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	<title>Fundação Metropolitana &#187; Esportes, Lazer e Turismo</title>
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	<description>Fundação Educacional e Cultural Metropolitana</description>
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		<title>O mundo é uma bola</title>
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		<comments>http://www.metro.org.br/antonio-carlos/o-mundo-e-uma-bola#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 30 Jul 2010 20:15:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Antonio Carlos Santini</dc:creator>
				<category><![CDATA[Comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[Futebol]]></category>

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		<description><![CDATA[Entra em campo a seleção da Alemanha: de uniforme branco, para a alegria de bávaros e berlinenses, perfilam-se o turco Özil, o ganês Boateng, o tunisiano Khedira, o brasileiro Cacau e os poloneses Klose e Podolski. O orgulho nacional entra em transe. Viva a Alemanha! Deutschland übber alles! Do lado oposto, trajando o azul do céu refletido nas águas plácidas do Sena, a gloriosa seleção da França: ao som dos acordes da Marselhesa, cantam emocionados os cidadãos Cissé, da Costa do Marfim, Govou, do Benin, e o trio Evra, Sagna e Diarra, todos estes do Senegal. Le jour de gloire est arrivé! O Atlas humano quebra todas as lógicas e atropela a geografia clássica. Graças ao futebol, o mundo é hoje uma bola&#8230; É bem verdade que as coisas seriam diferentes sem aquele capítulo da História que costumam chamar de colonialismo. Se os navegadores europeus tivessem ficado em sua terra, no máximo a pescar em seus mares vizinhos, como o Mediterrâneo e o Mar do Norte, não veríamos hoje a contramaré multirracial. Mais: se não existissem as atuais desigualdades sociais e econômicas entre três ou quatro mundos diferentes, ninguém deixaria as savanas idílicas da África, pontilhadas de zebras e leões, para dar caneladas em meio ao fog de Wembley. Não pense o leitor que estou a queixar-me dos soluços da História. Ao contrário, saúdo com entusiasmo a hipótese (ou seria a iminência?) de um planeta unificado, em que as diferenças regionais sejam mantidas como saudosismo folclórico, mas os anseios de unidade transnacional superem os bairrismos e os ufanismos patológicos que, ao longo dos séculos, nos levaram a tantos conflitos desnecessários e causaram inimaginável derramamento de sangue. Afinal, nem mesmo nós, os brasileiros descendentes de Caramuru e Paraguaçu, podemos exigir um atestado de brasilidade. Meu sobrenome italiano seria o primeiro a desmentir essa tese. No sobrenome dos antigos presidentes do Brasil se misturam o checo [Kubitschek], o alemão [Geisel] e o português [Silva]. Nossas cidades não conseguem ocultar a nostalgia das terras do imigrante: Nova Trento, Nova Granada, Novo Hamburgo, onde Itália, Espanha e Alemanha se abraçam comovidas. Por tudo isso – e agora, sim, devo lamentar-me – chega às raias da insanidade o projeto de associar nacionalismo e Copa do Mundo, quando os restos de amor à Pátria são usados e abusados pelo marketing sem mais pudores, que não pensa em outra coisa exceto induzir ao consumo e conquistar a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-3382" title="image001" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2010/07/image00115-e1280520886322.jpg" alt="" width="480" height="234" /></p>
<p>Entra em campo a seleção da Alemanha: de uniforme branco, para a alegria de bávaros e berlinenses, perfilam-se o turco Özil, o ganês Boateng, o tunisiano Khedira, o brasileiro Cacau e os poloneses Klose e Podolski. O orgulho nacional entra em transe. Viva a Alemanha! <em>Deutschland übber alles!</em></p>
<p>Do lado oposto, trajando o azul do céu refletido nas águas plácidas do Sena, a gloriosa seleção da França: ao som dos acordes da Marselhesa, cantam emocionados os cidadãos Cissé, da Costa do Marfim, Govou, do Benin, e o trio Evra, Sagna e Diarra, todos estes do Senegal. <em>Le jour de gloire est arrivé!</em><strong><em></em></strong></p>
<p>O Atlas humano quebra todas as lógicas e atropela a geografia clássica. Graças ao futebol, o mundo é hoje uma bola&#8230;</p>
<p>É bem verdade que as coisas seriam diferentes sem aquele capítulo da História que costumam chamar de colonialismo. Se os navegadores europeus tivessem ficado em sua terra, no máximo a pescar em seus mares vizinhos, como o Mediterrâneo e o Mar do Norte, não veríamos hoje a contramaré multirracial. Mais: se não existissem as atuais desigualdades sociais e econômicas entre três ou quatro mundos diferentes, ninguém deixaria as savanas idílicas da África, pontilhadas de zebras e leões, para dar caneladas em meio ao <em>fog</em> de Wembley.</p>
<p>Não pense o leitor que estou a queixar-me dos soluços da História. Ao contrário, saúdo com entusiasmo a hipótese (ou seria a iminência?) de um planeta unificado, em que as diferenças regionais sejam mantidas como saudosismo folclórico, mas os anseios de unidade transnacional superem os bairrismos e os ufanismos patológicos que, ao longo dos séculos, nos levaram a tantos conflitos desnecessários e causaram inimaginável derramamento de sangue.</p>
<p>Afinal, nem mesmo nós, os brasileiros descendentes de Caramuru e Paraguaçu, podemos exigir um atestado de brasilidade. Meu sobrenome italiano seria o primeiro a desmentir essa tese. No sobrenome dos antigos presidentes do Brasil se misturam o checo [Kubitschek], o alemão [Geisel] e o português [Silva]. Nossas cidades não conseguem ocultar a nostalgia das terras do imigrante: Nova Trento, Nova Granada, Novo Hamburgo, onde Itália, Espanha e Alemanha se abraçam comovidas.</p>
<p>Por tudo isso – e agora, sim, devo lamentar-me – chega às raias da insanidade o projeto de associar nacionalismo e Copa do Mundo, quando os restos de amor à Pátria são usados e abusados pelo <em>marketing</em> sem mais pudores, que não pensa em outra coisa exceto induzir ao consumo e conquistar a audiência dos brasileiros.</p>
<p>Não, a seleção não é “a pátria em chuteiras”. É apenas um grupo de profissionais regiamente remunerados que se exibem como artistas de um jogo altamente rentável para seus organizadores. Um cassino atlético, pois não? Esta última Copa do Mundo não economizou cenas em que o individualismo e a procura de brilho pessoal superou de longe o espírito coletivo e algum eventual amor pelas pátrias representadas na terra das <em>vuvuzelas</em>. As infernais <em>vuvuzelas</em>, diria Vovô Tunico!</p>
<p>Se o esporte inclui possibilidades pedagógicas e educativas – e as inclui, por certo, diria Dom Bosco -, é a sua prática, e não sua propaganda comercial, que pode fazer bem à juventude.</p>
<p>E tem mais: dá pena ver crianças chorando na derrota de alguma equipe esportiva. Lágrimas desperdiçadas, que seriam mais bem choradas pelas crianças que passam fome e morrem todos os dias nos conflitos programados pelos traficantes de armas.</p>
<p>Enfim, há algo mais em jogo além do futebol&#8230;</p>
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		<title>Itacambira &#8211; 4ª parte</title>
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		<pubDate>Tue, 17 Nov 2009 14:26:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sânia Campos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Turismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Deixamos as ruínas do rancho e agora convencidos de que o lugar não era apropriado para o nosso lanche, nos dirigimos para a carroceria do carro. Sob a orientação meticulosa do ex-mestre-escoteiro Carlinhos limpamos os sapatos, sacudimos roupas e sacolas para que nosso refeitório ficasse bem limpo e seco. Saboreamos com apetite as quitandas. Encontramos um baralho, mas o tempo foi preenchido por nossas conversas. Cerca de uma hora depois ouvimos gritos do outro lado do “rio”. Eram os dois que ficaram e pareciam querer nos comunicar a chegada. Respondemos com gritos e assovios. Calculei que daí a meia hora ou quarenta minutos eles chegariam. Mas nada! Já havia passado mais de uma hora. E eu além de começar a sentir muito frio, estava preocupada. Dona Coló caminhou um pouco, foi buscar mais argila e tentou se comunicar com eles de novo, mas não houve retorno. Voltou tensa. Entrou no carro e pensava alto: “Então não eram eles. Deve ser gente da Macaúba, citando o povoado mais próximo. Entram escondido para procurar cristal. Eles têm medo do Edivaldo. Perceberam que tinha gente e gritaram para confirmar. Não dava tempo dos dois terem voltado. Lá é muito longe.” Tentava me acalmar, percebia que eu estava aflita. Eu respondi: - Mas o Edivaldo falou que aqui não tem nenhuma alma viva. E o rio? - Não, o rio já deve ter baixado. O rio não ia deter ninguém. O pessoal vem aqui sim, procurar cristal. Eu sei. E foi explicando para me convencer. Mas o tempo passava e nada deles chegarem. Ai a Dona Coló revirou o porta luvas da camionete e achou um rosário. Começou a rezar: “Por tudo quanto sofrestes, pela nossa salvação Põe fim a nossa mágoa, alivia nossa aflição!” E rezou três vezes: “Santa face do Senhor, alivia a nossa dor.” Falamos um pouco de fé, dos sinais que a vida nos dá, ela me contou que todo dia reza o terço na igreja, participa da Pastoral da Criança e que tem um programa de oração na Rádio comunitária, todo dia, de 17 às 18h. E hoje já não ia dar mais tempo. “Mas não tem problema. Quando eu falto o povo cobra depois: Fiquei esperando a hora da oração no Rádio”. Imaginei, então, que na cidade já deviam estar ligados com a nossa demora. Ela ensaiou rezar um terço, mas nos distraímos com a conversa, me contou [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-1704" title="Itacambira - 4° parte" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2009/11/image0015.jpg" alt="Itacambira - 4° parte" width="346" height="228" /></p>
