafas e ferros velhos tão comuns em nossas cidades na nossa infância e na de nossos antepassados. Pelas ruas ouvia-se o barulhinho característico de dois ferrinhos se batendo e o chamado: OLHA O GARRAFEIRO! OLHA O FERRO VELHO!</p>
<p>Alguns modelos de coleta seletiva implantados no Brasil tentaram desprezar este personagem histórico e tão importante social e economicamente. Houve, no entanto uma reação e citaria Belo Horizonte como um dos exemplos. Parceiro prioritário da coleta seletiva e destaque no reconhecimento público de seu trabalho, o catador ganhou ali destaque nacional.</p>
<p>Em 1973, com a criação do Comitê Interministerial de Inclusão Social dos catadores, o Presidente Lula demonstrou o apoio que daria a esta categoria profissional nos anos seguintes. Hoje reconhecido pelo Código Brasileiro de Ocupações ser um catador é ter uma profissão.</p>
<p>O Festival Lixo e Cidadania perenizou a luta do segmento por meio de seus eventos anuais, e criou um ambiente de debate franco, aberto, democrático e participativo com igualdade de direito a voz que o tornam único. Reina aí a liberdade e a criatividade no seu limite e reflete a valorização e a dignificação do trabalho do catador. É o espaço considerado politizado e reivindicatório. Bom seria a existência desses eventos no nível estadual. Mesmo que para isso fosse necessário intercalar com a realização em um ano dos festivais estaduais e no outro o festival nacional. Talvez assim houvesse uma maior participação da categoria.</p>
<p>Mas a prática demonstra que centenas de milhares de catadores, profissionais da coleta seletiva ainda têm condições insalubres de trabalho, fazendo a catação nas ruas, nos lixões. Coletando os materiais recicláveis muitas vezes com TRAÇÃO HUMANA, arriscando suas vidas no trânsito suportando pesos desproporcionais à sua força física, empurrando ou puxando seus carrinhos ladeira abaixo e ladeira acima, no sol e na chuva para viabilizar um projeto que teria que ter todo apoio do poder público e da sociedade. Dona Geralda, dona Maria Braz, e tantos outros, tantas outras, quanto esforço!!!!!!!!!</p>
<p>Conforme previsto na Lei do Saneamento Básico é prioridade e independe de licitação a contratação de catadores para a coleta seletiva, para a triagem e a comercialização dos materiais. No entanto esta contratação obriga o <em>”uso de equipamentos compatíveis com as normas técnicas, ambientais e de saúde pública”.</em> Esta regra não tem sido respeitada em grande parte dos municípios brasileiros, o que deve ser denunciado.  Não se pode confundir a exploração da mão de obra com condições indignas de trabalho, com a inclusão social dos catadores. Há que se cumprir a legislação brasileira, conquista histórica dos trabalhadores. Há que se ter sistemas de coleta mecanizados, apropriados a cada função, áreas cobertas para o trabalho de triagem, instalações sanitárias adequadas, refeitórios, e o completo cumprimento das normas brasileiras.</p>
<p>Avante catador, a luta continua! Há que se denunciar tais abusos. Avante Brasil no cumprimento das leis trabalhistas, no cumprimento das condições dignas de trabalho. Companheiros e companheiras catadores e catadores de materiais recicláveis estamos juntos nesta luta! Chegou a hora de dizer: <strong>NÃO À TRAÇÃO HUMANA</strong>!</p>
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		<title>Logística Reversa: é dando que se recebe!</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Sep 2011 16:37:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sebastião Verly</dc:creator>
				<category><![CDATA[Lixo e Saneamento]]></category>

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		<description><![CDATA[O título não é nada original. E a logística reversa também é coisa antiga. Ainda haverá quem se lembre dos tempos que tinha que levar o casco, a garrafa vazia, para se comprar o leite, a cerveja ou o refrigerante. A logística reversa é a área da logística que trata, genericamente, do fluxo físico de produtos, embalagens ou outros materiais, reversamente, desde o ponto de consumo final até o local de origem. O objetivo da Lei Federal 12.305 que está regulamentando este assunto no Brasil é tornar acessível e prático o retorno dos materiais espalhados incessante e insensatamente pelo país, como o são pelo mundo inteiro, para que sejam reciclados e reaproveitados, evitando a produção de lixo e a poluição. O princípio lógico é que o produtor da embalagem deve ser responsabilizado por sua reciclagem. Quem espalha embalagens e produtos por toda parte, se necessário deverá recolher seus restos de volta. Isso certamente irá obrigá-los a produzir embalagens mais fáceis de serem recicladas. As grandes empresas aprimoraram as formas de levar seus produtos a todos os rincões do mundo a partir de suas fábricas e pontos de distribuição. E usam um conceito moderno para rotular esse complexo processo: LOGISTICA OPERACIONAL. Hoje é certo que em lugares remotos como a Reserva Indígena Iuaretê, Amazônia, Taoudeni, Saara, Sunzhenskiy, Cáucaso, ou nas margens do Rio Citarum, na ilha de Java, na Indonésia, foto acima, no mais recôndito buteco de beira de estrada de terra você pode tomar um desses refrigerantes “universais” ou comprar uma bateria de rádio, e ali mesmo descartar a embalagem vazia ou o produto, contaminando o ambiente. As grandes distribuidoras levam suas embalagens de plástico, vidro ou metal e mistas de papel e outros materiais, o que, pelo fato de não haver retorno, possibilita-lhes cobrar um preço irrisório. Não gastam um centavo sequer com o recolhimento dos vasilhames. O pobre índio, beduíno, camponês ou barqueiro ingenuamente e sem alternativas para matar a sede e até para enganar a fome, fica obrigado a receber embalagens que levarão anos juntando larvas de mosquito, sujeira e podridão pelos campos e nascentes outrora cristalinas e saudáveis. E tudo parece ser assim mesmo. O que há de se fazer? Alguns, mais simplórios, chegarão a dizer que isso é progresso. Os resíduos deixados pelo consumo de líquidos e sólidos trazidos tão bem acondicionados pelos caminhões de entrega emporcalham o mundo. O capitalista voraz não sente piedade, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a rel="attachment wp-att-5685" href="http://www.metro.org.br/sebastiao/logistica-reversa-e-dando-que-se-recebe/logistica"><img class="aligncenter size-full wp-image-5685" title="Logistica" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2011/09/Logistica.jpg" alt="" width="468" height="319" /></a></p>
<p>O título não é nada original. E a logística reversa também é coisa antiga. Ainda haverá quem se lembre dos tempos que tinha que levar o casco, a garrafa vazia, para se comprar o leite, a cerveja ou o refrigerante. A logística reversa é a área da logística que trata, genericamente, do fluxo físico de produtos, embalagens ou outros materiais, reversamente, desde o ponto de consumo final até o local de origem.</p>
<p>O objetivo da Lei Federal 12.305 que está regulamentando este assunto no Brasil é tornar acessível e prático o retorno dos materiais espalhados incessante e insensatamente pelo país, como o são pelo mundo inteiro, para que sejam reciclados e reaproveitados, evitando a produção de lixo e a poluição.</p>
