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	<title>Fundação Metropolitana &#187; Religião</title>
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	<description>Fundação Educacional e Cultural Metropolitana</description>
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		<title>III &#8211; Andrequicé: Cultura e Fé, Romaria e Folia</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Jan 2012 16:22:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Padre Joao Delco Mesquita Penna</dc:creator>
				<category><![CDATA[Religião]]></category>

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		<description><![CDATA[Da série Peregrinações Religiosas no Grande Sertão A cada ano em toda primeira quinzena do mês de Agosto, atraídos pela fé, romeiros de diversas regiões vêm ao Santuário dedicado a Maria, mãe de Jesus, venerada com o título de Nossa Senhora da Abadia no pequeno povoado de Andrequicé, no município de Presidente Olegário, no circuito turístico Tropeiros de Minas, no Estado de Minas Gerais. Segundo os historiadores a romaria de Nossa Senhora da Abadia em Andrequicé tem sua origem no século XIX, quando foi doado um terreno para construção de uma capela dedicada à Santa. A partir de então iniciou-se as visitações e peregrinações ao local. Hoje o santuário recebe milhares de peregrinos que chegam em motos, carros, bicicletas, carros de boi, a cavalo ou mesmo a pé. Não importa a forma como se deslocam, o importante mesmo é chegar em paz, fazer seus agradecimentos e pagar as promessas. A festa oficialmente é realizada no dia 15 de agosto, mas desde os primeiros dias do mês, o povoado recebe um bom número de romeiros, turistas e vendedores ambulantes, que circulam e movimentam as ruas gerando um impulso no comércio local. Como acontece normalmente em todas as romarias, durante os dias da festa os romeiros participam diariamente no santuário das celebrações das missas, pedem perdão pelas ofensas que tenham praticado, participam das atividades da Igreja, batizam seus filhos e celebram a alegria do encontro com a Senhora da Abadia, protetora do povo simples contra os males mundanos, e se confraternizam com os companheiros de caminhada. O que mais impressiona os turistas e visitantes na romaria de Nossa Senhora da Abadia em Andrequicé, certamente, é a energia de dezenas de peregrinos que chegam em carros de boi de diversas regiões. São pessoas que se orgulham da rica herança deixada pelos peregrinos do passado. Por isso a lentidão dos bois não os incomoda, apesar das longas viagens, consideram uma graça de Deus refazer, ano após ano, o caminho que leva ao Santuário de Nossa Senhora da Abadia, onde vão buscar, cheios de esperanças, forças e bênçãos para vencer os desafios marcados pelas contradições da vida. Segundo informações de integrantes do Movimento Vivacidade de Patos de Minas, cidade polo da região, um novo caminho da fé está sendo pensado entre aquela cidade e o povoado, chamado de “O Caminho das Abadias”. O percurso entre as montanhas de belas paisagens deve se iniciar na Igreja [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Da série Peregrinações Religiosas no Grande Sertão<strong></strong></p>
<p><a href="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2012/01/andrequice.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-6678" title="andrequice" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2012/01/andrequice-500x375.jpg" alt="" width="500" height="375" /></a></p>
<p>A cada ano em toda primeira quinzena do mês de Agosto, atraídos pela fé, romeiros de diversas regiões vêm ao Santuário dedicado a Maria, mãe de Jesus, venerada com o título de Nossa Senhora da Abadia no pequeno povoado de Andrequicé, no município de Presidente Olegário, no circuito turístico Tropeiros de Minas, no Estado de Minas Gerais.</p>
<p>Segundo os historiadores a romaria de Nossa Senhora da Abadia em Andrequicé tem sua origem no século XIX, quando foi doado um terreno para construção de uma capela dedicada à Santa. A partir de então iniciou-se as visitações e peregrinações ao local. Hoje o santuário recebe milhares de peregrinos que chegam em motos, carros, bicicletas, carros de boi, a cavalo ou mesmo a pé. Não importa a forma como se deslocam, o importante mesmo é chegar em paz, fazer seus agradecimentos e pagar as promessas.</p>
