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	<title>Fundação Metropolitana &#187; Conhecimento</title>
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	<description>Fundação Educacional e Cultural Metropolitana</description>
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		<title>II &#8211; Frases de Sócrates – O Cosmos, a Educação e o Conhecimento</title>
		<link>http://www.metro.org.br/editor/ii-frases-de-socrates-%e2%80%93-o-cosmos-a-educacao-e-o-conhecimento</link>
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		<pubDate>Tue, 31 Jan 2012 16:50:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Editor</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofia]]></category>

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		<description><![CDATA[O Cosmos Não sou nem ateniense, nem grego, mas um cidadão do mundo. O grande segredo para a plenitude é muito simples: compartilhar. Conhece-te a ti próprio e conhecerás o universo. Em qualquer direção que percorras a alma, nunca tropeçaras em seus limites. Conhecer a si mesmo, significa descobrir Deus nos outros. A Educação O que deve caracterizar a juventude é a modéstia, o pudor, o amor, a moderação, a dedicação, a diligência, a justiça, a educação. São estas as virtudes que devem formar seu carácter. Aquele a quem a palavra não educar, também o pau não educará. O Conhecimento Considero próprio investigar a razão de ser de todas as coisas &#8211; como são &#8211; e rejeitar todas as opiniões sem explicação. Aqueles que cuidam do filosofar não cedem ao impulso das paixões. A perda de patrimônio, a pobreza ou a existência sem honrarias não é capaz de intimidá-los. As trevas não deixam ver, nem olhar diretamente a luz. A palavra é o fio de ouro do pensamento. A vida que não se examina não vale a pena ser vivida. Meninos&#8230; Deixem de proferir palavras tão vagas! Tão jovens&#8230; E tão auto-proclamados sábios! A sabedoria começa na reflexão. O início da sabedoria é a admissão da própria ignorância. Todo o meu saber consiste em saber que nada sei. O verdadeiro conhecimento vem de dentro. To find yourself, think for yourself. Conhece-te a ti mesmo, torna-te consciente de tua ignorância e serás sábio. Existe apenas um bem, o saber, e apenas um mal, a ignorância. Sábio é aquele que tem consciência de seus limites. Só sei que nada sei, e isso me coloca em vantagem sobre aqueles que acham que sabem alguma coisa. A vida sem ciência é uma espécie de morte. A verdade não está com os homens, mas entre os homens. Com efeito, estamos convencidos de que se alguma vez vamos ter um conhecimento puro de alguma coisa, há que afastar-se do corpo e contemplar as coisas em si mesmas com a alma por si mesma. Parece, a julgar pelo argumento, que a sabedoria que nós desejamos e sobre a qual nós professamos haver definido nossos corações, será possível somente quanto estivermos mortos e não durante nossa vida.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2012/01/socrates.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-6777" title="socrates" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2012/01/socrates.jpg" alt="" width="201" height="248" /></a></p>
<p><span style="text-decoration: underline;">O Cosmos</span></p>
<p>Não sou nem ateniense, nem grego, mas um cidadão do mundo.</p>
<p>O grande segredo para a plenitude é muito simples: compartilhar.</p>
<p>Conhece-te a ti próprio e conhecerás o universo.</p>
<p>Em qualquer direção que percorras a alma, nunca tropeçaras em seus limites.</p>
<p>Conhecer a si mesmo, significa descobrir Deus nos outros.</p>
<p><span style="text-decoration: underline;">A Educação</span></p>
<p>O que deve caracterizar a juventude é a modéstia, o pudor, o amor, a moderação, a dedicação, a diligência, a justiça, a educação. São estas as virtudes que devem formar seu carácter.</p>
<p>Aquele a quem a palavra não educar, também o pau não educará.</p>
<p><span style="text-decoration: underline;">O Conhecimento</span></p>
<p>Considero próprio investigar a razão de ser de todas as coisas &#8211; como são &#8211; e rejeitar todas as opiniões sem explicação.</p>
<p>Aqueles que cuidam do filosofar não cedem ao impulso das paixões. A perda de patrimônio, a pobreza ou a existência sem honrarias não é capaz de intimidá-los.</p>
<p>As trevas não deixam ver, nem olhar diretamente a luz.</p>
<p>A palavra é o fio de ouro do pensamento.</p>
<p>A vida que não se examina não vale a pena ser vivida.</p>
<p>Meninos&#8230; Deixem de proferir palavras tão vagas! Tão jovens&#8230; E tão auto-proclamados sábios!</p>
<p>A sabedoria começa na reflexão. O início da sabedoria é a admissão da própria ignorância. Todo o meu saber consiste em saber que nada sei.</p>
<p>O verdadeiro conhecimento vem de dentro.</p>
<p>To find yourself, think for yourself.</p>
<p>Conhece-te a ti mesmo, torna-te consciente de tua ignorância e serás sábio.</p>
<p>Existe apenas um bem, o saber, e apenas um mal, a ignorância.</p>
<p>Sábio é aquele que tem consciência de seus limites.</p>
<p>Só sei que nada sei, e isso me coloca em vantagem sobre aqueles que acham que sabem alguma coisa.</p>
<p>A vida sem ciência é uma espécie de morte.</p>
<p>A verdade não está com os homens, mas entre os homens.</p>
<p>Com efeito, estamos convencidos de que se alguma vez vamos ter um conhecimento puro de alguma coisa, há que afastar-se do corpo e contemplar as coisas em si mesmas com a alma por si mesma. Parece, a julgar pelo argumento, que a sabedoria que nós desejamos e sobre a qual nós professamos haver definido nossos corações, será possível somente quanto estivermos mortos e não durante nossa vida.</p>
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		<title>I &#8211; Frases de Sócrates</title>
		<link>http://www.metro.org.br/editor/i-frases-de-socrates</link>
		<comments>http://www.metro.org.br/editor/i-frases-de-socrates#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 26 Jan 2012 15:50:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Editor</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofia]]></category>

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		<description><![CDATA[Conhecido como patrono da Filosofia, Sócrates (Atenas, 469 a.C. – † 399 a.C.) influencia todo o pensamento ocidental. Não deixou nenhuma obra escrita, sendo seus discípulos Platão e Xenofontes responsáveis por difundir seu pensamento. Suas frases e estórias são marcadas pela ironia e bom humor. Tentamos aqui agrupá-las por assunto e as divulgaremos em quatro publicações. O Amor Meu conselho é que se case. Se você arrumar uma boa esposa, será feliz; se arrumar uma esposa ruim, se tornará um filósofo. Deve-se temer mais o amor de uma mulher que o ódio de um homem. O amor não é um deus, nem um mortal e sim um grande demônio. O ideal no casamento é que a mulher seja cega e o homem surdo. Seja para o casamento ou para o celibato, deixa que o homem escolha seu caminho, mas pode estar certo que ele irá se arrepender. Feita igual ao homem, a mulher se tornou sua superiora. O amor mais ardente tem o final mais frio. A Amizade O amigo deve ser como o dinheiro, cujo valor já conhecemos antes de termos necessidade dele. Não tomes como amigo um homem de quem não saibas primeiro como conservou a amizade com outros; porque deves esperar que procederá contigo tal como procedeu com os demais. Entre os animais ferozes, o mais perigoso é o delator. Entre os domésticos, o adulador. Não busque seus amigos por simples cumprimentos, mas dando-lhes o sinal de seu amor. Seja lento para cair na amizade, mas quando caíres nela, permaneça firme e e constante. Alegria Seja um homem sério, brinque. Um homem honesto é sempre uma criança. A alegria da alma constitui os belos dias da vida, seja qual for a época. Desfruta de ti mesmo, é mais tarde do que estás pensando. É rico o que se contenta com menos, para o contentamento existe a riqueza da natureza. Aquele que não se contenta com o que tem, não se contentará com o que gostaria de ter. A Saúde Se alguém procura a saúde, pergunta-lhe primeiro se está disposto a evitar no futuro as causas da doença; em caso contrário, abstém-te de o ajudar. A Morte Pois bem, é hora de ir: eu para morrer, e vós para viver. Quem de nós irá para melhor é um enigma para todos, menos para Deus. Se a morte fosse mesmo o fim de tudo, seria isso um ótimo negócio [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2012/01/frases-socrates.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-6749" title="frases socrates" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2012/01/frases-socrates-250x400.jpg" alt="" width="250" height="400" /></a></p>