<p>O princípio lógico é que o produtor da embalagem deve ser responsabilizado por sua reciclagem. Quem espalha embalagens e produtos por toda parte, se necessário deverá recolher seus restos de volta. Isso certamente irá obrigá-los a produzir embalagens mais fáceis de serem recicladas.</p>
<p>As grandes empresas aprimoraram as formas de levar seus produtos a todos os rincões do mundo a partir de suas fábricas e pontos de distribuição. E usam um conceito moderno para rotular esse complexo processo: LOGISTICA OPERACIONAL.</p>
<p>Hoje é certo que em lugares remotos como a Reserva Indígena Iuaretê, Amazônia, Taoudeni, Saara, Sunzhenskiy, Cáucaso, ou nas margens do Rio Citarum, na ilha de Java, na Indonésia, foto acima, no mais recôndito buteco de beira de estrada de terra você pode tomar um desses refrigerantes “universais” ou comprar uma bateria de rádio, e ali mesmo descartar a embalagem vazia ou o produto, contaminando o ambiente.</p>
<p>As grandes distribuidoras levam suas embalagens de plástico, vidro ou metal e mistas de papel e outros materiais, o que, pelo fato de não haver retorno, possibilita-lhes cobrar um preço irrisório. Não gastam um centavo sequer com o recolhimento dos vasilhames.</p>
<p>O pobre índio, beduíno, camponês ou barqueiro ingenuamente e sem alternativas para matar a sede e até para enganar a fome, fica obrigado a receber embalagens que levarão anos juntando larvas de mosquito, sujeira e podridão pelos campos e nascentes outrora cristalinas e saudáveis.</p>
<p>E tudo parece ser assim mesmo. O que há de se fazer? Alguns, mais simplórios, chegarão a dizer que isso é progresso. Os resíduos deixados pelo consumo de líquidos e sólidos trazidos tão bem acondicionados pelos caminhões de entrega emporcalham o mundo. O capitalista voraz não sente piedade, e no futuro&#8230; estaremos todos mortos! Para os executivos dessas empresas globais o que importa é o resultado financeiro, o lucro imediato. Uma única empresa embaladora de um desses xaropes vale, só pela marca, 50 bilhões de dólares!</p>
<p>Durante décadas, o poder público gastou muito dinheiro para limpar uma pequena parte desses resíduos e, mais recentemente, para sensibilizar e envolver a população numa nova atitude e comportamento que chamou de “coleta seletiva”. O poder público aplica também recursos para identificar e apoiar milhões de pessoas que vivem do trabalho de recolher uma ínfima parcela dos materiais recicláveis, mas seus ganhos são também ínfimos, o que não lhes permite uma vida minimamente digna. São geralmente moradores de rua das grandes cidades, ou pessoas que moram em casebres no entorno de pequenas cidades. Esses trabalhadores aos poucos se unem para recolher, triar e comercializar os materiais recicláveis pelos preços que lhes impõe o mercado competitivo.</p>
<p>Hoje uma boa parte da população já tem consciência de que os materiais recicláveis devem retornar à cadeia produtiva. Mas, sabe também que é caro, trabalhoso e complexo executar este retorno.</p>
<p>Milhões de catadores dos grandes centros se organizam com muito custo e esforços em cooperativas e associações para recolher e/ou apenas triar o que conseguem dessa enorme quantidade de materiais descartados. As prefeituras investem somas consideráveis nessa coleta especial. Algumas grandes cidades, como Belo Horizonte, colocam caminhões – uma vez por semana – para coletar de porta em porta os materiais recicláveis. A maioria é constituída de garrafas PET, sigla do politereftalato de etileno, plásticos em geral, papel e vidro. A prática e conseqüente legislação mostram que os fabricantes e intermediários desses produtos devem arcar com os custos do recolhimento de tantos materiais recicláveis espalhados pelo planeta.</p>
<p>A Secretaria de Planejamento da Prefeitura de Belo Horizonte firmou acordo com seus fornecedores de lâmpadas fluorescentes para que os mesmos recolham as lâmpadas usadas. Simples, não? Basta que os órgãos públicos e as grandes empresas firmem esse acordo e um dos mais sérios problemas, que é este das lâmpadas, estará resolvido.</p>
<p>Muito mais simples do que elaborar complicados planejamentos estratégicos, táticos e operacionais, é aproveitar essa idéia simples de coletar semanalmente esses materiais, entregá-los aos “catadores”, para que estes, depois de triá-los e enfardá-los, possam receber um pagamento digno pelo serviço prestado.</p>
<p>Algumas empresas, que ainda há pouco negavam suas responsabilidades, já antecipam as obrigações em recolher suas embalagens e até apóiam os trabalhadores que recolhem os recicláveis. E o fazem com grande alarde na mídia gerando um marketing espontâneo muito eficiente e barato, tendo em vista os bilhões que investem em campanhas publicitárias. Este é caso da Coca Cola em parceria com os trabalhadores da cooperativa dos Catadores de Gramacho, município de Duque de Caxias, foto abaixo, no Rio de Janeiro, divulgado exaustivamente na mídia.</p>
<p><a rel="attachment wp-att-5686" href="http://www.metro.org.br/sebastiao/logistica-reversa-e-dando-que-se-recebe/logistica1"><img class="aligncenter size-medium wp-image-5686" title="Logistica1" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2011/09/Logistica1-500x333.jpg" alt="" width="500" height="333" /></a></p>
<p>Iniciativas pontuais indicam que este pode ser o caminho mais fácil: apoiar financeiramente ou contratar os serviços das cooperativas já existentes para recolher tudo que é espalhado pelo mundo afora, por grandes grupos produtores, embaladores e distribuidores.</p>
<p>As cooperativas de catadores e triadores organizam-se cada dia melhor. Agora chegou a hora das grandes empresas integrarem-se ao sistema, financiar a coleta e ampliar as formas e procedimentos de realizar o caminho de volta dos materiais: a LOGISTICA REVERSA.</p>
<p>E as empresas que saírem na frente podem até ganhar mais dinheiro com o aumento das vendas e conquista da simpatia da população. Como dizia São Francisco de Assis: “É dando que se recebe!”</p>
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		<title>Consciência Comunitária e Cultura de Paz</title>
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		<pubDate>Mon, 12 Sep 2011 16:33:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sebastião Verly</dc:creator>
				<category><![CDATA[Segurança Pública]]></category>
		<category><![CDATA[Sociologia]]></category>

