Poesia

A Luz

Publicado por Antonio Ângelo
Data da publicação: 06/10/2017

a l u z inda que um fio linha lume- vaga sub- juga sempre o escuro no horizonte quando sol reveste a terra o solo num véu de ouro gira- sol ou ainda esquálida fagulha facho lanterna fósforo iridescência satélite estrela lua fogo- fátuo fluor esfera cristal lâmpada manhã boreal astro errante nave diadema fanal explosão Hiroshima a luz quando vem desvenda diamantes torna-se raio lava arreda o negro veludo que foge se es...

Dois mundos

Publicado por Antonio Ângelo
Data da publicação: 28/09/2017

A janela da frente de minha casa dá para o cerrado onde vejo primeiro os ipês-rosa florindo depois vem a explosão de amarelos a contrastar com o mato ressequido em volta. A janela dos fundos de minha casa dá para o deserto onde vejo até o horizonte a sequência de dunas que o vento pacientemente remodela sob a luz inclemente do sol a reverberar na areia. De manhã o deserto é de um amarelo fosco tonalidades mais claras n...

Roteiros possíveis

Publicado por Antonio Ângelo
Data da publicação: 13/09/2017

E se nos amássemos? E se nos amássemos como naquele romance em que os amantes nunca se encontraram? Ou como naquele teatro em que loucos de paixão mas sem condições de se entregarem um ao outro combinaram o ato extremo? Sei lá, poderíamos nos amar assim como numa trama de Love Story em que é preciso aproveitar cada segundo e agarrar-se aos últimos dias de convívio como náufragos de um Titanic a emergir em meio ao as...

Xadrez

Publicado por Antonio Ângelo
Data da publicação: 29/08/2017

Ainda ontem a queria como hoje não seria possível. Talvez porque hoje a queira como quem timidamente se esgueira. Amanhã, sem direção ou arrimo estarei à mercê de seu humor ferino. Se no antanho a salvei do desterro cometi – diz-me – o maior dos erros porque a ter trazido de volta se apenas no sonho o amor não se esgota? Com frequência o que almejamos é o que nos leva a desídias e enganos. Alfa e ômega, homem e...

Sinal dos tempos

Publicado por Antonio Ângelo
Data da publicação: 14/08/2017

Havia aqui um cinema onde assistíamos filmes diversos romances – faroestes – comédias havia sim aqui um cinema. Era nesta avenida de cidade grande em que agora imperam o alarido dos ônibus carros sem conta, corre-corre de pessoas loucura de sirenes e buzinas. Gente em quantidade absurda gritos de camelôs nas calçadas nos pontos dos lotações os que esperam o retorno inglório a suas casas após um dia de estafant...

Meu arco-íris particular

Publicado por Antonio Ângelo
Data da publicação: 04/08/2017

Após a rápida chuva de verão quero eu lá saber de brilho e cores do arco-íris? O que me atrai agora são os cacos-de-vidro multicores verdes – amarelos – vinho – brancos – róseos alguns ainda molhados, gotas em lento escorrer rebrilhando ao sol que despeja seus raios oblíquos sobre o muro de tijolos caiados no mormaço de fim de tarde ao fundo de meu quintal! Compartilhar este Artigo

Uma estrela tão alta

Publicado por Antonio Ângelo
Data da publicação: 19/07/2017

Manuel ainda tinha uma estrela tão fria uma estrela luzindo em sua vida vazia Eu nunca tive estrela mesmo longínqua estrela que se fizesse a estrela de minha vida inteira Apenas uma triste vela em bruxuleante chama que para mim se desvela na insistência da sombra Quero de Manuel a estrela a ficar um instante comigo para ser a benfazeja acalmia de meus vícios Que seja fria, seja distante mas será minha amante minha conspí...

Serra da saudade

Publicado por Antonio Ângelo
Data da publicação: 11/07/2017

Eu menino, meu pai tomava-me pela mão subíamos a Rua São José íamos até a Cruz do Monte para presenciar o entardecer. Lembro-me ainda daqueles céus amplos nuvens retintas a terra em verdes e azuis. Na linha do horizonte a sudoeste a elevação da Serra da Saudade. Meu pai dizia: – Está vendo lá? – apontava-me lá está a Serra da Saudade. Em silencio acompanhávamos o pôr do sol rajas amarelo-sanguíneas ...