<p>Conhecido como patrono da Filosofia, Sócrates (Atenas, 469 a.C. – † 399 a.C.) influencia todo o pensamento ocidental. Não deixou nenhuma obra escrita, sendo seus discípulos Platão e Xenofontes responsáveis por difundir seu pensamento. Suas frases e estórias são marcadas pela ironia e bom humor. Tentamos aqui agrupá-las por assunto e as divulgaremos em quatro publicações.</p>
<p><span style="text-decoration: underline;">O Amor</span></p>
<p>Meu conselho é que se case. Se você arrumar uma boa esposa, será feliz; se arrumar uma esposa ruim, se tornará um filósofo.</p>
<p>Deve-se temer mais o amor de uma mulher que o ódio de um homem.</p>
<p>O amor não é um deus, nem um mortal e sim um grande demônio.</p>
<p>O ideal no casamento é que a mulher seja cega e o homem surdo.</p>
<p>Seja para o casamento ou para o celibato, deixa que o homem escolha seu caminho, mas pode estar certo que ele irá se arrepender.</p>
<p>Feita igual ao homem, a mulher se tornou sua superiora.</p>
<p>O amor mais ardente tem o final mais frio.</p>
<p><span style="text-decoration: underline;">A Amizade</span></p>
<p>O amigo deve ser como o dinheiro, cujo valor já conhecemos antes de termos necessidade dele.</p>
<p>Não tomes como amigo um homem de quem não saibas primeiro como conservou a amizade com outros; porque deves esperar que procederá contigo tal como procedeu com os demais.</p>
<p>Entre os animais ferozes, o mais perigoso é o delator. Entre os domésticos, o adulador.</p>
<p>Não busque seus amigos por simples cumprimentos, mas dando-lhes o sinal de seu amor.</p>
<p>Seja lento para cair na amizade, mas quando caíres nela, permaneça firme e e constante.</p>
<p><span style="text-decoration: underline;">Alegria</span></p>
<p>Seja um homem sério, brinque.</p>
<p>Um homem honesto é sempre uma criança.</p>
<p>A alegria da alma constitui os belos dias da vida, seja qual for a época.</p>
<p>Desfruta de ti mesmo, é mais tarde do que estás pensando.</p>
<p>É rico o que se contenta com menos, para o contentamento existe a riqueza da natureza.</p>
<p>Aquele que não se contenta com o que tem, não se contentará com o que gostaria de ter.</p>
<p><span style="text-decoration: underline;">A Saúde</span></p>
<p>Se alguém procura a saúde, pergunta-lhe primeiro se está disposto a evitar no futuro as causas da doença; em caso contrário, abstém-te de o ajudar.</p>
<p><span style="text-decoration: underline;">A Morte</span></p>
<p>Pois bem, é hora de ir: eu para morrer, e vós para viver. Quem de nós irá para melhor é um enigma para todos, menos para Deus.</p>
<p>Se a morte fosse mesmo o fim de tudo, seria isso um ótimo negócio para os perversos, pois ao morrer teriam canceladas todas as maldades, não apenas do seu corpo mas também de sua alma.</p>
<p>O finalidade da vida é ser como Deus, e a alma seguindo Deus será como Ele.</p>
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		<title>O Apartheid Arraigado na Classe Média</title>
		<link>http://www.metro.org.br/lucas/o-apartheid-arraigado-na-classe-media</link>
		<comments>http://www.metro.org.br/lucas/o-apartheid-arraigado-na-classe-media#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 08 Nov 2011 14:53:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lucas Moreira Campos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sociologia]]></category>

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		<description><![CDATA[Após a ocupação colonial nas Américas, a população brasileira passou a ser formada por colonizadores europeus, povos indígenas que já habitavam o território e escravos trazidos da África pelos colonizadores. Tudo isto fez da miscigenação étnica um fator marcante no Brasil tanto social quanto culturalmente. Tais fenômenos também tiveram como consequência um ícone muito marcante no Brasil que é a estratificação social. É possível ilustrar isto no período colonial, mais claramente no ciclo da cana-de-açúcar. Nesta época o Brasil tinha uma pequena classe aristocrata, os senhores de engenho, uma parcela significativa de trabalhadores livres, alguns deles capatazes e capitães do mato, cuja missão era capturar os escravos fugitivos, subalternos aos primeiros. Desde então é possível detectar a existência de uma classe média e de forma superficial, esta estrutura ainda ilustra bem a sociedade brasileira atual. Entre o período colonial até hoje o Brasil evoluiu, pela independência política, abolição da escravatura, proclamação da república, industrialização e urbanização. Este processo alterou os hábitos da sociedade brasileira, mas não sua estrutura básica. O papel da classe média permanece, servindo e imitando os hábitos das classes que detêm o poder. É verdade que, mesmo sendo uma classe em que predominam os assalariados, faz grandes exigências em serviços públicos principalmente de educação e saúde. Atualmente há o fenômeno da nova classe média, a antiga classe “C”, que teve grande afluência nos últimos anos. Esta classe média convencional, mesmo não estando diretamente ligada ao poder econômico, tem significativo poder de decisão política. Na história recente do Brasil encontramos vários exemplos disso. A começar pelo golpe militar de 1964 que teve o fundamental apoio da classe média. Assim como no Chile e Argentina, o Brasil do presidente João Goulart pretendia implantar reformas para atenuar as históricas distorções sociais. A classe média foi para as ruas protestar contra a “subversão” da ordem e dos valores, escudada em argumentos religiosos, mas no fundo com medo de perder seu espaço para as camadas populares ascendentes, da mesma forma que ocorre agora em 2011. Enquanto os militares trouxeram alguma prosperidade ao Brasil, a grande maioria desta classe esteve conivente com o regime e aproveitou para sobreviver com alguns trocados, aproveitando as benesses do clientelismo então praticado. Quantas pessoas deste segmento não aproveitaram a falta de regulação do Estado para se efetivar em órgãos públicos sem qualquer concurso? A classe média passou a se opor ao regime militar a partir do esgotamento [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a rel="attachment wp-att-6098" href="http://www.metro.org.br/lucas/o-apartheid-arraigado-na-classe-media/apartheid"><img class="aligncenter size-full wp-image-6098" title="apartheid" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2011/11/apartheid.jpg" alt="" width="317" height="331" /></a></p>
<p>Após a ocupação colonial nas Américas, a população brasileira passou a ser formada por colonizadores europeus, povos indígenas que já habitavam o território e escravos trazidos da África pelos colonizadores. Tudo isto fez da miscigenação étnica um fator marcante no Brasil tanto social quanto culturalmente. Tais fenômenos também tiveram como consequência um ícone muito marcante no Brasil que é a estratificação social.</p>
<p>É possível ilustrar isto no período colonial, mais claramente no ciclo da cana-de-açúcar. Nesta época o Brasil tinha uma pequena classe aristocrata, os senhores de engenho, uma parcela significativa de trabalhadores livres, alguns deles capatazes e capitães do mato, cuja missão era capturar os escravos fugitivos, subalternos aos primeiros. Desde então é possível detectar a existência de uma classe média e de forma superficial, esta estrutura ainda ilustra bem a sociedade brasileira atual.</p>
<p>Entre o período colonial até hoje o Brasil evoluiu, pela independência política, abolição da escravatura, proclamação da república, industrialização e urbanização. Este processo alterou os hábitos da sociedade brasileira, mas não sua estrutura básica.</p>
<p>O papel da classe média permanece, servindo e imitando os hábitos das classes que detêm o poder. É verdade que, mesmo sendo uma classe em que predominam os assalariados, faz grandes exigências em serviços públicos principalmente de educação e saúde. Atualmente há o fenômeno da nova classe média, a antiga classe “C”, que teve grande afluência nos últimos anos.</p>
<p>Esta classe média convencional, mesmo não estando diretamente ligada ao poder econômico, tem significativo poder de decisão política. Na história recente do Brasil encontramos vários exemplos disso.</p>
<p>A começar pelo golpe militar de 1964 que teve o fundamental apoio da classe média. Assim como no Chile e Argentina, o Brasil do presidente João Goulart pretendia implantar reformas para atenuar as históricas distorções sociais. A classe média foi para as ruas protestar contra a “subversão” da ordem e dos valores, escudada em argumentos religiosos, mas no fundo com medo de perder seu espaço para as camadas populares ascendentes, da mesma forma que ocorre agora em 2011.</p>
