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	<title>Fundação Metropolitana &#187; Cidadania</title>
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	<description>Fundação Educacional e Cultural Metropolitana</description>
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		<title>O Cavalo da Savassi</title>
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		<pubDate>Tue, 15 Mar 2011 19:23:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eulália Jordá Poblet</dc:creator>
				<category><![CDATA[Proteção aos Animais]]></category>

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		<description><![CDATA[Quando cai a noite, Belo Horizonte tateia algum movimento cultural na convivência animada dos cafés e livrarias. Por alguns segundos, trechos de poemas parecem brilhar, encantados, se esvaindo languidamente pelos bueiros, junto às águas pluviais dessa cidade assentada sobre rios. Mas as minúsculas felicidades de B.H. são precárias e passageiras pois são obrigadas a acompanhar o ritmo mineiro escravocrata que maltrata e maltrata os animais, pautado em mil enganos, e que foi assim imortalizado por seus escritores e cantores. Pelos “caminhos de Minas” ouvem-se citações de pássaros cegados para cantar melhor, de rodas de carro de boi que equivocadamente se fazem passar por belas tradições do campo, de boiadas “dominadas” pelo homem, essa espécie caricatural que se autodenomina heróica quando na verdade o que faz é subjugar e escravizar aqueles que não podem se defender. A percussão dos cascos de cavalos que para além do interior mineiro transbordam até a cidade, é trôpega, soluçante, uma ignomínia traduzida para o asfalto. Seus maestros sem maestria, os chamados condutores de carroças, tem o porte dos tão ainda recentes feitores de escravos no ponto odioso onde Minas é tão repleta de memória e fetiches tais como algemas, correntes e postes para torturas. O bom ouvido, aquele afinado para escutar mais do que para ouvir, percebe sob o som monótono dos carros essa música hedionda que corta a Savassi como um mau augúrio. Na verdade assemelha-se mais à uma anti-música ou à perversão dela, o som do cavalo manco, puxando uma carroça repleta de um peso lancinante que não mantém correspondência nem com a condição do animal nem com aquele que realiza a audição desse melancólico evento. O cavalo manco é triste, magro, velho. Seu olhar nunca vagueia pelas laterais pois há um impedimento físico colocado pelo “dono” para que não se distraia, de tal forma que seu olhar vazio só possa se derramar para a frente ou para o chão. O que resta ao cavalo é um esvair-se autista, um isolar-se da sede, da fome e do tédio talvez apenas em uma campina imaginária da qual apenas os animais escravizados possuam o vislumbre. O fato de se apresentar com diferentes “donos” sugere que seja um animal de aluguel, ficando assim à mercê de descompromissados jovens e velhos que o chicoteiam obedientes apenas à aleatoriedade de seus temperamentos e humores. Os carros e os transeuntes mal notam esse cavalo ofegante que muito além deles, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;"><a href="http://www.metro.org.br/admin/o-cavalo-da-savassi"><img class="aligncenter size-medium wp-image-4628" title="metro" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2011/03/metro4-479x400.jpg" alt="" width="479" height="400" /></a></p>
<p>Quando cai a noite, Belo Horizonte tateia algum movimento cultural na convivência animada dos cafés e livrarias. Por alguns segundos, trechos de poemas parecem brilhar, encantados, se esvaindo languidamente pelos bueiros, junto às águas pluviais dessa cidade assentada sobre rios.<br />
Mas as minúsculas felicidades de B.H. são precárias e passageiras pois são obrigadas a acompanhar o ritmo mineiro escravocrata que maltrata e maltrata os animais, pautado em mil enganos, e que foi assim imortalizado  por seus escritores e cantores.<br />
Pelos “caminhos de Minas” ouvem-se citações de pássaros cegados para cantar melhor, de rodas de carro de boi que equivocadamente se fazem passar por belas tradições do campo, de boiadas “dominadas” pelo homem, essa espécie caricatural que se autodenomina heróica quando na verdade o que faz é subjugar e escravizar aqueles que não podem se defender.<br />
A percussão dos cascos de cavalos que para além do interior mineiro transbordam até a cidade, é trôpega, soluçante, uma ignomínia traduzida para o asfalto. Seus maestros sem maestria, os chamados condutores de carroças, tem o porte dos tão ainda recentes feitores de escravos no ponto odioso onde Minas é tão repleta de memória e fetiches tais como algemas, correntes e postes para torturas.<br />
O bom ouvido, aquele afinado para escutar mais do que para ouvir, percebe sob o som monótono dos carros essa música hedionda que corta a Savassi como um mau augúrio. Na verdade assemelha-se mais à uma anti-música ou à perversão dela, o som do cavalo manco, puxando uma carroça repleta de um peso lancinante que não mantém correspondência nem com a condição do animal nem com aquele que realiza a audição desse melancólico evento.<br />
O cavalo manco é triste, magro, velho. Seu olhar nunca vagueia pelas laterais pois há um impedimento físico colocado pelo “dono” para que não se distraia, de tal forma que seu olhar vazio só possa se derramar para a frente ou  para o chão. O que resta ao cavalo é um esvair-se autista, um isolar-se da sede, da fome e do tédio talvez apenas em uma campina imaginária da qual apenas os animais escravizados possuam o vislumbre.<br />
O fato de se apresentar com diferentes “donos” sugere que seja um animal de aluguel, ficando assim à mercê de descompromissados jovens e velhos que o chicoteiam obedientes apenas à aleatoriedade de seus temperamentos e humores.<br />
Os carros e os transeuntes mal notam esse cavalo ofegante que muito além deles, já não nota nada, pois parece estar quase cego. E que interesse poderia haver, se enxergasse, um mundo de animais humanos agitados e esvoaçantes impedindo-o de chegar até a leveza de sua campina?<br />
As pessoas que atam os animais às carroças são invariavelmente pobres lembrando mulheres pobres de outrora que extraiam seu único sustento de negras escravas que vendiam doces para suas amas decadentes. Esquecem-se que tanto hoje como naquele tempo,viver do sofrimento de outro, mesmo quando se é pobre, é vil.<br />
