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	<title>Fundação Metropolitana &#187; Internacionais</title>
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	<description>Fundação Educacional e Cultural Metropolitana</description>
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		<title>Comentários dos Leitores – 2ª Quinzena – Agosto – 2011</title>
		<link>http://www.metro.org.br/editor/comentarios-dos-leitores-%e2%80%93-2%c2%aa-quinzena-%e2%80%93-agosto-%e2%80%93-2011</link>
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		<pubDate>Fri, 02 Sep 2011 17:11:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Editor</dc:creator>
				<category><![CDATA[Espaço do Leitor]]></category>
		<category><![CDATA[Oriente Médio]]></category>

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		<description><![CDATA[Antônio Moreira ao Editor Sugiro a publicação deste luminoso artigo do ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, sobre a atualíssima questão das rebeliões ocorridas em alguns países árabes e especialmente na Líbia, onde os acontecimentos se sucedem de forma dramática. Creio que a divulgação deste artigo é esclarecedora sobre a postura da Diplomacia Brasileira que está assumindo um papel cada vez mais importante no mundo. Transcrito do jornal “Folha de São Paulo”, edição de 1º de Setembro de 2011, página A3 Direitos humanos e ação diplomática Antonio de Aguiar Patriota Devemos evitar posturas que venham a contribuir para o estabelecimento de um elo automático entre a coerção e a promoção da democracia Comprometido no plano nacional com os direitos humanos, com a democracia, com o progresso econômico e social, o Brasil incorpora plenamente esses valores a sua ação externa. Diante dos eventos da Primavera Árabe, expressamos nossa solidariedade à mobilização social por maior liberdade de expressão e avanços políticos e institucionais em países submetidos a regimes autoritários. Tanto no Conselho de Segurança quanto no Conselho de Direitos Humanos da ONU, condenamos as violações cometidas pelos regimes líbio e sírio. Ao velar para que o compromisso com os valores que nos definem como sociedade se traduza em atuação diplomática, o Brasil trabalha sempre pelo fortalecimento do multilateralismo e, em particular, das Nações Unidas. A ONU constitui o foro privilegiado para a tomada de decisões de alcance global, sobretudo aquelas relativas à paz e à segurança internacionais e a ações coercitivas, que englobam sanções e uso da força. Ações militares sem a legitimação do Conselho de Segurança da ONU, além de trazerem descrédito para os instrumentos internacionais subscritos pela comunidade internacional como um todo, tendem a se transformar em fator de instabilidade, violência e violações de direitos humanos em grande escala, como demonstrou a intervenção militar no Iraque. Não nos esqueçamos de que o primeiro direito humano é o direito à vida. A primeira obrigação da comunidade internacional ao deparar com uma situação de crise é a de evitar o agravamento de tensões. Cada vez que a violência se dissemina, as primeiras vítimas são os segmentos mais vulneráveis: as crianças, as mulheres, os idosos, os desvalidos. Além de defendermos a legalidade das nossas ações coercitivas perante a Carta da ONU e o direito internacional, devemos sempre aplicar medidas adequadas, com os olhos voltados para os resultados almejados: a promoção da democracia, dos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a rel="attachment wp-att-5521" href="http://www.metro.org.br/editor/comentarios-dos-leitores-%e2%80%93-2%c2%aa-quinzena-%e2%80%93-agosto-%e2%80%93-2011/comentarios-dos-leitores-12"><img class="aligncenter size-full wp-image-5521" title="Comentários dos Leitores" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2011/09/Comentários-dos-Leitores.jpg" alt="" width="370" height="309" /></a></p>
<p>Antônio Moreira ao Editor</p>
<p>Sugiro a publicação deste luminoso artigo do ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, sobre a atualíssima questão das rebeliões ocorridas em alguns países árabes e especialmente na Líbia, onde os acontecimentos se sucedem de forma dramática. Creio que a divulgação deste artigo é esclarecedora sobre a postura da Diplomacia Brasileira que está assumindo um papel cada vez mais importante no mundo. Transcrito do jornal “Folha de São Paulo”, edição de 1º de Setembro de 2011, página A3</p>
<p><strong>Direitos humanos e ação diplomática</strong></p>
<p>Antonio de Aguiar Patriota</p>
<p>Devemos evitar posturas que venham a contribuir para o estabelecimento de um elo automático entre a coerção e a promoção da democracia</p>
<p>Comprometido no plano nacional com os direitos humanos, com a democracia, com o progresso econômico e social, o Brasil incorpora plenamente esses valores a sua ação externa.</p>
<p>Diante dos eventos da Primavera Árabe, expressamos nossa solidariedade à mobilização social por maior liberdade de expressão e avanços políticos e institucionais em países submetidos a regimes autoritários. Tanto no Conselho de Segurança quanto no Conselho de Direitos Humanos da ONU, condenamos as violações cometidas pelos regimes líbio e sírio.</p>
<p>Ao velar para que o compromisso com os valores que nos definem como sociedade se traduza em atuação diplomática, o Brasil trabalha sempre pelo fortalecimento do multilateralismo e, em particular, das Nações Unidas.</p>
<p>A ONU constitui o foro privilegiado para a tomada de decisões de alcance global, sobretudo aquelas relativas à paz e à segurança internacionais e a ações coercitivas, que englobam sanções e uso da força.</p>
<p>Ações militares sem a legitimação do Conselho de Segurança da ONU, além de trazerem descrédito para os instrumentos internacionais subscritos pela comunidade internacional como um todo, tendem a se transformar em fator de instabilidade, violência e violações de direitos humanos em grande escala, como demonstrou a intervenção militar no Iraque.</p>
<p>Não nos esqueçamos de que o primeiro direito humano é o direito à vida. A primeira obrigação da comunidade internacional ao deparar com uma situação de crise é a de evitar o agravamento de tensões.</p>
<p>Cada vez que a violência se dissemina, as primeiras vítimas são os segmentos mais vulneráveis: as crianças, as mulheres, os idosos, os desvalidos.</p>
<p>Além de defendermos a legalidade das nossas ações coercitivas perante a Carta da ONU e o direito internacional, devemos sempre aplicar medidas adequadas, com os olhos voltados para os resultados almejados: a promoção da democracia, dos direitos humanos, a proteção da população civil, a criação de condições de estabilidade que geram oportunidade de progresso econômico e social.</p>
<p>A ordem internacional não se fortalece com interpretações livres de mandatos do Conselho de Segurança. E, sempre que a ordem se enfraquece, quem mais padece são os mais fracos. Como bem assinalou o professor Richard Falk, da Universidade Princeton, em entrevista à Folha, houve, no caso da Líbia, uma lacuna entre o que foi autorizado pelo Conselho de Segurança e a ação da OTAN.</p>
<p>A relação entre a promoção da paz e segurança internacionais e a proteção de direitos individuais evoluiu de forma significativa ao longo das últimas décadas, a partir da constituição das Nações Unidas, em 1945. Não se pode afirmar que essa evolução, positiva em seu conjunto, seja obra de um grupo de países em particular.</p>
<p>Ela é fruto de um embate de ideias em que os militarmente mais poderosos não estiveram necessariamente na vanguarda dos clamores por justiça e equidade. Lembro que os primeiros esboços da Carta da ONU incluíam referências escassas aos direitos humanos por razões que hoje podem parecer surpreendentes.</p>
<p>Robert C. Hildebrand, que relata as negociações do documento em sua obra &#8220;Dumbarton Oaks&#8221;, credita essa circunstância ao fato de que os Estados Unidos temiam questionamentos à segregação racial ainda vigente no país e à preocupação do Reino Unido de que sua soberania sobre um vasto império colonial viesse a ser posta em xeque-como efetivamente ocorreu.</p>
<p>A luta contra o apartheid proporciona um exemplo eloquente de ação conjunta do mundo em desenvolvimento contra práticas que atentam contra a dignidade humana. Quando o tema foi levado ao Conselho de Segurança da ONU, as objeções à aplicação de sanções contra o regime minoritário sul-africano partiram de membros permanentes ocidentais.</p>
<p>Desde a adoção da Carta da ONU, a relação entre promover direitos humanos e assegurar a paz internacional passou por várias etapas. Sofreu paralisia em função da rivalidade ideológica da Guerra Fria; beneficiou-se do breve momento de consenso internacional do imediato pós-Guerra Fria e da ação internacional pela reversão da invasão iraquiana do Kuwait.</p>
<p>Em meados da década de 90 surgiram vozes que, motivadas pelo justo objetivo de impedir que a inação da comunidade internacional permitisse episódios sangrentos como os da Bósnia ou do genocídio em Ruanda, forjaram o conceito de &#8220;responsabilidade de proteger&#8221;.</p>
<p>Embora a responsabilidade coletiva não precise se expressar por meio de ações coercitivas para ser eficaz, surgiram vozes particularmente intervencionistas e militaristas no chamado &#8220;Ocidente&#8221; que continuam gerando controvérsia e polêmica.</p>
<p>A Carta da ONU, como se sabe, prevê a possibilidade do recurso à ação coercitiva, com base em procedimentos que incluem o poder de veto dos atuais cinco membros permanentes no Conselho de Segurança -órgão dotado de competência primordial e intransferível pela manutenção da paz e da segurança internacionais.</p>
<p>O acolhimento da responsabilidade de proteger na normativa das Nações Unidas teria de passar, dessa maneira, pela caracterização de que, em determinada situação específica, violações de direitos humanos implicam ameaça à paz e à segurança.</p>
<p>Para o Brasil, o fundamental é que, ao exercer a responsabilidade de proteger pela via militar, a comunidade internacional, além de contar com o correspondente mandato multilateral, observe outro preceito: o da responsabilidade ao proteger. O uso da força só pode ser contemplado como último recurso.</p>
<p>Queimar etapas e precipitar o recurso à coerção atenta contra a &#8220;rationale&#8221; do direito internacional e da Carta da ONU. Se nossos objetivos maiores incluem a decidida defesa dos direitos humanos em sua universalidade e indivisibilidade, como consagrado na Conferência de Viena de 1993, a atuação brasileira deve ser definida caso a caso, em análise rigorosa das circunstâncias e dos meios mais efetivos para tratar cada situação específica.</p>
<p>Não há espaço, no estabelecimento de políticas consistentes na área dos direitos humanos, para generalizações ingênuas nem para facilidades retóricas.</p>
<p>Devemos evitar, muito especialmente, posturas que venham a contribuir -ainda que indireta e inadvertidamente- para o estabelecimento de elo automático entre a coerção e a promoção da democracia e dos direitos humanos. Não podemos correr o risco de regredir a um estado em que a força militar se transforme no árbitro da justiça e da promoção da paz.</p>
<p>ANTONIO DE AGUIAR PATRIOTA é ministro das Relações Exteriores.</p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;-</p>