<p>A festa oficialmente é realizada no dia 15 de agosto, mas desde os primeiros dias do mês, o povoado recebe um bom número de romeiros, turistas e vendedores ambulantes, que circulam e movimentam as ruas gerando um impulso no comércio local.</p>
<p><a href="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2012/01/andrequice2.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-6679" title="andrequice2" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2012/01/andrequice2-500x375.jpg" alt="" width="500" height="375" /></a></p>
<p>Como acontece normalmente em todas as romarias, durante os dias da festa os romeiros participam diariamente no santuário das celebrações das missas, pedem perdão pelas ofensas que tenham praticado, participam das atividades da Igreja, batizam seus filhos e celebram a alegria do encontro com a Senhora da Abadia, protetora do povo simples contra os males mundanos, e se confraternizam com os companheiros de caminhada.</p>
<p><a href="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2012/01/andrequice3.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-6680" title="andrequice3" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2012/01/andrequice3-500x188.jpg" alt="" width="500" height="188" /></a></p>
<p>O que mais impressiona os turistas e visitantes na romaria de Nossa Senhora da Abadia em Andrequicé, certamente, é a energia de dezenas de peregrinos que chegam em carros de boi de diversas regiões. São pessoas que se orgulham da rica herança deixada pelos peregrinos do passado. Por isso a lentidão dos bois não os incomoda, apesar das longas viagens, consideram uma graça de Deus refazer, ano após ano, o caminho que leva ao Santuário de Nossa Senhora da Abadia, onde vão buscar, cheios de esperanças, forças e bênçãos para vencer os desafios marcados pelas contradições da vida.</p>
<p><a href="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2012/01/andrequice4.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-6681" title="andrequice4" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2012/01/andrequice4-500x187.jpg" alt="" width="500" height="187" /></a></p>
<p>Segundo informações de integrantes do Movimento Vivacidade de Patos de Minas, cidade polo da região, um novo caminho da fé está sendo pensado entre aquela cidade e o povoado, chamado de<em> “O Caminho das Abadias”. </em>O percurso entre as montanhas de belas paisagens deve se iniciar na Igreja também dedicada a Nossa Senhora da Abadia em Patos de Minas e percorrer cem quilômetros por estradas de terra. Em alguns pontos é possível ver a imensidão do cerrado e paredões de pedras que formam cânions gigantescos emoldurando um maravilhoso por do sol. Uma viagem certamente perfeita para quem deseja ligar o sentimento de fé com o misterioso mundo esculpido pela natureza nos rincões de Minas Gerais.</p>
<p>O Povoado de Andrequicé é um lugar agradável e conta com uma infraestrutura satisfatória para garantir o bem estar dos romeiros e visitantes, tais como: casas para aluguel, ruas pavimentadas, posto de saúde, segurança, através da presença da Policia Militar, e pontos de apoio com trabalho voluntário da população e profissionais da saúde do município durante os dias da celebração.</p>
<p>Outra importante tradição religiosa e cultural em Andrequicé são as festividades de Santos Reis através da “Folia de Reis” que agrega valores como fé, devoção, entretenimento e solidariedade. Os festejos da Folia de Reis em Andrequicé acontecem todos os anos a partir do dia 24 de Dezembro, quando se dá a saída do cortejo de músicos e dançarinos vestidos a caráter, percorrendo as casas dos devotos, deixando mensagens através de cantos cheios de fé e esperança que narram desde a Anunciação do anjo a Maria até a visita dos três Reis Magos ao menino Jesus.</p>
<p><a href="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2012/01/andrequice5.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-6682" title="andrequice5" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2012/01/andrequice5-500x375.jpg" alt="" width="500" height="375" /></a></p>