<p>Enquanto os militares trouxeram alguma prosperidade ao Brasil, a grande maioria desta classe esteve conivente com o regime e aproveitou para sobreviver com alguns trocados, aproveitando as benesses do clientelismo então praticado. Quantas pessoas deste segmento não aproveitaram a falta de regulação do Estado para se efetivar em órgãos públicos sem qualquer concurso? A classe média passou a se opor ao regime militar a partir do esgotamento do seu modelo econômico.</p>
<p>A ditadura manteve a maior parte da classe média inebriada com o milagre econômico, causado por políticas de arrocho salarial das camadas populares e pelos meios de comunicação criados ou incentivados pelo regime como o grupo Abril através da revista Veja, a Rede Globo de TV e o jornal Folha de São Paulo. No início dos anos 80 a população brasileira passou a sentir na pele o desemprego e a perda do poder de compra. Tudo isto motivou a classe média a desencadear o movimento Diretas-Já, que representou o golpe de misericórdia nos militares.</p>
<p>Em um período posterior a este, a classe média movimentou-se de forma totalmente manipulada pela mídia, para eleger Collor e depois jubilá-lo. Após a eleição de Collor o show político descambou para o circo e a inflação alcançou 2.000% ao ano, o que novamente afetou o consumo da classe média, o que a motivou a pintar a cara e derrubar Collor.</p>
<p>Com o impeachment de Collor e a posse de Itamar Franco o Brasil enfrentava o desafio de controlar a inflação. Itamar nomeou o senador, que era suplente, Fernando Henrique Cardoso como Ministro da Fazenda para implantar o Plano Real. O plano serviu como medida paliativa para a economia, mas qualquer pessoa consciente saberia que algumas medidas adotadas, como o câmbio fixo, poderiam trazer consequências catastróficas, como ocorreu na Argentina em 2001.</p>
<p>A classe média teve sua lua de mel com FHC em seu primeiro governo. Com o Real valorizado essa classe social pensou que poderia viver como os europeus e americanos, passar férias na Disneylândia, comprar carros importados, algo que nunca haviam experimentado. Enquanto isso o desemprego e a pobreza cresciam, mesmo camuflados com a cumplicidade da mídia. Assim em 98 FHC se elegeu com facilidade no primeiro turno. Porém logo no primeiro ano do 2º governo a carruagem da classe média virou abóbora, o câmbio ficou insustentável e o Brasil foi parar nos braços do FMI. Com um modelo semelhante à Argentina passou por uma grave crise econômica alguns anos depois.</p>
<p>As frustrações políticas da classe média foram escancaradas nos 8 anos do governo Lula, porém sem o poder de influenciar as camadas populares e interferir nas eleições. Quando se frequenta redes sociais ou debates promovidos na internet percebe-se que a ferida central deste fenômeno é a política que inseriu mais 30 milhões de pessoas no mercado de bens de consumo duráveis, o que levou o governo Lula a ter 87% de aprovação, o maior registrado na história do Brasil, e também à eleição de Dilma.</p>
<p>Para a classe média a miséria e a desigualdade social são uma diferença natural como o dia e a noite. Lembro Karl Marx que dizia que “a este respeito é irrelevante o fato de que se trata de necessidades do estômago ou da fantasia.” Ela é indiferente ao fato de que as pessoas que sempre viveram abaixo da linha da pobreza estão trabalhando, comendo e vivendo melhor, ao contrário, reclama dos salários dos diaristas, dos domésticos, dos pedreiros, dos bombeiros. É comum você ver pessoas desta classe reclamar por achar que paga muitos impostos, mas nunca param para pensar quanto o governo gastou para manter algum membro da sua família na universidade de graça.</p>
<p>Há 8 anos se pagava R$7,00 de diária a uma faxineira em Belo Horizonte e R$ 50,00 por mês no interior de Minas Gerais, para não ir muito longe. Uma de suas atitudes mais comuns é criticar o Programa Bolsa Família, alegando que hoje não se consegue mais mão de obra. Enquanto o primeiro mundo está em profunda recessão o Brasil e os parceiros da América do Sul estão em Pleno Emprego, e nossa classe média finge não perceber que é beneficiada por esta prosperidade.</p>
<p>Enquanto esta classe social tem condições de matricular filhos em escolas particulares, pagar um plano de saúde privado ou adquirir um automóvel novo não se movimentará para reivindicar uma escola, uma saúde pública ou um transporte público de qualidade, para a classe média estes serviços públicos são considerados da classe “C”. No imaginário desta classe média é importante esta segregação, este apartheid econômico, social e racial, o que mostra que o sistema social atual não é muito diferente do Brasil Colônia.</p>
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		<title>Os donos da terra</title>
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		<pubDate>Fri, 04 Nov 2011 14:12:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Antonio Carlos Santini</dc:creator>
				<category><![CDATA[Antropologia]]></category>
		<category><![CDATA[Crônicas Culturais]]></category>

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		<description><![CDATA[Quando o europeu desembarcou no litoral hoje dito brasileiro, nossos indígenas não tinham terra. Na verdade, os íncolas nem imaginavam que fosse possível “ter” um pedaço de terra. O território é que os “tinha”, envolvendo-os com suas magníficas oferendas e suas perigosas ameaças&#8230; O europeu, já no início do processo de capitalização, chegou a estas plagas com um documento oficial que dividia previamente a terra entre portugueses e espanhóis. Se não fosse para tomar posse do solo, jamais teriam arrostado a fúria do oceano. E o sinal inegável da posse era o gesto de “dar nome” à terra. Nomear é possuir. O pai dá nome ao filho. A criança dá nome a seu cachorrinho: o cão é meu! Terra de Santa Cruz&#8230; Para registrar a posse, produzimos mapas. O índio brasileiro não tinha mapas. Mesmo convivendo com rios e montanhas, planícies e igarapés, jamais lhe passara pela cabeça a ideia de gravar em uma casca de coqueiro a imagem de seu hinterland. Já o europeu estava disposto a pagar alto preço por alguma carta geográfica, por mais tosca e arbitrária que ela fosse, rascunhada pelos primeiros exploradores do mundo austral. Após a tomada de posse, bandeiras erguidas no alto do poste como testemunho da autoridade, marcava-se no mapa uma cruz: este pedaço é meu. O passo imediato consistia em erguer uma cerca para traçar limites entre o próprio e o alheio, ainda que o muro e a cerca fossem o símbolo da alienação, roubando da terra a sua liberdade. Dentro do espaço cercado, inexiste a liberdade. O boi está preso. As galinhas estão presas. O dono está preso à sua posse: ele é o posseiro, sem perceber que a posse o fazia possesso&#8230; Fora da cerca, o indígena continua sua vida nômade, errante por todos os quadrantes, coletando o coco e a goiaba, caçando paca e tatu, pescando dourado e pacu. Mas já não é tão livre quanto antes, pois a alta paliçada vedou-lhe o acesso às áreas possuídas. Seu cosmo encolheu. Já em pleno século XXI, andam discutindo o direito de os indígenas possuírem alguns alqueires de terra. Parece que não é bem isso que eles desejam. Lá no fundo da alma, eles devem sonhar com outro universo, onde Tupã é o único dono da terra, mas generoso como é, partilha todas as suas riquezas com as numerosas tribos que erram pelo espaço físico, seja qual for o desenho [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a rel="attachment wp-att-6038" href="http://www.metro.org.br/antonio-carlos/os-donos-da-terra/donos-da-terra"><img class="aligncenter size-medium wp-image-6038" title="donos da terra" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2011/11/donos-da-terra-293x400.jpg" alt="" width="293" height="400" /></a></p>
<p>Quando o europeu desembarcou no litoral hoje dito brasileiro, nossos indígenas não tinham terra. Na verdade, os íncolas nem imaginavam que fosse possível “ter” um pedaço de terra. O território é que os “tinha”, envolvendo-os com suas magníficas oferendas e suas perigosas ameaças&#8230;</p>
<p>O europeu, já no início do processo de capitalização, chegou a estas plagas com um documento oficial que dividia previamente a terra entre portugueses e espanhóis. Se não fosse para tomar posse do solo, jamais teriam arrostado a fúria do oceano. E o sinal inegável da posse era o gesto de “dar nome” à terra. Nomear é possuir. O pai dá nome ao filho. A criança dá nome a seu cachorrinho: o cão é meu! Terra de Santa Cruz&#8230;</p>