<p>Bruna sobre o artigo &#8220;Cinema, Uma Paixão – Balzac e a Costureirinha Chinesa”</p>
<p>De Vânia Rodríguez</p>
<p>Para Baixar o Filme “Balzac e a Costureirinha Chinesa”: <a href="http://fwd4.me/0AQT">http://fwd4.me/0AQT</a></p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;-</p>
<p>Verly, autor, sobre seu artigo “Verdadeiras Verdades”</p>
<p>Olha gente, eu quis mostrar, especialmente para quem acredita em tudo que sai pela voz do povo ou, hoje em dia pela internet, que a maior parte é lenda. São chamadas lendas urbanas.</p>
<p>E como tem mentira espalhada por aí. E o MAIS SÉRIO: COMO TEM GENTE QUE ACREDITA EM TUDO!</p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;</p>
<p>Samara sobre o artigo “Moradores tentam interdição de Depósito de Gás”</p>
<p>deixe o povo trabalhar cambada de mineiros idiotas isso não tem nada haver porque sou uma revendedora em sao paulo .</p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;</p>
<p>Naiara sobre a poesia“Quisera ser….” de Nádia Campos</p>
<p>Liiiindaaa!</p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;-</p>
<p>Jack Maddux W. on “Slaves of the 21st Century” of Antonio Carlos Santini</p>
<p>Lord Jesus, Lord Budha, Ramatis, Shaman Gideon Dos Lakotas, St. Francis, Mahatma Gandhi, what other proof do you want?</p>
<p>The size of a man is the exact size of his endevours/works.</p>
<p>Our ego, that is the rational, logical mind/brain, is a three dimentional instrument given to us to experience the relative world. It can never be satisfied, it can never feel complete, it will always be changing its ideas about things. As long as we are belittled into its soverignty, we are truly slaves. The question is then: WHO are you?</p>
<p>haribol!</p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211;</p>
<p>Jack Maddux W. on “Reply to the Commentary of the reader Adriano” of Carlos Bittencourt Almeida</p>
<p>I would say that in my opinion, men are entirely more sexual than woman. God played dirty when he made man… our members stay totally swollen untill we get some release! Women on the other hand do not. So, if you look at it that way, we can perhaps can give them a little more slack. right…? c’mon!</p>
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		<title>Os Ventos do Saara e do Nilo</title>
		<link>http://www.metro.org.br/sebastiao/os-ventos-do-saara-e-do-nilo</link>
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		<pubDate>Mon, 14 Feb 2011 17:59:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sebastião Verly</dc:creator>
				<category><![CDATA[Internacionais]]></category>

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		<description><![CDATA[Diante da tumultuada queda de Hosni Mubarack, 82 anos de idade, 30 dos quais conduziu o Egito com mão de ferro, o governo democrata dos Estados Unidos, passou a imagem de débil, vacilante e indeciso, porque não quer nem dar opiniões e, quando deu, o fez de maneira insegura e descoordenada. Em pronunciamentos sobre a situação, saiu pela tangente e errou nos seus palpites. Esses paises eram considerados “amigos e moderados” frente às sanguinolentas ditaduras de Sadam Hussein ou mesmo do louco Ahmadinejad. A palavra “ditadura” aplicada à Tunísia de Ben Ali e ao Egito de Mubarak, levou o mundo ocidental a se perguntar se é isso mesmo que leram ou ouviram nos últimos anos. Os meios de comunicação e seus paus-mandados jornalistas com “j” minúsculo insistiram durante décadas que esses dois “países amigos” eram “moderados”? E agora, José? Menos mal. Está chegando a hora desses países do mundo árabe exercer de fato a tal soberania nacional, o famoso princípio de não interferência, ou da auto-determinação dos povos e países, nascido no início dos anos 1960. Nosso “cara”, o ex-presidente Lula, deu uma das mais sábias lições de não intervenção, nos casos mais críticos da história em seu período de governo. E o Governo da Presidenta Dilma mantém a sensatez. Agora quem canta de galo é Ahmadinejad. Diz que os protestos da Tunísia com a queda do clã mafioso de Ben Ali, seguidos desses 18 dias do Egito, que culminaram com a vitória da maioria, nem diria tanto vitória do povo, como querem alguns, nem dos jovens como quer Obama, começaram em 1979 com os Ayatolás. Também aqui podemos dar nossos palpites sem criticar o mandatário do Irã. Ele que expresse seu ponto de vista, sua fé e sua ideologia. E só em palavras interfira nos acontecimentos dos países vizinhos e correligionários do Islã. Mas passemos à Tunísia. Em toda a avenida Bourguiba, no centro da capital Túnis, lugar dos acontecimentos marcantes que provocaram a derrocada do “presidente” Ben Ali, ressoava com buzinaço, gritos de alegria e pequenos grupos de pessoas começaram a dançar espontaneamente com o anúncio da notícia da queda de Mubarak. O movimento de protesto lançado na Tunísia, em meados de dezembro, que causou a queda em 14 de janeiro do então presidente Zine El Abidine Ben Ali, “capo” da máfia do clã Ben Ali-Trabelsi, deu origem a outros movimentos de protesto em vários países árabes. É [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href=" http://www.metro.org.br/admin/os-ventos-do-saara-e-do-nilo/"><img class="size-medium wp-image-4552 aligncenter" title="metro" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2011/02/metro8-500x275.jpg" alt="" width="500" height="275" /></a></p>
<p>Diante da tumultuada queda de Hosni Mubarack, 82 anos de idade, 30 dos quais conduziu o Egito com mão de ferro, o governo democrata dos Estados Unidos, passou a imagem de débil, vacilante e indeciso, porque não quer nem dar opiniões e, quando deu, o fez de maneira insegura e descoordenada. Em pronunciamentos sobre a situação, saiu pela tangente e errou nos seus palpites. Esses paises eram considerados “amigos e moderados” frente às sanguinolentas ditaduras de Sadam Hussein ou mesmo do louco Ahmadinejad. A palavra “ditadura” aplicada à Tunísia de Ben Ali e ao Egito de Mubarak, levou o mundo ocidental a se perguntar se é isso mesmo que leram ou ouviram nos últimos anos. Os meios de comunicação e seus paus-mandados jornalistas com “j” minúsculo insistiram durante décadas que esses dois “países amigos” eram “moderados”? E agora, José?</p>
<p>Menos mal. Está chegando a hora desses países do mundo árabe exercer de fato a tal soberania nacional, o famoso princípio de não interferência, ou da auto-determinação dos povos e países, nascido no início dos anos 1960. Nosso “cara”, o ex-presidente Lula, deu uma das mais sábias lições de não intervenção, nos casos mais críticos da história em seu período de governo. E o Governo da Presidenta Dilma mantém a sensatez.</p>
<p>Agora quem canta de galo é Ahmadinejad. Diz que os protestos da Tunísia com a queda do clã mafioso de Ben Ali, seguidos desses 18 dias do Egito, que culminaram com a vitória da maioria, nem diria tanto vitória do povo, como querem alguns, nem dos jovens como quer Obama, começaram em 1979 com os Ayatolás.</p>
<p>Também aqui podemos dar nossos palpites sem criticar o mandatário do Irã. Ele que expresse seu ponto de vista, sua fé e sua ideologia. E só em palavras interfira nos acontecimentos dos países vizinhos e correligionários do Islã.</p>
<p>Mas passemos à Tunísia. Em toda a avenida Bourguiba, no centro da capital Túnis, lugar dos acontecimentos marcantes que provocaram a derrocada do “presidente” Ben Ali, ressoava com buzinaço, gritos de alegria e pequenos grupos de pessoas começaram a dançar espontaneamente com o anúncio da notícia da queda de Mubarak. O movimento de protesto lançado na Tunísia, em meados de dezembro, que causou a queda em 14 de janeiro do então presidente Zine El Abidine Ben Ali, “capo” da máfia do clã Ben Ali-Trabelsi, deu origem a outros movimentos de protesto em vários países árabes. É só esperar para ver a sequência.</p>
<p><img class="aligncenter size-medium wp-image-4551" title="metro02" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2011/02/metro02-500x336.jpg" alt="" width="500" height="336" /></p>
<p>Dois regimes fechados e despóticos caíram em menos de um mês! De quem é a vez agora? A monarquia jordaniana fez algumas mudanças, entregaram os anéis para preservar os dedos. Quando os Estados Unidos através da CIA passou uma fortuna para Osama Bin Laden trabalhar junto com os fundamentalistas talibãs visando a expulsão dos interventores soviéticos no Afeganistão na década de 70 não previram que em seguida Bin Laden iria também questionar a realeza saudita, que manipula despudoramente seu país natal em benefício próprio com a conivência e proveito dos Estados Unidos. Como estarão se sentindo os reis sauditas? Até onde chegarão os ventos que vêm do Saara e do Vale do Nilo?</p>
<p>Já os Estados Unidos, que administravam o mundo como se fossem o Império Romano ou Alexandrino, após sucessivos desastres republicanos o jogo político colocou um homem de origem popular no poder. E, se a existência social determina a práxis política e social, o presidente Obama estará conduzindo o país para chegar mais próximo de uma virada e para se tornar, de fato, uma grande nação líder, que postule o direito de soberania, autodeterminação e desenvolvimento também para as outras nações do mundo. O mais estúpido reduto conservador reage brutalmente, através do legislativo e do judiciário. O próprio eleitorado deste grande país se rebela pela falta de resultados econômicos visíveis a curto prazo.</p>
<p>Pensando positivamente, os Estados Unidos da América contam com um dos maiores acervos tecnológicos, científicos e culturais do mundo moderno e poderá usar essa base fantástica para melhorar a qualidade de vida do povo americano e dos povos de todo o mundo. Apesar da dificuldade de controle sobre o complexo político-financeiro-industrial-militar e de “inteligência” que consome dos impostos o equivalente a toda a produção do restante do mundo, ainda há algumas esperanças.</p>
<p>Em todo o mundo, as forças conservadoras estão vendo seus mitos caírem um a um e acabam carcomendo-se interiormente. A visão de domínio pela força se esvai de qualquer mente que tenha acesso aos fundamentos da filosofia e da cultura universal. O Brasil também está enfrentando a dura reação de algumas mentes acostumadas ao apartheid entre Casa Grande e Senzala, que têm dificuldades em aceitar a realidade de uma mulher como primeira mandatária do país. E ainda mais com sua corajosa pujança progressista. Fazem de tudo para desacreditar os Projetos de Erradicação da Miséria que tornarão o Brasil, já nos próximos anos, a quinta maior potência do Planeta.</p>
<p>A Venezuela está, a duras penas, segurando a barra da pressão das camadas mais retrógradas do país. Os grupos de comunicação, oportunistas em geral, e todos os que temem perder os privilégios seculares unem-se descaradamente contra o presidente Chavez.</p>
<p>O Chile, num aparente retrocesso, está apenas adormecido. Ali, como no Uruguai, vive um povo que ostenta os melhores padrões culturais e políticos da América Latina. É uma questão de tempo para o país aderir ao caminho das outras nações do continente. Até a Argentina, estereotipada como reduto arrogante que se considerava mais europeu que sul-americano, está abrindo a mente para o novo mundo que se configura à sua volta. A Bolívia, o Equador e o Paraguai estão afinando suas posições políticas voltadas para uma mudança firme e consistente. O Peru ainda é uma incógnita e a eleição presidencial em abril de 2011 ainda não acena para mudanças significativas. Permanecerão no poder as elites tradicionais? Conservador é o papel assumido pela Colômbia cujo governo só se mantém pelo dinheiro e pela força das tropas dos Estados Unidos estacionadas em seu país, enquanto paradoxalmente, a guerrilha consegue sobreviver com as próprias forças. De que lado estará afinal a legitimidade?</p>