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		<description><![CDATA[O tema comunidade na época raramente era debatido em público e, nas Universidades, existia apenas uma coletânea superficial organizada pelo sociólogo Fernando Henrique Cardoso. No cinema, marcara época o filme Queimada. Naquela película, Gillo Pontecorvo, num momento de felicidade também rara, leva à tela, uma imaginária experiência, consagrada e consolidada pelo grande ator Marlon Brando. Naquele filme, podemos ver passo a passo como mobilizar uma liderança que, consciente e consistentemente, insufla sua comunidade a sair do comodismo e tomar as rédeas de suas vidas. É um filme e que mostra a realidade, portanto, mostra também o revés imposto pelo sistema capitalista – pela força e competência – até onde lhe interessa. O agente inglês passa a incutir as idéias libertárias no destemido escravo, até que juntos conseguem organizar uma grande rebelião. Dez anos depois ele retorna, para depor quem ele colocou no poder, pois os interesses econômicos exigem um novo quadro político na região. Apesar da ficção criada no filme, existiu na vida real um soldado estadunidense chamado William Walker, que no período de 1856-1857 chegou a ser presidente da Nicarágua, financiado pelo magnata Cornelius Vanderbilt. Ao prosseguir nesta reflexão, lembro-me que, em 1972, no auge do regime militar, eu fora selecionado para participar do I Curso de Desenvolvimento de Comunidades para Docentes e Técnicos de Nível Superior, realizado pelo Ministério do Interior em Brasília. No curso, contávamos essencialmente com teorias sociais e trabalhos de reconhecidas assistentes sociais, especialmente militantes na região Nordeste, Safira Bezerra dentre outras.  Éramos poucos com formação sociológica e menos ainda, os que se formaram com mais consciência crítica, dentre os 22 participantes do curso. Ainda hoje tenho contato com o brilhante colega Estênio Iriart El Bayne que foi nosso orador e marcou o momento com palavras e mensagens revolucionárias. A começar por dizer na presença do Ministro e várias membros do alto escalão do regime “um agradecimento ao povo brasileiro que financia este curso”. Dali saímos com o forte desejo de mudar este país. E sabíamos que deveria ser pela força do povo. Um livro escrito em 1976 pelo bravo Márcio Moreira Alves, deputado federal caçado, no qual ele registra o movimento popular estimulado pelo então prefeito Dirceu Carneiro do oposicionista PMDB, na cidade de Lages, em Santa Catarina, cujos resultados marcaram a vida de todos que estavam envolvidos na Mobilização das Comunidades marginalizadas pelo perverso capitalismo selvagem que vigorava. Hoje, tudo isso é apenas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a rel="attachment wp-att-5606" href="http://www.metro.org.br/sebastiao/consciencia-comunitaria-e-cultura-de-paz/seguranca"><img class="aligncenter size-full wp-image-5606" title="segurança" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2011/09/segurança.jpg" alt="" width="468" height="310" /></a></p>
<p>O tema comunidade na época raramente era debatido em público e, nas Universidades, existia apenas uma coletânea superficial organizada pelo sociólogo Fernando Henrique Cardoso.</p>
<p>No cinema, marcara época o filme Queimada. Naquela película, Gillo Pontecorvo, num momento de felicidade também rara, leva à tela, uma imaginária experiência, consagrada e consolidada pelo grande ator Marlon Brando. Naquele filme, podemos ver passo a passo como mobilizar uma liderança que, consciente e consistentemente, insufla sua comunidade a sair do comodismo e tomar as rédeas de suas vidas. É um filme e que mostra a realidade, portanto, mostra também o revés imposto pelo sistema capitalista – pela força e competência – até onde lhe interessa. O agente inglês passa a incutir as idéias libertárias no destemido escravo, até que juntos conseguem organizar uma grande rebelião. Dez anos depois ele retorna, para depor quem ele colocou no poder, pois os interesses econômicos exigem um novo quadro político na região.</p>
<p>Apesar da ficção criada no filme, existiu na vida real um soldado estadunidense chamado William Walker, que no período de 1856-1857 chegou a ser presidente da Nicarágua, financiado pelo magnata Cornelius Vanderbilt.</p>
<p>Ao prosseguir nesta reflexão, lembro-me que, em 1972, no auge do regime militar, eu fora selecionado para participar do I Curso de Desenvolvimento de Comunidades para Docentes e Técnicos de Nível Superior, realizado pelo Ministério do Interior em Brasília. No curso, contávamos essencialmente com teorias sociais e trabalhos de reconhecidas assistentes sociais, especialmente militantes na região Nordeste, Safira Bezerra dentre outras.  Éramos poucos com formação sociológica e menos ainda, os que se formaram com mais consciência crítica, dentre os 22 participantes do curso. Ainda hoje tenho contato com o brilhante colega Estênio Iriart El Bayne que foi nosso orador e marcou o momento com palavras e mensagens revolucionárias. A começar por dizer na presença do Ministro e várias membros do alto escalão do regime “um agradecimento ao povo brasileiro que financia este curso”.</p>
<p>Dali saímos com o forte desejo de mudar este país. E sabíamos que deveria ser pela força do povo. Um livro escrito em 1976 pelo bravo Márcio Moreira Alves, deputado federal caçado, no qual ele registra o movimento popular estimulado pelo então prefeito Dirceu Carneiro do oposicionista PMDB, na cidade de Lages, em Santa Catarina, cujos resultados marcaram a vida de todos que estavam envolvidos na Mobilização das Comunidades marginalizadas pelo perverso capitalismo selvagem que vigorava. Hoje, tudo isso é apenas história.</p>
<p>Bem mais tarde tivemos contatos com o livro “Mobilização Social: um Modo de Construir a Democracia e a Participação” de autoria de Nisia Maria Duarte Werneck, com o filósofo colombiano Bernardo Toro e com as Teorias de Planejamento Participativo, do chileno Carlos Mattus.</p>
<p>Na pratica dos nossos trabalhos como Analista de Mobilização Social tivemos contatos com o carismático Rodolfo Alexandre Inácio Cascão que, vindo de uma experiência revolucionária, incorporou o lúdico, o festar, a arte e a diversão nos movimentos e formas de atrair e conscientizar as populações de todas as camadas sociais.</p>
<p>O fato é que as decisões políticas são tomadas por leigos que ignoram totalmente os princípios e teorias de Mobilização. Os dirigentes preferem os trabalhos empíricos, bem no estilo paternalista que mantêm as populações envolvidas como expectadoras passivas do processo.</p>
<p>A essência é muito diferente da aparência. A começar pela compreensão de que todos os seres humanos nascem iguais e só a cultura dominante os trata como diferentes.</p>
<p>Há poucos dias tive uma reunião numa comunidade, em que tive a oportunidade de ver como é diferente lidar com as pessoas, deferindo-lhes respeito e dignidade. Os moradores da Vila Aparecida de BH expunham seus pontos de vista, defendiam seus direitos e reivindicações, com toda a força de seus pulmões e sentiam-se de fato, como iguais. Dos presentes, quem não tinha formação sociológica assustou-se. Nossa colega Maria Lucia Vieira demonstrou seu encanto com a vontade de participar de quase todos os presentes. Foi um show!</p>
<p>É bem diferente você chegar numa comunidade com um pacote pronto, oferecendo o que o poder público julga que deve oferecer e outra coisa é conhecer as reais reivindicações dos moradores que ali realmente sofrem e sabem do que precisam. A demonstração de respeito e apoio é quase tudo que as pessoas precisam.</p>
<p>Só quem estuda, através de todos os recursos disponíveis, o sistema social vigente e seus infinitos truques pode realizar um trabalho sério de Mobilização Social. E saberá que somente a consciência comunitária pode conduzir a sociedade pelos caminhos que sonhamos: a não violência, a solidariedade e a cultura de paz.</p>
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		<title>Hamurabi e a Logística Reversa</title>
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		<pubDate>Wed, 20 Jul 2011 17:57:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sebastião Verly</dc:creator>