<p>Para registrar a posse, produzimos mapas. O índio brasileiro não tinha mapas. Mesmo convivendo com rios e montanhas, planícies e igarapés, jamais lhe passara pela cabeça a ideia de gravar em uma casca de coqueiro a imagem de seu <em>hinterland</em>. Já o europeu estava disposto a pagar alto preço por alguma carta geográfica, por mais tosca e arbitrária que ela fosse, rascunhada pelos primeiros exploradores do mundo austral.</p>
<p>Após a tomada de posse, bandeiras erguidas no alto do poste como testemunho da autoridade, marcava-se no mapa uma cruz: este pedaço é meu. O passo imediato consistia em erguer uma cerca para traçar limites entre o próprio e o alheio, ainda que o muro e a cerca fossem o símbolo da alienação, roubando da terra a sua liberdade.</p>
<p>Dentro do espaço cercado, inexiste a liberdade. O boi está preso. As galinhas estão presas. O dono está preso à sua posse: ele é o posseiro, sem perceber que a posse o fazia possesso&#8230;</p>
<p>Fora da cerca, o indígena continua sua vida nômade, errante por todos os quadrantes, coletando o coco e a goiaba, caçando paca e tatu, pescando dourado e pacu. Mas já não é tão livre quanto antes, pois a alta paliçada vedou-lhe o acesso às áreas possuídas. Seu cosmo encolheu.</p>
<p>Já em pleno século XXI, andam discutindo o direito de os indígenas possuírem alguns alqueires de terra. Parece que não é bem isso que eles desejam. Lá no fundo da alma, eles devem sonhar com outro universo, onde Tupã é o único dono da terra, mas generoso como é, partilha todas as suas riquezas com as numerosas tribos que erram pelo espaço físico, seja qual for o desenho de urucum que traçam no seu corpo.</p>
<p>No fim, todos morrem. Todos devem abrir mão da terra. E a terra, sempre amiga, esquece que foi sequestrada e abre seu colo para envolver no abraço o índio e o europeu&#8230;</p>
<p>E a liberdade revive.</p>
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		<title>Consciência Comunitária e Cultura de Paz</title>
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		<pubDate>Mon, 12 Sep 2011 16:33:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sebastião Verly</dc:creator>
				<category><![CDATA[Segurança Pública]]></category>
		<category><![CDATA[Sociologia]]></category>

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		<description><![CDATA[O tema comunidade na época raramente era debatido em público e, nas Universidades, existia apenas uma coletânea superficial organizada pelo sociólogo Fernando Henrique Cardoso. No cinema, marcara época o filme Queimada. Naquela película, Gillo Pontecorvo, num momento de felicidade também rara, leva à tela, uma imaginária experiência, consagrada e consolidada pelo grande ator Marlon Brando. Naquele filme, podemos ver passo a passo como mobilizar uma liderança que, consciente e consistentemente, insufla sua comunidade a sair do comodismo e tomar as rédeas de suas vidas. É um filme e que mostra a realidade, portanto, mostra também o revés imposto pelo sistema capitalista – pela força e competência – até onde lhe interessa. O agente inglês passa a incutir as idéias libertárias no destemido escravo, até que juntos conseguem organizar uma grande rebelião. Dez anos depois ele retorna, para depor quem ele colocou no poder, pois os interesses econômicos exigem um novo quadro político na região. Apesar da ficção criada no filme, existiu na vida real um soldado estadunidense chamado William Walker, que no período de 1856-1857 chegou a ser presidente da Nicarágua, financiado pelo magnata Cornelius Vanderbilt. Ao prosseguir nesta reflexão, lembro-me que, em 1972, no auge do regime militar, eu fora selecionado para participar do I Curso de Desenvolvimento de Comunidades para Docentes e Técnicos de Nível Superior, realizado pelo Ministério do Interior em Brasília. No curso, contávamos essencialmente com teorias sociais e trabalhos de reconhecidas assistentes sociais, especialmente militantes na região Nordeste, Safira Bezerra dentre outras.  Éramos poucos com formação sociológica e menos ainda, os que se formaram com mais consciência crítica, dentre os 22 participantes do curso. Ainda hoje tenho contato com o brilhante colega Estênio Iriart El Bayne que foi nosso orador e marcou o momento com palavras e mensagens revolucionárias. A começar por dizer na presença do Ministro e várias membros do alto escalão do regime “um agradecimento ao povo brasileiro que financia este curso”. Dali saímos com o forte desejo de mudar este país. E sabíamos que deveria ser pela força do povo. Um livro escrito em 1976 pelo bravo Márcio Moreira Alves, deputado federal caçado, no qual ele registra o movimento popular estimulado pelo então prefeito Dirceu Carneiro do oposicionista PMDB, na cidade de Lages, em Santa Catarina, cujos resultados marcaram a vida de todos que estavam envolvidos na Mobilização das Comunidades marginalizadas pelo perverso capitalismo selvagem que vigorava. Hoje, tudo isso é apenas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a rel="attachment wp-att-5606" href="http://www.metro.org.br/sebastiao/consciencia-comunitaria-e-cultura-de-paz/seguranca"><img class="aligncenter size-full wp-image-5606" title="segurança" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2011/09/segurança.jpg" alt="" width="468" height="310" /></a></p>
<p>O tema comunidade na época raramente era debatido em público e, nas Universidades, existia apenas uma coletânea superficial organizada pelo sociólogo Fernando Henrique Cardoso.</p>
<p>No cinema, marcara época o filme Queimada. Naquela película, Gillo Pontecorvo, num momento de felicidade também rara, leva à tela, uma imaginária experiência, consagrada e consolidada pelo grande ator Marlon Brando. Naquele filme, podemos ver passo a passo como mobilizar uma liderança que, consciente e consistentemente, insufla sua comunidade a sair do comodismo e tomar as rédeas de suas vidas. É um filme e que mostra a realidade, portanto, mostra também o revés imposto pelo sistema capitalista – pela força e competência – até onde lhe interessa. O agente inglês passa a incutir as idéias libertárias no destemido escravo, até que juntos conseguem organizar uma grande rebelião. Dez anos depois ele retorna, para depor quem ele colocou no poder, pois os interesses econômicos exigem um novo quadro político na região.</p>
<p>Apesar da ficção criada no filme, existiu na vida real um soldado estadunidense chamado William Walker, que no período de 1856-1857 chegou a ser presidente da Nicarágua, financiado pelo magnata Cornelius Vanderbilt.</p>
<p>Ao prosseguir nesta reflexão, lembro-me que, em 1972, no auge do regime militar, eu fora selecionado para participar do I Curso de Desenvolvimento de Comunidades para Docentes e Técnicos de Nível Superior, realizado pelo Ministério do Interior em Brasília. No curso, contávamos essencialmente com teorias sociais e trabalhos de reconhecidas assistentes sociais, especialmente militantes na região Nordeste, Safira Bezerra dentre outras.  Éramos poucos com formação sociológica e menos ainda, os que se formaram com mais consciência crítica, dentre os 22 participantes do curso. Ainda hoje tenho contato com o brilhante colega Estênio Iriart El Bayne que foi nosso orador e marcou o momento com palavras e mensagens revolucionárias. A começar por dizer na presença do Ministro e várias membros do alto escalão do regime “um agradecimento ao povo brasileiro que financia este curso”.</p>
<p>Dali saímos com o forte desejo de mudar este país. E sabíamos que deveria ser pela força do povo. Um livro escrito em 1976 pelo bravo Márcio Moreira Alves, deputado federal caçado, no qual ele registra o movimento popular estimulado pelo então prefeito Dirceu Carneiro do oposicionista PMDB, na cidade de Lages, em Santa Catarina, cujos resultados marcaram a vida de todos que estavam envolvidos na Mobilização das Comunidades marginalizadas pelo perverso capitalismo selvagem que vigorava. Hoje, tudo isso é apenas história.</p>
<p>Bem mais tarde tivemos contatos com o livro “Mobilização Social: um Modo de Construir a Democracia e a Participação” de autoria de Nisia Maria Duarte Werneck, com o filósofo colombiano Bernardo Toro e com as Teorias de Planejamento Participativo, do chileno Carlos Mattus.</p>