<p>Deixamos as ruínas do rancho e agora convencidos de que o lugar não era apropriado para o nosso lanche, nos dirigimos para a carroceria do carro. Sob a orientação meticulosa do ex-mestre-escoteiro Carlinhos limpamos os sapatos, sacudimos roupas e sacolas para que nosso refeitório ficasse bem limpo e seco. Saboreamos com apetite as quitandas. Encontramos um baralho, mas o tempo foi preenchido por nossas conversas.</p>
<p>Cerca de uma hora depois ouvimos gritos do outro lado do “rio”. Eram os dois que ficaram e pareciam querer nos comunicar a chegada. Respondemos com gritos e assovios. Calculei que daí a meia hora ou quarenta minutos eles chegariam.</p>
<p>Mas nada! Já havia passado mais de uma hora. E eu além de começar a sentir muito frio, estava preocupada. Dona Coló caminhou um pouco, foi buscar mais argila e tentou se comunicar com eles de novo, mas não houve retorno. Voltou tensa. Entrou no carro e pensava alto: “Então não eram eles. Deve ser gente da Macaúba, citando o povoado mais próximo. Entram escondido para procurar cristal. Eles têm medo do Edivaldo. Perceberam que tinha gente e gritaram para confirmar. Não dava tempo dos dois terem voltado. Lá é muito longe.”</p>
<p>Tentava me acalmar, percebia que eu estava aflita. Eu respondi:</p>
<p>- Mas o Edivaldo falou que aqui não tem nenhuma alma viva. E o rio?</p>
<p>- Não, o rio já deve ter baixado. O rio não ia deter ninguém. O pessoal vem aqui sim, procurar cristal. Eu sei. E foi explicando para me convencer.</p>
<p>Mas o tempo passava e nada deles chegarem. Ai a Dona Coló revirou o porta luvas da camionete e achou um rosário. Começou a rezar:</p>
<p>“Por tudo quanto sofrestes, pela nossa salvação</p>
<p>Põe fim a nossa mágoa, alivia nossa aflição!”</p>
<p>E rezou três vezes:</p>
<p>“Santa face do Senhor, alivia a nossa dor.”</p>
<p>Falamos um pouco de fé, dos sinais que a vida nos dá, ela me contou que todo dia reza o terço na igreja, participa da Pastoral da Criança e que tem um programa de oração na Rádio comunitária, todo dia, de 17 às 18h. E hoje já não ia dar mais tempo.</p>
<p>“Mas não tem problema. Quando eu falto o povo cobra depois: Fiquei esperando a hora da oração no Rádio”.</p>
<p>Imaginei, então, que na cidade já deviam estar ligados com a nossa demora. Ela ensaiou rezar um terço, mas nos distraímos com a conversa, me contou sobre a igreja, e sobre os jovens do lugar. Mais meia hora de prosa. E eles finalmente chegaram. E tinham o que contar! Do aperto para atravessar o rio que mais ou menos uns dez minutos depois que passamos, ficou intransponível. Tiveram que esperar mais de uma hora para o rio baixar um pouco, e a travessia foi difícil. Relataram-nos do desassossego até saberem que nós havíamos atravessado. Eles não ouviram nossos gritos. Imaginaram o pior e só se acalmaram quando voltaram para um lugar mais alto da “estrada” e com o binóculo nos avistaram no carro.</p>
<p>Já estava bem tarde, a chuva recomeçava e ainda tínhamos que enfrentar o caminho de volta, cujas condições antes da chuva já não eram nada boas. Eles lancharam rapidamente e nos acomodamos para a volta. No caminho haveria tempo para os relatos de cada um.</p>
<p>E como previa-se, as condições da estrada pioraram e muito. Mas com as orações da Dona Coló, seguíamos em frente. Daí chegamos ao alto da chapada onde se formam piscinas, pequenas lagoas com as águas da chuva. E estas se multiplicaram, a água tomou conta de um longo trecho da estrada. Cada mergulho, um susto.</p>
<p>A chuva engrossou e molhava de novo a Naiara, o Carlinhos e o outro companheiro que nem chegaram a secar. A carroceria do carro ficou inundada e misturou-se com a terra e eu lembrava da preocupação anterior de mantê-la bem limpa.</p>
<p>Chegamos num novo trecho da estrada, esburacado pelas enxurradas, com o solo arenoso e muitos buracos. Num destes buracos, as rodas da lateral direita afundaram e uma delas perdeu o contato com o chão. O carro tombou um pouco para o lado e atolou.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2009/11/image0022.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1705" title="Itacambira - 4° parte" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2009/11/image0022.jpg" alt="Itacambira - 4° parte" width="352" height="264" /></a></p>
<p>E agora? A chuva persistente e grossa.</p>
<p>Descemos todos e depois de várias tentativas, percebemos que para sair dali teríamos muito trabalho.</p>
<p>O Edivaldo, bem experiente, buscou algumas pedras para tentar apoiar o macaco, levantar e calçar o carro. Entrou na poça barrenta debaixo do carro. A estrada parecia um córrego. As rodas da esquerda estavam em terra firme mas arenosa, e as da direita escondidas e afundadas na água. Lamentamos. Porque não trouxemos a “maldita”. Maldita é como trabalhadores rurais chamam a enxada por aqui. Na praça, em Itacambira, há uma homenagem a elas: um monumento com uma enxada e uma garça!</p>
<p>Dona Coló retirava galhos de árvores e pensava em construir pontes, carregava terra e cascalhos com a idéia de firmar a terra. O Carlinhos ponderava que a quantidade do cascalho era pouca, não iria fazer diferença. Ela continuou.</p>
<p>O outro companheiro, espirituoso, para acalmar os ânimos perguntou: “Se o gênio da lâmpada aparecesse aqui e te permitisse três pedidos, quais seriam os seus?</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2009/11/image0031.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1706" title="Itacambira - 4° parte" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2009/11/image0031.jpg" alt="Itacambira - 4° parte" width="185" height="269" /></a></p>
<p>Logo o Carlinhos respondeu: carro cabine dupla, banho e roupa seca. A Naiara seguiu: roupa seca, banho e comida. Dona Coló completou: tirar o carro da lama, banho quente, jantar e agradecer a Deus pela aventura e por todos estarem bem”. O autor da pergunta arrematou: “Eu iria pedir pinga Sabor de Minas, cerveja gelada e lambari frito!”</p>
<p>Eu perdida sem saber como ajudar arriscava palpites: “E se conseguirmos diminuir o volume de água da enxurrada?” Pensei que se a chuva parasse teríamos chances de sair dali. E se a gente colocasse pedras debaixo destas outras rodas também?</p>
<p>O outro companheiro voltou para trás e desapareceu. Naiara e Carlinhos começaram a buscar grandes pedras para escorarmos as rodas e eu os acompanhei. Calçamos todas as rodas e colocamos troncos com orientação do Edivaldo. Subimos na carroceria para fazer peso na rodas da direita. Observamos que a enxurrada reduziu muito.</p>
<p>Todos ansiosos, torcendo para dar certo. Ligou-se o carro e deu certo. Saímos do atoleiro! Gritos de alegria e comemoração. Faltava um, cadê o outro companheiro? Já vem chegando, escutou o barulho do motor. Daí nos explicou que ouviu minha idéia de reduzir o volume de água da enxurrada e fez algumas barreiras e desvios estrada acima. A vitória era coletiva, de todos!</p>
<p>Agora era acabar de chegar. Dona Coló rezava baixinho e dizia “Misericórdia” a cada desafio da estrada. Chegamos na rodovia encascalhada e agora era seguro. Neblina, muita neblina! Seguimos até a cidade que estava fria e totalmente encoberta pela neblina. Cruzamos com o carro do Sr Geraldo, esposo da Dona Coló que já ia nos procurar. Mas com aquele carro pequeno, seria impossível enfrentar as trilhas.</p>
<p>Caso esta chuva continue não vai sobrar nenhum caminho ou trilha, pensei.</p>
<p>Na porta do hotel, apreensivos, alguns moradores nos aguardavam.</p>
<p>E logo vários causos de outros visitantes e aventuras. Numa delas, um grupo de pesquisadores da USP, Universidade de São Paulo que estiveram por lá, e pela descrição deviam ser geólogos pesquisando as riquezas minerais, inexperientes, afundaram com o carro numa daquelas piscinas. O carro foi arrastado e eles tiveram que passar a noite ensopados no meio dos eucaliptos. A sorte deles foi que a janela do carro estava aberta e eles conseguiram pular fora, e a pinga que carregavam, que os salvou do frio.</p>
<p>O outro companheiro comentou, impressionado com a intuição feminina: “Tiveram o aviso de voltar na hora certa! Porque mais dez minutos não seria possível atravessar o rio. Ficaríamos desabrigados do outro lado e com a friagem, molhados, riscos de ataques de animais como onça&#8230;”</p>
<p>E eu pensei baixinho, com certa ironia: com aquela chuva cada vez mais grossa, a enxurrada forte que descia, só mesmo muita intuição para deduzir e perceber que o rio ia encher e já havia passado a hora de voltar.</p>