A BHTRANS e o DETRAN, Departamento de Trânsito, do trânsito dele, cavalo, nada sabem. As carroças não são emplacadas, não são multadas. Os bichos trabalham de noite, de dia e de madrugada. O peso não é controlado. Os funcionários não verificam se há balde para água e há quantas horas o animal está trabalhando, se suporta o peso e se está alimentado, se a égua está grávida, se está com ferraduras ou tem idade para o trabalho.<br />
Belo Horizonte dorme sobre o pesadelo dos animais, em um mundo que evita se acordar porque muitas modificações teria que realizar.  A desconfiança que obstaculiza melhoramentos assim como a ausência de generosidade em favorecer o outro &#8211; no caso, os bichos &#8211; podem representar traços de um avaro espírito mineiro que pode não ser apenas uma lenda.</p>
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		<title>Crueldade à mesa</title>
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		<pubDate>Wed, 09 Dec 2009 17:50:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eulália Jordá Poblet</dc:creator>
				<category><![CDATA[Proteção aos Animais]]></category>

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		<description><![CDATA[O Natal/Ano Novo é um tempo em que quase ninguém pensa nos bichos, apenas os digere aos montes. Para essa execução de animais orquestrada em quase toda a geografia do império humano sem que muitos questionamentos sejam levantados, imaginei um mote: “holocausto de fim de ano&#8221;. Dá desgosto e repulsa ao olhar previamente sensibilizado para o sofrimento de outras espécies vê-las mortas sobre a mesa, estripadas, desossadas, tratadas como meros objetos, apenas para dar prazer a indivíduos pertencentes à espécie dominante instalada na supremacia da esperteza e inconseqüência. Mentes brilhantes da política, das igrejas, da ciência, do jornalismo se amesquinham nessa hora dita “gastronômica&#8221;: ninguém aparece para oferecer aos animais uma frase que seja de defesa. Nessa época, as mesas se enchem de pernis ao molho de macadâmias, perus, porcos inteiros. Cerejas, ameixas, tâmaras e nozes complementam a decoração “Kitsch” desse festim eticamente duvidoso. Se olhos fossem saborosos, com certeza as pessoas comeriam olhos de animais enfeitados com hibiscos. Prima primeira dos idos totalitários, somente a tecnocracia, com sua espetacular capacidade destrutiva, consegue matar em tão pouco tempo esse número elevadíssimo de animais. É claro que se não houvesse tantos mercados, não se interessaria em fazê-lo. Mas os mercados são compostos por indivíduos incapazes de se colocar no lugar-e-dor do outro, perpetuando a demanda artificialmente ampliada pelos empresários de “gêneros alimentícios”. Para que ninguém tenha sua consciência “incomodada”- as pessoas têm horror de serem removidas da placidez de seu conforto-, utiliza-se a velha e eficaz fórmula nazista: inicialmente removem-se os matadouros, verdadeiros campos de concentração, para bem longe dos olhos da população. Em ato subseqüente, há o assassinato de cada animal de forma camuflada, seu cadáver peregrinando por várias etapas de maquilagem, em diversos departamentos, chegando ao final da linha de produção irreconhecível, quando uma criança não conseguirá mais fazer a correlação entre uma coxa de galinha plastificada e o pintinho vivo com o qual brincou.  Chamarei a esse fenômeno “esquizofrenia tecnológica”. Enquanto isso, empresas de excepcional lucratividade se movimentam nervosamente por detrás do assassinato dos animais, transitando desde a ingênua sopinha de carne para o bebê humano ao escancarado “baby-beef”, que nada mais é que bife de bebê assassinado de outra espécie. A indústria que movimenta bilhões e bilhões de dólares/euros/reais/outros, tem seus pés de barro apoiados na morte rotineira e massificada dos animais. O Natal desnuda ainda mais esse nazismo: entre baladas suaves falando de “paz” e badalos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-1827" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2009/12/image0015.jpg" alt="" width="500" height="380" /></p>
<p>O Natal/Ano Novo é um tempo em que quase ninguém pensa nos bichos, apenas os digere aos montes. Para essa execução de animais orquestrada em quase toda a geografia do império humano sem que muitos questionamentos sejam levantados, imaginei um mote: “holocausto de fim de ano&#8221;. Dá desgosto e repulsa ao olhar previamente sensibilizado para o sofrimento de outras espécies vê-las mortas sobre a mesa, estripadas, desossadas, tratadas como meros objetos, apenas para dar prazer a indivíduos pertencentes à espécie dominante instalada na supremacia da esperteza e inconseqüência. Mentes brilhantes da política, das igrejas, da ciência, do jornalismo se amesquinham nessa hora dita “gastronômica&#8221;: ninguém aparece para oferecer aos animais uma frase que seja de defesa.</p>
<p>Nessa época, as mesas se enchem de pernis ao molho de macadâmias, perus, porcos inteiros. Cerejas, ameixas, tâmaras e nozes complementam a decoração “Kitsch” desse festim eticamente duvidoso. Se olhos fossem saborosos, com certeza as pessoas comeriam olhos de animais enfeitados com hibiscos.</p>
<p>Prima primeira dos idos totalitários, somente a tecnocracia, com sua espetacular capacidade destrutiva, consegue matar em tão pouco tempo esse número elevadíssimo de animais. É claro que se não houvesse tantos mercados, não se interessaria em fazê-lo.</p>
<p>Mas os mercados são compostos por indivíduos incapazes de se colocar no lugar-e-dor do outro, perpetuando a demanda artificialmente ampliada pelos empresários de “gêneros alimentícios”.</p>
<p>Para que ninguém tenha sua consciência “incomodada”- as pessoas têm horror de serem removidas da placidez de seu conforto-, utiliza-se a velha e eficaz fórmula nazista: inicialmente removem-se os matadouros, verdadeiros campos de concentração, para bem longe dos olhos da população.</p>
<p>Em ato subseqüente, há o assassinato de cada animal de forma camuflada, seu cadáver peregrinando por várias etapas de maquilagem, em diversos departamentos, chegando ao final da linha de produção irreconhecível, quando uma criança não conseguirá mais fazer a correlação entre uma coxa de galinha plastificada e o pintinho vivo com o qual brincou.  Chamarei a esse fenômeno “esquizofrenia tecnológica”.</p>