				<category><![CDATA[Lixo e Saneamento]]></category>

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		<description><![CDATA[Ur, terra natal de Abraão, para quem gosta de palavras cruzadas era, até pouco tempo, considerada a mais antiga cidade conhecida. Hoje considera-se Jericó. A diferença é de aproximadamente 4.000 anos. No caso do lixo urbano, segundo encontrei na Internet, havia em Jericó, há dez mil anos, um modelo de coleta bem complexo. As pessoas jogavam fora tudo o que não servia em casa e o Rei mandava recolher e amontoar fora dos muros da Cidade. Em Ur, 4.000 anos mais tarde, um outro rei, Hamurabi, teve uma idéia genial. Conseguiu que cada artesão cuidasse da sucata que gerasse. Assim, o sapateiro concordou em receber de volta os velhos sapatos quando “dessem no prego”. Era comum alguém chegar naquelas oficinas e ver um monte de couros velhos, que as crianças pediam para fazer atiradeiras ou estilingues. Com os retalhos também faziam-se cintos e cordas. O fabricante de cestos de bambu recolhia a sucata que havia gerado e a repassava aos fabricantes de sabão que os aproveitavam para coar a matéria prima composta de cinza de fogão a lenha e sebo, que antes era jogado fora pelo açougueiro. O alfaiate e as costureiras também colaboraram, aceitando receber de volta as peças de roupas que ficavam velhas. Delas tiravam os botões, que reaproveitavam, e os tecidos eram recortados em pedaços retangulares que eram recosturados, tornando-se charmosas colchas multicoloridas. Em cima de uma cama velha que ficava no antigo quarto de costuras de cada casa, havia sempre um pedaço de pano que era útil para remendar a roupa que rasgava. Poderia ficar páginas e páginas para relatar todos os acordos entre os artesãos e Hamurabi, mas posso assegurar que naquela moderna cidade o tesoureiro real nem tomava conhecimento do assunto. O tempo passou e, já na civilizada Roma, vimos um retrocesso. O Imperador, para agradar aos patrícios, mandava coletar todo o lixo na porta de suas casas e transportá-lo até os terrenos baldios da periferia, semelhantes aos lixões de Jericó. De lá para cá pouco evoluímos, permanecemos como nos primeiros anos de Jericó. Todos os dias, ou em dias alternados, os caminhões passam na porta das casas para recolher a imundície que os moradores depositam nas calçadas. Está na hora de avançarmos. Podemos buscar em Ur a Logística Reversa se obtivermos a colaboração dos fabricantes e comerciantes, que inundam nossas cidades freneticamente com embalagens e bugingangas. Quem sabe se procurarmos os donos dos supermercados [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-5289" title="Hamurabi-e-a-Logística-Reversa" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2011/07/Hamurabi-e-a-Logística-Reversa.png" alt="" width="306" height="205" /></p>
<p>Ur, terra natal de Abraão, para quem gosta de palavras cruzadas era, até pouco tempo, considerada a mais antiga cidade conhecida. Hoje considera-se Jericó. A diferença é de aproximadamente 4.000 anos.</p>
<p>No caso do lixo urbano, segundo encontrei na Internet, havia em Jericó, há dez mil anos, um modelo de coleta bem complexo. As pessoas jogavam fora tudo o que não servia em casa e o Rei mandava recolher e amontoar fora dos muros da Cidade.</p>
<p>Em Ur, 4.000 anos mais tarde, um outro rei, Hamurabi, teve uma idéia genial. Conseguiu que cada artesão cuidasse da sucata que gerasse. Assim, o sapateiro concordou em receber de volta os velhos sapatos quando “dessem no prego”. Era comum alguém chegar naquelas oficinas e ver um monte de couros velhos, que as crianças pediam para fazer atiradeiras ou estilingues. Com os retalhos também faziam-se cintos e cordas.</p>
<p>O fabricante de cestos de bambu recolhia a sucata que havia gerado e a repassava aos fabricantes de sabão que os aproveitavam para coar a matéria prima composta de cinza de fogão a lenha e sebo, que antes era jogado fora pelo açougueiro.</p>
<p>O alfaiate e as costureiras também colaboraram, aceitando receber de volta as peças de roupas que ficavam velhas. Delas tiravam os botões, que reaproveitavam, e os tecidos eram recortados em pedaços retangulares que eram recosturados, tornando-se charmosas colchas multicoloridas. Em cima de uma cama velha que ficava no antigo quarto de costuras de cada casa, havia sempre um pedaço de pano que era útil para remendar a roupa que rasgava.</p>
<p>Poderia ficar páginas e páginas para relatar todos os acordos entre os artesãos e Hamurabi, mas posso assegurar que naquela moderna cidade o tesoureiro real nem tomava conhecimento do assunto.</p>
<p>O tempo passou e, já na civilizada Roma, vimos um retrocesso. O Imperador, para agradar aos patrícios, mandava coletar todo o lixo na porta de suas casas e transportá-lo até os terrenos baldios da periferia, semelhantes aos lixões de Jericó.</p>
<p>De lá para cá pouco evoluímos, permanecemos como nos primeiros anos de Jericó. Todos os dias, ou em dias alternados, os caminhões passam na porta das casas para recolher a imundície que os moradores depositam nas calçadas.</p>
<p>Está na hora de avançarmos. Podemos buscar em Ur a Logística Reversa se obtivermos a colaboração dos fabricantes e comerciantes, que inundam nossas cidades freneticamente com embalagens e bugingangas.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-5290" title="Hamurabi-e-a-Logística-Reversa-2" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2011/07/Hamurabi-e-a-Logística-Reversa-2.png" alt="" width="490" height="277" /></p>
<p>Quem sabe se procurarmos os donos dos supermercados apresentando esta idéia conseguimos que eles colaborem, aceitando de volta parte da enorme quantidade de materiais que acabam deixados nas ruas ou indo para os infectos aterros para uma demorada decomposição.</p>
<p>Amanhã mesmo vou procurar meu amigo Zé Nogueira, um dos donos das redes de supermercados EPA, Mart Plus e Via Brasil para lhe propor que seja pioneiro e aproveite o marketing ecológico a seu favor.</p>
<p>Se ele e seus colegas colaborarem avançaremos 4.000 anos, do modelo atual copiado de Jericó, para a Logística Reversa implantada por Hamurabi.</p>
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		<title>Embalagens e Recipientes – parte 3 – Barro, Pedra e Madeira</title>
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		<pubDate>Thu, 19 May 2011 18:31:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sebastião Verly</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas Culturais]]></category>
		<category><![CDATA[Geração de Renda]]></category>