<p>Nós agora tomamos banhos quentes, chá com ervas colhidas no caminho pela Dona Coló e servido com umas gotas de pinga da roça pra ninguém resfriar. Jantamos com apetite.</p>
<p>Senti que o joelho inchava, mas a argila branca aliviou logo a dor.</p>
<p>Na beira do fogão a lenha recontávamos a aventura, ouvíamos outros causos e esquentamos o coração e o corpo para dormirmos em paz.</p>
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		<title>Itacambira &#8211; terceira parte</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Nov 2009 17:20:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sânia Campos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Turismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Iniciamos nossa caminhada. Estávamos descendo uma das encostas da Chapada conhecida como “Água Limpa”, que faz parte da Serra do Espinhaço, serra que começa perto de Ouro Preto, Minas Gerais, ruma para noroeste na direção de Belo Horizonte, e daí vai decididamente para o Norte, separando as bacias do rio São Francisco das bacias do leste, assumindo várias formas como a Serra do Cipó, o Serro, Diamantina, passa por Itacambira, Grão Mogol e segue na direção do Estado da Bahia onde forma a Chapada Diamantina. Quem conhece estes lugares sabe do perigo que representam as “trombas d’água”, chuvas que caem de uma só vez gerando grandes enchentes. O céu estava nublado, o que por si só não é incomum nessas altitudes de mais de 1300 metros. Mas o forte mormaço é que preocupava o guia, pois era o prenúncio da temida “tromba d’água”. Logo tivemos que atravessar dois braços do córrego Mocó, que neste lugar forma uma pequena ilha. Cuidadosamente tiramos nossas meias e tênis para que não molhassem. Trabalho danado para colocar de novo. Mas comentou-se: “não quero andar de tênis molhado porque fica muito pesado.” Eu pensei: deve ser por isto que eu prefiro caminhar sem sapatos nem chinelos. Mas me avisaram que aqui não seria possível. “Eta trabalheira!” Apesar de raso, havia muitas pedras escorregadias no fundo, então a travessia era lenta. Voltamos à terra firme, ou melhor mais ou menos firme, porque em alguns trechos havia muitas pedras soltas e era muito escorregadio. A estrada foi tomada em algumas partes por espinho de lobeira, capim navalha, cipó cortante, gravatá e unha-de-gato. Era preciso ser atento e forte. Daí a cinco minutos começa uma chuva. O céu fechou! Continuamos nossa caminhada e logo percebemos como foi inútil tirarmos as meias e calçados para que não molhassem no rio. A chuva engrossou, mas para não “morrermos na praia”, ninguém titubeou. Todos com coragem  e determinação seguiam em frente. E a chuva engrossava mais e mais. Subíamos a estrada morro acima rumo ao divisor de águas dos córregos Mocó e Mocozinho. E ela ia se transformando num córrego tal o volume da enxurrada que descia. Não era possível ver o piso da estrada, ou a trilha que um dia foi estrada. Até os buracos imensos feitos pelos tatus canastra ficavam encobertos e de vez em quando afundávamos neles. Naiara, minha filha mais velha, bióloga, observava e nos esclarecia sobre [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2009/11/itacambira3.JPG"><img class="aligncenter size-full wp-image-1670" title="Itacambira - terceita parte" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2009/11/itacambira3.JPG" alt="Itacambira - terceita parte" width="400" height="300" /></a></p>
<p>Iniciamos nossa caminhada. Estávamos descendo uma das encostas da Chapada conhecida como “Água Limpa”, que faz parte da Serra do Espinhaço, serra que começa perto de Ouro Preto, Minas Gerais, ruma para noroeste na direção de Belo Horizonte, e daí vai decididamente para o Norte, separando as bacias do rio São Francisco das bacias do leste, assumindo várias formas como a Serra do Cipó, o Serro, Diamantina, passa por Itacambira, Grão Mogol e segue na direção do Estado da Bahia onde forma a Chapada Diamantina. Quem conhece estes lugares sabe do perigo que representam as “trombas d’água”, chuvas que caem de uma só vez gerando grandes enchentes. O céu estava nublado, o que por si só não é incomum nessas altitudes de mais de 1300 metros. Mas o forte mormaço é que preocupava o guia, pois era o prenúncio da temida “tromba d’água”.</p>
<p><a href="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2009/11/itacamb3.JPG"><img class="aligncenter size-full wp-image-1669" title="Itacambira - terceita parte" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2009/11/itacamb3.JPG" alt="Itacambira - terceita parte" width="400" height="300" /></a></p>
<p style="text-align: left;">Logo tivemos que atravessar dois braços do córrego Mocó, que neste lugar forma uma pequena ilha. Cuidadosamente tiramos nossas meias e tênis para que não molhassem. Trabalho danado para colocar de novo. Mas comentou-se: “não quero andar de tênis molhado porque fica muito pesado.” Eu pensei: deve ser por isto que eu prefiro caminhar sem sapatos nem chinelos. Mas me avisaram que aqui não seria possível. “Eta trabalheira!” Apesar de raso, havia muitas pedras escorregadias no fundo, então a travessia era lenta. Voltamos à terra firme, ou melhor mais ou menos firme, porque em alguns trechos havia muitas pedras soltas e era muito escorregadio. A estrada foi tomada em algumas partes por espinho de lobeira, capim navalha, cipó cortante, gravatá e unha-de-gato. Era preciso ser atento e forte.</p>
<p style="text-align: left;"><a href="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2009/11/itacam3.JPG"><img class="aligncenter size-full wp-image-1671" title="Itacambira - terceita parte" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2009/11/itacam3.JPG" alt="Itacambira - terceita parte" width="400" height="300" /></a></p>
<p>Daí a cinco minutos começa uma chuva. O céu fechou! Continuamos nossa caminhada e logo percebemos como foi inútil tirarmos as meias e calçados para que não molhassem no rio. A chuva engrossou, mas para não “morrermos na praia”, ninguém titubeou. Todos com coragem  e determinação seguiam em frente.</p>
<p>E a chuva engrossava mais e mais. Subíamos a estrada morro acima rumo ao divisor de águas dos córregos Mocó e Mocozinho. E ela ia se transformando num córrego tal o volume da enxurrada que descia. Não era possível ver o piso da estrada, ou a trilha que um dia foi estrada. Até os buracos imensos feitos pelos tatus canastra ficavam encobertos e de vez em quando afundávamos neles. Naiara, minha filha mais velha, bióloga, observava e nos esclarecia sobre os tipos de árvores que margeavam a estrada, o cerrado sujo: vinheiro preto, pau d’óleo, barbatimão, canela de ema&#8230;</p>
<p>E eu comecei a cismar. Estávamos ensopados, a chuva não dava sinal de trégua e a enxurrada descia para o córrego. E nós não tínhamos nenhuma forma de nos abrigar ou acampar do lado de cá do rio. E estava esfriando.</p>
<p>O Edivaldo, que era motorista e guia e o companheiro que já conhecia o local caminhavam mais rápido e estavam mais à frente, a perder de vista. Lembrei que o lanche estava com eles.</p>
<p>Depois de mais de uma hora de subida, debaixo do toró, decidi: “eu quero voltar!” Eles queriam chegar lá até o córrego Mocozinho, depois da outra vertente, mais meia hora de caminhada. Eu peguei o lanche e sem consultar os outros companheiros de aventura, mas sentindo a aprovação da Dona Coló, a falta de opção da Naiara e apesar da contrariedade de seu então namorado Carlinhos, ex-mestre de escotismo, que guiava adolescentes em caminhadas ecológicas, decidi voltar. Nós quatro então demos “meia volta, volver!’</p>
<p>Agora a descida escorregava que nem quiabo. Tentei apressar o passo e o Carlinhos me disse: Não adianta correr agora. A água da enxurrada vai chegar no córrego antes de você!”</p>
<p>Que sufoco! Chuva que não pára, pedras e barro, buraco de tatu canastra encoberto pela água, literalmente alguns trechos da estradinha viraram córregos. Escorreguei e torci o joelho. Que susto! Pensei que ia travar. Mas consegui levantar, esticar e não tive outra saída a não ser esquecer o joelho e seguir em frente. Dona Coló também escorregou, mas foi só um arranhão leve e se levantou. O Carlinhos cortou um galho de árvore e preparou uma bengala, ou melhor um cajado. Ficou sem graça de preparar o meu e ofender a sogra. Sim, porque ele, caminhante velho de guerra, agora teria que adaptar as técnicas para a “terceira idade”.</p>
<p>Dona Coló pensou que se cantássemos, nossa tensão diminuiria. Bem que a Naiara e o Carlinhos tentaram, mas não foram felizes na escolha da música:</p>
<p align="center">“Sabiá danado do bico dourado&#8230;</p>
<p align="center">Capim que ele come é capim do alagado</p>
<p align="center">O capim do alagado é capim do meu amor</p>
<p align="center">Sabiá danado do bico dourado!”</p>
<p>Como nós nos sentíamos alagados, a canção não nos inspirou.</p>
<p>E o córrego, ou melhor, o rio? “Não adianta preocupar. Vamos pensar no rio quando lá chegar” ponderou o Carlinhos, fingindo calma. E para nos tranqüilizar, relatou que como escoteiro teve vários treinamentos e portanto, era doutor em técnicas de sobrevivência na selva, fez cursos de primeiros socorros e até de resgate em rios. Não imaginava o efeito que estas informações tiveram. Fiquei aflita, só de pensar na hipótese  de que ele teria que aplicar todos esses conhecimentos, que eu temia serem mais teóricos que práticos, ali, conosco.</p>
