Poesia

Sinal dos tempos

Publicado por Antonio Ângelo
Data da publicação: 14/08/2017

Havia aqui um cinema onde assistíamos filmes diversos romances – faroestes – comédias havia sim aqui um cinema. Era nesta avenida de cidade grande em que agora imperam o alarido dos ônibus carros sem conta, corre-corre de pessoas loucura de sirenes e buzinas. Gente em quantidade absurda gritos de camelôs nas calçadas nos pontos dos lotações os que esperam o retorno inglório a suas casas após um dia de estafant...

Meu arco-íris particular

Publicado por Antonio Ângelo
Data da publicação: 04/08/2017

Após a rápida chuva de verão quero eu lá saber de brilho e cores do arco-íris? O que me atrai agora são os cacos-de-vidro multicores verdes – amarelos – vinho – brancos – róseos alguns ainda molhados, gotas em lento escorrer rebrilhando ao sol que despeja seus raios oblíquos sobre o muro de tijolos caiados no mormaço de fim de tarde ao fundo de meu quintal! Compartilhar este Artigo

Uma estrela tão alta

Publicado por Antonio Ângelo
Data da publicação: 19/07/2017

Manuel ainda tinha uma estrela tão fria uma estrela luzindo em sua vida vazia Eu nunca tive estrela mesmo longínqua estrela que se fizesse a estrela de minha vida inteira Apenas uma triste vela em bruxuleante chama que para mim se desvela na insistência da sombra Quero de Manuel a estrela a ficar um instante comigo para ser a benfazeja acalmia de meus vícios Que seja fria, seja distante mas será minha amante minha conspí...

Serra da saudade

Publicado por Antonio Ângelo
Data da publicação: 11/07/2017

Eu menino, meu pai tomava-me pela mão subíamos a Rua São José íamos até a Cruz do Monte para presenciar o entardecer. Lembro-me ainda daqueles céus amplos nuvens retintas a terra em verdes e azuis. Na linha do horizonte a sudoeste a elevação da Serra da Saudade. Meu pai dizia: – Está vendo lá? – apontava-me lá está a Serra da Saudade. Em silencio acompanhávamos o pôr do sol rajas amarelo-sanguíneas ...

Entendimento do mundo

Publicado por Antonio Ângelo
Data da publicação: 21/06/2017

Descrença

Publicado por Antonio Ângelo
Data da publicação: 07/06/2017

Foto Ernst Schade Não acredito em fadas, duendes Heróis invencíveis Desde quando por gente me entendo Nem em mau olhado Leitura de mãos Feitiçaria ou horóscopos No amor e suas promessas estéreis Seus sins e seus nãos Desde adulto não os levo a sério Compartilhar este Artigo

Caminhante

Publicado por Antonio Ângelo
Data da publicação: 30/05/2017

Meio da noite fria Na praça da Liberdade Que faço eu? Caminho Caminho, caminho Sempre ao acaso Vendo flores e pessoas Caminho Não sei bem o que procuro Nem atino Com onde quero chegar Caminho Ali na obscuridade o banco Acolá a fonte Os prédios antigos circundantes Caminho Até que, entre os canteiros Descubro o cheiro De uma dama Paro Branca, quase invisível Vislumbro ao meio do canteiro Solitária, a dama A dama da noit...

Obreiro

Publicado por Antonio Ângelo
Data da publicação: 19/05/2017

Sem pressa Construindo Pedra a pedra Sem argamassa Alicerce Paredes Degraus A porta Aqui a cozinha O tanque bem ali O quarto A sala E no recanto O receptáculo Onde há de estar Todo o tempo Em meio A flores de plástico A imagem Da Senhora de Aparecida Compartilhar este Artigo