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		<description><![CDATA[Pensávamos em deixar os vasilhames de barro e pedra para outra oportunidade. Mas, fomos alertados para a importância do pote e talhas em que se conservam água para beber: água potável, do buião para guardar o sal, das panelas de barros há muito em desuso substituidas pelas finas cerâmicas, modernamente industrializadas. As panelas de pedras, dizem fazem comidas mais saborosas e mais saudáveis, como a tradicional moqueca de peixe capixaba ou baiana. Menciono ainda aqui o pilão de madeira. O pilão mais utilizado na Região Central de Minas, onde nasci, era um tronco na horizontal, no qual era feito um furo em forma de cone ou ogiva, para diversas utilidades. A primordial era pilar o arroz, daí lhe veio o nome Pilão. Servia para “limpar” os grãos de café, para fazer o pelar o milho para canjica e para fazer um prato maravilhoso que é a paçoca de carne com farinha de mandioca. Mais raro havia o pilão de duas bocas. O mais curioso do pilão era o trabalho conjunto de duas socadeiras, que, numa harmonia incrível alternavam-se nas batidas com as duas “mãos de pilão”, no pilão de um só bojo. Nos últimos tempos, o pilão mais usado e ainda hoje encontrado à venda é o da segunda figura, feito com o tronco na vertical. Um dos aspectos que mais me chamavam a atenção, ao presenciar o uso do pilão era ver duas pessoas socarem ao mesmo tempo, num ritmo e harmonia de rara precisão. Lembrei agora do cocho mais usado para alimentação de animais. A palavra cocho, para o homem do campo, identifica uma tora de madeira escavada, formando uma espécie de recipiente. O cocho é muito utilizado para se colocar sal para o gado, nas pastagens das fazendas. O cocho pode ser pequeno para deixar a água para galinhas até os enormes que nas fazendas era usado para por sal grosso para o gado, passando pelos tamanhos médios para alimentar os porcos. E como é bom lembrar um vasilhame ainda hoje usado, o tonel, o quinto, o barril e a barrica, para curtir, dar cheiro, cor, sabor e envelhecimento à cachaça, para transportar o vinho e o pequeno ancarote para manter a água fria para operadores de maquinas e caminhoneiros. Tanoeiro ou toneleiro é um artesão dedicado ao fabrico de barris, pipas ou tonéis para embalar, conservar e transportar mercadorias, principalmente líquidos. Os barris podem ser feitos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-medium wp-image-4931" title="Embalagens e Recipientes 01" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2011/05/Embalagens-e-Recipientes-01-500x345.jpg" alt="" width="500" height="345" /><br />
<!--img 01--></p>
<p>Pensávamos em deixar os vasilhames de barro e pedra para outra oportunidade. Mas, fomos alertados para a importância do pote e talhas em que se conservam água para beber: água potável, do buião para guardar o sal, das panelas de barros há muito em desuso substituidas pelas finas cerâmicas, modernamente industrializadas.</p>
<p><img class="aligncenter size-medium wp-image-4937" title="Embalagens-e-Recipientes-02" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2011/05/Embalagens-e-Recipientes-02-500x153.jpg" alt="" width="500" height="153" /><br />
<!--img 02 --></p>
<p>As panelas de pedras, dizem fazem comidas mais saborosas e mais saudáveis, como a tradicional moqueca de peixe capixaba ou baiana.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-4932" title="Embalagens e Recipientes 03" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2011/05/Embalagens-e-Recipientes-031.jpg" alt="" width="400" height="277" /><br />
<!--img 03 --></p>
<p>Menciono ainda aqui o pilão de madeira. O pilão mais utilizado na Região Central de Minas, onde nasci, era um tronco na horizontal, no qual era feito um furo em forma de cone ou ogiva, para diversas utilidades. A primordial era pilar o arroz, daí lhe veio o nome Pilão. Servia para “limpar” os grãos de café, para fazer o pelar o milho para canjica e para fazer um prato maravilhoso que é a paçoca de carne com farinha de mandioca. Mais raro havia o pilão de duas bocas. O mais curioso do pilão era o trabalho conjunto de duas socadeiras, que, numa harmonia incrível alternavam-se nas batidas com as duas “mãos de pilão”, no pilão de um só bojo.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-4933" title="Embalagens e Recipientes 04" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2011/05/Embalagens-e-Recipientes-041.jpg" alt="" width="259" height="345" /><br />
<!--img 04 --></p>
<p>Nos últimos tempos, o pilão mais usado e ainda hoje encontrado à venda é o da segunda figura, feito com o tronco na vertical.</p>
<p><img class="aligncenter size-medium wp-image-4940" title="Embalagens-e-Recipientes-05" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2011/05/Embalagens-e-Recipientes-052-500x243.jpg" alt="" width="500" height="243" /><br />
<!--img 05 --></p>
<p>Um dos aspectos que mais me chamavam a atenção, ao presenciar o uso do pilão era ver duas pessoas socarem ao mesmo tempo, num ritmo e harmonia de rara precisão.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-4934" title="Embalagens e Recipientes 06" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2011/05/Embalagens-e-Recipientes-061.jpg" alt="" width="350" height="236" /><br />
<!--img 06--></p>
<p>Lembrei agora do cocho mais usado para alimentação de animais. A palavra cocho, para o homem do campo, identifica uma tora de madeira escavada, formando uma espécie de recipiente. O cocho é muito utilizado para se colocar sal para o gado, nas pastagens das fazendas. O cocho pode ser pequeno para deixar a água para galinhas até os enormes que nas fazendas era usado para por sal grosso para o gado, passando pelos tamanhos médios para alimentar os porcos.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-4935" title="Embalagens e Recipientes 07" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2011/05/Embalagens-e-Recipientes-071.jpg" alt="" width="500" height="375" /><br />
<!--img 07--></p>
<p>E como é bom lembrar um vasilhame ainda hoje usado, o tonel, o quinto, o barril e a barrica, para curtir, dar cheiro, cor, sabor e envelhecimento à cachaça, para transportar o vinho e</p>
<p>o pequeno ancarote para manter a água fria para operadores de maquinas e caminhoneiros.</p>
<p><img class="aligncenter size-medium wp-image-4939" title="Embalagens-e-Recipientes-08" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2011/05/Embalagens-e-Recipientes-081-500x171.jpg" alt="" width="500" height="171" /><br />
<!--img 08 --></p>
<p>Tanoeiro ou toneleiro é um artesão dedicado ao fabrico de barris, pipas ou tonéis para embalar, conservar e transportar mercadorias, principalmente líquidos. Os barris podem ser feitos de madeira (carvalho, castanho, mogno, acácio ou eucalipto), mas são os de carvalho o de melhor conserva. A madeira ideal para conservar bebidas é a proveniente de carvalhos que tenham aproximadamente 150 anos. Após o abate da árvore, a madeira deve ficar cerca de 3 anos a secar ao ar livre.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-4936" title="Embalagens e Recipientes 09" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2011/05/Embalagens-e-Recipientes-091.jpg" alt="" width="264" height="209" /><br />
<!--img 09--></p>
<p>A tina entre nós não é comum.</p>
<p>Ainda temos muito que rememorar, até com saudades, dos utensílios tradicionais que tanto facilitaram a vida da gente simples do interior. E o melhor de tudo: eram utensílios e embalagens perfeitamente recicláveis e mantinham o ambiente limpo e preservado. E como é bom ver e relembrar tão belos aspectos do artesanato doméstico brasileira. Mas como observou o Doutor Eduardo Mundim em nossa conversa hoje pela manhã, acabaram ofuscados pela tecnologia, pelo marketing e pelo design chic.</p>
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		<title>Embalagens e Recipientes – parte 2 – Algodão, Madeira, Cocos e Cabaças</title>
