Poesia

Natal sem círios

Publicado por Antonio Ângelo
Data da publicação: 11/12/2017

Convido-o a passar o Natal comigo. Na praça dividiremos este pouco de tudo que me restou: um pão, garrafa de vinho barato, uma coroa de espinhos. Não nos esqueceremos de algo ofertar ao vira-lata que está a nos fitar. Sem mesa ou cadeira, no chão repartiremos a porção. Nesta praça erma descuidada, de luzes enfermas. Sem família sem risos ou cantigas eu e você conversaremos como se amigos fôssemos. Você não sabendo...

Lendo mãos

Publicado por Antonio Ângelo
Data da publicação: 30/11/2017

Mesmo na bipolaridade em que vive – onde mais se expõem as tinturas do desespero vai constituir uma família. Você, cabe-lhe projetar alimentos roupas lavadas a capacidade de tudo equilibrar em meio à tormenta. A você outro, caminhos curtos tempos estritos plenos de inquietudes a arte – o horizonte – a capacidade de revolver terras e descobrir cristais. Ah, você, não menos importante o seu projeto de intuir forças...

Revelação

Publicado por Antonio Ângelo
Data da publicação: 20/11/2017

À curva da estrada em meio à floresta de repente a lua enorme, amarelo-cobre O burburinho do riacho aquela flor vermelha qual o nome dela? Papoula? O declive as pedras brancacentas o voo inesperado de um gavião Fuga trânsfuga os passos estuga Voltemos à lua à curva do caminho a ela, a lua Lá enorme, muito além de toda humana qualquer invencionice Que nem por isto nos concita ao seu jugo de inequívoca soberania Compart...

Ninfo

Publicado por Antonio Ângelo
Data da publicação: 14/11/2017

Por muitas vezes o traiu mas sempre ao voltar algo tinha a lhe mostrar Como o outro a pegava pelos flancos como lhe envergava a coluna Até uma vez num sussurro pediu: faça assim assim é como ele fazia e deixava-me tonta como se um absinto tivesse-me feito ingerir Sempre de novo partia como quem saísse à caça de gozos renovados Para mostrar no retorno do quanto se saciara e do quão lhe fora ele parco Compartilhar este Ar...

Três nanopoemas

Publicado por Antonio Ângelo
Data da publicação: 25/10/2017

I Encontro ponto Relance exclamação Avance interrogação Veios de água fluem entre nossas mãos II Se o telefone tocar diga que parti - Para onde? – perguntarão Basta que sorria e desligue o telefone III Arquivei as fotos nas nuvens choveu e pela Aldeia ficaram espalhadas cenas de nossa história Compartilhar este Artigo

A Luz

Publicado por Antonio Ângelo
Data da publicação: 06/10/2017

a l u z inda que um fio linha lume- vaga sub- juga sempre o escuro no horizonte quando sol reveste a terra o solo num véu de ouro gira- sol ou ainda esquálida fagulha facho lanterna fósforo iridescência satélite estrela lua fogo- fátuo fluor esfera cristal lâmpada manhã boreal astro errante nave diadema fanal explosão Hiroshima a luz quando vem desvenda diamantes torna-se raio lava arreda o negro veludo que foge se es...

Dois mundos

Publicado por Antonio Ângelo
Data da publicação: 28/09/2017

A janela da frente de minha casa dá para o cerrado onde vejo primeiro os ipês-rosa florindo depois vem a explosão de amarelos a contrastar com o mato ressequido em volta. A janela dos fundos de minha casa dá para o deserto onde vejo até o horizonte a sequência de dunas que o vento pacientemente remodela sob a luz inclemente do sol a reverberar na areia. De manhã o deserto é de um amarelo fosco tonalidades mais claras n...

Roteiros possíveis

Publicado por Antonio Ângelo
Data da publicação: 13/09/2017

E se nos amássemos? E se nos amássemos como naquele romance em que os amantes nunca se encontraram? Ou como naquele teatro em que loucos de paixão mas sem condições de se entregarem um ao outro combinaram o ato extremo? Sei lá, poderíamos nos amar assim como numa trama de Love Story em que é preciso aproveitar cada segundo e agarrar-se aos últimos dias de convívio como náufragos de um Titanic a emergir em meio ao as...