<p>Lá bem distante, a China está, neste momento, vivendo a euforia do “boom” capitalista. Pouco importa, no presente, quem está no governo de cada país. O negócio da China são as parcerias econômico-financeiras. Este atual milagre econômico chinês permanecerá por algumas décadas, mas a semente do socialismo que está na base de sua soberania, seu orgulho nacional e seu sucesso econômico está latente, incubada e pode regerminar subitamente.</p>
<p>Com o fim da guerra fria no mundo inteiro caíram os fantasmas da ameaça comunista que levavam os Estados Unidos a implantar ditaduras sanguinárias baseadas em exércitos nacionais que se converteram em tropas de ocupação a serviço de seu império. Ou, pelo menos, mostraram-se complacentes com esses ditadores amigos, durante décadas de despotismo, como já ocorreu na própria Europa (Espanha, Portugal, Grécia e Turquia), além da Ásia, África e América Latina. Tiranias de todo o mundo começam a por as barbas de molho, ou em um português mais chulo, estão “cortando arame”.</p>
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		<title>Países Emergentes e Países Estagnados – parte 2</title>
		<link>http://www.metro.org.br/afonso/paises-emergentes-e-paises-estagnados-%e2%80%93-parte-2</link>
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		<pubDate>Wed, 04 Aug 2010 16:45:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Afonso Machado</dc:creator>
				<category><![CDATA[Energia]]></category>
		<category><![CDATA[Globalização]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.metro.org.br/?p=3394</guid>
		<description><![CDATA[Devido ao grande índice de leitura do artigo com o título acima, publicado há um ano, em julho de 2009, com dados até 2008, fomos solicitados pelo portalmetro, www.metro.org.br, a apresentar uma versão atualizada para 2009 com os dados publicados pela Statistical Review of World Energy da British Petroleum, SRWE/BP, em junho de 2010. Aqui um comentário geral e uma nota metodológica da SRWE/BP: “O total de energia elétrica gerada no mundo em 2009 caiu 0,9% (243 TeraWatt-horas, TWh) em relação a 2008, o que configura a primeira queda desde 1982. Quanto à metodologia, os dados de geração de energia elétrica cobrem todas as fontes geradoras e se referem à geração bruta, inclusive as despendidas nas próprias usinas, e abrange também a produção de empresas autogeradoras.” Recebemos alguns comentários críticos de leitores dizendo que o indicador “Geração Bruta de Energia Elétrica” não pode ser apresentado como um critério absoluto de desenvolvimento ou mesmo crescimento econômico, pois pode haver a substituição de um tipo de energia por outro, gás natural ou energia solar para aquecimento, por exemplo, e que ainda que abrangêssemos toda a matriz energética o critério seria falho, pois algum país pode estar utilizando com sucesso políticas de uso eficiente de energia. Apesar dessas ressalvas acreditamos ainda que a Geração Bruta de Energia Elétrica é um bom indicador da atividade econômica dos vários países do mundo e que reflete em boa maneira a variação de sua atividade econômica. Essas críticas podem motivar pesquisas que busquem seu respaldo, mas o grande acesso dos leitores nos encorajou a atualizar a série histórica. Enquanto no artigo anterior destacamos os 21 países no topo do ranking, desta vez expandimos a apresentação dos resultados para os 64 maiores. Como no artigo anterior, foram usados os biênios a partir de 1990 para facilitar a elaboração e a leitura dos gráficos. No entanto, como a crise econômica mundial de 2009 teve efeitos bastante diferenciados nos vários países e regiões, atingindo principalmente os países chamados ricos, ou do Primeiro Mundo, que estão agrupados tradicionalmente na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, OCDE ou OECD (inglês), optamos por não adotar a média de 2008 e 2009, mas deixá-los separados para melhor destacar os efeitos da crise. A forma de agrupar os países foi por faixas, nos dados de 2009, onde todos os que estão no mesmo gráfico estão relativamente próximos. O que fica destacado em cada gráfico [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-3390  aligncenter" title="image001" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2010/08/image0011-e1280935320689.jpg" alt="" width="480" height="360" /></p>
<p>Devido ao grande índice de leitura do artigo com o título acima, publicado há um ano, em julho de 2009, com dados até 2008, fomos solicitados pelo portalmetro, <a href="http://www.metro.org.br/">www.metro.org.br</a>, a apresentar uma versão atualizada para 2009 com os dados publicados pela Statistical Review of World Energy da British Petroleum, SRWE/BP, em junho de 2010.</p>
<p>Aqui um comentário geral e uma nota metodológica da SRWE/BP:</p>
<p><em>“O total de energia elétrica gerada no mundo em 2009 caiu 0,9% (243 TeraWatt-horas, TWh) em relação a 2008, o que configura a primeira queda desde 1982. Quanto à metodologia, os dados de geração de energia elétrica cobrem todas as fontes geradoras e se referem à geração bruta, inclusive as despendidas nas próprias usinas, e abrange também a produção de empresas autogeradoras.”</em></p>
<p>Recebemos alguns comentários críticos de leitores dizendo que o indicador “Geração Bruta de Energia Elétrica” não pode ser apresentado como um critério absoluto de desenvolvimento ou mesmo crescimento econômico, pois pode haver a substituição de um tipo de energia por outro, gás natural ou energia solar para aquecimento, por exemplo, e que ainda que abrangêssemos toda a matriz energética o critério seria falho, pois algum país pode estar utilizando com sucesso políticas de uso eficiente de energia.</p>
<p>Apesar dessas ressalvas acreditamos ainda que a Geração Bruta de Energia Elétrica é um bom indicador da atividade econômica dos vários países do mundo e que reflete em boa maneira a variação de sua atividade econômica. Essas críticas podem motivar pesquisas que busquem seu respaldo, mas o grande acesso dos leitores nos encorajou a atualizar a série histórica.</p>
<p>Enquanto no artigo anterior destacamos os 21 países no topo do ranking, desta vez expandimos a apresentação dos resultados para os 64 maiores. Como no artigo anterior, foram usados os biênios a partir de 1990 para facilitar a elaboração e a leitura dos gráficos. No entanto, como a crise econômica mundial de 2009 teve efeitos bastante diferenciados nos vários países e regiões, atingindo principalmente os países chamados ricos, ou do Primeiro Mundo, que estão agrupados tradicionalmente na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, OCDE ou OECD (inglês), optamos por não adotar a média de 2008 e 2009, mas deixá-los separados para melhor destacar os efeitos da crise.</p>
<p>A forma de agrupar os países foi por faixas, nos dados de 2009, onde todos os que estão no mesmo gráfico estão relativamente próximos. O que fica destacado em cada gráfico passa a ser o movimento de ascensão, descenso ou estabilidade de cada país do grupo representado.</p>
<p>O primeiro gráfico se refere aos blocos econômicos abrangendo o bloco da OCDE, ou seja, os países do capitalismo desenvolvido, a antiga União Soviética que era chamada de Segundo Mundo quando juntada aos países da Europa Oriental, e o outro bloco é composto pelos Países Emergentes que sempre foram chamados de Terceiro Mundo (América do Sul e Central, Oriente Médio, África, e países europeus e asiáticos fora da OCDE).</p>
<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-3420  aligncenter" title="01" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2010/08/01.jpg" alt="" width="500" height="276" /></p>
<p>Percebemos que esta geografia está mudando, e é neste ponto que consideramos útil o indicador aqui utilizado. Para informações sobre a OCDE indicamos o link:</p>
<p><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Ocde">http://pt.wikipedia.org/wiki/Ocde</a></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2010/08/tabela2pt.jpg" target="_blank">CLIQUE AQUI PARA VISUALIZAR A TABELA POR BLOCOS ECONÔMICOS </a></p>
<p>O 2º e o 3º gráficos mostram as cinco regiões continentais, separadas em dois grupos. O primeiro grupo é composto por América do Norte, Eurásia e Ásia-Pacífico, regiões que estão em um patamar mais elevado.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-3421" title="02" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2010/08/02.jpg" alt="" width="500" height="276" /></p>
<p>O 3º gráfico mostra as outras três regiões continentais que expressam seu crescimento firme a partir de um patamar inferior: América do Sul e Central, Oriente Médio e África. Percebe-se claramente que o maior dinamismo vem da região Ásia-Pacífico, e em 2º lugar o Oriente Médio. As Américas do Sul e Central apresentam um crescimento seguro porém mais moderado, e a África apresenta um crescimento lento, destacando-se positivamente Egito e Argélia.</p>
<p style="text-align: center;"><img title="03" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2010/08/03.jpg" alt="" width="500" height="276" /></p>
<p>A América do Norte manteve-se estável até a mudança do milênio quando iniciou sua trajetória declinante. Os países da Eurásia, da área de influência da Antiga União Soviética apresentaram uma queda significativa na primeira metade dos anos 90, passando por uma desaceleração da queda na segunda metade e uma tendência de estabilização a partir do novo milênio. Os outros países europeus que apresentavam uma queda moderada nos anos 90 aprofundam esta tendência no novo milênio. Alguns países incorporados por último à União Européia sofreram um breve dinamismo, mas depois foram contaminados com o ambiente econômico depressivo desse continente.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2010/08/tabela3pt.jpg" target="_blank">CLIQUE AQUI PARA VISUALIZAR A TABELA POR REGIÕES </a></p>
<p style="text-align: left;">Os demais gráficos, a partir do 4º, mostram os países agrupados por patamar. No primeiro é possível ver a tendência inevitável de que a China deverá tomar a liderança dos EUA já neste ano (2010) ou no próximo (2011). Nos seguintes podemos confirmar o que os gráficos por blocos e regiões já mostram, mas individualizando as tendências para cada país.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2010/08/tabela1pt.jpg" target="_blank">CLIQUE AQUI PARA VISUALIZAR A TABELA POR PAÍSES</a></p>
<p><strong>Gráficos</strong></p>
<p>Países – 1º e 2º lugares: EUA e China</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-3423" title="04" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2010/08/04.jpg" alt="" width="500" height="276" /></p>
<p>Países – 3º, 4º e 5º lugares</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-3424" title="05" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2010/08/05.jpg" alt="" width="500" height="276" /></p>
<p>Países – 6º ao 11º lugares:</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-3425" title="06" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2010/08/06.jpg" alt="" width="500" height="276" /></p>