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		<pubDate>Wed, 11 May 2011 16:58:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sebastião Verly</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas Culturais]]></category>
		<category><![CDATA[Geração de Renda]]></category>

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		<description><![CDATA[A capanga é uma sacola simples feita de com a junção de duas peças de pano e sustentada por uma alça móvel ou fixa do mesmo tecido. Já o embornal, ou bornal, como se diz em alguns regiões, é a mesma capanga, porém com mais acabamentos: uma “pampa” bem acabada e com botão para fecha. Não encontrei nenhuma imagem que reproduzisse bem esse utensílio. Confio que a maioria das pessoas já tenha visto um. &#8220;Bornal velho aposentado Já trouxeste das caçadas Muitas vidas já extintas Dos bichinhos das chapadas Há tempos trazias morte Hoje, vidas renovadas” Sexteto de Cícero Moraes, extraído do blog do poeta belmontense http://belmontepe.blogspot.com/2011/02/uma-vitoria-da-vida.html Na mesma linha, a sacola de pano chegou a ganhar status de acessório feminino, ganhou alça de diversos materiais e até bordados nas laterais. Com objetivo semelhante, havia um tecido especialmente para ser usado na montaria, que não recebia uma denominação muito clara, mas assemelhava-se aos famosos alforjes. A abertura era no meio e enchiam-se as duas partes para colocar em equilíbrio nos arreios dos animais. Minha amiga Leda Julio Carvalho está me lembrando agora dos sacos usados como embalagem e para o transporte. Havia os sacos brancos, que vinham com farinha de trigo e açúcar cristal. Os sacos de aniagem, compostos de tecidos de juta, ainda são usados para transporte e manuseio da batata, do inhame e outros produtos maiores. Por hoje, ainda tenho que registrar o uso das cabaças, que bem “curadas” duravam uma vida inteira. Serviam, em primeiro lugar para transportar água especialmente nas lavouras, depois para todo tipo de líquidos e são famosas nas historinhas do coelho e da onça, quando os cargueiros transportavam duas ou quatro cabaças de mel de abelha no lombo dos animais.Serrada ao meio tem-se a cuia que já foi de grande utilidade, notadamente usada para lavar o arroz antes de colocar na panela para cozinhar. Pedem-me para incluir o coité e a cuia de coco, ambas totalmente em desuso. Mas tiveram seu papel como utensílio para manuseio de água e, muitas vezes, para pegar o açúcar, a farinha e outros cereais e produtos de menor granulometria. Originalmente, as farinheiras eram objetos simples como cuias de coco, coités e tigelas de barro. Outro artesanato de grande utilidade precisa ser registrado: a gamela. Gamela é uma vasilha com a forma de uma tigela ou bacia, esculpida em madeira retirada de árvores cuja madeira é macia, um [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A capanga é uma sacola simples feita de com a junção de duas peças de pano e sustentada por uma alça móvel ou fixa do mesmo tecido.</p>
<p><!--img 01--><br />
<img class="aligncenter size-medium wp-image-4889" title="Embalagens e Recipientes" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2011/05/Embalagens-e-Recipientes-500x375.jpg" alt="" width="500" height="375" /></p>
<p>Já o embornal, ou bornal, como se diz em alguns regiões, é a mesma capanga, porém com mais acabamentos: uma “pampa” bem acabada e com botão para fecha. Não encontrei nenhuma imagem que reproduzisse bem esse utensílio. Confio que a maioria das pessoas já tenha visto um.</p>
<p><!-- img 02--><br />
<img src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2011/05/Embalagens-e-Recipientes-02.png" alt="" title="Embalagens e Recipientes (02)" width="286" height="232" class="aligncenter size-full wp-image-4890" /></p>
<p style="text-align: center;">&#8220;Bornal velho aposentado<br />
Já trouxeste das caçadas<br />
Muitas vidas já extintas<br />
Dos bichinhos das chapadas<br />
Há tempos trazias morte<br />
Hoje, vidas renovadas”</p>
<p style="text-align: center;">Sexteto de Cícero Moraes, extraído do blog do poeta belmontense</p>
<p>http://belmontepe.blogspot.com/2011/02/uma-vitoria-da-vida.html</p>
<p>Na mesma linha, a sacola de pano chegou a ganhar status de acessório feminino, ganhou alça de diversos materiais e até bordados nas laterais.</p>
<p><!-- img03--><br />
<img src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2011/05/Embalagens-e-Recipientes-03.jpg" alt="" title="Embalagens e Recipientes (03)" width="360" height="400" class="aligncenter size-full wp-image-4891" /></p>
<p>Com objetivo semelhante, havia um tecido especialmente para ser usado na montaria, que não recebia uma denominação muito clara, mas assemelhava-se aos famosos alforjes. A abertura era no meio e enchiam-se as duas partes para colocar em equilíbrio nos arreios dos animais.</p>
<p><!--img 04 e05--><img src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2011/05/Embalagens-e-Recipientes-04.jpg" alt="" title="Embalagens e Recipientes (04)" width="408" height="317" class="aligncenter size-full wp-image-4892" /><img src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2011/05/Embalagens-e-Recipientes-05.jpg" alt="" title="Embalagens e Recipientes (05)" width="246" height="320" class="aligncenter size-full wp-image-4893" /></p>
<p>Minha amiga Leda Julio Carvalho está me lembrando agora dos sacos usados como embalagem e para o transporte. Havia os sacos brancos, que vinham com farinha de trigo e açúcar cristal. Os sacos de aniagem, compostos de tecidos de juta, ainda são usados para transporte e manuseio da batata, do inhame e outros produtos maiores.</p>
<p><!--img 06e 07--><br />
<img src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2011/05/Embalagens-e-Recipientes-06-500x210.jpg" alt="" title="Embalagens e Recipientes (06)" width="500" height="210" class="aligncenter size-medium wp-image-4894" /><img src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2011/05/Embalagens-e-Recipientes-07-500x349.jpg" alt="" title="Embalagens e Recipientes (07)" width="500" height="349" class="aligncenter size-medium wp-image-4895" /></p>
<p>Por hoje, ainda tenho que registrar o uso das cabaças, que bem “curadas” duravam uma vida inteira. Serviam, em primeiro lugar para transportar água especialmente nas lavouras, depois para todo tipo de líquidos e são famosas nas historinhas do coelho e da onça, quando os cargueiros transportavam duas ou quatro cabaças de mel de abelha no lombo dos animais.Serrada ao meio tem-se a cuia que já foi de grande utilidade, notadamente usada para lavar o arroz antes de colocar na panela para cozinhar.</p>
<p><!-- 08 e 09--><br />
<img src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2011/05/Embalagens-e-Recipientes-08.jpg" alt="" title="Embalagens-e-Recipientes-08" width="179" height="240" class="aligncenter size-full wp-image-4900" /><img src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2011/05/Embalagens-e-Recipientes-09-500x374.jpg" alt="" title="Embalagens e Recipientes (09)" width="500" height="374" class="aligncenter size-medium wp-image-4897" /></p>