<p>Os antigos moradores de Andrequicé afirmam que há mais de um século a Folia de Reis vem sendo passada de geração em geração, de pai para filho. Neste sentido merece destaque o importante trabalho do Padre Preguinho, sacerdote da vizinha diocese de Paracatu e natural do lugar, que tem se empenhado para que a tradição aconteça numa dimensão renovadora, num clima de espiritualidade e de resgate do sentido religioso. Ele próprio, todos os anos é folião organizador do evento e se orgulha de ter recebido esta tradição de sua família, em especial de seu pai, que por muitos anos foi um líder da folia na região.</p>
<p>Tradicionalmente os festejos de Reis vieram para o Brasil com os colonizadores no século XVIII e tinha somente a função de divertimento. Mas aos poucos foi recebendo influência de outras culturas, sobretudo dos afro-brasileiros que introduziram instrumentos musicais, cantos, danças e seu sapateado peculiar, enriquecendo o universo das expressões religiosas católicas. No entanto, com o processo da romanização conduzido pela Igreja institucional, as Festas de Reis foram consideradas profanas e banidas do ambiente eclesial, mas continuaram vivas como expressão de fé, alegria e religiosidade de amplas camadas da população, ocupando espaço fora dos templos sem a presença do clero.</p>
<p>Hoje as Folias de Reis estão sendo readmitidas pela Igreja Católica de forma pastoral como forte expressão de fé popular. As sucessivas conferências episcopais latinoamericanas reconheceram as manifestações da cultura religiosa popular como elemento imprescindível, por sua seriedade e enraizamento.</p>
<p>A importância do trabalho pastoral do padre Preguinho está no momento em que ele faz com que a Folia aconteça no ambiente da Igreja, onde os foliões e participantes são convidados a vivenciar a mística litúrgica da espiritualidade natalina que vai até a festa epifânia do senhor, fazendo a ligação da tradição de caráter popular com a liturgia oficial da Igreja Católica, fortalecendo a fé dos participantes, respeitando a cultura e cultivando a tradição.</p>
<p><a href="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2012/01/andrequice6.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-6683" title="andrequice6" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2012/01/andrequice6-500x375.jpg" alt="" width="500" height="375" /></a></p>
<p>O encerramento das festividades acontece no dia 5 de janeiro quando é passada a coroa e são anunciados os festeiros ou responsáveis pelo evento do próximo ano, e estes se comprometem em manter a tradição com muito respeito, devoção e solidariedade. O encerramento é marcado com espetáculo de fogos, rezas, cantos religiosos, ladainhas, cantigas regionais, um farto banquete, doces e bebidas, sem jamais faltar o tradicional e animado forró, a mais tradicional dança do interior brasileiro.</p>
<p>Finalmente, caro leitor, podemos concluir que nas várias expressões religiosas, homens e mulheres de todos os tempos buscam alimentar sua fé em Deus indo ao seu encontro de diferentes formas. Nos santuários ou nas rodas da Folia de Reis, freqüentados em sua maioria por pessoas simples de cultura rural, os que ali vão sustentam a fé, renovam as esperanças e encontram forças para lutar em defesa da dignidade da vida, por uma cultura de paz e uma convivência mais fraterna, permeada pelos ideais de justiça.</p>
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		<title>II &#8211; Santa da Pedra, Romaria e Devoção Popular</title>
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		<pubDate>Thu, 12 Jan 2012 15:20:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Padre Joao Delco Mesquita Penna</dc:creator>
				<category><![CDATA[Religião]]></category>

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		<description><![CDATA[Da série Peregrinações Religiosas no Grande Sertão O Pequeno distrito de Santa da Pedra no município de São João do Pacuí, no Norte de Minas Gerais, a cada ano, se torna um dos lugarejos mais movimentados da região, quando milhares de visitantes vindos em romaria de todas as partes do Estado, circulam em sua ruas rumo à pequena Igreja, para agradecer as graças e bênçãos concedidas por intercessão de um Santo ou Santa, titulado na região como Santa da Pedra, representada por uma silhueta de pedra negra, imagem encontrada numa barroca, perto do Córrego do Sumidouro, bem