<p>Países – 12º ao 17º lugares:</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-3427" title="07" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2010/08/07.jpg" alt="" width="500" height="276" /></p>
<p>Países – 18º ao 21º lugares:</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-3428" title="08" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2010/08/08.jpg" alt="" width="500" height="276" /></p>
<p>Países – 22º ao 27º lugares:</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-3429" title="09" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2010/08/09.jpg" alt="" width="500" height="276" /></p>
<p>Países – 28º ao 32º lugares:</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-3430" title="10" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2010/08/10.jpg" alt="" width="500" height="276" /></p>
<p>Países – 33º ao 39º lugares:</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-3431" title="11" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2010/08/11.jpg" alt="" width="500" height="276" /></p>
<p>Países – 40º ao 47º lugares:</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-3432" title="12" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2010/08/12.jpg" alt="" width="500" height="276" /></p>
<p>Países – 48º ao 53º lugares:</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-3433" title="13" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2010/08/13.jpg" alt="" width="500" height="276" /></p>
<p>Países – 54º ao 58º lugares:</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-3434" title="14" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2010/08/14.jpg" alt="" width="500" height="276" /></p>
<p>Países – 59º ao 64º lugares:</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-3435" title="15" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2010/08/15.jpg" alt="" width="500" height="276" /></p>
<p>Esperamos que este trabalho contribua para o debate com os leitores, que são principalmente pesquisadores acadêmicos.</p>
<p>Lembramos que todos os gráficos se referem ao mesmo indicador “Geração Bruta de Energia Elétrica”, e que o eixo vertical expressa o percentual dos dados de cada país em relação ao total mundial daquele ano ou biênio. A fonte dos dados é a Statistical Review of World Energy da British Petroleum Company, edição de junho de 2010, que pode ser acessada no link: <a href="http://www.bp.com/productlanding.do?categoryId=6929&amp;contentId=7044622">http://www.bp.com/productlanding.do?categoryId=6929&amp;contentId=7044622</a></p>
<p>Aguardamos seu comentário.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Leia também a parte I do artigo</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong><a href="http://www.metro.org.br/afonso/paises-emergentes-e-paises-estagnados" target="_self">Países Emergentes e Países Estagnados  &#8211; parte I</a></strong></p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>twitter.com/miltontavares</title>
		<link>http://www.metro.org.br/milton/tweets-miltontavares</link>
		<comments>http://www.metro.org.br/milton/tweets-miltontavares#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 28 Jun 2010 13:34:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Milton Tavares Campos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Internacionais]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.metro.org.br/?p=3163</guid>
		<description><![CDATA[Charge da semana de “The Economist”: “Barack Obama demitiu seu comandante no Afeganistão. Mas a preocupação real é que a guerra está sendo perdida”. Editorial de &#8220;The Economist&#8221; desta semana. “Um destemido Presidente Obama fez o General McChrystal pagar por sua insubordinação, mas o destemor presidencial não é uma verdade profunda.” “A América e seus aliados estão perdendo no Afeganistão. A crise mostrou que a propaganda americana está a beira da falência.” “Pode a coalisão liderada pelos EUA vencer no Afeganistão? Como? Mais de 1.000 mortos e 6.000 feridos, a popularidade de Karzai é decrescente.” “Mais de 1/3 das pessoas pesquisadas nas comunidades tribais apóiam os insurgentes. Os Talibans continua matando os lideres que não os apóiam.” “A possibilidade de impedir que a al-Qaeda tenha abrigo em remotas regiões do norte do Paquistão, Yemen e Somália se mostrou inviável.” “A retirada da OTAN pode deixar o Afeganistão em uma guerra cilvil que pode se alastrar pelo Paquistão, India, Iran e Rússia.” “Este veneno pode se voltar contra o ocidente. Seria uma humilhação se mostrar incapaz de enfrentar seus inimigos no mundo. E o povo afegão?” “Tendo invadido seu país, o Ocidente teria a obrigação de deixar ali uma situação decente. Esta guerra pode terminar numa retirada humilhante.” “Mas ninguém será bem vindo depois de tamanho fracasso.” Veja a matéria da BBC: “Chefe militar diz que conversas com Talibans devem começar logo”.: http://news.bbc.co.uk/2/hi/uk_news/10427983.stm Gen David Richards ex-comandante da OTAN no Afeganistão O premiê britânico David Cameron quer os 10.000 soldados ingleses fora do Afeganistão até 2015, ano de eleições. Já morreram 308 desde 2001. Só este mês foram 19. O general britânico David Richards defende que sejam abertas negociações com os talibans que comandam a insurgência. Quando George W Bush decidiu atacar o Afeganistão em 2001 argumentou que eles protegiam a al-Qaeda, mas não houve negociação a respeito. Bush queria solução militar. Hoje está comprovado que a al-Qaeda se esconde em vários lugares de paises aliados dos EUA como o Paquistão. As guerras foram iniciadas pelo fundamentalismo de Bush e de Blair. Agora precisa voltar a diplomacia: é a voz dos generais, pasmem!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Charge da semana de “The Economist”:</p>
<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-3161  aligncenter" title="image004" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2010/06/image0041.jpg" alt="" width="471" height="301" /></p>
<p>“Barack Obama demitiu seu comandante no Afeganistão. Mas a preocupação real é que a guerra está sendo perdida”. Editorial de &#8220;The Economist&#8221; desta semana.</p>
<p>“Um destemido Presidente Obama fez o General McChrystal pagar por sua insubordinação, mas o destemor presidencial não é uma verdade profunda.”</p>
<p>“A América e seus aliados estão perdendo no Afeganistão. A crise mostrou que a propaganda americana está a beira da falência.”</p>
<p>“Pode a coalisão liderada pelos EUA vencer no Afeganistão? Como? Mais de 1.000 mortos e 6.000 feridos, a popularidade de Karzai é decrescente.”</p>
<p>“Mais de 1/3 das pessoas pesquisadas nas comunidades tribais apóiam os insurgentes. Os Talibans continua matando os lideres que não os apóiam.”</p>
<p>“A possibilidade de impedir que a al-Qaeda tenha abrigo em remotas regiões do norte do Paquistão, Yemen e Somália se mostrou inviável.”</p>
<p>“A retirada da OTAN pode deixar o Afeganistão em uma guerra cilvil que pode se alastrar pelo Paquistão, India, Iran e Rússia.”</p>
<p>“Este veneno pode se voltar contra o ocidente. Seria uma humilhação se mostrar incapaz de enfrentar seus inimigos no mundo. E o povo afegão?”</p>
<p>“Tendo invadido seu país, o Ocidente teria a obrigação de deixar ali uma situação decente. Esta guerra pode terminar numa retirada humilhante.”</p>
<p>“Mas ninguém será bem vindo depois de tamanho fracasso.”</p>
<p>Veja a matéria da BBC: “Chefe militar diz que conversas com Talibans devem começar logo”.: <a href="http://news.bbc.co.uk/2/hi/uk_news/10427983.stm">http://news.bbc.co.uk/2/hi/uk_news/10427983.stm</a></p>
<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-3162  aligncenter" title="image005" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2010/06/image005.jpg" alt="" width="226" height="170" /></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Gen David Richards ex-comandante da OTAN no Afeganistão</strong></p>
<p>O premiê britânico David Cameron quer os 10.000 soldados ingleses fora do Afeganistão até 2015, ano de eleições. Já morreram 308 desde 2001.</p>
<p>Só este mês foram 19. O general britânico David Richards defende que sejam abertas negociações com os talibans que comandam a insurgência.</p>
<p>Quando George W Bush decidiu atacar o Afeganistão em 2001 argumentou que eles protegiam a al-Qaeda, mas não houve negociação a respeito.</p>
<p>Bush queria solução militar. Hoje está comprovado que a al-Qaeda se esconde em vários lugares de paises aliados dos EUA como o Paquistão.</p>
<p>As guerras foram iniciadas pelo fundamentalismo de Bush e de Blair. Agora precisa voltar a diplomacia: é a voz dos generais, pasmem!</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
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		<title>“Por favor, parem de me ajudar!”</title>
		<link>http://www.metro.org.br/antonio-carlos/%e2%80%9cpor-favor-parem-de-me-ajudar%e2%80%9d</link>
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		<pubDate>Fri, 05 Mar 2010 20:14:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Antonio Carlos Santini</dc:creator>
				<category><![CDATA[Internacionais]]></category>

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		<description><![CDATA[Ex-consultora do Banco Mundial e da Goldman Sachs, DAMBISA MOYO, nascida em Zâmbia, África, acaba de publicar o livro “Dead Aid”, Penguin Press, 188p., com uma tese surpreendente: a ajuda internacional às nações pobres mais prejudica do que ajuda. São empréstimos que sufocam os países pobres, atendem a interesses pessoais dos homens no poder e deixam para o futuro uma herança mortal. Do lado do bandido A cerimônia de coroação do “Imperador” Bokassa, Jean Bédel, na República Centro-Africana, em 1977, custou a bagatela de 22 milhões de dólares. Quem emprestou o dinheiro? O Banco Mundial. Quem deve pagar a conta? O povo do país. Foi também com dinheiro do Ocidente rico que Idi Amin Dada, o sangrento ditador de Uganda, realizava seus banquetes onde era servida&#8230; carne humana! Ao mesmo tempo, Idi Amin foi responsável pela morte de 300.000 opositores. Em janeiro de 2000, foram publicadas as denúncias contra o governo de Yahya Janneh, em Gâmbia, envolvendo o desvio de 2 milhões de dólares. Ainda poderíamos citar os rios de dólares desviados pelo corrupto tirano da Libéria, Samuel Doe. O dinheiro vinha sempre da mesma fonte. Diante disso, pode-se ouvir o grito que brota do coração da África: “Por favor, parem de me ajudar!” Talvez o Continente Negro não seja atendido, pois há muitos interessados em continuar a emprestar dinheiro e, a seguir, vender armas, obter favores econômicos e vantagens financeiras. O bem que faz mal&#8230; O objetivo de Dambisa Moyo, comenta o jornalista italiano Luca Gallesi, é “destruir o falso mito da eficácia da ajuda aos países pobres”. A autora afirma que inundar de dólares as frágeis nações africanas serve apenas para enriquecer os especuladores e calar a consciência dos &#8220;beneficiados&#8221;. E a realidade lhe dá razão: após décadas de ajuda internacional, não se vêem na África resultados efetivos do investimento; ao contrário, a situação piora cada vez mais, desde a exaustão dos solos, passando pelos conflitos tribais até a pandemia da AIDS. Entre muitos exemplos fornecidos no livro de MOYO, um dado chocante: nos anos 80, o Produto Interno Bruto de numerosas nações africanas, entre elas Malawi, Burundi e Burkina Faso, superava o PIB da China! Isto, diz a Autora, “para não falar da situação anterior, isto é, da era colonial, que garantia maior liberdade e bem-estar ao continente africano”. E ela apresenta números que confirmam a tese. Para MOYO, a disponibilidade de fundos aumenta a inflação e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-2406  aligncenter" title="“Por favor, parem de me ajudar!”" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2010/03/image0015.jpg" alt="“Por favor, parem de me ajudar!”" width="404" height="300" /></p>