<p>Na pratica dos nossos trabalhos como Analista de Mobilização Social tivemos contatos com o carismático Rodolfo Alexandre Inácio Cascão que, vindo de uma experiência revolucionária, incorporou o lúdico, o festar, a arte e a diversão nos movimentos e formas de atrair e conscientizar as populações de todas as camadas sociais.</p>
<p>O fato é que as decisões políticas são tomadas por leigos que ignoram totalmente os princípios e teorias de Mobilização. Os dirigentes preferem os trabalhos empíricos, bem no estilo paternalista que mantêm as populações envolvidas como expectadoras passivas do processo.</p>
<p>A essência é muito diferente da aparência. A começar pela compreensão de que todos os seres humanos nascem iguais e só a cultura dominante os trata como diferentes.</p>
<p>Há poucos dias tive uma reunião numa comunidade, em que tive a oportunidade de ver como é diferente lidar com as pessoas, deferindo-lhes respeito e dignidade. Os moradores da Vila Aparecida de BH expunham seus pontos de vista, defendiam seus direitos e reivindicações, com toda a força de seus pulmões e sentiam-se de fato, como iguais. Dos presentes, quem não tinha formação sociológica assustou-se. Nossa colega Maria Lucia Vieira demonstrou seu encanto com a vontade de participar de quase todos os presentes. Foi um show!</p>
<p>É bem diferente você chegar numa comunidade com um pacote pronto, oferecendo o que o poder público julga que deve oferecer e outra coisa é conhecer as reais reivindicações dos moradores que ali realmente sofrem e sabem do que precisam. A demonstração de respeito e apoio é quase tudo que as pessoas precisam.</p>
<p>Só quem estuda, através de todos os recursos disponíveis, o sistema social vigente e seus infinitos truques pode realizar um trabalho sério de Mobilização Social. E saberá que somente a consciência comunitária pode conduzir a sociedade pelos caminhos que sonhamos: a não violência, a solidariedade e a cultura de paz.</p>
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		<title>Karl Marx, Sobre o Trabalho</title>
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		<pubDate>Mon, 05 Sep 2011 18:02:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Editor</dc:creator>
				<category><![CDATA[Karl Marx]]></category>
		<category><![CDATA[Sociologia]]></category>

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		<description><![CDATA[Para um homem faminto não existe a forma humana do alimento, mas apenas seu caráter abstrato como alimento. Poderia também existir apenas na forma mais rudimentar, e é impossível dizer de que maneira esta atividade de alimentar-se diferiria da dos animais. O homem necessitado, cheio de preocupações, não pode admirar nem o mais belo dos espetáculos. Pressupomos o trabalho em uma forma que o caracteriza como exclusivamente humano. Uma aranha leva a cabo operações que lembram as de um tecelão, e uma abelha, na construção de suas colméias, deixa envergonhados muitos arquitetos. Mas o que distingue o pior arquiteto da melhor das abelhas é que o arquiteto ergue a construção em sua mente antes de a erguer na realidade. Na extremidade de todo processo de trabalho, chegamos a um processo já existente na imaginação do trabalhador antes de começá-lo. Além do esforço de seus órgãos corporais, o processo exige que, durante toda a operação, a vontade do trabalhador permaneça em consonância com sua finalidade. Isso significa cuidadosa atenção. Quanto menos ele se sentir atraído pela natureza do seu trabalho e pela maneira como é executado tanto maior atenção é obrigado a prestar, ou seja maior será o desgaste de suas capacidades físicas e mentais. Nos ofícios manuais e na manufatura o trabalhador utiliza-se de uma ferramenta. Na fábrica a máquina utiliza-se dele. Lá os movimentos do instrumento de trabalho procediam dele, aqui é o movimento das máquinas que ele tem que acompanhar. Na manufatura, os trabalhadores se tornam meros apêndices de um mecanismo vivo, independente deles. Na produção em série, todos os processos para aumentar a produtividade social do trabalho são empregados à custa do trabalhador individual. Todos os meios para o desenvolvimento da produção transformam-se em meios de dominação e exploração dos produtores, mutilando o trabalhador, reduzindo-o a um fragmento de homem, rebaixando o ao nível de apêndice de uma máquina. Estas técnicas de gerência destroem todo resquício de atrativo do trabalho para ele e convertem-no numa ferramenta entediada, afastando o das potencialidades intelectuais do processo de trabalho, na mesma proporção em que a ciência é neste incorporada como um poder independente dele. A produção capitalista não produz apenas o homem como mercadoria, o homem-mercadoria, o homem no papel de utilidade. Ela o produz em harmonia com este papel, como um ser espiritual e fisicamente desumanizado, gerando a desmoralização, a deformação e o embrutecimento dos trabalhadores e dos capitalistas. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a rel="attachment wp-att-5531" href="http://www.metro.org.br/editor/karl-marx-sobre-o-trabalho/karl"><img class="aligncenter size-full wp-image-5531" title="karl" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2011/09/karl.jpg" alt="" width="250" height="165" /></a></p>
<p>Para um homem faminto não existe a forma humana do alimento, mas apenas seu caráter abstrato como alimento. Poderia também existir apenas na forma mais rudimentar, e é impossível dizer de que maneira esta atividade de alimentar-se diferiria da dos animais. O homem necessitado, cheio de preocupações, não pode admirar nem o mais belo dos espetáculos.</p>
<p>Pressupomos o trabalho em uma forma que o caracteriza como exclusivamente humano. Uma aranha leva a cabo operações que lembram as de um tecelão, e uma abelha, na construção de suas colméias, deixa envergonhados muitos arquitetos. Mas o que distingue o pior arquiteto da melhor das abelhas é que o arquiteto ergue a construção em sua mente antes de a erguer na realidade. Na extremidade de todo processo de trabalho, chegamos a um processo já existente na imaginação do trabalhador antes de começá-lo.</p>
<p>Além do esforço de seus órgãos corporais, o processo exige que, durante toda a operação, a vontade do trabalhador permaneça em consonância com sua finalidade. Isso significa cuidadosa atenção. Quanto menos ele se sentir atraído pela natureza do seu trabalho e pela maneira como é executado tanto maior atenção é obrigado a prestar, ou seja maior será o desgaste de suas capacidades físicas e mentais.</p>
<p>Nos ofícios manuais e na manufatura o trabalhador utiliza-se de uma ferramenta. Na fábrica a máquina utiliza-se dele. Lá os movimentos do instrumento de trabalho procediam dele, aqui é o movimento das máquinas que ele tem que acompanhar. Na manufatura, os trabalhadores se tornam meros apêndices de um mecanismo vivo, independente deles.</p>
<p>Na produção em série, todos os processos para aumentar a produtividade social do trabalho são empregados à custa do trabalhador individual. Todos os meios para o desenvolvimento da produção transformam-se em meios de dominação e exploração dos produtores, mutilando o trabalhador, reduzindo-o a um fragmento de homem, rebaixando o ao nível de apêndice de uma máquina.</p>
<p>Estas técnicas de gerência destroem todo resquício de atrativo do trabalho para ele e convertem-no numa ferramenta entediada, afastando o das potencialidades intelectuais do processo de trabalho, na mesma proporção em que a ciência é neste incorporada como um poder independente dele.</p>
<p>A produção capitalista não produz apenas o homem como mercadoria, o homem-mercadoria, o homem no papel de utilidade. Ela o produz em harmonia com este papel, como um ser espiritual e fisicamente desumanizado, gerando a desmoralização, a deformação e o embrutecimento dos trabalhadores e dos capitalistas. Seu produto final é a mercadoria com consciência e atividades próprias&#8230;..  a mercadoria humana!</p>
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		<title>Pobres Professores</title>
		<link>http://www.metro.org.br/sania/pobres-professores</link>
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		<pubDate>Wed, 17 Aug 2011 15:20:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sânia Campos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Educação]]></category>