<p>Finalmente avistamos o córrego Mocó, agora promovido a rio, e que rio! As pedras e o  trecho da margem que na ida nos serviu de “toilette”, agora estavam totalmente encobertos pelas águas rebeladas. E agora? Será que conseguiríamos atravessar? Este primeiro braço era mais estreito e na vinda tinha sido o mais fácil de atravessar. Vamos arriscar!</p>
<p>Com o galho de árvore, o Carlinhos testou a profundidade e avaliamos que ainda era possível. Fomos um a um, com apoio do Carlinhos e agora cada um tinha seu cajado. Chegamos na ilha. E o segundo braço do rio? Muito mais cheio e bravo. Mais largo também. Agora a água já puxava, e o risco de uma nova enchente (cabeça d’água) e de que o volume da água subisse rapidamente era real. Mas com  fé e coragem decidimos ir em frente. Ficar aqui só ia nos complicar. A dona Coló se prontificou a ir em primeiro lugar, depois que o Carlinhos atravessou e sentiu a situação. Ao caminhar para o rio ela tropeçou e caiu sentada, mas não se machucou. Então rapidamente atravessamos para a outra margem.</p>
<p>Neste momento fiquei preocupada com os dois que ficaram para trás, porque o rio enchia. Mas eles não eram marinheiros de primeira viagem.</p>
<p>Que bom! A chuva parou e, olhando para o céu, entre as nuvens surgia o azul para o lado do Mocozinho, para onde eles foram. Daí pensamos que a enchente ia passar.</p>
<p>Neste instante meus companheiros de viagem calaram e demonstraram certa frustação: “Será que não deveríamos ter seguido até o nosso destino?”. Percebi que até a Dona Coló estava um pouco arrependida do nosso recuo. E eu me senti meio culpada, por trazê-los de volta. Afinal viajamos mais de 400 km desde Belo Horizonte, e aquela era a aventura principal!</p>
<p>Ainda faltava mais meia hora de caminhada até o carro: subida, e que subida! No meio do caminho encontramos argila branca, segundo dona Coló, medicinal. Ela garante que cura até câncer. Se o meu joelho doesse seria um ótimo remédio. Esquenta-se num pano e aplica-se por quinze minutos, serve para cólicas, dores musculares. Cavamos com as mãos e trouxemos o que conseguimos colocar numa sacola plástica.</p>
<p>Resolvi abrir a mochila para trocar de blusa porque estava com muito frio. Que ilusão! Dentro da mochila tudo estava encharcado, blusas, cangas, carteira com  dinheiro, cheques e documentos. A filmadora também molhou. Mais uma lição para aventureiros do eco turismo: o que carregar e como?</p>
<p>Chegamos onde estava o carro, nas ruínas do rancho dos garimpeiros. Logo a Naiara sugeriu: “Vamos comer os biscoitos?”, e já se acomodou na estrutura de banco de jirau. No chão estava uma poça de lama. Então o Carlinhos ponderou que preferia lanchar na carroceria do carro, porque os “mosquitinhos pólvora” nesse momento atormentavam a todos, nos braços, no pescoço, mas principalmente na cara e nos olhos. Mas Naiara faminta não queria se deslocar. Então eu e a dona Coló aderimos a idéia do lanche e fomos nos acomodar na estrutura de troncos, que parecia ter sido construída para ser uma cama. Dona Coló sentou-se num canto e eu, depois de colocar o pote de biscoitos no meio,  fui me assentar no outro canto. E, num segundo, os troncos podres quebraram  num estrondo. E eu só não me esborrachei no chão de lama, porque os braços e as pernas ficaram dependuradas nos troncos mais fortes da estrutura da cama que resistiram. Consegui salvar o lanche segurando o pote que quase virou. Só caiu um biscoito, o que foi profundamente lamentado pela Naiara, que me via dependurada e disse: “Oh, que pena! Caiu um biscoito!”</p>
<p>Vivendo esta cena eu é que rachei de tanto dar gargalhada. Ri da barriga doer.</p>
<p>Mas tenham paciência que a aventura vai continuar. Até breve!</p>
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		<title>Itacambira, Parte 2</title>
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		<pubDate>Wed, 28 Oct 2009 19:07:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sânia Campos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Turismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Finalmente na quarta-feira, dia 31 de janeiro de 2007, fui conhecer Itacambira com suas águas, ou como gosta de dizer uma historiadora de lá, as águas que batizaram a guerreira Diadorim. Um amigo que freqüenta Itacambira há mais de 30 anos me disse que quando conheceu o lugar se enfeitiçou. Encantou-se com o lugar que lhe lembrou Xangrilá, do filme Horizonte Perdido, pela pureza das águas e pela inocência do povo. Lá todo mundo é bom até que prove o contrário, até os maus que por lá chegam recuperam o crédito inicial para o recomeço, dizia ele, lembrando Augusto Matraga, personagem central do último conto de Sagarana, de Guimarães Rosa. A visita à Chapada era a mais aguardada por ser um lugar isolado e preservado. A camionete “de tração” era fundamental pois a estrada estava bastante destruída com as chuvas. Ela só ficou disponível na quinta-feira quase onze horas da manhã. Como já estava um pouco tarde, adiamos a ida à Chapada para o dia seguinte, sexta-feira. Naquele dia iríamos à igreja matriz tricentenária, ao mirante tirar fotos e visitar a cachoeira Encantado que é mais próxima da cidade e é a mais usada pelos visitantes locais. A Dona Colo, que é a dona da pensão, ainda não conhecia a Chapada se animou a ir conosco. Ela carrega muita disposição e jovialidade nos seus sessenta anos, que havia completado no dia 2 de janeiro. Separou biscoitos e roscas para nosso lanche. Paisagem muito linda! Saímos da estrada, rodovia de terra que liga Itacambira a Montes Claros e pegamos o caminho da Chapada. E aí, já começaram as emoções! Eu e a Dona Coló fomos na boléia com nosso guia e motorista, o Edivaldo, e os outros companheiros de viagem foram na carroceria aberta, rosto ao vento. A camionete, tração nas quatro rodas impressionou-me e senti segurança no motorista. Atravessamos CADA buraco, poças d`água e o resto de uma estrada que foi destruída pelas chuvas e pelo abandono. “Misericórdia” era o que dizia dona Coló diante de cada desafio da estrada, quando o trecho ficava pior. Mas ela falava com humor e alegria, sem medo. Ufa! Finalmente chegamos onde o carro deveria parar para seguirmos a pé. No local havia os escombros de um ranchinho de pau-a-pique, coberto por telha de amianto, construído por garimpeiros em busca de cristal. Ainda estava ali um fogão de pedra, e, além da minúscula cozinha, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2009/10/image0017.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1559" title="Itacambira, Parte 2" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2009/10/image0017.jpg" alt="Itacambira, Parte 2" width="500" height="301" /></a></p>
<p>Finalmente na quarta-feira, dia 31 de janeiro de 2007, fui conhecer Itacambira com suas águas, ou como gosta de dizer uma historiadora de lá, as águas que batizaram a guerreira Diadorim. Um amigo que freqüenta Itacambira há mais de 30 anos me disse que quando conheceu o lugar se enfeitiçou. Encantou-se com o lugar que lhe lembrou Xangrilá, do filme Horizonte Perdido, pela pureza das águas e pela inocência do povo. Lá todo mundo é bom até que prove o contrário, até os maus que por lá chegam recuperam o crédito inicial para o recomeço, dizia ele, lembrando Augusto Matraga, personagem central do último conto de Sagarana, de Guimarães Rosa.</p>
<p>A visita à Chapada era a mais aguardada por ser um lugar isolado e preservado. A camionete “de tração” era fundamental pois a estrada estava bastante destruída com as chuvas. Ela só ficou disponível na quinta-feira quase onze horas da manhã. Como já estava um pouco tarde, adiamos a ida à Chapada para o dia seguinte, sexta-feira. Naquele dia iríamos à igreja matriz tricentenária, ao mirante tirar fotos e visitar a cachoeira Encantado que é mais próxima da cidade e é a mais usada pelos visitantes locais.</p>
<p>A Dona Colo, que é a dona da pensão, ainda não conhecia a Chapada se animou a ir conosco. Ela carrega muita disposição e jovialidade nos seus sessenta anos, que havia completado no dia 2 de janeiro. Separou biscoitos e roscas para nosso lanche.</p>
<p>Paisagem muito linda! Saímos da estrada, rodovia de terra que liga Itacambira a Montes Claros e pegamos o caminho da Chapada. E aí, já começaram as emoções!</p>
<p>Eu e a Dona Coló fomos na boléia com nosso guia e motorista, o Edivaldo, e os outros companheiros de viagem foram na carroceria aberta, rosto ao vento. A camionete, tração nas quatro rodas impressionou-me e senti segurança no motorista. Atravessamos CADA buraco, poças d`água e o resto de uma estrada que foi destruída pelas chuvas e pelo abandono. “Misericórdia” era o que dizia dona Coló diante de cada desafio da estrada, quando o trecho ficava pior. Mas ela falava com humor e alegria, sem medo.</p>
<p>Ufa! Finalmente chegamos onde o carro deveria parar para seguirmos a pé. No local havia os escombros de um ranchinho de pau-a-pique, coberto por telha de amianto, construído por garimpeiros em busca de cristal. Ainda estava ali um fogão de pedra, e, além da minúscula cozinha, no outro canto foi construído um espaço para dormirem, com duas estruturas de jirau para se colocar uma lona, que serviria de lençol sobre capim seco para suavizar a dureza dos troncos finos de madeira.</p>