<p>Enquanto isso, empresas de excepcional lucratividade se movimentam nervosamente por detrás do assassinato dos animais, transitando desde a ingênua sopinha de carne para o bebê humano ao escancarado “baby-beef”, que nada mais é que bife de bebê assassinado de outra espécie.</p>
<p>A indústria que movimenta bilhões e bilhões de dólares/euros/reais/outros, tem seus pés de barro apoiados na morte rotineira e massificada dos animais. O Natal desnuda ainda mais esse nazismo: entre baladas suaves falando de “paz” e badalos de sininhos amorosos, as empresas afiam suas lâminas, decepam pescoços, patas e pés. Esses corpos mutilados desejavam viver e, no entanto, foram interrompidos e devorados sem nenhuma culpa por parte dos consumidores, que jamais se perguntaram qual o significado de um matadouro. Hannah Arendt, que acompanhou como jornalista o julgamento de Eichmann, concluiu que o nazista que havia enviado tantos judeus para a morte não era um homem perverso ou um monstro, como se queria provar. Era apenas um funcionário mediano, incapaz de refletir sobre seus atos ou fugir a clichês burocráticos.</p>
<p>Infelizmente, a maioria das pessoas do mundo cotidiano, esse mundinho nosso de cada dia, é pelo menos em relação aos animais, como Eichmann.</p>
<p>O fluxo contínuo de mortes dos bichos nesse tipo de sociedade em que tudo é banalizado dá a falsa impressão de que o tradicional é algo sempre “normal” e isento de delito. Pouquíssimos conseguem ter espírito crítico em relação à paisagem imoral que se oferece além das mesas de Natal e fim de ano.</p>
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		<title>Tentativa de Golpe Militar em Honduras – parte 2</title>
		<link>http://www.metro.org.br/nadia/tentativa-de-golpe-militar-em-honduras-%e2%80%93-parte-2</link>
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		<pubDate>Wed, 08 Jul 2009 12:44:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nádia Campos</dc:creator>
				<category><![CDATA[América Latina]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos Civis]]></category>
		<category><![CDATA[Internacionais]]></category>

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		<description><![CDATA[Parece irreal, quase inacreditável, mas Honduras, um dos países mais pobres da América Latina, sofreu um golpe através do uso de forças militares. O presidente Manuel Zelaya foi seqüestrado em sua casa e levado para a Costa Rica. A mentira começou com a leitura de uma falsa carta de renúncia do presidente. Os jogos de palavras, as máscaras midiáticas têm sido muito usadas para confundir e desmobilizar as pessoas. A advogada norte americana Eva Golinger, estudiosa das intervenções do governo dos Estados Unidos na América Latina, em uma entrevista para o canal venezuelano Telesur chamou a atenção para o significado da base militar de Soto Cano, situada a 97 Km da capital, Tegucigalpa, aonde estão aquartelados 600 militares norte americanos. Está ali desde os anos 70 sem nenhum tratado legal, apenas tratado informal em troca de serviços como a formação de militares, lembrando que a lógica de ação é herança da Escola das Américas, utilizada pela CIA para exterminar ações comunistas no continente. O governo dos Estados Unidos investiu milhões de dólares nesta base. Há alguns anos, Zelaya começou a negociar com Bush a conversão desta base em um aeroporto civil internacional. Billy Joya, que foi quem advogou em favor do governo dos Estados Unidos para manter esta base militar, considerada estratégica na América Latina pelo Pentágono, foi nomeado pelo presidente golpista Micheletti como ministro-assessor. Este mesmo senhor, segundo o Comité de Familiares de Detenidos Desaparecidos en Honduras, COFADEH, comandou torturas em Honduras e é responsabilizado por 16 mortes durante a ditadura militar deste país. Eva nos alerta ainda para a postura ambígua e falsa aparência de Obama, que faz certas declarações e atua de modo diferente. Na tarde de domingo o Pentágono declarou que o Golpe é civil e não militar, fato que faz com que os EUA mantenham sua relação diplomática com Honduras e declarou ainda que as atividades na base continuarão normalmente, interrompendo apenas as manobras conjuntas. Organizações internacionais como a OEA, a maior parte dos governos da América Latina, da União Européia e de outras partes do mundo condenaram o golpe e suspenderam as relações com o governo de Honduras. No domingo Zelaya decolou a partir de Washington, onde participou de uma conferência de emergência da OEA de volta para Honduras. Uma multidão o esperava e se manifestava a favor de seu retorno nos arredores do aeroporto, mas as forças militares não permitiram o pouso do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Parece irreal, quase inacreditável, mas Honduras, um dos países mais pobres da América Latina, sofreu um golpe através do uso de forças militares. O presidente Manuel Zelaya foi seqüestrado em sua casa e levado para a Costa Rica. A mentira começou com a leitura de uma falsa carta de renúncia do presidente.</p>
<p>Os jogos de palavras, as máscaras midiáticas têm sido muito usadas para confundir e desmobilizar as pessoas. A advogada norte americana Eva Golinger, estudiosa das intervenções do governo dos Estados Unidos na América Latina, em uma entrevista para o canal venezuelano Telesur chamou a atenção para o significado da base militar de Soto Cano, situada a 97 Km da capital, Tegucigalpa, aonde estão aquartelados 600 militares norte americanos. Está ali desde os anos 70 sem nenhum tratado legal, apenas tratado informal em troca de serviços como a formação de militares, lembrando que a lógica de ação é herança da Escola das Américas, utilizada pela CIA para exterminar ações comunistas no continente.</p>
<p>O governo dos Estados Unidos investiu milhões de dólares nesta base. Há alguns anos, Zelaya começou a negociar com Bush a conversão desta base em um aeroporto civil internacional. Billy Joya, que foi quem advogou em favor do governo dos Estados Unidos para manter esta base militar, considerada estratégica na América Latina pelo Pentágono, foi nomeado pelo presidente golpista Micheletti como ministro-assessor. Este mesmo senhor, segundo o Comité de Familiares de Detenidos Desaparecidos en Honduras, COFADEH, comandou torturas em Honduras e é responsabilizado por 16 mortes durante a ditadura militar deste país.</p>