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		<description><![CDATA[Final de tarde, sexta feira e eu regressava num ônibus do transporte público, do meu trabalho em Betim para minha casa em Belo Horizonte, momento em que às vezes gosto de observar as pessoas e seus movimentos. E não há como não ouvir as conversas que rolam. Casos da vida cotidiana, opiniões sobre temas diversos como o casamento, as brigas de vizinhos, a educação dos filhos, o sufoco do trabalho. Se alguém quisesse fazer uma pesquisa sobre o “senso comum”, eu indicaria estes trajetos de viagens urbanas e intermunicipais como uma boa fonte. Nesta sexta feira, me chamou a atenção a entrada de uma senhora carregada de sacolas e dois filhos pequenos acompanhada de uma jovem. Como as duas se assentaram em bancos diferentes, conversavam durante toda viagem falando muito alto, de modo que era difícil não escutar. Dentre vários assuntos, destaco um comentário da jovem sobre um amigo que, ao contrário da maioria da família, continuou os estudos. Admirada com o tempo e investimento que este rapaz se dedicou aos estudos, lamentava: “Não dá para entender. Fazer curso superior, estudar tanto e depois ser professor?” Imediatamente teve sua observação reforçada pela senhora que falou: “Parece que ele é muito inteligente mas não bate muito bem da idéia.” Esta fala me levou a inúmeros pensamentos. E memórias, conceitos, teorias se misturaram na minha cabeça. Quando criança, estudava no Grupo Escolar, na escola primária, e me recordo que a representação e imagem que eu, meus pais e a sociedade de um modo geral, tinham dos professores, que na sua grande maioria eram mulheres, era totalmente diferente: respeito, consideração, admiração pelo conhecimento e pelo importante trabalho que realizavam. Não quero ser saudosista e dizer que antes é que era bom! Estudei o final do primário, todo antigo curso ginasial e ensino médio no tempo do regime militar. Período de autoritarismo e muita violência, de rápidas transformações sócio-culturais e econômicas no país. O momento universitário foi de muitas lutas: pela anistia, pelas liberdades democráticas, pelos direitos humanos, um tempo de muitos aprendizados. Presenciamos a rápida urbanização com a ocupação desordenada e o crescimento rápido das cidades e todas as conseqüências no modo de viver e sobreviver das pessoas e famílias. O mesmo processo que gerava o crescimento econômico, também aumentava a pobreza, a exclusão e as desigualdades. O mundo e os processos do trabalho se transformaram de forma tão rápida, reestruturando o tempo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-medium wp-image-5416" title="professor" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2011/08/professor-398x400.jpg" alt="" width="398" height="400" /></p>
<p style="text-align: justify;">Final de tarde, sexta feira e eu  regressava num ônibus do transporte público, do meu trabalho em Betim  para minha casa em Belo Horizonte, momento em que às vezes gosto de  observar as pessoas e seus movimentos. E não há como não ouvir as  conversas que rolam. Casos da vida cotidiana, opiniões sobre temas  diversos como o casamento, as brigas de vizinhos, a educação dos filhos,  o sufoco do trabalho. Se alguém quisesse fazer uma pesquisa sobre o  “senso comum”, eu indicaria estes trajetos de viagens urbanas e  intermunicipais como uma boa fonte.</p>
<p style="text-align: justify;">Nesta  sexta feira, me chamou a atenção a entrada de uma senhora carregada de  sacolas e dois filhos pequenos acompanhada de uma jovem. Como as duas se  assentaram em bancos diferentes, conversavam durante toda viagem  falando muito alto, de modo que era difícil não escutar. Dentre vários  assuntos, destaco um comentário da jovem sobre um amigo que, ao  contrário da maioria da família, continuou os estudos. Admirada com o  tempo e investimento que este rapaz se dedicou aos estudos, lamentava:  “Não dá para entender. Fazer curso superior, estudar tanto e depois ser  professor?” Imediatamente teve sua observação reforçada pela senhora que  falou: “Parece que ele é muito inteligente mas não bate muito bem da  idéia.”</p>
<p style="text-align: justify;">Esta fala me levou a  inúmeros pensamentos. E memórias, conceitos, teorias se misturaram na  minha cabeça. Quando criança, estudava no Grupo Escolar, na escola  primária, e me recordo que a representação e imagem que eu, meus pais e a  sociedade de um modo geral, tinham dos professores, que na sua grande  maioria eram mulheres, era totalmente diferente: respeito, consideração,  admiração pelo conhecimento e pelo importante trabalho que realizavam.  Não quero ser saudosista e dizer que antes é que era bom! Estudei o  final do primário, todo antigo curso ginasial e ensino médio no tempo do  regime militar. Período de autoritarismo e muita violência, de rápidas  transformações sócio-culturais e econômicas no país. O momento  universitário foi de muitas lutas: pela anistia, pelas liberdades  democráticas, pelos direitos humanos, um tempo de muitos aprendizados.  Presenciamos a rápida urbanização com a ocupação desordenada e o  crescimento rápido das cidades e todas as conseqüências no modo de viver  e sobreviver das pessoas e famílias. O mesmo processo que gerava o  crescimento econômico, também aumentava a pobreza, a exclusão e as  desigualdades. O mundo e os processos do trabalho se transformaram de  forma tão rápida, reestruturando o tempo e os valores da vida social e  coletiva, a vida das famílias, enfim todas relações sociais e humanas. E  nos últimos 10, 15 anos, com a velocidade das mudanças e o recente  desenvolvimento tecnológico, ficou cada vez mais difícil compreender e  explicar a sociedade, as perplexidades e os desafios. No campo acadêmico  há vários estudos e trabalhos que refletem sobre esta sociedade  “líquida”, termo de Zygmunt Bauman, e as conseqüências humanas da nova  globalização. A educação atual e seus desafios não poderão ser  compreendidos fora deste complexo e contraditório contexto atual.</p>
<p style="text-align: justify;">Depois  deste passeio mental, voltei para o momento e observei de novo minhas  companheiras de viagem. Gente simples do povo, que batalha para ter  trabalho e cuidar dos filhos, da família. Para garantir “o pão de cada  dia”. Pelo jeito de falar percebe-se que não tiveram oportunidade de  continuar os estudos. Para explicar o mundo e elaborar suas idéias,  partiam da experiência cotidiana, da observação direta e intuitiva. E  então, por que achavam tão absurdo que alguém se dedicasse tanto aos  estudos para depois ser professor?! Será que esta representação, esta  percepção reflete hoje uma opinião pública geral?</p>
<p style="text-align: justify;">Quais as condições dos professores da escola básica hoje?</p>
<p style="text-align: justify;">De  novo eu queria explicar e entender. Lembrei da atual queda na procura  por cursos de Licenciatura, até do fechamento de vários. Muitos alunos,  que estudam Física, Biologia, Geografia dentre outros, declaram que não  querem ser professores e de fato, vejo muitos profissionais desta área  atuando em outros campos e não na escola. Em conversas e encontros de  educadores observamos muitos questionamentos e posturas, que oscilam  entre a esperança e o desencanto, como escreveram Pablo Gentili e Chico  Alencar ao analisarem os desafios de ser professor hoje.</p>
<p style="text-align: justify;">Sabemos  que profissionais e gestores do MEC e de alguns estados e cidades têm  proposto programas, políticas e ações para a melhoria na qualidade da  Educação. Mas cada vez mais me convenço do papel estratégico dos poderes  locais. São nos espaços locais, onde a população convive, que as  necessidades básicas se colocam de forma concreta: a necessidade da  escola, do médico, da segurança, do transporte, do pão, do leite, e de  tudo mais que se precisa para viver com dignidade. A gestão local, mais  próxima da população pode construir experiências renovadoras e envolver e  organizar as pessoas e a sociedade para serem participantes desta  construção.</p>
<p style="text-align: justify;">Um diagnóstico das  gestões municipais no Brasil hoje, principalmente no que se refere à  educação, não nos deixa muito otimista. Nos discursos e na retórica, a  educação é sempre apresentada como prioridade. Mas as políticas e seus  gestores se perdem em números e estatísticas, principalmente às  referentes aos custos. A efetiva qualidade da educação está ainda muito  distante da realidade das nossas escolas. Que escola queremos? Qual  escola é possível? Sabemos que são muitas as perguntas e dúvidas. Há  eixos estratégicos que vão desde a materialidade, que inclui condições  físicas, carreira e valorização dos professores, a formação destes  profissionais, a participação dos alunos e de suas famílias, a  integração da escola com a comunidade até a reflexão mais profunda do  papel e função da escola contemporânea com todos desdobramentos que esta  questão aponta sobre o sentido da escola. Os dirigentes – gestores,  secretários municipais e estaduais, diretores e coordenadores de escolas  deveriam ser escolhidos pela sua ousadia, paixão, criatividade e  capacidade de escuta e abertura para desfazer mitos e rituais, instituir  novas maneiras de ensinar-aprender e construir escolas como espaços de  encontro, alegria e formação humana integral para nossas crianças e  jovens</p>
