Poesia
Publicado por Guto Amaral
Peguei o lápis, a caneta Tomei o tinteiro, a pena afiada Tentei o astrolábio, a luneta Corri à vidência, à matemática aplicada Mas foi o carvão Que me socorreu, que me demarcou E então o formão, a talhadeira Arrancaram deste ébrio granito Estes versos cinzentos Este matraquear aflito Que me tirou do poço escuro E revelou ao meu espelho Tudo de eu que há em mim.
Publicado por Wesley Pioest
No barro artesão amassa argila arte calo devaneio há sinais de uma vaga solidão sob o sol do meio dia No barro a mão amassa a outra mão rugosa, dura a mais escura pele suando em bicas moldando No barro é que uma ilusão emerge dolorida vai tomando forma a mais pura e enganadora arte No barro a mão que era sofrimento muda sua rota da fome faz-se a fartura da dor surge o encantamento um milagre ...
Publicado por Guto Amaral
Quando nasci Pela primeira vez sorri Minha mãe pulava de alegria Sabendo que uma nova criança ela teria E eu, Percebi que isso Era um gesto de amor Por isso, eu virei um sorridor
Publicado por Francisco Martins
3a feira a Afonso Pena perto da Getulio atravessava, 15 pra meio dia, muito séria, nem sequer olhava para os carros que no sinal paravam onde muitos motoristas olhavam a mulher elegante que atravessava….
Publicado por Wesley Pioest
hoje a bela faz anos. terás que levá-la no açude. um baile? e uma estrela acenderás. roube a lua. para ela. escreverás tratados. para a bela. e sonharás. com arcebispos mouros. e touradas. e mudarás de verso. para ela. matarás os gringos de além mar. forrarás a cama. com as pétalas. que desfolharás da rosa dela. ela é bela mucama. em seu dorso com areia. teus castelos vais erguer. e farás por merecê-la. hoje a b...
Publicado por Wesley Pioest
Vê o dia mais escuro: logo caem gotas a dizer palavras insensatas. O que fomos não importa: aí está a chuva molhando a terra infértil deste tempo em que os dias serão de medo e de dor. Outra estrada aberta não nos leva além da imensa fome que devora a alma. Há um rio para afogar toda fraqueza (o imenso Hades traduz noites eternas). Se os deuses convidam, vamos em bando mas para onde vamos nunca saberemos: nem s...
Publicado por Sânia Campos
Sonhei! Uma casinha branca Com as janelas pintadas de azul. Um jardim florido Uma rede, uma varanda. Muita paz e um silêncio… Interrompido às vezes Pelo canto dos passarinhos. Vôos de borboletas, No fundo uma bica d’água corrente. Simples, mas muita limpinha Na cozinha, nas prateleiras as louças, E tudo forrado com pano de renda. Toalha xadrez na mesa Café com broa e quitandas! E ali também estava Bem juntinho d...
Publicado por Wesley Pioest
O poeta convida o poeta para a ceia Lá estão eles: em torno da mesa pão e vinho guitarras e canções a cidade pequena a montanha e a lua nascendo (coisas que o tempo iria guardar) O poeta convida o poeta para passear na poesia apesar do tempo que passou da praça que ficou velha das recordações O poeta e o poeta envelheceram lá estão eles tocando viola lá atrás estão eles sonhando com o futuro Agora o tempo se faz p...