<p>Eva nos alerta ainda para a postura ambígua e falsa aparência de Obama, que faz certas declarações e atua de modo diferente. Na tarde de domingo o Pentágono declarou que o Golpe é civil e não militar, fato que faz com que os EUA mantenham sua relação diplomática com Honduras e declarou ainda que as atividades na base continuarão normalmente, interrompendo apenas as manobras conjuntas.</p>
<p>Organizações internacionais como a OEA, a maior parte dos governos da América Latina, da União Européia e de outras partes do mundo condenaram o golpe e suspenderam as relações com o governo de Honduras. No domingo Zelaya decolou a partir de Washington, onde participou de uma conferência de emergência da OEA de volta para Honduras. Uma multidão o esperava e se manifestava a favor de seu retorno nos arredores do aeroporto, mas as forças militares não permitiram o pouso do avião. Muitos manifestantes foram feridos e pelo menos três foram mortos. Segundo o deputado César Ham, que saiu do país sob ameaças, sua esposa foi agredida fisicamente pelos militares. Disse ainda que apesar da repressão o povo está se mobilizando e os movimentos sociais estão articulando-se com estratégia de ocupar as ruas da capital pedindo e apoiando o retorno de Zelaya.</p>
<p>Também no domingo membros de comunidades indígenas caminharam dez horas pelas montanhas para chegar a Tegucigalpa. Muitos meios de comunicação foram fechados ou estão censurados. As rádios somente tocam marchas militares, sem nenhum noticiário. O toque de recolher a partir das 21 horas permite a entrada de militares em lojas e moradias, proíbe a circulação de pessoas nas ruas, e várias acusações de violação dos direitos humanos por parte dos militares têm sido feitas.</p>
<p>De onde estivermos precisamos continuar atentos, pesquisando e fazendo apelos por todos os meios, a todas as pessoas que pudermos atingir, para buscar a compreensão do significado deste golpe fascista para toda América Latina.</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-799" title="polícia e os militares " src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2009/07/image0011.jpg" alt="polícia e os militares " width="385" height="269" /></p>
<p>A polícia e os militares impediram milhares de apoiadores de Manuel Zelaya de se aproximar do aeroporto de Tegucigalpa</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-800" title="exército hondurenho" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2009/07/image0021.jpg" alt="exército hondurenho." width="276" height="207" /></p>
<p>A rede de TV venezuelana TeleSur, através de uma cobertura exemplar, acompanhou a tentativa de Zelaya de aterrissar em Honduras. Por telefone, autoridades de toda a América Latina se manifestaram contra a atitude do exército hondurenho.</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-801" title="Soldados do exército e policiais ameaçando os manifestantes " src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2009/07/image0031.jpg" alt="Soldados do exército e policiais ameaçando os manifestantes " width="320" height="240" /></p>
<p>Soldados do exército e policiais ameaçando e apontando armas contra os manifestantes que aguardavam Zelaya no aeroporto.</p>
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		<title>TENTATIVA DE GOLPE MILITAR EM HONDURAS</title>
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		<pubDate>Tue, 30 Jun 2009 15:25:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nádia Campos</dc:creator>
				<category><![CDATA[América Latina]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos Civis]]></category>
		<category><![CDATA[Internacionais]]></category>

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		<description><![CDATA[Domingo, 28 de junho, o presidente de Honduras Manuel Zelaya foi seqüestrado pelo exército e enviado de uma base aérea para Costa Rica. Zelaya era empresário, membro do Partido Liberal, mas durante sua gestão Honduras passou a fazer parte da Aliança Bolivariana das Américas, liderada por Hugo Chávez. Neste ano estava mobilizando um referendo popular a respeito de uma reforma na constituição para permitir a reeleição para a presidência da república. A ação do presidente não foi aceita pela maioria dos parlamentares. A gota d água para o Golpe pode ter sido a destituição na ultima quarta feira, do general Comandante adjunto do estado maior, Romeo Vazques. O Congresso Nacional de Honduras com apoio de militares e do judiciário nomeou como presidente provisório do país o presidente do Congresso Nacional, Roberto Micheletti, empresário do mesmo partido de Zelaya. Muitos crimes já estão sendo praticados como o fechamento de meios de comunicação, permanecendo em atividade apenas os pró-golpistas. Há manifestantes feridos e presos. Os embaixadores de Cuba e Venezuela acusam haver sido seqüestrados e golpeados por oficiais. A Organização dos Estados Americanos condenou o golpe. O Presidente venezuelano, Hugo Chávez disse que o Sr. Micheletti ou termina preso ou vai ter que se exilar, e o presidente dos EUA Barack Obama também se declarou contra o golpe e diz reconhecer apenas Manuel Zelaya como presidente de Honduras. Os EUA mantêm 600 militares numa base no país, cuja justificativa são missões humanitárias e para ajuda pós-desastres naturais. È de assustar, mas serve para alertar-nos de que ainda paira no nosso amado continente a sombra da “Escola das Américas”, um militarismo fascista amparado por oligarquias e elites. A “Escola das Américas”, mais conhecida como Escola dos Ditadores, era mantida pelos EUA na região do Canal do Panamá para preparar os militares da América Latina para conspirarem e derrubarem governos progressistas legitimamente eleitos. Seu apogeu foi nos anos 60 e 70, na época da chamada Guerra Fria. Daqui do Brasil, esperamos uma solução pacífica o mais rápido na terra Maia. Que nossos irmãos da América Central encontrem um caminho de justiça e este fantasma golpista e criminoso desapareça de vez! Um manifestante com um tijolo para fazer barricada em volta do palácio presidencial nessa segunda-feira.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-764 aligncenter" title="image0012" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2009/06/image0012.jpg" alt="image0012" width="410" height="285" /></p>