<p>Ex-consultora do Banco Mundial e da Goldman Sachs, DAMBISA MOYO, nascida em Zâmbia, África, acaba de publicar o livro “Dead Aid”, Penguin Press, 188p., com uma tese surpreendente: a ajuda internacional às nações pobres mais prejudica do que ajuda. São empréstimos que sufocam os países pobres, atendem a interesses pessoais dos homens no poder e deixam para o futuro uma herança mortal.</p>
<h2><span style="font-weight: normal;">Do lado do bandido</span></h2>
<p>A cerimônia de coroação do “Imperador” Bokassa, Jean Bédel, na República Centro-Africana, em 1977, custou a bagatela de 22 milhões de dólares. Quem emprestou o dinheiro? O Banco Mundial. Quem deve pagar a conta? O povo do país. Foi também com dinheiro do Ocidente rico que Idi Amin Dada, o sangrento ditador de Uganda, realizava seus banquetes onde era servida&#8230; carne humana! Ao mesmo tempo, Idi Amin foi responsável pela morte de 300.000 opositores.</p>
<p>Em janeiro de 2000, foram publicadas as denúncias contra o governo de Yahya Janneh, em Gâmbia, envolvendo o desvio de 2 milhões de dólares. Ainda poderíamos citar os rios de dólares desviados pelo corrupto tirano da Libéria, Samuel Doe. O dinheiro vinha sempre da mesma fonte.</p>
<p>Diante disso, pode-se ouvir o grito que brota do coração da África: “Por favor, parem de me ajudar!” Talvez o Continente Negro não seja atendido, pois há muitos interessados em continuar a emprestar dinheiro e, a seguir, vender armas, obter favores econômicos e vantagens financeiras.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-2407" title="“Por favor, parem de me ajudar!”" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2010/03/image0024-e1267819651840.jpg" alt="“Por favor, parem de me ajudar!”" width="500" height="332" /></p>
<h2><span style="font-weight: normal;">O bem que faz mal&#8230;</span></h2>
<p>O objetivo de Dambisa Moyo, comenta o jornalista italiano Luca Gallesi, é “destruir o falso mito da eficácia da ajuda aos países pobres”. A autora afirma que inundar de dólares as frágeis nações africanas serve apenas para enriquecer os especuladores e calar a consciência dos &#8220;beneficiados&#8221;. E a realidade lhe dá razão: após décadas de ajuda internacional, não se vêem na África resultados efetivos do investimento; ao contrário, a situação piora cada vez mais, desde a exaustão dos solos, passando pelos conflitos tribais até a pandemia da AIDS.</p>
<p>Entre muitos exemplos fornecidos no livro de MOYO, um dado chocante: nos anos 80, o Produto Interno Bruto de numerosas nações africanas, entre elas Malawi, Burundi e Burkina Faso, superava o PIB da China! Isto, diz a Autora, “para não falar da situação anterior, isto é, da era colonial, que garantia maior liberdade e bem-estar ao continente africano”. E ela apresenta números que confirmam a tese.</p>
<p>Para MOYO, a disponibilidade de fundos aumenta a inflação e aniquila a iniciativa privada, desencorajando o empreendedorismo. Afinal, quem iria calejar as mãos para obter algum ganho, quando, sem nenhum esforço, pode ter “ajuda” grátis? E mais: com a ajuda, a população não se revolta contra os tiranos, a terra deixa de ser cultivada e os mais corruptos sobem ao poder.</p>
<h2><span style="font-weight: normal;">Um caminho para hoje</span></h2>
<p style="text-align: center;"><strong><img class="aligncenter size-full wp-image-2408" title="“Por favor, parem de me ajudar!”" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2010/03/image0042.jpg" alt="“Por favor, parem de me ajudar!”" width="372" height="315" /><br />
</strong></p>
<p>Existiria outro caminho para as nações pobres? Parece que sim. E o exemplo vem da Índia. Prêmio Nobel da Paz de 2006, o banqueiro indiano Muhammad Yunus demonstrou praticamente que uma política de microcréditos – invenção dele! – ajudou milhões de pessoas a saírem da miséria com o próprio trabalho e a formação de pequenas empresas familiares.</p>
<p>Um provérbio africano diz que há dois momentos mais adequados para plantar uma árvore. O primeiro, foi há vinte anos. O segundo é hoje. Será que a África ainda tem um “hoje”?</p>
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		<title>O Haiti é logo ali, é aqui!</title>
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		<pubDate>Fri, 12 Feb 2010 17:41:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Antonio Carlos Santini</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Políticas Sociais]]></category>

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		<description><![CDATA[A terrível catástrofe provocada pelo terremoto de janeiro concentrou sobre o Haiti as lentes da mídia internacional. Deixando de lado a exploração excessiva (e mórbida!) de imagens espetaculares, subitamente, era como se o mundo descobrisse de novo o Haiti, sepultado na sombra desde o primeiro descobrimento, em 1492, pelos espanhóis. No fundo, era como se até agora o Haiti fosse apenas uma ilha do Caribe, de clima tropical, com praias cobertas de bucólicos coqueiros. Como se até então um véu nos cobrisse os olhos e nos permitisse ignorar que aquela nação tem 47,1% de analfabetos em sua população, com a taxa de mortalidade calculada em 74 mortes por 1000, até o primeiro ano de vida, e com a expectativa de vida de abaixo de 59 anos. Com o terremoto, porém, fomos obrigados a contabilizar não só os 200 mil mortos, mas também estas cifras mantidas na meia-luz. Ora, o Haiti não é só o Haiti. O Haiti miserável de população afro-espanhola também tem traduções na Mãe África. Uma pequena amostra com cinco nações confirma a tese: Podíamos lembrar ainda a situação da região conhecida como Darfur, no sul do Sudão, onde a população cristã tem sido atacada por milícias do governo islâmico, perseguida, violada, forçada a emigrar, em um dos maiores genocídios dos tempos modernos, sem que a mídia ocidental envie ao menos um fotógrafo para documentar o desastre sem espetáculo. Quem sabe, um terremoto nos acordaria? O Haiti é no Haiti. O Haiti é ali na África. O Haiti é aqui no Brasil. Em uma de minhas viagens missionárias no Norte do Brasil, mandaram-me de avião, um Bandeirantes não-pressurizado, de Marabá, PA, para Imperatriz, MA, de onde seguiria de ônibus para Araguaína, TO. Em Imperatriz, o conhecido feudo da família Sarney, esperei várias horas na rodoviária local. Ali, eu conheci o Haiti&#8230; Aquela estação rodoviária apresentou-me um espetáculo dantesco. Dezenas de mendigos, aleijados, cegos e prostitutas. Famílias inteiras amontoadas pelo chão, em trânsito para algum lugar, com suas “mudanças” envolvidas em sacos de pano. Um pavoroso quadro da miséria humana. Esse povo humilde e miserável não espera nada de ninguém. Não tem escola para aprender a ler e escrever, e se sobreviver ao primeiro ano de vida, herdará da subnutrição a promessa de viver pouco. Esta é a realidade que se oculta sob as cifras relativas ao analfabetismo, à mortalidade infantil e à expectativa de vida. Estão prometendo um [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-2284  aligncenter" title="O Haiti é logo ali, é aqui!" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2010/02/haitiaqui.jpg" alt="" width="400" height="360" /></p>
<p>A terrível catástrofe provocada pelo terremoto de janeiro concentrou sobre o Haiti as lentes da mídia internacional. Deixando de lado a exploração excessiva (e mórbida!) de imagens espetaculares, subitamente, era como se o mundo descobrisse de novo o Haiti, sepultado na sombra desde o primeiro descobrimento, em 1492, pelos espanhóis.</p>
<p>No fundo, era como se até agora o Haiti fosse apenas uma ilha do Caribe, de clima tropical, com praias cobertas de bucólicos coqueiros. Como se até então um véu nos cobrisse os olhos e nos permitisse ignorar que aquela nação tem 47,1% de analfabetos em sua população, com a taxa de mortalidade calculada em 74 mortes por 1000, até o primeiro ano de vida, e com a expectativa de vida de abaixo de 59 anos.</p>
<p>Com o terremoto, porém, fomos obrigados a contabilizar não só os 200 mil mortos, mas também estas cifras mantidas na meia-luz.</p>
<p>Ora, o Haiti não é só o Haiti. O Haiti miserável de população afro-espanhola também tem traduções na Mãe África. Uma pequena amostra com cinco nações confirma a tese:</p>
<p style="text-align: center;"><strong><img class="aligncenter size-full wp-image-2294" title="tabela1" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2010/02/tabela1.jpg" alt="" width="500" height="121" /><br />
</strong></p>
<p>Podíamos lembrar ainda a situação da região conhecida como Darfur, no sul do Sudão, onde a população cristã tem sido atacada por milícias do governo islâmico, perseguida, violada, forçada a emigrar, em um dos maiores genocídios dos tempos modernos, sem que a mídia ocidental envie ao menos um fotógrafo para documentar o desastre sem espetáculo. Quem sabe, um terremoto nos acordaria?</p>
<p>O Haiti é no Haiti. O Haiti é ali na África. O Haiti é aqui no Brasil.</p>
<p>Em uma de minhas viagens missionárias no Norte do Brasil, mandaram-me de avião, um Bandeirantes não-pressurizado, de Marabá, PA, para Imperatriz, MA, de onde seguiria de ônibus para Araguaína, TO. Em Imperatriz, o conhecido feudo da família Sarney, esperei várias horas na rodoviária local. Ali, eu conheci o Haiti&#8230;</p>
<p>Aquela estação rodoviária apresentou-me um espetáculo dantesco. Dezenas de mendigos, aleijados, cegos e prostitutas. Famílias inteiras amontoadas pelo chão, em trânsito para algum lugar, com suas “mudanças” envolvidas em sacos de pano. Um pavoroso quadro da miséria humana.</p>
<p>Esse povo humilde e miserável não espera nada de ninguém. Não tem escola para aprender a ler e escrever, e se sobreviver ao primeiro ano de vida, herdará da subnutrição a promessa de viver pouco. Esta é a realidade que se oculta sob as cifras relativas ao analfabetismo, à mortalidade infantil e à expectativa de vida.</p>
<p>Estão prometendo um Plano Marshall para o Haiti, uma dose cavalar de investimentos a exemplo do que se fez na Europa do pós-guerra. Se de fato o plano for levado adiante, o Haiti sobrevivente se prostrará de joelhos para agradecer à Mãe Gaia o terremoto que lhe enviou.</p>
<p>E nós? Precisaremos de um abalo sísmico para descobrir, bem ao nosso lado, o irmão com fome? O Haiti é logo ali, é aqui!</p>
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		<title>Refugiados incham cidades do 3º Mundo</title>
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		<pubDate>Fri, 29 Jan 2010 17:56:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Antonio Carlos Santini</dc:creator>
				<category><![CDATA[Demografia]]></category>
		<category><![CDATA[Internacionais]]></category>
		<category><![CDATA[Políticas Sociais]]></category>