<p>Pedem-me para incluir o coité e a cuia de coco, ambas totalmente em desuso. Mas tiveram seu papel como utensílio para manuseio de água e, muitas vezes, para pegar o açúcar, a farinha e outros cereais e produtos de menor granulometria. Originalmente, as farinheiras eram objetos simples como cuias de coco, coités e tigelas de barro.</p>
<p><!--10e 11--><br />
<img src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2011/05/Embalagens-e-Recipientes-10.jpg" alt="" title="Embalagens e Recipientes (10)" width="427" height="320" class="aligncenter size-full wp-image-4898" /><img src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2011/05/Embalagens-e-Recipientes-11.jpg" alt="" title="Embalagens e Recipientes (11)" width="119" height="92" class="aligncenter size-full wp-image-4899" /></p>
<p>Outro artesanato de grande utilidade precisa ser registrado: a gamela.  Gamela é uma vasilha com a forma de uma tigela ou bacia, esculpida em madeira retirada de árvores cuja madeira é macia, um exemplo é a gameleira.</p>
<p>Pode ser redonda ou ovalada e é utilizada, quer na alimentação humana, como prato ou vasilha para levar a comida à mesa, quer para dar de comer aos porcos, para banhos, lavagens e outros fins.</p>
<p>Apesar de construção aparentemente simples, a gamela, que atualmente é utilizada apenas pelas famílias pobres ou como ornamentação em casas mais abastadas, não deve ser considerada um utensílio culinário primitivo. Foi necessário inventar primeiro os instrumentos de ferro para a produzir. As vasilhas de barro e pedra parecem ser as de construção mais antiga, sendo encontradas com frequência em sítios arqueológicos; desta forma, as gamelas devem ter sido inventadas em locais onde o barro não era abundante.</p>
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		<title>Embalagens e Recipientes – parte 1 – Bambu, Palha e Capim</title>
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		<pubDate>Tue, 26 Apr 2011 20:55:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sebastião Verly</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas Culturais]]></category>
		<category><![CDATA[Geração de Renda]]></category>

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		<description><![CDATA[Com a aprovação da Lei Municipal que proíbe as sacolas plásticas no comércio de Belo Horizonte, o assunto das embalagens ecologicamente corretas veio à tona. Alguns estabelecimentos vendem uma sacola “ecobiodegradável” por R$ 0,19 a unidade. Em outros o cliente sai com as compras embrulhadas em jornais e em outros com as compras nas mãos, usando todos os dedos para que elas não caiam. Instigado pelo trabalho da colega Elânia que está preparando material com a história das embalagens para uma exposição sobre Coleta Seletiva, saí em busca de embalagens antigas, bem como utensílios e recipientes domésticos que eram verdadeiramente ecológicos. Com pequeno esforço de memória, em poucos minutos lembrei-me de algumas embalagens e junto com elas vieram à memória alguns outros artesanatos que me pareceram interessante registrar. Daí foi ouvir mais as amigas e amigos internautas e acrescentar informações que podem contribuir para a melhoria da qualidade de vida. A seguir, uma seleção que fiz destas ligeiras pesquisas, acrescidas das dicas que recebi. Cestos, balaios, peneiras, chapéus, esteiras, vassouras, samburás, cofos, caroças, redes, embornais, capangas, alforjes, cabaças, cuias, coités, gamelas, cochos, pilões, tinas, barris, tonéis, quintos, ancorotes, panelas de pedra, barros, potes e buiões. Fui juntando tudo – num verdadeiro balaio de gato &#8211; para mostrar como as antigas embalagens, utensílios e recipientes eram muito mais inteligentes e práticos. Usado para vender frutas e, quando forrados com panos de saco, morim, ou até com americano cru, o cesto de bambu era trançado por hábeis mãos que chegavam a encantar pela utilidade e praticidade servindo, também, para vender pães e biscoitos pelas ruas da cidade. Em casas mais pobres era usado como “bercinho” e servia até para carregar crianças na garupa da bicicleta. O balaio também traçado pelo mesmo artesão, com as mesmas achas de bambu e além de servir para transportar, o mestre na fabricação o construía de forma a servir de medida. O balaio mais comum era o chamado de meio alqueire, cuja capacidade em espigas de milho, quando debulhadas rendia 20 quilos. Assim um carro de milho, com 40 balaios, produzia exatamente 800 quilos de milho. Incrível. Outro artesanato encantador são as peneiras. As peneiras eram verdadeiros objetos de arte. As artesãs, elas eram trançadas ou tecidas, mormente, por mulheres, que as faziam com as classificações peneira “de fubá”, a mais fina, “de arroz’, a média e a “de feijão’, com aberturas maiores. Algumas conseguiam tingir algumas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Com a aprovação da Lei Municipal que proíbe as sacolas plásticas no comércio de Belo Horizonte, o assunto das embalagens ecologicamente corretas veio à tona. Alguns estabelecimentos vendem uma sacola “ecobiodegradável” por R$ 0,19 a unidade. Em outros o cliente sai com as compras embrulhadas em jornais e em outros com as compras nas mãos, usando todos os dedos para que elas não caiam. Instigado pelo trabalho da colega Elânia que está preparando material com a história das embalagens para uma exposição sobre Coleta Seletiva, saí em busca de embalagens antigas, bem como utensílios e recipientes domésticos que eram verdadeiramente ecológicos.</p>
<p>Com pequeno esforço de memória, em poucos minutos lembrei-me de algumas embalagens e junto com elas vieram à memória alguns outros artesanatos que me pareceram interessante registrar. Daí foi ouvir mais as amigas e amigos internautas e acrescentar informações que podem contribuir para a melhoria da qualidade de vida.</p>
<p>A seguir, uma seleção que fiz destas ligeiras pesquisas, acrescidas das dicas que recebi. Cestos, balaios, peneiras, chapéus, esteiras, vassouras, samburás, cofos, caroças, redes, embornais, capangas, alforjes, cabaças, cuias, coités, gamelas, cochos, pilões, tinas, barris, tonéis, quintos, ancorotes, panelas de pedra, barros, potes e buiões. Fui juntando tudo – num verdadeiro balaio de gato &#8211; para mostrar como as antigas embalagens, utensílios e recipientes eram muito mais inteligentes e práticos.</p>
<p>Usado para vender frutas e, quando forrados com panos de saco, morim, ou até com americano cru, o cesto de bambu era trançado por hábeis mãos que chegavam a encantar pela utilidade e praticidade servindo, também, para vender pães e biscoitos pelas ruas da cidade.</p>
<p>Em casas mais pobres era usado como “bercinho” e servia até para carregar crianças na garupa da bicicleta.</p>
<p><!--FOTO 01--><br />
<img class="aligncenter size-medium wp-image-4828" title="Embalagens e Recipientes" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2011/04/Embalagens-e-Recipientes-500x375.jpg" alt="" width="500" height="375" /></p>
<p>O balaio também traçado pelo mesmo artesão, com as mesmas achas de bambu e além de servir para transportar, o mestre na fabricação o construía de forma a servir de medida. O balaio mais comum era o chamado de meio alqueire, cuja capacidade em espigas de milho, quando debulhadas rendia 20 quilos. Assim um carro de milho, com 40 balaios, produzia exatamente 800 quilos de milho. Incrível.</p>
<p><!--foto02 e 03--><br />