<p>Domingo, 28 de junho, o presidente de Honduras Manuel Zelaya foi seqüestrado pelo exército e enviado de uma base aérea para Costa Rica.</p>
<p>Zelaya era empresário, membro do Partido Liberal, mas durante sua gestão Honduras passou a fazer parte da Aliança Bolivariana das Américas, liderada por Hugo Chávez. Neste ano estava mobilizando um referendo popular a respeito de uma reforma na constituição para permitir a reeleição para a presidência da república. A ação do presidente não foi aceita pela maioria dos parlamentares. A gota d água para o Golpe pode ter sido a destituição na ultima quarta feira, do general Comandante adjunto do estado maior, Romeo Vazques.</p>
<p>O Congresso Nacional de Honduras com apoio de militares e do judiciário nomeou como presidente provisório do país o presidente do Congresso Nacional, Roberto Micheletti, empresário do mesmo partido de Zelaya.</p>
<p>Muitos crimes já estão sendo praticados como o fechamento de meios de comunicação, permanecendo em atividade apenas os pró-golpistas. Há manifestantes feridos e presos. Os embaixadores de Cuba e Venezuela acusam haver sido seqüestrados e golpeados por oficiais.</p>
<p>A Organização dos Estados Americanos condenou o golpe. O Presidente venezuelano, Hugo Chávez disse que o Sr. Micheletti ou termina preso ou vai ter que se exilar, e o presidente dos EUA Barack Obama também se declarou contra o golpe e diz reconhecer apenas Manuel Zelaya como presidente de Honduras. Os EUA mantêm 600 militares numa base no país, cuja justificativa são missões humanitárias e para ajuda pós-desastres naturais.</p>
<p>È de assustar, mas serve para alertar-nos de que ainda paira no nosso amado continente a sombra da “Escola das Américas”, um militarismo fascista amparado por oligarquias e elites. A “Escola das Américas”, mais conhecida como Escola dos Ditadores, era mantida pelos EUA na região do Canal do Panamá para preparar os militares da América Latina para conspirarem e derrubarem governos progressistas legitimamente eleitos. Seu apogeu foi nos anos 60 e 70, na época da chamada Guerra Fria.</p>
<p>Daqui do Brasil, esperamos uma solução pacífica o mais rápido na terra Maia. Que nossos irmãos da América Central encontrem um caminho de justiça e este fantasma golpista e criminoso desapareça de vez!</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-765" title="image0021" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2009/06/image0021.jpg" alt="image0021" width="186" height="136" /></p>
<p style="text-align: center;">Um manifestante com um tijolo para fazer barricada em volta do palácio presidencial nessa segunda-feira.</p>
<p style="text-align: left;"><img class="alignnone size-full wp-image-766" title="image003" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2009/06/image003.jpg" alt="image003" width="410" height="285" /></p>
<p style="text-align: left;"><img class="alignnone size-full wp-image-767" title="image004" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2009/06/image004.jpg" alt="image004" width="410" height="285" /></p>
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		<title>Colômbia: ONU indica que Exército age por recompensas</title>
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		<pubDate>Fri, 26 Jun 2009 11:49:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Afonso Machado</dc:creator>
				<category><![CDATA[América Latina]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos Civis]]></category>
		<category><![CDATA[Internacionais]]></category>

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		<description><![CDATA[No último dia 18/06/2009 numa coletiva de imprensa em Bogotá, Colômbia, o responsável da Organização das Nações Unidas, ONU, pela investigação sobre execuções extrajudiciais naquele país, Phillip Alston(foto) divulgou relatório criticando o Exército colombiano por não coibir uma prática comum entre seus soldados de assassinar civis inocentes e contabilizar as mortes como baixas da guerrilha. Na realidade o representante da ONU usa uma linguagem diplomática para evitar uma saia-justa pois a história do presidente Álvaro Uribe está intimamente ligada aos paramilitares que sempre operaram em seu país. O pai de Uribe foi executado pela guerrilha de esquerda, e a vingança passou a ser o objetivo de sua vida. Os paramilitares, que agiam na clandestinidade, sempre lhe pareceram o caminho mais eficiente. No poder desde 2002 Uribe não precisa mais dos “paras”, mas passou a adotar seus métodos dentro do próprio exército nacional. O episódio de 19 homens e meninos mortos por soldados no ano passado em Soacha, subúrbio de Bogotá, é somente &#8220;a ponta do iceberg&#8221;. Os colombianos ficaram chocados com os assassinatos cometidos por soldados em busca de promoções, bônus e outros benefícios oferecidos para um Exército sob crescente pressão após 45 anos de insurgência esquerdista. O funcionário da ONU, no final de uma missão de 10 dias, afirmou que tais casos representam uma prática &#8220;mais ou menos sistemática&#8221; de &#8220;elementos significativos entre os militares&#8221;. Alston afirmou que a prática nunca fez parte da política oficial de Estado, e que o ministério da Defesa agiu para parar com essas mortes. Mas os esforços para levar os culpados à Justiça têm sido lentos e realizados de forma inadequada, ressalvou. Na prática denuncia que se trata de uma política “oficiosa”. Civis têm sido mortos por soldados em todo o país no que Alston chamou de &#8220;assassinatos premeditados e a sangue frio de civis inocentes, por lucro&#8221;. O maior número desse tipo de morte ocorreu na periferia pobre de Soacha, onde recrutas iludem as vítimas com promessas de trabalhos lucrativos. Em vez disso, as pessoas eram mortas, vestidas como combatentes rebeldes e fotografadas com armas, diz o relatório da ONU. &#8220;As provas mostram as vítimas com roupas camufladas apertadas, ou com botas para selva quatro números maior que o tamanho delas, ou canhotos com armas na mão direita, ou homens com somente um orifício de tiro na nuca, e isso sustenta a ideia de que são guerrilheiros mortos em combate.&#8221; Para manter [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-749 aligncenter" title="philip-alston" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2009/06/philip-alston.jpg" alt="philip-alston" width="327" height="450" /></p>