próximo à sede do Distrito. A festa em homenagem à Santa da Pedra começa sempre no último fim de semana de agosto, mas as romarias de visitação se estendem pelo mês de setembro, quando centenas de romeiros, em busca de milagres, chegam para celebrar uma centenária história de devoção a um santo ou santa milagrosa que apareceu em uma pedra, onde desde então, são inúmeros os relatos de milagres ocorridos ao longo da história das peregrinações ao local. Segundo os mais antigos moradores, há quase um século, quando o distrito ainda era uma fazenda, peões procuravam uma vaca que havia fugido do restante do rebanho quando perceberam que o animal parou perto de uma pedra e não saía mais daquele lugar. Quando foram verificar perceberam gravada na pedra a imagem de um Santo ou Santa. Ao avistar o fenômeno, os peões não tiveram dúvida de que se tratava de um milagre ou algo misterioso e levaram o santo para a casa de seu patrão. No outro dia, quando acordaram, não encontraram a pedra na fazenda. O material havia retornado misteriosamente para o mesmo local. Por diversas vezes tentou-se tirar a pedra de lá, mas, inexplicavelmente, ela sempre acabava no lugar que foi encontrada. A única maneira de retirar o santo de lá foi construindo uma capela e nela um altar para colocá-lo e ali venerá-lo com cantos, rezas e orações em meio a pedidos e agradecimentos. Ali permanece até hoje. A velha capela foi recentemente reformada, sendo erguida uma nova Igreja com novos ambientes para acolher os romeiros e visitantes que a cada ano se multiplicam em número. O detalhe mais curioso é que embora o distrito e a própria pedra sejam conhecidos como santa, a devoção é a um santo. A imagem que se forma na Pedra é atribuída a São João [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Da série Peregrinações Religiosas no Grande Sertão</p>
<p><a href="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2012/01/santa-pedra.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-6618" title="santa pedra" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2012/01/santa-pedra-500x375.jpg" alt="" width="500" height="375" /></a></p>
<p>O Pequeno distrito de Santa da Pedra no município de São João do Pacuí, no Norte de Minas Gerais, a cada ano, se torna um dos lugarejos mais movimentados da região, quando milhares de visitantes vindos em romaria de todas as partes do Estado, circulam em sua ruas rumo à pequena Igreja, para agradecer as graças e bênçãos concedidas por intercessão de um Santo ou Santa, titulado na região como Santa da Pedra, representada por uma silhueta de pedra negra, imagem encontrada numa barroca, perto do Córrego do Sumidouro, bem próximo à sede do Distrito.</p>
<p>A festa em homenagem à Santa da Pedra começa sempre no último fim de semana de agosto, mas as romarias de visitação se estendem pelo mês de setembro, quando centenas de romeiros, em busca de milagres, chegam para celebrar uma centenária história de devoção a um santo ou santa milagrosa que apareceu em uma pedra, onde desde então, são inúmeros os relatos de milagres ocorridos ao longo da história das peregrinações ao local.</p>
<p>Segundo os mais antigos moradores, há quase um século, quando o distrito ainda era uma fazenda, peões procuravam uma vaca que havia fugido do restante do rebanho quando perceberam que o animal parou perto de uma pedra e não saía mais daquele lugar. Quando foram verificar perceberam gravada na pedra a imagem de um Santo ou Santa. Ao avistar o fenômeno, os peões não tiveram dúvida de que se tratava de um milagre ou algo misterioso e levaram o santo para a casa de seu patrão. No outro dia, quando acordaram, não encontraram a pedra na fazenda. O material havia retornado misteriosamente para o mesmo local. Por diversas vezes tentou-se tirar a pedra de lá, mas, inexplicavelmente, ela sempre acabava no lugar que foi encontrada. A única maneira de retirar o santo de lá foi construindo uma capela e nela um altar para colocá-lo e ali venerá-lo com cantos, rezas e orações em meio a pedidos e agradecimentos. Ali permanece até hoje. A velha capela foi recentemente reformada, sendo erguida uma nova Igreja com novos ambientes para acolher os romeiros e visitantes que a cada ano se multiplicam em número.</p>