<img class="aligncenter size-medium wp-image-4829" title="S" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2011/04/Embalagens-e-Recipientes02-500x375.jpg" alt="" width="500" height="375" /><br />
<img class="aligncenter size-medium wp-image-4830" title="Embalagens e Recipientes(03)" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2011/04/Embalagens-e-Recipientes03-500x375.jpg" alt="" width="500" height="375" /><br />
Outro artesanato encantador são as peneiras. As peneiras eram verdadeiros objetos de arte. As artesãs, elas eram trançadas ou tecidas, mormente, por mulheres, que as faziam com as classificações peneira “de fubá”, a mais fina, “de arroz’, a média e a “de feijão’, com aberturas maiores. Algumas conseguiam tingir algumas varetas e faziam ornamentos lindos.</p>
<p><!--foto04--><br />
<img class="aligncenter size-medium wp-image-4842" title="Embalagens e Recipientes(04)" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2011/04/Embalagens-e-Recipientes041-500x374.jpg" alt="" width="500" height="374" /><br />
Outro artesanato de extremo bom gosto é o chapéu de palha. Teciam-se chapéus com a palha do coqueiro, alguns tão bem feitinhos que não permitiam de maneira nenhuma passar uma gota d’água. Alguns são verdadeiras obras de arte.</p>
<p><!--foto05--><br />
<img class="aligncenter size-medium wp-image-4832" title="Embalagens e Recipientes(05)" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2011/04/Embalagens-e-Recipientes05-417x400.jpg" alt="" width="417" height="400" /><br />
As esteiras tinham muitas utilidades. A primordial era servir de proteção para o transporte em carros e carroças de boi. Essa peça de bambu trançado circunda a mesa do carro para o transporte de carga miúda, ou a granel, como milho, feijão, arroz e outros. Aproveito para explicar a diferença entre carros e carroças de boi. A começar, a roda do carro é inteiriça e a da carroça raiada; o eixo do carro em uma tora maciça de madeira e a da carroça é uma moderna roda com rolamento ou similar; e também, a mesa do carro tem um formato original. O carro é o precursor da carroça.</p>
<p>A esteira era usada ainda como forro de casa, abaixo do telhado.</p>
<p><!--foto06 e 07--><br />
<img class="aligncenter size-medium wp-image-4833" title="Embalagens e Recipientes(06)" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2011/04/Embalagens-e-Recipientes06-500x375.jpg" alt="" width="500" height="375" /><br />
<img class="aligncenter size-medium wp-image-4834" title="Embalagens e Recipientes(07)" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2011/04/Embalagens-e-Recipientes07-500x246.jpg" alt="" width="500" height="246" /><br />
Vassouras feitas de coco aricuri ou ouricuri no interior também chamado de “licuri” apresenta uma arte incrível. As hastes do capim ou coqueirinho, são presas em uma trança muito bem feita com uma embira especial. Além de bonita, vassoura fica com o facho muito seguro. Algumas eram tão bem acabadas e tão bem trabalhadas que encantavam as pessoas que as adquiriam. Mais tarde surgiu a vassoura presa com arame que já não tinha o mesmo “charme”.</p>
<p><!--foto08--><br />
<img class="aligncenter size-medium wp-image-4835" title="Embalagens e Recipientes(08)" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2011/04/Embalagens-e-Recipientes08-500x374.jpg" alt="" width="500" height="374" /><br />
Os samburás eram sacolas feitas de palha, desde as mais rústicas feitas com a palha do milho, até as mais sofisticadas tecidas com palhas de palmeiras. Algumas artesãs pintavam a palha e criavam desenhos bem simples. Os samburás mesmo bastante utilizados eram bem frágeis. Não consegui uma imagem aproximada deste artesanato.</p>
<p><!--foto09 e 10--><br />
<img class="aligncenter size-medium wp-image-4836" title="Embalagens e Recipientes(09)" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2011/04/Embalagens-e-Recipientes09-500x375.jpg" alt="" width="500" height="375" /><br />
<img class="aligncenter size-full wp-image-4837" title="Embalagens e Recipientes(10)" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2011/04/Embalagens-e-Recipientes10.jpg" alt="" width="500" height="378" /><br />
Em nossa pesquisa chegamos a uma tese da então mestranda em Geografia pela UFMG, Carolina Dias de Oliveira, defendida em 2007 divulgada no site da AFAGO, Associação dos Filhos e Amigos de Gouveia, http://www.afagouveia.org.br/Afago07D.htm#, que destaca o artesanato do samburá. Gouveia é um município situado na Serra do Espinhaço, microrregião de Diamantina, em Minas Gerais.</p>
<p>“Em entrevista, a moradora mais antiga de Espinho disse que a técnica do samburá foi aprendida pelos moradores da comunidade há muito tempo, quando do matrimônio de um velho que trabalhava na comunidade com uma moça chamada Maria. Esta ensinou os procedimentos para tecer a palha de milho e fazer o samburá&#8230; Segundo ela, durante muito tempo os moradores locais dominavam a técnica desse tipo de bolsa, e apenas o faziam para fins domésticos (levar para a escola, fazer feira, etc), pois não almejavam interesses comerciais. Apenas em tempos mais atuais, cerca de sete anos da época da entrevista, é que a técnica da palha foi aprimorada e diversificada em outros artigos, através de auxílio da EMATER de Gouveia: “Antes só os velhos sabiam fazer samburá”. Relatou, ainda, que, atualmente, há cursos que ensinam a técnica para as crianças. Sobre as fontes de obtenção de renda na comunidade, anteriores às práticas artesanais, ficou confirmado que a renda provinha do garimpo e da venda de farinha de mandioca, conforme relatos dos moradores locais.”</p>
<p>O cofo, uma espécie de cesto oval, de boca apertada, feito de folhas de palmeira, era usado por pescadores e mais comum no nordeste brasileiro. Os cofos são os mais toscos e descartáveis. Muito usados ainda hoje para vender cajus e mangas na beira da estrada por facilitar ao comprador ganhar a embalagem.</p>
<p><!--foto11--> </p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-4838" title="Embalagens e Recipientes(11)" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2011/04/Embalagens-e-Recipientes11.jpg" alt="" width="320" height="242" /><br />
A caroça, com um “r” só era, talvez ainda encontre que saiba tecê-la, uma capa de chuva feita do capim sapé, com várias camadas, totalmente impermeável. A ultima que consegui no município de Posse em Goiás, era feita de um capim colhido fora de época e apodreceu logo. Ah, sim, é bom lembrar que todos esses capins têm uma fase certa da lua para serem colhidos, levando em consideração os microorganismos que ali têm seus diversos ciclos de vida.</p>
<p>A rede, feita com embiras bem finas, e traçadas com muita habilidade suporta uma pessoa de qualquer peso. Também no interior de Posse, Goiás, adquiri uma bastante caprichada. A rede de descanso ou rede de dormir é um utensílio doméstico de origem indígena, que originalmente era feita com cipó e lianas.</p>
<p><!--foto12--><br />
<img class="aligncenter size-medium wp-image-4839" title="Embalagens e Recipientes(12)" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2011/04/Embalagens-e-Recipientes12-500x380.jpg" alt="" width="500" height="380" /></p>
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