<p>Na área da chapada não é permitida caça nem garimpo por iniciativa dos proprietários. A idéia é preservar. Ao contrário das áreas devastadas, de algumas plantações de eucaliptos e da destruição da fauna e da flora que vimos ao longo da estrada, na chapada a vegetação do cerrado, embora rala, e apesar de um incêndio devastador ocorrido em 1997, ainda está razoavelmente preservada e muitos animais silvestres deixam por ali seus rastros. São os mocós, pacas, tatus-canastras que deixam seus imensos buracos, tamanduás, lobos-guará e até onças pintadas.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2009/10/image0033.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1560" title="Itacambira, Parte 2" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2009/10/image0033.jpg" alt="Itacambira, Parte 2" width="500" height="301" /></a></p>
<p>Há um movimento para a construção de um parque ecológico já em negociação com o Estado, e a ONG Itacambira Verde, que tem o site www.itacambiraverde.com.br, promove campanhas educativas através de palestras nas escolas e da colocação de placas nos principais acessos à cidade e à chapada. Além de preservar o meio ambiente, a Itacambira Verde mostra que este é fundamental para a geração de trabalho e renda para a população local, mais ainda agora em 2009 quando o asfalto está chegando à cidade, facilitando o acesso dos turistas, vindos principalmente de Montes Claros e Bocaiúva, mas também de Belo Horizonte.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2009/10/image0051.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1561" title="Itacambira, Parte 2" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2009/10/image0051.jpg" alt="Itacambira, Parte 2" width="500" height="327" /></a></p>
<p>Sentimos que é necessário apontar para um novo padrão de atividades econômicas sustentáveis que substituam as predatórias tradicionais (garimpo, caça, produção de carvão vegetal), e permitam a participação e a melhoria efetiva da geração de trabalho, renda e qualidade de vida.</p>
<p>As riquezas naturais do lugar, as cachoeiras, vegetação e a biodiversidade precisam ser reconhecidas e valorizadas pela comunidade local. Uma vez descrito o cenário voltaremos em breve ao nosso relato.</p>
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		<title>Itacambira, o Horizonte Perdido de Diadorim</title>
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		<pubDate>Tue, 20 Oct 2009 15:05:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sânia Campos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Turismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Itacambira em tupi-guarani significa pedra pontuda que sai do mato. Um verso anônimo diz: “Cidade pequena Tem belas morenas Parece um jardim! Tem ouro, tem gado Tem céu estrelado Riqueza sem fim!” REGISTROS DE VIAGEM Dia 01/02/2007 Em pleno verão, mês de fevereiro, eu e mais três companheiros de viagem estamos a 1100 metros de altitude curtindo o frio do Alto Jequitinhonha, norte de Minas Gerais, em Itacambira. Cercada de muitas serras, na cadeia do Espinhaço, região de cerrado. A vegetação já foi destruída em muitos trechos e substituída pelo deserto verde, a monocultura de eucaliptos. Região que já foi rica em minério. Ainda hoje há muito cristal e possibilidades de outros minerais. Pelas histórias, percebe-se o quanto foi explorada: ambição e cobiça, conflitos por terras e pedras preciosas, semelhante a tantas outras cidades deste Vale do Jequitinhonha. Hoje guarda a riqueza das águas: cachoeiras e muitos rios. Cidade de uma rua, poucas casas, mais ou menos seis mil moradores, a maior parte vivendo na zona rural. A igreja matriz, singular em seu estilo barroco oriental, de mais de 300 anos. Uns historiadores falam que ela foi erguida em 1707, outros livros registram 1689. Mas uma coisa é certa: no momento mais emocionante do Grande Sertão Veredas, de Guimarães Rosa, foi lá que o jagunço Riobaldo concluiu sua busca, encontrando o batistério de Maria Deodorina da Fé Betancourt Marins, o Diadorim, “que nasceu para guerrear sem nunca ter medo e viveu para muito amar sem gozo de amor”. Merece ser lembrada a música “O romance de Riobaldo e Diadorim”, composta e interpretada por Antonio Nóbrega: “Quando eu vi aqueles olhos, Verdes como nenhum pasto, Cortantes palhas de cana, De lembrá-los não me gasto. Desejei não fossem embora, E deles nunca me afasto. Vivemos a desventura De um mal de amor oculto, Que cresceu dentro de nós Como sombra, feito um vulto. Que não conheceu afago, Só guerra, fogo e insulto. Na noite-grande-fatal, O meu amor encantou-se. Desnudo corpo inteiro Desencantado mostrou-se. E o que era um segredo, Sem mais nada revelou-se. Sob as roupas de jagunço, Corpo de mulher eu via. A Deus, já dada, sem vida, O vau da minha alegria. E assim Diadorim&#8230; Minha incontida sangria.&#8221; Tem gente que diz que estaríamos voltando no tempo cerca de 200 anos atrás. Claro que há um certo exagero neste número. Mas é muito mágico voltar para um lugar que nos remete às [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Itacambira em tupi-guarani significa pedra pontuda que sai do mato. Um verso anônimo diz:</p>
<p style="text-align: center;">“Cidade pequena</p>
<p style="text-align: center;">Tem belas morenas</p>
<p style="text-align: center;">Parece um jardim!</p>
<p style="text-align: center;">Tem ouro, tem gado</p>
<p style="text-align: center;">Tem céu estrelado</p>
<p style="text-align: center;">Riqueza sem fim!”</p>
<p align="center">
<p align="center"><a href="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2009/10/itacambira.JPG"><img class="aligncenter size-full wp-image-1498" title="Itacambira, o Horizonte Perdido de Diadorim" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2009/10/itacambira.JPG" alt="Itacambira, o Horizonte Perdido de Diadorim" width="500" height="375" /></a></p>
<p><strong>REGISTROS DE VIAGEM</strong></p>
<p><span style="text-decoration: underline;">Dia 01/02/2007</span></p>
<p>Em pleno verão, mês de fevereiro, eu e mais três companheiros de viagem estamos a 1100 metros de altitude curtindo o frio do Alto Jequitinhonha, norte de Minas Gerais, em Itacambira. Cercada de muitas serras, na cadeia do Espinhaço, região de cerrado. A vegetação já foi destruída em muitos trechos e substituída pelo deserto verde, a monocultura de eucaliptos. Região que já foi rica em minério. Ainda hoje há muito cristal e possibilidades de outros minerais. Pelas histórias, percebe-se o quanto foi explorada: ambição e cobiça, conflitos por terras e pedras preciosas, semelhante a tantas outras cidades deste Vale do Jequitinhonha. Hoje guarda a riqueza das águas: cachoeiras e muitos rios.</p>
<p>Cidade de uma rua, poucas casas, mais ou menos seis mil moradores, a maior parte vivendo na zona rural. A igreja matriz, singular em seu estilo barroco oriental, de mais de 300 anos. Uns historiadores falam que ela foi erguida em 1707, outros livros registram 1689. Mas uma coisa é certa: no momento mais emocionante do Grande Sertão Veredas, de Guimarães Rosa, foi lá que o jagunço Riobaldo concluiu sua busca, encontrando o batistério de Maria Deodorina da Fé Betancourt Marins, o Diadorim, “que nasceu para guerrear sem nunca ter medo e viveu para muito amar sem gozo de amor”.</p>
<p>Merece ser lembrada a música “O romance de Riobaldo e Diadorim”, composta e interpretada por Antonio Nóbrega:</p>
<p style="text-align: center;">“Quando eu vi aqueles olhos,</p>
<p align="center">Verdes como nenhum pasto,</p>
<p align="center">Cortantes palhas de cana,</p>
<p align="center">De lembrá-los não me gasto.</p>
<p align="center">Desejei não fossem embora,</p>
<p align="center">E deles nunca me afasto.</p>
<p align="center">
<p align="center">Vivemos a desventura</p>
<p align="center">De um mal de amor oculto,</p>
<p align="center">Que cresceu dentro de nós</p>
<p align="center">Como sombra, feito um vulto.</p>
<p align="center">
<p align="center">Que não conheceu afago,</p>
<p align="center">Só guerra, fogo e insulto.</p>
<p align="center">Na noite-grande-fatal,</p>
<p align="center">O meu amor encantou-se.</p>
<p align="center">
<p align="center">Desnudo corpo inteiro</p>
<p align="center">Desencantado mostrou-se.</p>
<p align="center">E o que era um segredo,</p>
<p align="center">Sem mais nada revelou-se.</p>
<p align="center">
<p align="center">Sob as roupas de jagunço,</p>
<p align="center">Corpo de mulher eu via.</p>
<p align="center">A Deus, já dada, sem vida,</p>
<p align="center">O vau da minha alegria.</p>
<p align="center">
<p align="center">E assim Diadorim&#8230;</p>
<p align="center">Minha incontida sangria.&#8221;</p>
<p>Tem gente que diz que estaríamos voltando no tempo cerca de 200 anos atrás. Claro que há um certo exagero neste número. Mas é muito mágico voltar para um lugar que nos remete às histórias que ouvimos ou vivemos na infância, lembrar os sabores da cozinha do interior, das fazendas.</p>