<p>No último dia 18/06/2009 numa coletiva de imprensa em Bogotá, Colômbia, o responsável da Organização das Nações Unidas, ONU, pela investigação sobre execuções extrajudiciais naquele país, Phillip Alston(foto) divulgou relatório criticando o Exército colombiano por não coibir uma prática comum entre seus soldados de assassinar civis inocentes e contabilizar as mortes como baixas da guerrilha. Na realidade o representante da ONU usa uma linguagem diplomática para evitar uma saia-justa pois a história do presidente Álvaro Uribe está intimamente ligada aos paramilitares que sempre operaram em seu país. O pai de Uribe foi executado pela guerrilha de esquerda, e a vingança passou a ser o objetivo de sua vida. Os paramilitares, que agiam na clandestinidade, sempre lhe pareceram o caminho mais eficiente. No poder desde 2002 Uribe não precisa mais dos “paras”, mas passou a adotar seus métodos dentro do próprio exército nacional.</p>
<p>O episódio de 19 homens e meninos mortos por soldados no ano passado em Soacha, subúrbio de Bogotá, é somente &#8220;a ponta do iceberg&#8221;. Os colombianos ficaram chocados com os assassinatos cometidos por soldados em busca de promoções, bônus e outros benefícios oferecidos para um Exército sob crescente pressão após 45 anos de insurgência esquerdista.</p>
<p>O funcionário da ONU, no final de uma missão de 10 dias, afirmou que tais casos representam uma prática &#8220;mais ou menos sistemática&#8221; de &#8220;elementos significativos entre os militares&#8221;. Alston afirmou que a prática nunca fez parte da política oficial de Estado, e que o ministério da Defesa agiu para parar com essas mortes. Mas os esforços para levar os culpados à Justiça têm sido lentos e realizados de forma inadequada, ressalvou. Na prática denuncia que se trata de uma política “oficiosa”.</p>
<p>Civis têm sido mortos por soldados em todo o país no que Alston chamou de &#8220;assassinatos premeditados e a sangue frio de civis inocentes, por lucro&#8221;. O maior número desse tipo de morte ocorreu na periferia pobre de Soacha, onde recrutas iludem as vítimas com promessas de trabalhos lucrativos. Em vez disso, as pessoas eram mortas, vestidas como combatentes rebeldes e fotografadas com armas, diz o relatório da ONU.<br />
&#8220;As provas mostram as vítimas com roupas camufladas apertadas, ou com botas para selva quatro números maior que o tamanho delas, ou canhotos com armas na mão direita, ou homens com somente um orifício de tiro na nuca, e isso sustenta a ideia de que são guerrilheiros mortos em combate.&#8221;</p>
<p>Para manter a diplomacia, o relatório de Alston foi amenizado. Afirma que o governo convidou a missão da ONU e cooperou com o inquérito, tomou &#8220;medidas importantes para parar e reagir a essas mortes&#8221;. &#8220;Mas o número de processos bem-sucedidos continua muito baixo&#8221;, acrescentou.</p>
<p>Álvaro Uribe foi eleito pela primeira vez em 2002 com a ajuda de bilhões de dólares dos Estados Unidos para intensificar a luta contra as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). O uso de mercenários estrangeiros, inclusive empresas americanas, européias e israelenses de “segurança” ou “ações especiais” e incentivos milionários aos elementos do Exército Colombiano, bem como aos desertores da guerrilha pode ter surtido um certo efeito psicológico a princípio, mas hoje virou um Vale-tudo, com o total descontrole sobre as ações armadas pelo governo, como deixa ver o relatório da ONU.</p>
<p>A cumplicidade do governo George W.Bush com Uribe foi muito além de ajudas unilaterais bilionárias. Teve inclusive um tratado privilegiado de “livre comércio” que foi denunciado pelo presidente Obama enquanto candidato. Além de gerar desemprego nos EUA, o tratado, segundo Obama, deveria ser suspenso pois o governo Uribe vinha sendo freqüentemente denunciado pela atuação de Esquadrões da Morte que eliminavam inimigos da política institucional e lideranças sindicais no país. Mas a maior ajuda que o governo de George W. Bush deu à direita colombiana foi a nomeação de Luis Alberto Moreno, ex-embaixador da Colômbia nos EUA, para a presidência do Banco Interamericano de Desenvolvimento, BID.</p>
<p>Moreno, que assumiu a presidência daquela importante instituição continental de fomento desde outubro de 2005, quando derrotou o brasileiro João Sayad, então Vice-presidente de Finanças e Administração do banco, e três ex-ministros ou presidentes dos Bancos Centrais do Peru, Venezuela e Nicarágua, contou com o poder de voto proporcional às quotas controladas pelos EUA(30%) e seus aliados Canadá (4%) e membros da União Européia e da OTAN (16%), contando para isso também com a divisão dos países latino americanos.</p>
<p>Luis Alberto Moreno em sua gestão privilegiou tanto seu país que se tornou um candidato imbatível à sucessão de Uribe. Mas os últimos fatos têm mostrado que a política de Vale-tudo no combate às FARC está fazendo água, e o descontrole do aparelho de estado é cada vez mais evidente. O fato de a política institucional ter sido desacreditada pela ação dos esquadrões da morte pode significar que as FARC estão tendo a oportunidade de se tornar viáveis politicamente, ao contrário do que vinha sendo propagado pela grande imprensa mundial, que sempre apresentava a guerrilha de esquerda como conivente e sócia do narcotráfico. Como a imprensa livre tem que instalar o contraditório, não temos acesso à argumentação em defesa das FARC, mas seguramente entendemos que o atual governo-estado colombiano não demonstra legitimidade para representar a estabilidade democrática nesse país.</p>
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		<title>Chile: Identificados os torturadores e assassinos de Victor Jara</title>
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		<pubDate>Mon, 01 Jun 2009 11:56:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Editor</dc:creator>
				<category><![CDATA[América Latina]]></category>