<p style="text-align: justify;">Priorizar a educação e  reverter este quadro de descrédito, resgatando inclusive a valorização  do professor-educador é tarefa urgente do Brasil, se queremos uma nação  de cidadãos emancipados e ativos, conscientes dos seus direitos e  deveres.</p>
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		<title>Escravos do século XXI</title>
		<link>http://www.metro.org.br/antonio-carlos/escravos-do-seculo-xxi</link>
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		<pubDate>Wed, 27 Jul 2011 16:29:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Antonio Carlos Santini</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofia]]></category>

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		<description><![CDATA[Nestes tempos bicudos de generalizado relativismo, chega-se ao ponto de afirmar que “cada um tem a sua verdade”. E não percebem que duas verdades opostas se desmentem. No mínimo, uma delas é mentira. Cecília Meireles sabia disso: “Ou se tem chuva e não se tem sol, ou se tem sol e não se tem chuva! Ou se calça a luva e não se põe o anel, ou se põe o anel e não se calça a luva!” Apesar da lição poética de Cecília – que se dirigia às crianças para corrigir os adultos &#8211; sempre que escrevo algo de modo categórico, alguém reclama que estou tentando impor meu ponto de vista. Uma ofensa às liberdades democráticas. Na geléia geral do pensamento burguês, ser definido incomoda&#8230; Estive relendo um pensador da primeira metade do século XX, o belga Joseph Schrijvers, que fala exatamente sobre nossa propensão à vida escrava. Eis o que ele diz: “Quanto mais o homem se acredita livre, tanto mais ele obedece, ainda que o não perceba. Ele obedece à opinião, aos costumes, às ideias dominantes, à moda, às suas paixões, a suas necessidades reais ou fictícias, à sua imaginação e a seus caprichos. Ele obedece a seus patrões e mais ainda a seus subordinados; ele obedece a seus semelhantes, a suas maneiras, a seus exemplos, ao seu sorriso.” Não é curioso? Alguém sorri para mim e eu me sinto obrigado a sorrir também. Logo, obedeço&#8230; Prossegue Schrijvers: “Todo homem, quer queira, quer não, é sugestionado pelos livros que lê, as apreciações que ouve, as críticas que sofre, os elogios que procura. Assim, a maior parte dos homens, acreditando serem livres, não são mais que escravos”. Então, não existem homens livres? Existem, mas são raros. Um deles foi o filósofo Diógenes, que abriu mão de todos os seus bens e reservou-se apenas um barril sem fundo, que lhe servia de casa e vestuário, e um caneco para beber água. Certo dia, na praça, viu um moleque que se aproximou da fonte e bebeu na concha da mão. Diógenes pegou seu caneco e atirou-o bem longe: ainda não era tão livre quanto imaginava&#8230; Outra vez, Diógenes tomava sol à beira da estrada, quando passou o séquito de Alexandre Magno. Alguém alertou o Imperador para a presença do filósofo. Alexandre, que apreciava a filosofia, desceu do cavalo, aproximou-se e perguntou respeitosamente em que poderia servir a Diógenes. Este respondeu: “Saia [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-5313" title="Escravos-do-século-XXI" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2011/07/Escravos-do-século-XXI.png" alt="" width="306" height="219" /></p>
<p>Nestes tempos bicudos de generalizado relativismo, chega-se ao ponto de afirmar que “cada um tem a sua verdade”. E não percebem que duas verdades opostas se desmentem. No mínimo, uma delas é mentira.</p>
<p>Cecília Meireles sabia disso: “<em><em>Ou se tem chuva e não se tem sol</em></em><strong><em>, </em></strong><em><em>ou se tem sol e não se tem chuva</em></em><strong><em>! </em></strong><em>Ou se calça a luva e não se põe o anel,</em><em> ou se põe o anel e não se calça a luva!</em>”</p>
<p>Apesar da lição poética de Cecília – que se dirigia às crianças para corrigir os adultos &#8211; sempre que escrevo algo de modo categórico, alguém reclama que estou tentando impor meu ponto de vista. Uma ofensa às liberdades democráticas. Na geléia geral do pensamento burguês, ser definido incomoda&#8230;</p>
<p>Estive relendo um pensador da primeira metade do século XX, o belga Joseph Schrijvers, que fala exatamente sobre nossa propensão à vida escrava. Eis o que ele diz:</p>
<p>“Quanto mais o homem se acredita livre, tanto mais ele obedece, ainda que o não perceba. Ele obedece à opinião, aos costumes, às ideias dominantes, à moda, às suas paixões, a suas necessidades reais ou fictícias, à sua imaginação e a seus caprichos. Ele obedece a seus patrões e mais ainda a seus subordinados; ele obedece a seus semelhantes, a suas maneiras, a seus exemplos, ao seu sorriso.”</p>
<p>Não é curioso? Alguém sorri para mim e eu me sinto obrigado a sorrir também. Logo, obedeço&#8230;</p>
<p>Prossegue Schrijvers: “Todo homem, quer queira, quer não, é sugestionado pelos livros que lê, as apreciações que ouve, as críticas que sofre, os elogios que procura. Assim, a maior parte dos homens, acreditando serem livres, não são mais que escravos”.</p>
<p>Então, não existem homens livres? Existem, mas são raros. Um deles foi o filósofo Diógenes, que abriu mão de todos os seus bens e reservou-se apenas um barril sem fundo, que lhe servia de casa e vestuário, e um caneco para beber água. Certo dia, na praça, viu um moleque que se aproximou da fonte e bebeu na concha da mão. Diógenes pegou seu caneco e atirou-o bem longe: ainda não era tão livre quanto imaginava&#8230;</p>
<p>Outra vez, Diógenes tomava sol à beira da estrada, quando passou o séquito de Alexandre Magno. Alguém alertou o Imperador para a presença do filósofo. Alexandre, que apreciava a filosofia, desceu do cavalo, aproximou-se e perguntou respeitosamente em que poderia servir a Diógenes. Este respondeu: “Saia da minha frente, que você está fazendo sombra em mim!”</p>
<p>Homens livres são raros. Um deles foi São Francisco de Assis, que dispensa comentários. E houve também uma admirável mulher do século XX, Madre Teresa de Calcutá, que deixou a segurança de seu colégio, toda cercada de menininhas cheirosas, para mergulhar nas favelas imundas de Calcutá, onde pôde servir aos mendigos, aos hansenianos e às crianças abandonadas. Em 25 anos, Madre Teresa arrebanharia cerca de 5000 seguidores em todo o planeta. Parece que a liberdade atrai as pessoas.</p>
<p>Claro, nós não fazemos o mesmo porque ainda somos escravos&#8230;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Paz na Escola!</title>
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		<pubDate>Thu, 28 Apr 2011 16:51:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Denise Paiva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Educação]]></category>

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		<description><![CDATA[Como promover a escola como lugar seguro, ao cuidado, à socialização, à construção do saber, à preservação da vida e da felicidade? A resposta não está no vento, nem nos muros, nem dos detectores de metais, nem do aparato policial. A resposta está numa cultura de paz e de direitos humanos. O governo Fernando Henrique sob a inspiração/decisão do ministro José Gregori criou em 1999, no âmbito da Secretaria Nacional de Direitos Humanos o Programa Nacional Paz na Escola. O programa fomentou uma rede de parcerias com instituições públicas e privadas e atores sociais capazes de transformar a escola num espaço de promoção da paz e da cidadania. Centenas de iniciativas, projetos, ações formataram o Programa em todo país, com estimulo financeiro e com uma linha metodológica e uma concepção filosófica de que o antídoto da violência é a solidariedade, a cooperação, o respeito, o afeto, o cuidado e o amor. Onze anos se passaram e a assertividade desta concepção se mostra viva e presente na forma como a sociedade brasileira deve buscar enfrentar a violência no cotidiano das escolas. Lições emergem das experiências práticas que devem ser trazidas à luz, para orientar cada vez mais o investimento social público e privado a contribuir efetivamente para o desenvolvimento do país, atuando