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		<description><![CDATA[O recente terremoto no Haiti concentra novamente olhares e mentes sobre a situação dos refugiados em todo o planeta. Quase 50% dos 10,5 milhões de refugiados sob acompanhamento do Comissariado da ONU Para os Refugiados, ACNUR, vivem atualmente em centros urbanos. Entretanto, calcula-se que o número de deslocados internos e repatriados que vivem nas cidades pode duplicar esta cifra. Sem pátria e sem raízes Expulsos de seu torrão natal em razão de desastres naturais, inundações, conflitos étnicos, perseguição política ou intolerância religiosa, cresce sempre mais a legião dos homens e mulheres sem pátria e sem raízes culturais. “Precisamos deixar para trás a imagem ultrapassada de que a maior parte dos refugiados vive em acampamentos imensos geridos pelo ACNUR”, disse o Alto Comissário do órgão, António Guterres. “Estamos sendo testemunhas de que cada vez mais e mais refugiados residem no meio urbano”. Guterres fez estas declarações antes do início do “Diálogo do Alto Comissário sobre os Desafios da Proteção”, evento anual que teve lugar nos dias 9 e 10 de dezembro de 2009, em Genebra, Suíça. A cidade inflada A população urbana quadruplicou durante os últimos 60 anos, passando de 730 milhões de pessoas em 1950, para 3.3 bilhões em 2009. Também os refugiados estão-se deslocando de maneira progressiva para as cidades, especialmente em países emergentes. É uma tendência que tem acelerado desde os anos 50. Cerca de 80% da população urbana em breve estará concentrada em médias e grandes cidades nesses países. Guterres afirmou que os direitos fundamentais de proteção e acesso aos serviços dos refugiados precisam ser respeitados onde quer que eles estejam, seja nos acampamentos ou nas cidades. De acordo com as últimas estatísticas, a capital do Afeganistão, Cabul, teve sua população aumentada em sete vezes desde 2001. Muitos dos novos moradores são antigos refugiados que regressaram do Irã ou Paquistão, ou deslocados que fugiram da violência das áreas rurais do país. Tanto a cidade de Bogotá, na Colômbia, como Abdijan, na Costa do Marfim, absorveram centenas de milhares de vítimas de conflitos armados, que se acumulam em subúrbios carentes de serviços básicos. No Oriente Médio, as cidades de Damasco, na Síria, e Amã, na Jordânia, se converteram em santuários para centenas de milhares de iraquianos que se viram obrigados a fugir de seu país. Luta pela sobrevivência O comissário do ACNUR demonstra preocupação com esses refugiados obrigados a viver em favelas e subúrbios superpovoados. A maioria se [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;"><img class="size-full wp-image-2187  aligncenter" title="Refugiados incham cidades do 3º Mundo" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2010/01/haiti.jpg" alt="" width="500" height="317" /><br />
<em> O recente terremoto no Haiti concentra novamente olhares e mentes sobre a situação dos refugiados em todo o planeta. Quase 50% dos 10,5 milhões de refugiados sob acompanhamento do Comissariado da ONU Para os Refugiados, ACNUR, vivem atualmente em centros urbanos. Entretanto, calcula-se que o número de deslocados internos e repatriados que vivem nas cidades pode duplicar esta cifra.</em></p>
<h3>Sem pátria e sem raízes</h3>
<p>Expulsos de seu torrão natal em razão de desastres naturais, inundações, conflitos étnicos, perseguição política ou intolerância religiosa, cresce sempre mais a legião dos homens e mulheres sem pátria e sem raízes culturais.</p>
<p>“Precisamos deixar para trás a imagem ultrapassada de que a maior parte dos refugiados vive em acampamentos imensos geridos pelo ACNUR”, disse o Alto Comissário do órgão, António Guterres. “Estamos sendo testemunhas de que cada vez mais e mais refugiados residem no meio urbano”. Guterres fez estas declarações antes do início do “Diálogo do Alto Comissário sobre os Desafios da Proteção”, evento anual que teve lugar nos dias 9 e 10 de dezembro de 2009, em Genebra, Suíça.</p>
<h3>A cidade inflada</h3>
<p>A população urbana quadruplicou durante os últimos 60 anos, passando de 730 milhões de pessoas em 1950, para 3.3 bilhões em 2009. Também os refugiados estão-se deslocando de maneira progressiva para as cidades, especialmente em países emergentes. É uma tendência que tem acelerado desde os anos 50. Cerca de 80% da população urbana em breve estará concentrada em médias e grandes cidades nesses países.</p>
<p>Guterres afirmou que os direitos fundamentais de proteção e acesso aos serviços dos refugiados precisam ser respeitados onde quer que eles estejam, seja nos acampamentos ou nas cidades.</p>
<p>De acordo com as últimas estatísticas, a capital do Afeganistão, Cabul, teve sua população aumentada em sete vezes desde 2001. Muitos dos novos moradores são antigos refugiados que regressaram do Irã ou Paquistão, ou deslocados que fugiram da violência das áreas rurais do país.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-2188" title=" Refugiados incham Cidades do 3º mundo" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2010/01/haiti2.jpg" alt="" width="500" height="250" /></p>
<p>Tanto a cidade de Bogotá, na Colômbia, como Abdijan, na Costa do Marfim, absorveram centenas de milhares de vítimas de conflitos armados, que se acumulam em subúrbios carentes de serviços básicos. No Oriente Médio, as cidades de Damasco, na Síria, e Amã, na Jordânia, se converteram em santuários para centenas de milhares de iraquianos que se viram obrigados a fugir de seu país.</p>
<h3>Luta pela sobrevivência</h3>
<p>O comissário do ACNUR demonstra preocupação com esses refugiados obrigados a viver em favelas e subúrbios superpovoados. A maioria se vê forçada a trabalhar na economia informal, vendo-se exposta à exploração<strong> </strong>e ganhando a vida com dificuldade. Muitos preferem permanecer “invisíveis” por medo de serem expulsos, o que dificulta seus registros e identificações.</p>
<h3>A difícil acolhida</h3>
<p>A chegada massiva às cidades de pessoas deslocadas à força gera uma disputa acirrada pelos escassos recursos públicos, tais como a saúde e educação, e tende também a provocar um aumento nos preços dos serviços básicos, como comida e habitação além de deteriorar as condições ambientais.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-2186" title=" Refugiados incham Cidades do 3º mundo" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2010/01/haiti3.jpg" alt="" width="500" height="384" /></p>
<p>Os refugiados urbanos costumam viver ao lado de cidadãos locais e imigrantes que buscaram nas cidades uma melhor qualidade de vida, o que tende a gerar tensões entre os dois grupos e, no pior dos casos, xenofobia com resultados catastróficos. Exemplo semelhante aconteceu na cidade de Albina, no Suriname, antiga Guiana Holandesa, onde a comunidade de imigrantes brasileiros ligada à atividade de garimpo foi atacada com golpes de facão e outras armas brancas por moradores locais descendentes de quilombolas.</p>
<p>Neste contexto instável e em constante mudança, o ACNUR enfrenta um desafio básico: como identificar e chegar aos refugiados. “Apesar de se tratar de um problema global, as condições variam enormemente de uma região para outra e a resposta é essencialmente local”. Por esta razão, o ACNUR não só trabalha em cooperação com os governos nacionais, mas também considera de importância crucial o papel dos municípios e autoridades locais, das agências humanitárias e à própria sociedade civil. “Eles podem fazer uma grande diferença”, acrescentou Guterres.</p>
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		<title>Como ganhar a guerra com um soldado desses?</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Nov 2009 15:06:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Antonio Carlos Santini</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Internacionais]]></category>

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		<description><![CDATA[Ao ler o noticiário sobre as guerras que os EUA travam no Iraque e no Afeganistão, lembro-me da guerra do Vietnã e vejo que nada mudou: os generais pedem mais e mais soldados, e o presidente dos EUA, Barack Obama, não consegue negar: “Jamais vou trair os soldados!”, diz o presidente das mudanças. Antes só? A moda vem dos EUA. Uma sociedade ancorada no extremo individualismo e em busca do máximo de conforto e prazer – o tal hedonismo da modernidade! – gera indivíduos incapazes das velhas noções de sacrifício, altruísmo e dedicação à família. Assim, aumenta o número dos que optam por viver sozinhos em um apartamento. Em Estocolmo, Suécia, anos 80, ¾ da população morava em solitários apartamentos da capital. Como pano de fundo, a percepção de que o “outro” incomoda e atrapalha, pede concessões e exige o exercício de doídas virtudes, como paciência, compreensão e, claro, o perdão. Outros valores se sobrepõem à geração e à educação de filhos: fazer carreira, gerir negócios, acumular patrimônio a curto prazo ou, simplesmente, “curtir” a vida. Em paralelo, velhos chavões se repetem: “criança dá muito trabalho”; “pra que botar filho num mundo como este?” Conseqüência? No Brasil, os casais sem filhos subiram de 997 mil em 1997 para 1,94 milhão em 2007. Reina a pedofobia &#8211; a aversão por crianças. E os dinks, sigla do inglês double income and no kids – dupla renda e nenhuma criança, são os novos “casais” que se juntam, mas fogem de filhos como o diabo da cruz. Sinal dos tempos? Procura-se um pai&#8230; Em “O Globo” de 25/09/08 a socióloga da Unicamp Elisabete Dória Bilac apontava novo aspecto do Brasil: já não é padrão obrigatório o casamento com filhos. A “Folha de São Paulo” de 10/08/08 apresentava mulheres que se queixavam da dificuldade em encontrar um companheiro que, além de intimidades, quisesse assumir a paternidade e constituir uma família-padrão. Anúncio de jornal em Porto Alegre proclamava: “Mulher solteira procura homem interessado em ser pai”. Assinava a súplica uma engenheira, 33 anos, com pós-graduação e independência financeira. Até onde se sabe, o candidato não apareceu. Quais as razões dessa fobia?   Tô fora! Um publicitário citado pela “Folha” encolhe-se todo: “A gente se sente um reprodutor. A menina te vê duas, três vezes, e já está pensando em casar e ter filhos. Tô fora!” A promotora de vendas suspira: “Está difícil encontrar alguém disposto a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2009/11/image0013.jpg"><img class="size-full wp-image-1690 aligncenter" title="Como ganhar a guerra com um soldado desses?" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2009/11/image0013.jpg" alt="Como ganhar a guerra com um soldado desses?" width="230" height="230" /></a></p>
<p>Ao ler o noticiário sobre as guerras que os EUA travam no Iraque e no Afeganistão, lembro-me da guerra do Vietnã e vejo que nada mudou: os generais pedem mais e mais soldados, e o presidente dos EUA, Barack Obama, não consegue negar: “Jamais vou trair os soldados!”, diz o presidente das mudanças.<strong> </strong></p>
<p><strong>Antes só?</strong></p>
<p>A moda vem dos EUA. Uma sociedade ancorada no extremo individualismo e em busca do máximo de conforto e prazer – o tal hedonismo da modernidade! – gera indivíduos incapazes das velhas noções de sacrifício, altruísmo e dedicação à família. Assim, aumenta o número dos que optam por viver sozinhos em um apartamento. Em Estocolmo, Suécia, anos 80, ¾ da população morava em solitários apartamentos da capital.</p>