<p>Hotel da Dona Coló. Galinha caipira, sabor indescritível. Tudo se planta e colhe por aqui. Não há produtos industrializados nem latarias nas nossas refeições. Farinha de mandioca, o feijão novo, angu e o quiabo feitos no fogão a lenha, com banha de porco. Quitandas, roscas e biscoitos assados no forno de barro no quintal. Leite vindo da fazenda, café colhido, torrado e moído na casa. Doces caseiros de leite, marmelo. Que delícia! Cozinha ampla, onde fica a mesa grande, lugar de saborear a vida, as histórias e a convivência.</p>
<p>E ainda temos a presença do papagaio, louro falante que nos acorda assoviando músicas e chamando a dona da casa, gritando bom dia. E não poderia faltar o cachorro Veludo.</p>
<p>À noite, vamos nos esquentar em torno do fogão aceso e contar os causos. Aqui, ainda as pessoas e as famílias se reúnem para uma boa prosa. As tecnologias chegam devagar: a TV, os carros e muitas motos que substituem o cavalo como transporte. Mas o silêncio da madrugada só é interrompido pelo canto dos galos.</p>
<p><strong>Quanta boniteza!</strong></p>
<p>Impressiona-me a alegria da Dona Coló. Hospitaleira, preocupada em receber bem, com comida farta. Ontem à noite eu observava a preocupação dela: será que a comida foi suficiente para todos? Corria e preparava mais feijão, oferecia ovos fritos. Eu tive vontade de dizer a ela que ficasse tranqüila, que todos estavam bem servidos, já eram quase 22 horas. E o chá, com aquelas ervas e umas gotas de pinga, foi uma ótima idéia para esquentar a todos e prevenir possíveis resfriados e gripes. Afinal a aventura do dia foi ousada.</p>
<p>Aventura? Que aventura? Será possível descrevê-la? Prometo tentar. Até breve!</p>
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		<title>No fim do mundo tem um tesouro</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Sep 2009 15:41:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sânia Campos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Turismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Hoje dia 16 de setembro, às 22 horas, quase no final de mais uma noite de aulas, percebo mais uma vez o cansaço dos estudantes do curso de Gestão da Produção Industrial. A maior parte dos meus alunos neste curso vem direto do ”chão da fábrica” para a faculdade. Desde a aula anterior me chamou atenção o semblante de um aluno que conheço desde o início do ano e que agora está visivelmente abatido. Aproximei-me e perguntei: - Você parece cansado, é o calor? Ele me respondeu rapidamente: - Professora, estou disposto a pagar e bem para quem tiver tempo para me vender. A resposta provocou um debate sobre o tempo e a sociedade atual, tempo e o mundo do trabalho, principalmente o trabalho na indústria. Prometi levar o curta metragem “Vão dos Buracos”, que fala da vida em um local muito remoto e preservado no Norte de Minas para eles assistirem. Mas também me vieram as memórias de Candeias, uma comunidade na Serra do Cipó. E ai as palavras foram passando para o texto&#8230;.. &#8230;.Candeias&#8230;.. À poeira da estrada e ao calor juntou-se a demora em chegar. A distância era pequena, seriam menos de 30km de estrada de terra. Mas não nos alertaram sobre as condições em que ela se encontrava. Ainda era o mês de outubro e as chuvas já provocavam estragos. Será que íamos chegar? O motorista do velho táxi parecia já estar acostumado com a situação. Minha filha mais nova que era a guia também não estava tão impressionada, mas também, com seu espírito andarilho&#8230; Tive dificuldade de entender a maneira de viver que ela escolheu. Para mim, adulta e racional, ela tinha devaneios que seriam passageiros. Ela chegava com seus amigos naquelas comunidades, violão, tambor, faziam as “oficinas” com as crianças, a troco de quê, pensava eu? Mas quando ela gravou seu primeiro CD próprio vi que a inspiração, os ritmos, vinham daquelas crianças, daquelas comunidades, libertando a musicalidade enclausurada. Minha mente tagarela ia formulando comentários e opiniões. Acho que na verdade, há anos esta estrada está abandonada. E quem mora lá, como vive? Se precisam vir à cidade, alguém passa mal, as mulheres grávidas, como nascem as crianças? Há um silêncio entre nós e olhares demonstram um certo mau humor. Sede e vontade de fazer um lanche. Me pergunto porque é que eu decidi acompanhar esses jovens neste passeio improvisado? Pela ausência de qualquer [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-1288 aligncenter" title="No fim do mundo tem um tesouro" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2009/09/image0016.jpg" alt="No fim do mundo tem um tesouro" width="500" height="375" /></p>
<p>Hoje dia 16 de setembro, às 22 horas, quase no final de mais uma noite de aulas, percebo mais uma vez o cansaço dos estudantes do curso de Gestão da Produção Industrial. A maior parte dos meus alunos neste curso vem direto do ”chão da fábrica” para a faculdade. Desde a aula anterior me chamou atenção o semblante de um aluno que conheço desde o início do ano e que agora está visivelmente abatido. Aproximei-me e perguntei:</p>
<p>- Você parece cansado, é o calor?</p>
<p>Ele me respondeu rapidamente:</p>
<p>- Professora, estou disposto a pagar e bem para quem tiver tempo para me vender.</p>
<p>A resposta provocou um debate sobre o tempo e a sociedade atual, tempo e o mundo do trabalho, principalmente o trabalho na indústria. Prometi levar o curta metragem “Vão dos Buracos”, que fala da vida em um local muito remoto e preservado no Norte de Minas para eles assistirem.</p>
<p>Mas também me vieram as memórias de Candeias, uma comunidade na Serra do Cipó. E ai as palavras foram passando para o texto&#8230;..</p>
<p><strong>&#8230;.Candeias&#8230;..</strong></p>
<p>À poeira da estrada e ao calor juntou-se a demora em chegar. A distância era pequena, seriam menos de 30km de estrada de terra. Mas não nos alertaram sobre as condições em que ela se encontrava. Ainda era o mês de outubro e as chuvas já provocavam estragos. Será que íamos chegar? O motorista do velho táxi parecia já estar acostumado com a situação. Minha filha mais nova que era a guia também não estava tão impressionada, mas também, com seu espírito andarilho&#8230; Tive dificuldade de entender a maneira de viver que ela escolheu. Para mim, adulta e racional, ela tinha devaneios que seriam passageiros. Ela chegava com seus amigos naquelas comunidades, violão, tambor, faziam as “oficinas” com as crianças, a troco de quê, pensava eu? Mas quando ela gravou seu primeiro CD próprio vi que a inspiração, os ritmos, vinham daquelas crianças, daquelas comunidades, libertando a musicalidade enclausurada.</p>
<p>Minha mente tagarela ia formulando comentários e opiniões. Acho que na verdade, há anos esta estrada está abandonada. E quem mora lá, como vive? Se precisam vir à cidade, alguém passa mal, as mulheres grávidas, como nascem as crianças? Há um silêncio entre nós e olhares demonstram um certo mau humor. Sede e vontade de fazer um lanche. Me pergunto porque é que eu decidi acompanhar esses jovens neste passeio improvisado? Pela ausência de qualquer meio de comunicação nem sabíamos se a casa do padre, o único lugar para ficar, estaria desocupada. O motorista conseguia vencer as pedras, os buracos e o carro vencia a altitude. O calor e a poeira provocavam um suor incômodo. “Respira fundo e relaxa”, mentalizava eu! Este lugar é o fim do mundo, ou melhor está fora do mundo&#8230; remoíam meus pensamentos.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-1289 aligncenter" title="No fim do mundo tem um tesouro" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2009/09/image0035.jpg" alt="No fim do mundo tem um tesouro" width="500" height="375" /></p>
<p>Finalmente alguém disse que já estávamos chegando. Mais uns 20 minutos e chegamos ao povoado de apenas uma rua e poucas casas. Todos saíam ou ficavam nas janelas e acenavam para nos cumprimentar. Acabamos de subir a rua e paramos na capela. Do alto olhei ao redor e avistei as serras em volta. Por instantes, esqueci a sede, o apetite, o calor. Espanto diante desta indescritível paisagem, que me encantou. E eu que no caminho cheguei a pensar que devia ser um lugar esquecido por Deus e agora sinto que foi esquecido pelos homens e pelo chamado progresso. A luz elétrica foi inaugurada há menos de um ano. Só agora a intrusa da TV chegou nos lares. Já fui sentindo um pulsar e um ritmo diferente, que acalmava meu ser. A casa do padre estava ocupada, mas só até à noite. Deixamos nossas coisas na casa de uma senhora do lugar. Ela nos ofereceu água e café. Conversamos, e enquanto aguardávamos a casa ficar livre, fomos caminhar e refrescamos o corpo num rio próximo. Quando ocupamos a casa tivemos que fazer uma boa faxina. Com a chegada da luz no local, um casal, filhos de moradores, montou um armazém que nos quebrou o galho: comprei cebola, ovos caipira e na casa do lado, farinha de mandioca da roça. Fiz a melhor e mais gostosa farofa que já comi na vida&#8230; Final de tarde, início de noite e quase todos os moradores vieram nos visitar. Para as crianças levamos lápis de cor e papel e logo a oficina de artes começou. A luz acabou. Conseguimos um banco grande e colocamos na rua por que a casa era pequena, não cabia todo mundo. Tocou-se violão e cantigas. Fomos dormir e apesar da extrema simplicidade de tudo, foi um sono profundo e reparador.</p>