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		<description><![CDATA[Segundo o Centro de Investigación e Información Periodística – CIPER, de Santiago do Chile, trinta e seis anos depois da morte do famoso cantor Víctor Jara, a investigação judicial chegou a um ponto que muitos consideravam impossível: identificar cada um dos oficiais e soldados que perpetraram o assassinato precedido de cenas de sadismo e atrocidades. Em meados do ano passado o juiz Juan Eduardo Fuentes declarou encerrado o processo com um único responsável, o comandante César Manríquez Bravo, encarregado do centro de prisioneiros improvisado que foi instalado no Estádio Chile a partir do dia 12 de Setembro de 1973. A resolução não foi aceita por Joan Jara, a viúva do artista, nem por suas filhas. Ao seu protesto uniram-se as vozes de muitos artistas e intelectuais chilenos. Joan fez um chamado a cada uma das mais de 6.000 pessoas (entre detidos e militares) para que colaborassem com o processo que corria sob segredo de justiça. Foram colhidos muitos testemunhos que contribuíram para esclarecer os fatos, o que permitiu ao advogado da familia, Nelson Caucoto, apresentar uma petição solicitando ao juiz mais de 90 novas diligências. O juiz reabriu o caso. A exaustiva investigação realizada envolveu os antigos soldados dos regimentos que estiveram no Estádio Chile, e permitiu identificar os militares que mataram 15 detidos com tiros de fuzil, entre eles Víctor Jara. No Estádio Chile, um espaço destinado em tempos normais a espectáculos esportivos e artísticos, foram amontoados aproximadamente 6.500 prisioneiros em uma situação caótica. Além do fato do encanamento ter estourado, não havía alimento para os prisioneiros nem para os soldados entre os dias 12 e 16 de Setembro. O Comandante Manríquez, no comando da força militar, impôs a ordem com o terror: colocou duas metralhadoras ponto 50 – usadas na segunda guerra mundial &#8211; apontando para os detidos e fez anunciar pelos alto-falantes que aquelas eram as “serras de Hitler, capazes de partir uma pessoa em duas”. Além disso, instalaram potentes lâmpadas que permaneciam ligadas dia e noite para que todos os que estavam no interior do estádio perdessem a noção do tempo. Um ex-soldado declarou que no subterrâneo do edificio funcionários de inteligência das forças armadas submetiam os detidos a interrogatório, mas que não os conheciam nem estavam sujeitos a suas ordens. A confissão do então soldado José Alfonso Paredes Márquez, que tinha 18 anos naquela época, permitiu reconstruir os atos. Paredes permaneceu longas horas como vigía [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="alignnone size-full wp-image-647" title="dictadura_militar" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2009/06/dictadura_militar.jpg" alt="dictadura_militar" width="400" height="400" /></p>
<p style="text-align: left;">Segundo o Centro de Investigación e Información Periodística – CIPER, de Santiago do Chile, trinta e seis anos depois da morte do famoso cantor Víctor Jara, a investigação judicial chegou a um ponto que muitos consideravam impossível: identificar cada um dos oficiais e soldados que perpetraram o assassinato precedido de cenas de sadismo e atrocidades.</p>
<p style="text-align: left;">Em meados do ano passado o juiz Juan Eduardo Fuentes declarou encerrado o processo com um único responsável, o comandante César Manríquez Bravo, encarregado do centro de prisioneiros improvisado que foi instalado no Estádio Chile a partir do dia 12 de Setembro de 1973. A resolução não foi aceita por Joan Jara, a viúva do artista, nem por suas filhas. Ao seu protesto uniram-se as vozes de muitos artistas e intelectuais chilenos. Joan fez um chamado a cada uma das mais de 6.000 pessoas (entre detidos e militares) para que colaborassem com o processo que corria sob segredo de justiça.</p>
<p style="text-align: left;">Foram colhidos muitos testemunhos que contribuíram para esclarecer os fatos, o que permitiu ao advogado da familia, Nelson Caucoto, apresentar uma petição solicitando ao juiz mais de 90 novas diligências.</p>
<p>O juiz reabriu o caso. A exaustiva investigação realizada envolveu os antigos soldados dos regimentos que estiveram no Estádio Chile, e permitiu identificar os militares que mataram 15 detidos com tiros de fuzil, entre eles Víctor Jara.</p>
<p>No Estádio Chile, um espaço destinado em tempos normais a espectáculos esportivos e artísticos, foram amontoados aproximadamente 6.500 prisioneiros em uma situação caótica. Além do fato do encanamento ter estourado, não havía alimento para os prisioneiros nem para os soldados entre os dias 12 e 16 de Setembro. O Comandante Manríquez, no comando da força militar, impôs a ordem com o terror: colocou duas metralhadoras ponto 50 – usadas na segunda guerra mundial &#8211; apontando para os detidos e fez anunciar pelos alto-falantes que aquelas eram as “serras de Hitler, capazes de partir uma pessoa em duas”. Além disso, instalaram potentes lâmpadas que permaneciam ligadas dia e noite para que todos os que estavam no interior do estádio perdessem a noção do tempo. Um ex-soldado declarou que no subterrâneo do edificio funcionários de inteligência das forças armadas submetiam os detidos a interrogatório, mas que não os conheciam nem estavam sujeitos a suas ordens.</p>
<p>A confissão do então soldado José Alfonso Paredes Márquez, que tinha 18 anos naquela época, permitiu reconstruir os atos. Paredes permaneceu longas horas como vigía num dos quartos do subterrâneo.</p>
<p>Em outro lugar do mesmo subterrâneo, Víctor Jara foi longamente barbarizado. Nessas torturas sobressaiu o tenente Rodrigo Rodríguez Fuschlocher quem lhe quebrou as duas mãos com os golpes de coronha de fuzil. Alfonso Paredes viu como um subtenente jogava roleta russa com seu revólver apontado para a cabeça de Jara, e como apertava o gatilho, acabou por disparar o primeiro tiro que lhe atravessou o crânio. Estava presente também o tenente Nelson Haase. Logo depois, o mesmo subtenente, cujo nome não foi revelado, ordenou aos soldados disparar seus fuzis automáticos contra o cantor. A ordem foi cumprida, e segundo o informe da autópsia, o corpo tinha 44 perfurações de bala. Poucos minutos depois, o mesmo suboficial que disparou contra sua cabeça ordenou a retirada do corpo. Chegaram alguns enfermeiros, levantaram o corpo, colocaram-no dentro de um saco e o levaram até a parte traseira de um veículo militar estacionado no pátio externo. O corpo foi achado no dia 17 na parte de fora do Cemitério Metropolitano de Santiago por policiais dos Carabineros que o trasladaram como “não identificado” até o Instituto Médico Legal. Foi graças à atitude heróica do funcionário do registro civil Héctor Herrera, que Joan, a viúva de Jara, teve permissão para entrar no recinto, identificando o corpo.</p>