<p>Como pano de fundo, a percepção de que o “outro” incomoda e atrapalha, pede concessões e exige o exercício de doídas virtudes, como paciência, compreensão e, claro, o perdão. Outros valores se sobrepõem à geração e à educação de filhos: fazer carreira, gerir negócios, acumular patrimônio a curto prazo ou, simplesmente, “curtir” a vida.</p>
<p>Em paralelo, velhos chavões se repetem: “criança dá muito trabalho”; “pra que botar filho num mundo como este?” Conseqüência? No Brasil, os casais sem filhos subiram de 997 mil em 1997 para 1,94 milhão em 2007.</p>
<p>Reina a pedofobia &#8211; a aversão por crianças. E os <em>dinks, </em>sigla do inglês <em>double income and no kids</em> – dupla renda e nenhuma criança, são os novos “casais” que se juntam, mas fogem de filhos como o diabo da cruz. Sinal dos tempos?</p>
<p><strong>Procura-se um pai&#8230;</strong></p>
<p>Em “<em>O Globo</em>” de 25/09/08 a socióloga da Unicamp Elisabete Dória Bilac apontava novo aspecto do Brasil: já não é padrão obrigatório o casamento com filhos. A “<em>Folha de São Paulo</em>” de 10/08/08 apresentava mulheres que se queixavam da dificuldade em encontrar um companheiro que, além de intimidades, quisesse assumir a paternidade e constituir uma família-padrão.</p>
<p>Anúncio de jornal em Porto Alegre proclamava: “Mulher solteira procura homem interessado em ser pai”. Assinava a súplica uma engenheira, 33 anos, com pós-graduação e independência financeira. Até onde se sabe, o candidato não apareceu. Quais as razões dessa fobia?</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Tô fora!</strong></p>
<p>Um publicitário citado pela “<em>Folha</em>” encolhe-se todo: “A gente se sente um reprodutor. A menina te vê duas, três vezes, e já está pensando em casar e ter filhos. Tô fora!” A promotora de vendas suspira: “Está difícil encontrar alguém disposto a namorar sério, ser um pai de verdade para o filho que desejo ter”. O advogado é curto e grosso: “Parece que depois dos 30 anos as mulheres andam meio neuróticas com essa idéia de filho. É uma chatice e esfria o namoro. Não tenho vontade de ter filhos”.</p>
<p>Para justificar a opção não-reprodutiva, as finanças aparecem em primeiro lugar. Fica muito caro criar filho, pagar escola de qualidade. Com a má qualidade dos serviços de saúde e de educação do Estado, os filhos oneram e desestimulam o casal.</p>
<p><strong>O pai ausente</strong></p>
<p>Curiosamente, a afirmação do próprio “eu” sempre andou de braços dados com a recusa de filhos. Jean-Jacques Rousseau, profeta do egoísmo, jamais reconheceu legalmente os próprios filhos. Sem dose consistente de altruísmo (outro nome do amor), a paternidade é um peso e a maternidade uma cruz.</p>
<p>O psiquiatra social Tony Anatrella escreve: “Rupturas, medo de se casar, medo de ter filhos: eis três problemas intimamente relacionados entre si, diante dos quais está a família contemporânea. Mas o problema onipresente, deplorado sem cessar há anos, e que pode ser considerado a um só tempo origem e conseqüência de todos os que já mencionamos, é o da “ausência do pai”. Este problema volta sem cessar, como uma queixa, enquanto a maioria dos homens-pais, genitores, que está em seu lugar e se preocupa com o bem-estar e a educação dos filhos, em suma, não desertou. Como não se dá importância alguma ao lugar e ao papel simbólico do pai, os indivíduos já não são convidados a se envolver na busca de vínculos sociais ou amorosos”.</p>
<p>Outro fantasma se infiltra no cenário: uma sociedade feita de indivíduos fechados em seu microcosmo particular, órfãos de si mesmos, sem responsabilidade social, sem amor à pátria. E eu, morrendo de dó do aparentemente bem intencionado Obama, fico pensando na ingenuidade dos generais: como ganhar a guerra com um soldado desses?</p>
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		<title>Países Emergentes e Países Estagnados &#8211; parte 1</title>
		<link>http://www.metro.org.br/afonso/paises-emergentes-e-paises-estagnados</link>
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		<pubDate>Wed, 14 Oct 2009 18:15:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Afonso Machado</dc:creator>
				<category><![CDATA[Energia]]></category>
		<category><![CDATA[Globalização]]></category>
		<category><![CDATA[Internacionais]]></category>

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		<description><![CDATA[Nesses tempos de crise mundial muito se tem falado dos países emergentes. Os países do chamado G7, como eram chamados antes de incorporar a Rússia no G8, arrogantes senhoras e senhores, chefões da Organização do Tratado do Atlântico Norte, OTAN, Senhores das Armas, os novos gendarmes do mundo pós-guerra fria, se deram ao luxo, durante as comemorações dos 200 anos da Revolução Francesa em 1989 de se sentarem em uma mesa separada dos demais chefes de estado. Me lembro do então presidente da República Federativa do Brasil, José Sarney, humilhado junto com outros subdesenvolvidos, sentado numa mesa periférica, longe dos convidados de honra. Certamente a refeição não devia ser a mesma, nem a qualidade dos serviços, nem o vinho. Agora acabou o G8 também. A OTAN ainda não. A OTAN é necessária para não deixar encerrar a corrida armamentista e portanto não deixar em maus lençóis a Indústria de armamentos, grande financiadora das campanhas políticas no primeiro mundo. Vocês já imaginaram se algum maluco propusesse acabar com a OTAN e transferir suas atribuições para o Conselho de Segurança da ONU ampliado e fortalecido? Que pretexto o King Jong Il e o Mahmoud Ahmadinejad teriam para fazer armas nucleares? Um importantíssimo setor da economia mundial estaria em risco, e as consequências seriam imprevisíveis. Centenas de milhares de postos de trabalho seriam extintos! E certamente muitos famintos improdutivos deixariam de morrer nas dezenas de conflitos armados mundo afora. Bem, se não estamos correndo este risco, voltemos ao fim do G8. Agora temos o G20. Por falar em 20 fizemos aqui um levantamento estatístico dos 20 maiores países do mundo, ou melhor 21.  Não são exatamente os do G20, mas poderiam ser. Por que criaram o G20? Por um motivo simples: como o furacão da recente crise mundial colocou em seu “olho” os países do G8, eles convidaram outros comensais do grupo dos “emergentes”, não para o banquete dos 200 anos da Revolução Francesa, mas para um sanduíche frio com refresco, em pé, na carrocinha da esquina. Voltemos ao sanduíche, digo, ao prato principal. O que são países emergentes? Nós só conseguimos entender um conceito se conseguirmos definir seu oposto. Qual é o oposto de países emergentes? Eu responderia: países estagnados, ou seja, aqueles que estão perdendo e cedendo espaço para os emergentes. Admitido o conceito, como medir isto? Estou propondo um indicador muito usado por economistas e geógrafos: a produção de energia [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Nesses tempos de crise mundial muito se tem falado dos países emergentes. Os países do chamado G7, como eram chamados antes de incorporar a Rússia no G8, arrogantes senhoras e senhores, chefões da Organização do Tratado do Atlântico Norte, OTAN, Senhores das Armas, os novos gendarmes do mundo pós-guerra fria, se deram ao luxo, durante as comemorações dos 200 anos da Revolução Francesa em 1989 de se sentarem em uma mesa separada dos demais chefes de estado. Me lembro do então presidente da República Federativa do Brasil, José Sarney, humilhado junto com outros subdesenvolvidos, sentado numa mesa periférica, longe dos convidados de honra. Certamente a refeição não devia ser a mesma, nem a qualidade dos serviços, nem o vinho.</p>
<p>Agora acabou o G8 também. A OTAN ainda não. A OTAN é necessária para não deixar encerrar a corrida armamentista e portanto não deixar em maus lençóis a Indústria de armamentos, grande financiadora das campanhas políticas no primeiro mundo. Vocês já imaginaram se algum maluco propusesse acabar com a OTAN e transferir suas atribuições para o Conselho de Segurança da ONU ampliado e fortalecido? Que pretexto o King Jong Il e o Mahmoud Ahmadinejad teriam para fazer armas nucleares? Um importantíssimo setor da economia mundial estaria em risco, e as consequências seriam imprevisíveis. Centenas de milhares de postos de trabalho seriam extintos! E certamente muitos famintos improdutivos deixariam de morrer nas dezenas de conflitos armados mundo afora.</p>
<p>Bem, se não estamos correndo este risco, voltemos ao fim do G8. Agora temos o G20. Por falar em 20 fizemos aqui um levantamento estatístico dos 20 maiores países do mundo, ou melhor 21.  Não são exatamente os do G20, mas poderiam ser. Por que criaram o G20? Por um motivo simples: como o furacão da recente crise mundial colocou em seu “olho” os países do G8, eles convidaram outros comensais do grupo dos “emergentes”, não para o banquete dos 200 anos da Revolução Francesa, mas para um sanduíche frio com refresco, em pé, na carrocinha da esquina.</p>
<p>Voltemos ao sanduíche, digo, ao prato principal. O que são países emergentes? Nós só conseguimos entender um conceito se conseguirmos definir seu oposto. Qual é o oposto de países emergentes? Eu responderia: países estagnados, ou seja, aqueles que estão perdendo e cedendo espaço para os emergentes. Admitido o conceito, como medir isto?</p>
<p>Estou propondo um indicador muito usado por economistas e geógrafos: <strong>a produção de energia elétrica.</strong> Temos para isto o Relatório 2009 da Statistical Review of World Energy, ou Revista Estatística da Energia Mundial. Optamos pelo indicador de produção de energia elétrica de uso múltiplo: residencial mais produtivo.</p>
<p>Vejamos os resultados. Primeiramente vamos comparar as seis grandes regiões geoeconômicas adotadas por aquela revista:</p>
<p>1) A América do Norte;</p>
<p>2) As Américas do Sul e Central;</p>
<p>3) A Eurásia, ou seja a Europa com a parte da Ásia ligada ao Mediterrâneo ou Mar do Norte;</p>
<p>4) A Ásia Pacífico que abrange a Ásia voltada para o Oceano Pacífico mais a Oceania;</p>
<p>5) O Oriente Médio, parte da Ásia voltada para o Mar Vermelho e o Golfo pérsico;</p>
<p>6) E finalmente a Mama África.</p>
<p>Os gráficos que fizemos são muito simples. Primeiramente são comparadas as seis regiões adotadas, depois uma outra série de gráficos compara os 21 países mais importantes. Como não podemos comparar alhos com bugalhos, os gráficos só são úteis se agruparmos os países por faixas, ou seja, comparamos aqueles que “se embolam” disputando as mesmas colocações.</p>
<p><strong>RESUMO:</strong></p>
<p>O que se está comparando nas tabelas e gráficos?</p>
<p>Resposta: <strong>Produção de Energia Elétrica</strong></p>
<p>Períodos adotados para comparação: <strong>biênios, a partir de 1990 até 2008.</strong></p>
<p>Como é feita a comparação:?</p>
<p>Resposta: Pelo <strong>percentual da participação no Total Mundial</strong> de cada Região ou Continente ou País<strong>.</strong></p>
<p>Fonte: Revista Estatística de Energia Mundial, Relatório 2009</p>
<p style="text-align: center;"><img class="size-medium wp-image-1426 aligncenter" title="Geração de Eletricidade por Continente" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2009/10/image002-500x123.gif" alt="Geração de Eletricidade por Continente" /></p>