<p>No outro dia visitei e conversei com vários moradores do lugar. E duas prosas ficaram gravadas na minha memória e até hoje me intrigam.</p>
<p>Eu comentei com duas moradoras:</p>
<p>- Mas este lugar é lindo! Aqui vocês tem uma paisagem que não é comum, de uma beleza rara!</p>
<p>Respondeu-me Dona Eva:</p>
<p>- Você acha? Eu não vejo assim não. Deve ser porque me acostumei. Sempre vivi aqui.</p>
<p>-Nunca saiu?</p>
<p>-Só para consultar, quando tive doente.</p>
<p>-Mas é &#8230; com quantas coisas nos acostumamos e deixamos de olhar e ver&#8230; E eu pensava no meu cotidiano e por quantos lugares passava sem nada ver. E completei:</p>
<p>&#8211; É como no casamento, se acostuma e um não consegue mais ver e olhar o outro. Lembrei em silêncio de uma música, “Valsinha” do Chico Buarque, que diz do quanto que uma mudança no olhar é mágica &#8230; “Um dia ele chegou tão diferente do seu jeito de sempre chegar, olhou-a dum jeito muito mais quente do que sempre costumava olhar&#8230;”</p>
<p>A Dona Eva me trouxe de volta:</p>
<p>-Aqui, sabe, Sêo Labatu, ele nunca saiu daqui. Até a consulta que ele tem hoje, eles é que vêm aqui. Coitado, eles agora quer que ele usa sapato ou chinelo.</p>
<p>Depois fui conversar com Seu Labatu, o rei da Marujada que insistia que a gente viesse para a festa em Setembro. Os pés muito inchados. E vi que para ele o mundo não era muito grande, acabava detrás daquelas serras!</p>
<p>E voltei a pensar no lugar. O que é o lugar? Para quem vive ali todos os dias e poucas vezes ou nunca saiu, o significado é um. Para nós que chegamos da cidade metropolitana, de fumaça, muito barulho e poluição, que já visitamos várias cidades e lugares e temos até uma certa noção do tamanho do nosso planeta, aquele canto do mundo tem outro sentido.</p>
<p>- Olha eu trouxe este cacho de banana pra vocês.</p>
<p>De novo a demonstração sincera de hospitalidade&#8230; Daí observei o prédio da escola. É, lá tem a igrejinha, o cemitério e a escola, prédio precisando de reforma, pintura. Aliás ali precisa de muito&#8230; Já estou pensando em políticas públicas, soluções para problemas. Antes eu devia calar e ver o que se tem ali.</p>
<p>Agora vou de novo à casa da Dona Maria. A vizinha quer vender o terreno abaixo do cemitério e nos contou. Dona Maria é uma negra idosa muito bonita com os olhos esverdeados de um brilho expressivo. Devagar, sem pressa, falou das melhorias que fez na casa, dos filhos e netos que não moram mais aqui, mas vêm visitá-la. Queriam que ela fosse morar em Belo Horizonte, mas ela nunca se interessou. Foi lá duas vezes e cansou muito, muitos carros e perigos. Aí chega a outra vizinha:</p>
<p>- Dona Maria, que dia que não passa este de hoje! Eu já fiz tudo que tinha que fazer. Limpei minha casa toda, fiz o almoço, lavei e passei roupa, até buscar lenha eu já busquei hoje. E ainda tá o sol assim rachando.</p>
<p>- É mesmo. Hoje tá assim.</p>
<p>Eu escutei este diálogo e não acreditei. Nossa, eu corro o dia todo e sempre faltam horas para fazer o que preciso!</p>
<p>Que tempo é este? Desde que cheguei senti um choque. Foi como se mudasse totalmente de sintonia. E nestes poucos dias, apenas três, fui entrando noutro ritmo. Agora diante desta conversa eu compreendi que o tempo aqui passa mais devagar mesmo, a vida é mais lenta. E isto se revela no jeito de olhar, falar e até de andar das pessoas.</p>
<p>E este lugar com suas serras e sua gente me encantou e ficou guardado no meu coração. E sempre que me deparo e percebo o absurdo da falta de tempo, da rotina automática, da minha cegueira no dia a dia, eu me lembro de Candeias, de seus moradores e seu maior tesouro: o tempo!</p>
<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-1290 aligncenter" title="No fim do mundo tem um tesouro" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2009/09/image0052.jpg" alt="No fim do mundo tem um tesouro" width="500" height="375" /></p>
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		<title>A música que toca sem parar</title>
		<link>http://www.metro.org.br/roberto/a-musica-que-toca-sem-parar</link>
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		<pubDate>Wed, 12 Aug 2009 15:59:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Roberto Lima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Futebol]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[Cena Um Entro no vôo Tam, que me levará a São Paulo. Dentro do meu coração toca um samba. Antevejo o encontro com amigos queridos, uma festa em azul e uma carreata apoteótica pelas ruas de meu destino final. Desembarco em São Paulo e reembarco quase que imediatamente para Belo Horizonte, onde Pedro Santana me espera. Vamos até sua casa, tomo um banho para tirar a poeira de Nova York e retorno ao aeroporto para receber o cantor Renato Braz, que vem de São Paulo para se juntar a nós, nesta festa que se anuncia inesquecível. Na volta ao aeroporto de Confins já não tenho a companhia de Pedro, mas de seu pai Euler. Estamos animados. O burburinho indica que algo de grandioso está para acontecer. É sempre assim nos momentos que antecedem a grandes acontecimentos. Fica aquela atmosfera diferente. Aquele cheiro de inusitado no ar. Renato atravessa o saguão do aeroporto e recebo um abraço afetuoso, falamos bobagens, cantarolamos uma melodia que entoamos todas as vezes que nos reencontramos, uma canção de amigos. Testemunhamos uma manhã bonita na capital de Minas Gerais. O céu está azul, poucas nuvens. Flerto com os buritis na paisagem à beira da Linha Verde, e meu pensamento viaja pra longe, como se buscasse uma brisa de mar. Dentro de meu coração toca um samba. Cena Dois Telefonamos para o compositor Celso Adolfo ainda no carro. Ele se junta a nós no Mercado Central. Entre frutas, carnes dependuradas em ganchos de alumínio, peças de artesanato e vozerio das pessoas, arranjamos uma mesa de fundo no Restaurante Casa Cheia. Conheço bem esse lugar. Cerveja, cachaça, canjiquinha com costelinha defumada, jiló com picadinho de pernil na chapa, indulgências que saciam muito mais que a fome. Não se é mineiro impunemente. Cafezinhos, cigarro de palha, água mineral, um passeio para comprar queijo e pinga da boa pra levar na bagagem, euforia&#8230; Passo no apartamento de Juan Pablo Sorín para apanhar meu bilhete para o paraíso. Pego no colo sua filhinha Elizabetta, apanho uma tangerina na fruteira, bebo água e espero um café de máquina. Dentro do meu coração toca um samba.   Cena Três Chegamos ao Mineirão: 61 mil pessoas superlotam o Gigante da Pampulha. Fogos, fumaça azul, cantos de guerra. Fumo um “Parliament” atrás do outro. O Cruzeiro entra em campo. Logo no primeiro minuto, o gladiador Kléber é atingido com violência na lateral do gramado. O [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Cena Um</strong></p>
<p>Entro no vôo Tam, que me levará a São Paulo. Dentro do meu coração toca um samba. Antevejo o encontro com amigos queridos, uma festa em azul e uma carreata apoteótica pelas ruas de meu destino final.</p>
<p>Desembarco em São Paulo e reembarco quase que imediatamente para Belo Horizonte, onde Pedro Santana me espera. Vamos até sua casa, tomo um banho para tirar a poeira de Nova York e retorno ao aeroporto para receber o cantor Renato Braz, que vem de São Paulo para se juntar a nós, nesta festa que se anuncia inesquecível.</p>
<p>Na volta ao aeroporto de Confins já não tenho a companhia de Pedro, mas de seu pai Euler. Estamos animados.</p>
<p>O burburinho indica que algo de grandioso está para acontecer. É sempre assim nos momentos que antecedem a grandes acontecimentos. Fica aquela atmosfera diferente. Aquele cheiro de inusitado no ar.</p>
<p>Renato atravessa o saguão do aeroporto e recebo um abraço afetuoso, falamos bobagens, cantarolamos uma melodia que entoamos todas as vezes que nos reencontramos, uma canção de amigos.</p>
<p>Testemunhamos uma manhã bonita na capital de Minas Gerais. O céu está azul, poucas nuvens. Flerto com os buritis na paisagem à beira da Linha Verde, e meu pensamento viaja pra longe, como se buscasse uma brisa de mar.</p>
<p>Dentro de meu coração toca um samba.</p>
<p><strong>Cena Dois</strong></p>
<p>Telefonamos para o compositor Celso Adolfo ainda no carro. Ele se junta a nós no Mercado Central. Entre frutas, carnes dependuradas em ganchos de alumínio, peças de artesanato e vozerio das pessoas, arranjamos uma mesa de fundo no Restaurante Casa Cheia. Conheço bem esse lugar.</p>
<p>Cerveja, cachaça, canjiquinha com costelinha defumada, jiló com picadinho de pernil na chapa, indulgências que saciam muito mais que a fome. Não se é mineiro impunemente.</p>
<p>Cafezinhos, cigarro de palha, água mineral, um passeio para comprar queijo e pinga da boa pra levar na bagagem, euforia&#8230;</p>
<p>Passo no apartamento de Juan Pablo Sorín para apanhar meu bilhete para o paraíso. Pego no colo sua filhinha Elizabetta, apanho uma tangerina na fruteira, bebo água e espero um café de máquina.</p>
<p>Dentro do meu coração toca um samba.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Cena Três</strong></p>
<p>Chegamos ao Mineirão: 61 mil pessoas superlotam o Gigante da Pampulha. Fogos, fumaça azul, cantos de guerra. Fumo um “Parliament” atrás do outro.</p>