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		<title>O cangaço e os cães</title>
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		<pubDate>Thu, 23 Apr 2009 14:05:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eulália Jordá Poblet</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Proteção aos Animais]]></category>

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		<description><![CDATA[Caiu-me nas mãos um livro divino, &#8220;Cangaceiros&#8221;, de Élise Jasmin. Acariciando suas páginas lisas e brilhantes, vi surgirem fotos que decifram um pouco do que pode ter sido a vida de pessoas e animais que o vento levou em meio à aspereza da caatinga. De uma das fotos, próxima a árvores mirradas e sofridas, Maria Bonita olha para a câmara do fotógrafo Benjamin Abrahão. Sua figura de mulher, sem dúvida a mais emblemática do cangaço, é de beleza excepcional para a época, qualidade que deve ter encantado Lampião. Famosa por sua coragem e determinação, lá está ela, trajada com um vestido citadino ao invés das tradicionais vestimentas do cangaço, cabelo alisado com banha cheirosa onde dois passadores brancos são o maior adorno &#8211; tão humana em sua vontade de se parecer aos habitantes da cidade. Fitando a câmara, seu olhar é de doçura. Atribuo essa suavidade em seus olhos ao fato de estar ladeada por dois cães cuja animalidade paradoxalmente humaniza a atmosfera de rifles, madeiras mortas estendidas no chão e galhos retorcidos. Farejo carinho no ar que envolve esses personagens. Um dos cachorros, de nome Ligeiro, é seu preferido. Com a mão direita a mulher toca sem peso a cabeça marrom clara, que com ar de beatitude canina encima duas patas brancas e um focinho escuro, demonstrando visível prazer em encostar-se nas pernas de sua dona, amiga e espécie de mãe &#8211; naqueles cafundós, filhos humanos não dariam conta de acompanhar o grupo. A mão esquerda repousa lânguida sobre o dorso negro de outro cão, Guarani, que no momento do disparo da máquina, se vira para Lampião. O movimento em direção a esse rei das cartucheiras, punhais e fuzis é tão independente e real que sua cabeça fica registrada na foto como algo impreciso, ligeiramente fora de foco. O animal dá a impressão de um moto-contínuo reproduzindo exaustivamente a vida daquele instante na guinada eternizada. Em outras duas fotos seqüenciais, vejo o bando de Corisco, armado até os dentes em evidente pose. Apenas a cadela não posa. Sua naturalidade, para quem está em primeiro plano, contrasta com o da fileira quase militar das pessoas ao fundo. Na primeira foto, ela olha para a câmara com seu corpo branco manchado de negro como negra é a máscara que possui ao redor dos olhos. Na segunda, olha para o bando como se a presença do fotógrafo, tão ilustre naquela região desolada [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="size-full wp-image-440 aligncenter" title="O cangaço" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2009/04/cangaco.jpg" alt="O cangaço" width="500" height="686" /><br />
Caiu-me nas mãos um livro divino, &#8220;Cangaceiros&#8221;, de Élise Jasmin.</p>
<p>Acariciando suas páginas lisas e brilhantes, vi surgirem fotos que decifram um pouco do que pode ter sido a vida de pessoas e animais que o vento levou em meio à aspereza da caatinga.</p>
<p>De uma das fotos, próxima a árvores mirradas e sofridas, Maria Bonita olha para a câmara do fotógrafo Benjamin Abrahão. Sua figura de mulher, sem dúvida a mais emblemática do cangaço, é de beleza excepcional para a época, qualidade que deve ter encantado Lampião.</p>
<p>Famosa por sua coragem e determinação, lá está ela, trajada com um vestido citadino ao invés das tradicionais vestimentas do cangaço, cabelo alisado com banha cheirosa onde dois passadores brancos são o maior adorno &#8211; tão humana em sua vontade de se parecer aos habitantes da cidade. Fitando a câmara, seu olhar é de doçura.</p>
<p>Atribuo essa suavidade em seus olhos ao fato de estar ladeada por dois cães cuja animalidade paradoxalmente humaniza a atmosfera de rifles, madeiras mortas estendidas no chão e galhos retorcidos. Farejo carinho no ar que  envolve esses personagens.</p>
<p>Um dos cachorros, de nome Ligeiro, é seu preferido. Com a mão direita a mulher toca sem peso a cabeça marrom clara, que com ar de beatitude canina encima duas patas brancas e um focinho escuro, demonstrando visível prazer em encostar-se nas pernas de sua dona, amiga e espécie de mãe &#8211; naqueles cafundós, filhos humanos não dariam conta de acompanhar o grupo.</p>
<p>A mão esquerda repousa lânguida sobre o dorso negro de outro cão, Guarani, que no momento do disparo da máquina, se vira para Lampião. O movimento em direção a esse rei das cartucheiras, punhais e fuzis é tão independente e real que sua cabeça fica registrada na foto como algo impreciso, ligeiramente fora de foco. O animal dá a impressão de um moto-contínuo reproduzindo exaustivamente a vida daquele instante na guinada eternizada.</p>
<p>Em outras duas fotos seqüenciais, vejo o bando de Corisco, armado até os dentes em evidente pose. Apenas a cadela não posa. Sua naturalidade, para quem está em primeiro plano, contrasta com o da fileira quase militar das pessoas ao fundo.</p>
<p>Na primeira foto, ela olha para a câmara com seu corpo branco manchado de negro como negra é a máscara que possui ao redor dos olhos. Na segunda, olha para o bando como se a presença do fotógrafo, tão ilustre naquela região desolada e espinhenta, não tivesse tanta importância quanto a dos &#8220;seus&#8221;.</p>
<p>Em mais uma fotografia, Corisco apresenta-se em posição clássica de sentido ao lado da mesma cadela.  Esse homem cuja única linguagem parece ser a da violência, tem sua inscrição na história amenizada pelo amor dessa cachorra por seu relampejante ser-humano-corisco. Ela o tem como o chefe do bando, e ele, curiosamente ao ser o local tão árido, a chama de Jardineira.</p>
<p>Jardineira surge assim como a antítese da morte em meio ao mato seco, representando a beleza e poesia que os cães, com seu companheirismo, independente de quem somos, tão bem nos sabem outorgar.</p>
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