<p><strong>1º Gráfico: Comparação das três principais regiões produtoras de energia do mundo</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong><a href="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2009/10/image003.png"><img class="size-full wp-image-1427 aligncenter" title="Comparação das três principais regiões produtoras de energia do mundo" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2009/10/image003.png" alt="Comparação das três principais regiões produtoras de energia do mundo" /></a><br />
</strong></p>
<p><strong>2º Gráfico: Comparação das outras três regiões do mundo. </strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong><a href="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2009/10/image005.png"><img class="size-full wp-image-1428 aligncenter" title="Comparação das outras três regiões do mundo. " src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2009/10/image005.png" alt="Comparação das outras três regiões do mundo. " /></a><br />
</strong></p>
<p><strong>PRODUÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA POR PAÍSES – 21 MAIORES</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong><a title="PRODUÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA POR PAÍSES " href="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2009/10/image008.gif"><img class="aligncenter size-full wp-image-1478" title="image008" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2009/10/image0081.gif" alt="image008" width="500" height="273" /></a><br />
</strong></p>
<p><strong>3º Gráfico: EUA e China: os dois maiores</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong><a href="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2009/10/image009.png"><img class="size-full wp-image-1430 aligncenter" title="EUA e China: os dois maiores" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2009/10/image009.png" alt="EUA e China: os dois maiores" /></a><br />
</strong></p>
<p><strong>4º Gráfico: Japão, Federação Russa e Índia, 3º, 4º e 5º colocados</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong><a href="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2009/10/image011.png"><img class="size-full wp-image-1431 aligncenter" title="Japão, Federação Russa e Índia, 3º, 4º e 5º colocados" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2009/10/image011.png" alt="Japão, Federação Russa e Índia, 3º, 4º e 5º colocados" /></a><br />
</strong></p>
<p><strong>5º Gráfico: Alemanha, Canadá e França, 6º, 7º e 8º colocados</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong><a href="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2009/10/image013.png"><img class="size-full wp-image-1432 aligncenter" title="Alemanha, Canadá e França, 6º, 7º e 8º colocados" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2009/10/image013.png" alt="Alemanha, Canadá e França, 6º, 7º e 8º colocados" /></a><br />
</strong></p>
<p><strong>6º Gráfico: Coréia do Sul, Brasil e Reino Unido: 9º, 10º e 11º lugares</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong><a href="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2009/10/image015.png"><img class="size-full wp-image-1433 aligncenter" title="Coréia do Sul, Brasil e Reino Unido: 9º, 10º e 11º lugares" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2009/10/image015.png" alt="Coréia do Sul, Brasil e Reino Unido: 9º, 10º e 11º lugares" /></a><br />
</strong></p>
<p><strong>7º Gráfico: do 12º ao 17º colocados</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong><a href="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2009/10/image017.png"><img class="size-full wp-image-1434 aligncenter" title="do 12º ao 17º colocados" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2009/10/image017.png" alt="do 12º ao 17º colocados" /></a><br />
</strong></p>
<p><strong>E finalmente, 8º Gráfico do 18º ao 21º lugares</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong><a href="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2009/10/image019.png"><img class="size-full wp-image-1435 aligncenter" title="8º Gráfico do 18º ao 21º lugares" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2009/10/image019.png" alt="8º Gráfico do 18º ao 21º lugares" /></a></strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Leia também a parte II do artigo</strong></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.metro.org.br/afonso/paises-emergentes-e-paises-estagnados-%E2%80%93-parte-2" target="_self"><strong><span style="color: #0000ff;">Países Emergentes e Países Estagnados parte II</span></strong></a></p>
<p><span style="font-size: small;"><strong><br />
</strong></span></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.metro.org.br/afonso/paises-emergentes-e-paises-estagnados/feed</wfw:commentRss>
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		<title>Crônica de Ficção</title>
		<link>http://www.metro.org.br/sebastiao/cronica-de-ficcao</link>
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		<pubDate>Thu, 17 Sep 2009 14:30:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sebastião Verly</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Globalização]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[Voltando de Bologna, na Itália, onde fora visitar meu filho que lá estava estudando, cai nas graças de meu bem apessoado companheiro de poltrona. Comecei a falar, como me apraz, mas ele também adorava ter esse prazer. A Itália, especificamente em Nápoles, passava naqueles dias por um tremendo sufoco com a sujeira e lixo por toda a cidade. O meu novo amigo começou a me explicar o que se passava. Mas antes quis me contar um pouco sobre a famosa Camorra. Falava enfático: Camorra é o único fenômeno mafioso proveniente de um meio urbano. Seu lugar de nascimento é Nápoles, Itália; a data, em torno do início do século XIX. As atividades da Camorra são incontáveis, da agiotagem à extorsão, do contrabando de cigarros ao tráfico de drogas, da importação irregular de carne à fraude à União Européia. Sem esquecer os dois setores &#8220;tradicionais&#8221; de monopólio: o do jogo clandestino e o de produção de cimento. A esses, disse o meu companheiro de viagem, agora juntamos também o lixo. Controlamos o Lixo em todo o mundo. De Nova Delhi a Estocolmo, de Londres a Tegucigalpa, não há no mundo um só lugar onde não estejamos prontos para assumir o controle do lixo. Falou demoradamente como tudo é feito. Primeiro “compram” os parlamentares, depois “compram” os responsáveis pela fiscalização e se encontram algum resistente eles não mandam recado: matam. Pura e simplesmente eliminam quem servir de empecilho para seu avanço devastador. - O senhor, me dizia ele, há de convir que não existe negócio melhor no mundo, quando consideramos que cada pessoa gera em média 1 quilo de lixo por dia. Isso mesmo: 6 bilhões e quinhentos milhões de quilos de lixo por dia. E o governo tem que dar fim a essa porcaria toda. E é aí que a Camorra entra em “parceria” com as empresas nacionais. É mais dinheiro do que rende a droga ou o cimento que temos que dividir com alguns “nacionalistas” como o senhor Antônio (esse nome ele fala bem) Ermirio de vocês. Em outra ocasião tive a oportunidade de assistir em Belo Horizonte a uma palestra promovida pelo Ministério Público Estadual de um promotor italiano engajado na “Operação Mãos Limpas” de combate à Máfia, ou às máfias, principal produto de exportação daquele país nos últimos tempos. O palestrante discorreu sobre o formidável aparato institucional desenvolvido com a finalidade de destrinchar os crimes de natureza financeira, próprios [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-1268 aligncenter" title="image001" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2009/09/image0015.jpg" alt="image001" width="500" height="363" /></p>
<p>Voltando de Bologna, na Itália, onde fora visitar meu filho que lá estava estudando, cai nas graças de meu bem apessoado companheiro de poltrona.</p>
<p>Comecei a falar, como me apraz, mas ele também adorava ter esse prazer.</p>
<p>A Itália, especificamente em Nápoles, passava naqueles dias por um tremendo sufoco com a sujeira e lixo por toda a cidade.</p>
<p>O meu novo amigo começou a me explicar o que se passava. Mas antes quis me contar um pouco sobre a famosa Camorra. Falava enfático:</p>
<p>Camorra é o único fenômeno mafioso proveniente de um meio urbano. Seu lugar de nascimento é Nápoles, Itália; a data, em torno do início do século XIX. As atividades da Camorra são incontáveis, da agiotagem à extorsão, do contrabando de cigarros ao tráfico de drogas, da importação irregular de carne à fraude à União Européia. Sem esquecer os dois setores &#8220;tradicionais&#8221; de monopólio: o do jogo clandestino e o de produção de cimento. A esses, disse o meu companheiro de viagem, agora juntamos também o lixo. Controlamos o Lixo em todo o mundo. De Nova Delhi a Estocolmo, de Londres a Tegucigalpa, não há no mundo um só lugar onde não estejamos prontos para assumir o controle do lixo.</p>
<p>Falou demoradamente como tudo é feito. Primeiro “compram” os parlamentares, depois “compram” os responsáveis pela fiscalização e se encontram algum resistente eles não mandam recado: matam. Pura e simplesmente eliminam quem servir de empecilho para seu avanço devastador.</p>
<p>- O senhor, me dizia ele, há de convir que não existe negócio melhor no mundo, quando consideramos que cada pessoa gera em média 1 quilo de lixo por dia. Isso mesmo: 6 bilhões e quinhentos milhões de quilos de lixo por dia. E o governo tem que dar fim a essa porcaria toda. E é aí que a Camorra entra em “parceria” com as empresas nacionais. É mais dinheiro do que rende a droga ou o cimento que temos que dividir com alguns “nacionalistas” como o senhor Antônio (esse nome ele fala bem) Ermirio de vocês.</p>
<p>Em outra ocasião tive a oportunidade de assistir em Belo Horizonte a uma palestra promovida pelo Ministério Público Estadual de um promotor italiano engajado na “Operação Mãos Limpas” de combate à Máfia, ou às máfias, principal produto de exportação daquele país nos últimos tempos. O palestrante discorreu sobre o formidável aparato institucional desenvolvido com a finalidade de destrinchar os crimes de natureza financeira, próprios da lida mafiosa. Falou sobre a aparatosa “Guardia di Finanza”, corporação fardada comandada por um general oriundo de sua própria estrutura.</p>
<p>Mas a partir do meio da exposição assumiu um tom pessimista dizendo que seu país vivia um período prolongado de estagnação econômica. Contrastando com esse quadro, citou o fato de que novas redes de supermercados e magazines vinha surgindo no sul da Itália, gerando um dinamismo econômico considerável, e principalmente novos empregos. Para fechar a exposição explicou que aquele dinamismo era proveniente da atuação da Máfia Napolitana e da atividade de contrabando de cigarros das repúblicas oriundas da antiga Iugoslávia para a União Européia. Em tom quase depressivo dirigiu-se à platéia de promotores, fiscais, policiais e jornalistas pedindo ajuda: o que vocês fariam numa situação dessas?</p>
<p>Eu ria para não chorar&#8230;</p>
<p>Aonde viemos parar meu Deus?!&#8230; (E eu que pensava que era ateu!)<img class="alignnone size-full wp-image-1268" title="image001" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2009/09/image0015.jpg" alt="image001" width="500" height="363" /></p>
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