<p>O Cruzeiro entra em campo. Logo no primeiro minuto, o gladiador Kléber é atingido com violência na lateral do gramado. O juiz nem marca falta. Tenho um pressentimento ruim.</p>
<p>O jogo se arrasta nervoso e sem brilho. Minha agonia se alastra dos pés até o último fio de cabelo. Começo a ter pesadelos de olhos abertos. Diante de mim passam cenas do maracanaço de 1950 e do desastre de Sarriá, em 82, na Espanha.</p>
<p>O Estudiantes catimba o jogo. O árbitro tem uma atuação pífia. Verón come a bola no meio de campo e dá uma cátedra para quem quiser ver; Ramires some da partida, parece já ter partido para Lisboa; Kléber fica isolado e a bola não chega; Gerson Magrão é uma caricatura de lateral esquerdo. “Coloca o Sorín, Adilson!” Grito. Esbravejo! Mas ele parece não me ouvir. Sofro!</p>
<p>No entanto, por um breve instante, chego a pensar que Deus é brasileiro. Henrique acerta um petardo de fora da área. Explode uma fumaça azul nas arquibancadas. Parece que a festa acontecerá, finalmente. Inicia-se uma espécie de dominó humano.</p>
<p>Torcedores caem uns sobres outros.</p>
<p>Desabo sobre Renato Braz, que tenta me amparar e também cai. Mas é gol! Gooooooooooooooooooooool!</p>
<p>Alegria passageira, como um amor de verão, o Estudiantes empata logo a seguir e vira o jogo num espaço de minutos. Silêncio nas arquibancadas. Procuro escutar a alegre batucada que me acompanhou desde o momento que saí do aeroporto JFK, mas nada escuto, além de uma voz a sussurrar que Deus é argentino.</p>
<p>O samba parou de tocar, é fato.</p>
<p>Mas argentinos Dançam no tapete verde do Mineirão. O que dançam eles?</p>
<p><strong>Cena Final</strong></p>
<p>Num bar da Avenida do Contorno, comemos e bebemos em silêncio. Belo Horizonte está deserta. Os derradeiros boêmios chegam para a saideira. Minha cabeça está vazia e consigo sentir uma cratera erodindo em meu peito. Fecho os olhos, busco uma música, qualquer música, para me alentar. E eu a escuto.</p>
<p>Dentro de mim toca um tango!</p>
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		<title>Humor ao volante</title>
		<link>http://www.metro.org.br/roberto/humor-ao-volante</link>
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		<pubDate>Wed, 10 Jun 2009 16:41:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Roberto Lima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Lazer]]></category>

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		<description><![CDATA[O papo no boteco era frases de caminhão. Tudo, porque um dos presentes passara o percurso Salvador-Belo Horizonte, anotando em sua surrada caderneta (que ele chamava carinhosamente de “palmtop”), frases pitorescas eternizadas pelos caminhoneiros nos pára-choques de seus mamutes sobre rodas. Esposas e namoradas dos presentes pararam de tricotar sobre o relacionamento de Dado Dolabella e Luana Piovani, ou sobre o novo penteado de Juliana Paes, e entraram na conversa. Atento a toda aquela bagunça, pedi ao garçon alguns guardanapos extras e fui anotando as que julgava mais engraçadas. Pensei em publicá-las no Sovaco da Cobra, mas achei mais apropriado expor aqui mesmo, neste espaço, um pouco do humor escrachado dos motoristas que ganham a vida nas estradas de norte a sul do Brasil. Na sequência, o resultado das muitas gargalhadas, cervejas, caipirinhas e abobrinhas. Espero que curtam. * Mulher é que nem cachaça: no começo é ótimo, mas depois é só dor de cabeça. * Mulher é que nem macarrão: quanto mais você esquenta mais ela gruda. * Se barba fosse respeito, bode não tinha chifre. * Se ferradura desse sorte, burro não puxava carroça. * Se tamanho fosse documento, o elefante era dono do circo. * Não sou o dono do mundo, mas sou filho Dele. * Mais vale um bêbado conhecido do que um alcoólatra anônimo. * Se sogra fosse bom, Deus teria uma. * Homem é que nem lata: uma chuta outra cata. * Chifre é igual dentadura: machuca mas acostuma. * Já que o amor é cego, o negócio é apalpar. * Chifre não existe: é só uma coisa que botaram na sua cabeça. * Filho de rico é playboy, de pobre é office-boy. * Mini-saia é como arame farpado: protege a propriedade mas não tira a visão. * Se caminhar fizesse bem, o carteiro seria imortal. * Dinheiro não traz felicidade. Me dê o seu e viva feliz!! * Dívida pra mim é sagrada. Deus lhe pague! * O mundo precisa de mais gênios humildes! Hoje em dia somos poucos… * Extra! Extra! Gêmeo tenta se suicidar e mata o irmão por engano. * Mulher grávida vive reclamando de barriga cheia. * Não leve a vida a sério… você não vai sair vivo dela! * Ecologia é coisa de VEADINHO. E de macaquinho, de leãozinho, de elefantinho… * Philco se lê FILCO. Philips se lê Filips. Futa que o Faril. Trocaram o P pelo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;"><img class="size-full wp-image-686 aligncenter" title="parachoque1" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2009/06/parachoque1.jpg" alt="parachoque1" width="400" height="274" /></p>
<p>O papo no boteco era frases de caminhão. Tudo, porque um dos presentes passara o percurso Salvador-Belo Horizonte, anotando em sua surrada caderneta (que ele chamava carinhosamente de “palmtop”), frases pitorescas eternizadas pelos caminhoneiros nos pára-choques de seus mamutes sobre rodas.<br />
Esposas e namoradas dos presentes pararam de tricotar sobre o relacionamento de Dado Dolabella e Luana Piovani, ou sobre o novo penteado de Juliana Paes, e entraram na conversa.<br />
Atento a toda aquela bagunça, pedi ao garçon alguns guardanapos extras e fui anotando as que julgava mais engraçadas. Pensei em publicá-las no Sovaco da Cobra, mas achei mais apropriado expor aqui mesmo, neste espaço, um pouco do humor escrachado dos motoristas que ganham a vida nas estradas de norte a sul do Brasil.</p>
<p>Na sequência, o resultado das muitas gargalhadas, cervejas, caipirinhas e abobrinhas. Espero que curtam.</p>
<p>* Mulher é que nem cachaça: no começo é ótimo, mas depois é só dor de cabeça.</p>
<p>* Mulher é que nem macarrão: quanto mais você esquenta mais ela gruda.</p>
<p>* Se barba fosse respeito, bode não tinha chifre.</p>
<p>* Se ferradura desse sorte, burro não puxava carroça.</p>
<p>* Se tamanho fosse documento, o elefante era dono do circo.</p>
<p>* Não sou o dono do mundo, mas sou filho Dele.</p>
<p>* Mais vale um bêbado conhecido do que um alcoólatra anônimo.</p>
<p>* Se sogra fosse bom, Deus teria uma.</p>
<p>* Homem é que nem lata: uma chuta outra cata.</p>
<p>* Chifre é igual dentadura: machuca mas acostuma.</p>
<p>* Já que o amor é cego, o negócio é apalpar.</p>
<p>* Chifre não existe: é só uma coisa que botaram na sua cabeça.</p>
<p>* Filho de rico é playboy, de pobre é office-boy.</p>
<p>* Mini-saia é como arame farpado: protege a propriedade mas não tira a visão.</p>
<p>* Se caminhar fizesse bem, o carteiro seria imortal.</p>
<p>* Dinheiro não traz felicidade. Me dê o seu e viva feliz!!</p>
<p>* Dívida pra mim é sagrada. Deus lhe pague!</p>
<p>* O mundo precisa de mais gênios humildes! Hoje em dia somos poucos…</p>
<p>* Extra! Extra! Gêmeo tenta se suicidar e mata o irmão por engano.</p>
<p>* Mulher grávida vive reclamando de barriga cheia.</p>
<p>* Não leve a vida a sério… você não vai sair vivo dela!</p>
<p>* Ecologia é coisa de VEADINHO. E de macaquinho, de leãozinho, de elefantinho…</p>
<p>* Philco se lê FILCO. Philips se lê Filips. Futa que o Faril. Trocaram o P pelo F e nem me avisaram!</p>
<p>* Ame a sua pátria! Ela não tem culpa dos filhos que tem.</p>
<p>* SE FOR PRA MORRER DE BATIDA que seja de limão.</p>
<p>* Não tenho vícios, só bebo e fumo quando jogo.</p>
<p>* No dia que eu parar de beber, vou tomar um porre pra comemorar.</p>
<p>* Viva o carro a gasolina, deixem o álcool pra nós!</p>
<p>* Se cachaça fosse boa, não precisava de tira-gôsto.</p>
<p>* Como é triste sonhar com teus carinhos e acordar no Mercedinho.</p>
<p>* Deus criou o carro pro rico andar e… o Diabo criou o caminhão pro pobre trabalhar.</p>
<p>* O incrível Truck.</p>
<p>* Cuidado &#8211; Nunca dirija mais rápido do que o seu anjo da guarda possa voar!</p>
<p>* Até 80 Deus agüenta. Passou de 80 o diabo atenta.</p>
<p>* Se você não gosta da maneira que eu dirijo, saia da calçada!</p>
<p>* Seja paciente na estrada para não ser paciente no hospital.</p>
<p>* Não estou no país errado. Os politicos errados é que estão no país certo.</p>
<p>* Não faça na vida pública aquilo que você faz na privada.</p>
<p>E mais estes aqui:</p>
<p>* TRANSPALMEIRENSES &#8211; Colado em um caminhão de suínos.</p>
<p>* E ele ainda bebe óleo diesel… &#8211; Frase escrita no pára-choque de um caminhão que transportava cerveja.</p>
<p>* “Pra que ostentar?” &#8211; adesivo fixado em uma Brasília meio “véia”.</p>
<p>* Cara chata não, rostinho redondo! &#8211; Frase em um Mercedes LP-321, 1958 .</p>
<p>* Conseguiu ler? Tá muito perto, tchê &#8211; escrito no pára-choque de caminhão de um gaúcho.</p>
<p>* Meu Fiat se chama Tancredo: mineiro, baixinho, cara chata, e quando mais se precisa dele, morre! &#8211; adesivo de um Fiat 147.</p>
<p>* Eu vou tirar você desse lugar &#8211; esta foi a melhor das muitas frases do dia, pintada no pára-choque de um caminhão guincho, socorrendo um carro despencado em um barranco na Serra das Araras (RJ).</p>
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