<p><a href="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2012/01/santa-pedra-2.png"><img class="aligncenter size-medium wp-image-6619" title="santa pedra 2" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2012/01/santa-pedra-2-500x375.png" alt="" width="500" height="375" /></a></p>
<p>O detalhe mais curioso é que embora o distrito e a própria pedra sejam conhecidos como santa, a devoção é a um santo. A imagem que se forma na Pedra é atribuída a São João Batista, santo querido pela religiosidade popular e venerado pelo povo da região através do catolicismo popular há séculos a cada dia 24 de junho, sendo celebrado com rezas, folias, quadrilhas, fogos e fogueiras.</p>
<p>O município de São João do Pacuí, com sua emancipação política em 10 de Dezembro de 1996, desmembrado do município de Coração de Jesus, está inserido no circuito turístico <em>Sertão Gerais</em>, sendo a sua área territorial um parque espeleológico surpreendente, face às suas elevações de calcário que guardam um notável acervo construído pela natureza ao longo dos tempos, fonte inesgotável de pesquisas que retratam fielmente a evolução da humanidade, através de inúmeras grutas que registram a passagem do homem pré-histórico, marcadas por sinalizações ou por desenhos multicores não identificados. A região é rica em grutas, destacando-se a do Espigão, no município de Coração de Jesus onde foi encontrado um esqueleto de aproximadamente dez mil anos, e a do Sumitumba, ao lado da qual foi descoberto também um cemitério indígena milenar.</p>
<p><a href="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2012/01/santa-pedra-3.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-6623" title="santa pedra 3" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2012/01/santa-pedra-3-500x187.jpg" alt="" width="500" height="187" /></a></p>
<p>A romaria de Santa da pedra é permeada de lendas, histórias e fatos reais, que sustenta a fé do povo geraiseiro do sertão do Vale do Rio Pacuí, historicamente massacrado pelo sofrimento humano, pela falta de políticas públicas justas e pelo distanciamento entre ricos e pobres, na esperança de dias melhores. Nas romarias tradicionais o povo tem seu ritmo próprio. Os romeiros costumam perambular livremente para conhecer o local, visitar o Santo, beijar o altar ou objetos ligados à imagem milagrosa, percorrer a Igreja, acender velas, visitar a Sala de Milagres, fazer seus pedidos particulares e manifestar suas devoções. Em Santa da Pedra como em outros lugares de peregrinação, a principal atitude dos romeiros é tocar a pedra com as mãos ocasião em que fazem seus agradecimentos e pedidos. Assim, certamente pelos desígnios do Criador é que, neste contexto de fé, devoção, tradição e religiosidade popular, o misterioso mundo do homem do passado vai ao poucos sendo revelado, mostrando que a fé ultrapassa os limites do tempo e da racionalidade humana.</p>
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		<title>O espinho no pé</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Jan 2012 18:06:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Antonio Carlos Santini</dc:creator>
				<category><![CDATA[Religião]]></category>

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		<description><![CDATA[É muita conhecida a estatueta grega do “Spinario”, genial trabalho de artista anônimo, datado do período helênico, Séc. I d.C.: um adolescente inteiramente dedicado ao trabalho de extrair um espinho do pé. Apenas um dedo é que foi ferido, mas todo o corpo reage e se debruça sobre o órgão vulnerado. A genialidade do artista consegue reproduzir as tensões musculares de todo o organismo, concentrado na tarefa de atender à necessidade de um órgão em particular. Seria difícil encontrar uma imagem mais realista daquilo que, na Igreja, chamamos de “comunhão dos santos”. Aquilo que atinge cada cristão atinge igualmente a todo o corpo eclesial. Vivemos &#8211; todos os batizados &#8211; envolvidos de modo inseparável em um processo de salvação e santificação que não deixa ninguém isolado. Por outro lado, o fato de não existir uma torre de marfim para o cristão deixa-nos todos expostos às sequelas do pecado de toda a comunidade eclesial. Comungamos na Graça, sim, mas, de certa forma, também comungamos no pecado. Cada escândalo verificado