junto à juventude, fazendo-a protagonista do seu próprio bem viver, fazendo-a empunhar as bandeiras da paz e do desenvolvimento sustentável. Promover sinergias de forças propulsoras da paz foi a grande estratégia do programa, descobrindo tais forças na experiência do esporte, dos grêmios, da polícia solidária, nos Parâmetros Curriculares de Ética e Cidadania do Ministério da Educação, nas associações comunitárias, nas artes, enfim na gama de expressões concretas que exprimem o compromisso e o amor à vida e à felicidade. Estratégias que somadas consubstanciam as relações democráticas dentro da escola e da escola com a comunidade e fortalecem a construção da democracia no concreto e no cotidiano. Abrir a escola no sentido material e simbólico é o caminho mais adequado para transformá-la num espaço de paz e de atração para os jovens. Romper com os muros de ferro, cimento e sobretudo os muros pedagógicos e da intolerância é dever de todos, é tarefa impostergável na agenda do século XXI, que todo dia nos impõe uma reflexão e uma tomada de decisão pela barbárie ou pela civilização. Iluminar as quadras, efetivar esporte à noite é receita comprovadamente eficaz que diminuiu índices [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2011/04/paz-na-escola.jpg" alt="" title="TIROTEIO/ESCOLA/AULAS" width="448" height="336" class="aligncenter size-full wp-image-4850" /><br />
Como promover a escola como lugar seguro, ao cuidado, à socialização, à construção do saber, à preservação da vida e da felicidade? </p>
<p>A resposta não está no vento, nem nos muros, nem dos detectores de metais, nem do aparato policial. A resposta está numa cultura de paz e de direitos humanos.</p>
<p>O governo Fernando Henrique sob a inspiração/decisão do ministro José Gregori criou em 1999, no âmbito da Secretaria Nacional de Direitos Humanos o Programa Nacional Paz na Escola.</p>
<p>O programa fomentou uma rede de parcerias com instituições públicas e  privadas e atores sociais capazes de transformar a escola num espaço de promoção da paz e da cidadania. Centenas de iniciativas, projetos, ações formataram o Programa em todo país, com estimulo financeiro e com uma linha metodológica e uma concepção filosófica de que o antídoto da violência é a solidariedade, a cooperação, o respeito, o afeto, o cuidado e o amor.</p>
<p>Onze anos se passaram e a assertividade desta concepção se mostra viva e presente na forma como a sociedade brasileira deve buscar enfrentar a violência no cotidiano das escolas. </p>
<p>Lições emergem das experiências práticas que devem ser trazidas à luz, para orientar cada vez mais o investimento social público e privado a contribuir efetivamente para o desenvolvimento do país, atuando junto à juventude, fazendo-a protagonista do seu próprio bem viver, fazendo-a empunhar as bandeiras da paz e do desenvolvimento sustentável.</p>
<p>Promover sinergias de forças propulsoras da paz foi a grande estratégia do programa, descobrindo tais forças na experiência do esporte, dos grêmios, da polícia solidária, nos Parâmetros Curriculares de Ética e Cidadania do Ministério da Educação, nas associações comunitárias, nas artes, enfim na gama de expressões concretas que exprimem o compromisso e o amor à vida e à felicidade.</p>
<p>Estratégias que somadas consubstanciam as relações democráticas dentro da escola e da escola com a comunidade e fortalecem a construção da democracia no concreto e no cotidiano.</p>
<p>Abrir a escola no sentido material e simbólico é o caminho mais adequado para transformá-la num espaço de paz e de atração para os jovens. </p>
<p>Romper com os muros de ferro, cimento e sobretudo os muros pedagógicos e da intolerância  é dever de todos, é tarefa impostergável na agenda do século XXI, que todo dia nos impõe uma reflexão e uma tomada de decisão  pela barbárie ou pela civilização.</p>
<p>Iluminar as quadras, efetivar esporte à noite é receita comprovadamente eficaz  que diminuiu índices de criminalidade e rivalidade entre gangs juvenis, não só em Nova York mas nas cidades satélites do Distrito Federal, através do emblemático Projeto Esporte à Meia Noite criado em 1999 por uma corajosa policial chamada Aldadei Filha. Difícil para não dizer quase impossível citar nomes. Foram muitos!</p>
<p>Foram, 107 projetos em todo país, 40 parceiros institucionais, para execução na ponta, instituições consolidadas que permitiram um desenho inédito ao projeto e uma multiplicidade de iniciativas pautadas nas linhas mestras do programa: mobilização social; ampliação das ações da sociedade civil complementares à educação formal; construção de uma nova relação polícia-escola; difusão da temática Paz na Escola com processos amplos de comunicação social; produção de conhecimento e informações sobre violência e cultura de paz.</p>
<p>As metodologias de intervenção, privilegiaram o que chamamos de construção coletiva, daí a importância das rodas de conversa, das oficinas de desconstrução da violência, dos cartazes que retiraram a letra “r” da palavra arma, para transformá-la em ama; da criação dos mais diferentes espaços para abordagem do tema na sua ampla dimensão e complexidade.</p>
<p>A violência, e não violência flui na vida e integra a saúde mental e  reprodutiva, o esporte, a carreira, o lazer, enfim o conjunto de bens, aspirações e realidades que perpassam a vida dos jovens.</p>
<p>Hoje, ao debruçar sobre os relatórios, pelas conversas com parceiros e avaliadores e substancialmente com a equipe que acompanhou o nascimento e o desenvolvimento do programa de 1999 a 2005, até quando tive uma posição gerencial de destaque em relação ao mesmo, pudemos dizer que aprendemos:</p>
<p>l) A intersetorialidade respeitando competências próprias e especificidades culturais dos vários parceiros promove robustas ações conjuntas;</p>
<p>2) Quando maior for a autonomia dada aos núcleos de decisão para gerir recursos maior será a capacidade de consolidar e articular novas parcerias e novos atores;</p>
<p>3) Redefinidas as regras de uma escola, de forma democrática, aguça-se o sentimento de PERTENCER e o compromisso com o acordo coletivo, portanto são maiores as possibilidades de  sucesso de uma cultura de paz.</p>
<p>4) Para superação do discurso comum sobre violência que acaba por aumentar o medo e a segurança, e reforça o padrão que violência se combate com mais violência há uma mudança radical nos temas que mediam a relação educativa na promoção de um cultura de paz. Temas privilegiados são: Estatuto da Criança e Adolescente, Saúde Reprodutiva e Direito a uma sexualidade saudável, Relação da Escola com a Comunidade; Drogas, Violência sexual e doméstica, Diversidade de gênero, raça, orientação religiosa e sexual; Direitos Humanos no cotidiano, como exemplos. A diversidade de profissionais, com formações diferentes e a integração entre o saber especializado e a experiência popular asseguram maior riqueza e efetividade aos processos de educação pró Cultura de Paz.</p>
<p>5) Escutar o jovem através de instrumentais de pesquisa que dêem conta do seu universo complexo e sua linguagem muito própria e muito dinâmica. Muitas dessas expressões foram transformadas em peças de arte, como roteiros de vídeos e músicas.</p>
<p>6) A desconstrução da violência e a implementação de um cultura de paz exige uma pedagogia ativa, com táticas e estratégias; um planejamento  com metas de curto, médio e longo prazo. As responsabilidades pela vida e pelo rumo da escola são compartilhadas por todos, tanto pelos agentes da escola, da família, como da comunidade.</p>
<p>Existem caminhos para desconstrução da violência nas escolas, basta ter olhos para ver e disposição para agir coletivamente.</p>
<p>Rio de Janeiro abril de 2011</p>
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		<title>Tese sobre a Tragédia da Gameleira &#8211; BH &#8211; 1967 &#8211; Prof Antonio Liberio de Borba                         dia 31/08            19 hs, Centro de Cultura de BH, R. da Bahia, 1149</title>
		<link>http://www.metro.org.br/editor/convite</link>
		<comments>http://www.metro.org.br/editor/convite#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 25 Aug 2010 18:30:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Editor</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arquitetura]]></category>
		<category><![CDATA[Engenharia]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-3561" title="CONVITE" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2010/08/CONVITE-e1282760974951.jpg" alt="" /></p>
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