no corpo da Igreja atinge a todos os membros. A dor é uma só. A vergonha também. Ninguém pode dizer: este pecado não é meu. No mínimo, nós temos a responsabilidade de ter rezado menos, de ter dado um testemunho ralo, sem convicção. Preguiça, rotina, pouco caso, indiferença: pecadinhos nossos de cada dia&#8230; Ninguém negaria que os méritos de Jesus Cristo, da Mãe de Deus e da legião dos santos contribuíram para que a Graça da salvação atingisse a todos os nós. Da mesma forma, uma consciência reta não negaria que nosso pecado acaba resvalando sobre todo o pessoal da Igreja, escandalizando, desanimando, desiludindo&#8230; As imagens tradicionais dos membros de um só corpo (cf. textos paulinos – 1Cor 12,12ss, por exemplo) e dos ramos da videira (Jo 15) apenas confirmam esta verdade. Um galho doente contamina todo o arbusto. Um órgão inflamado infecta o organismo todo. Ninguém pode proclamar-se isento desse contágio. O fecho desta reflexão aponta claramente para nossa responsabilidade individual sobre a vida da Igreja. Se a Igreja não é melhor, é porque nós não somos melhores. Parece, pois, que não tenho nenhum direito de reclamar das falhas e pecados cometidos por meus irmãos de fé&#8230;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2012/01/espinho-no-pe.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-6567" title="espinho no pe" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2012/01/espinho-no-pe.jpg" alt="" width="266" height="400" /></a></p>
<p>É muita conhecida a estatueta grega do “<em>Spinario</em>”, genial trabalho de artista anônimo, datado do período helênico, Séc. I d.C.: um adolescente inteiramente dedicado ao trabalho de extrair um espinho do pé. Apenas um dedo é que foi ferido, mas todo o corpo reage e se debruça sobre o órgão vulnerado. A genialidade do artista consegue reproduzir as tensões musculares de todo o organismo, concentrado na tarefa de atender à necessidade de um órgão em particular.</p>
<p>Seria difícil encontrar uma imagem mais realista daquilo que, na Igreja, chamamos de “comunhão dos santos”. Aquilo que atinge cada cristão atinge igualmente a todo o corpo eclesial. Vivemos &#8211; todos os batizados &#8211; envolvidos de modo inseparável em um processo de salvação e santificação que não deixa ninguém isolado.</p>
<p>Por outro lado, o fato de não existir uma torre de marfim para o cristão deixa-nos todos expostos às sequelas do pecado de toda a comunidade eclesial. Comungamos na Graça, sim, mas, de certa forma, também comungamos no pecado. Cada escândalo verificado no corpo da Igreja atinge a todos os membros. A dor é uma só. A vergonha também. Ninguém pode dizer: este pecado não é meu. No mínimo, nós temos a responsabilidade de ter rezado menos, de ter dado um testemunho ralo, sem convicção. Preguiça, rotina, pouco caso, indiferença: pecadinhos nossos de cada dia&#8230;</p>
<p>Ninguém negaria que os méritos de Jesus Cristo, da Mãe de Deus e da legião dos santos contribuíram para que a Graça da salvação atingisse a todos os nós. Da mesma forma, uma consciência reta não negaria que nosso pecado acaba resvalando sobre todo o pessoal da Igreja, escandalizando, desanimando, desiludindo&#8230;</p>
<p>As imagens tradicionais dos membros de um só corpo (cf. textos paulinos – <em>1Cor</em> 12,12ss, por exemplo) e dos ramos da videira (<em>Jo</em> 15) apenas confirmam esta verdade. Um galho doente contamina todo o arbusto. Um órgão inflamado infecta o organismo todo. Ninguém pode proclamar-se isento desse contágio.</p>
<p>O fecho desta reflexão aponta claramente para nossa responsabilidade individual sobre a vida da Igreja. Se a Igreja não é melhor, é porque nós não somos melhores. Parece, pois, que não tenho nenhum direito de reclamar das falhas e pecados cometidos por meus irmãos de fé&#8230;</p>
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		<title>Igreja: a ferida aberta</title>
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		<pubDate>Wed, 21 Dec 2011 17:35:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Antonio Carlos Santini</dc:creator>
				<category><![CDATA[Religião]]></category>

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		<description><![CDATA[A Igreja é um corpo. Tem vida e pulsação. Mas pode ser ferido e sangrar&#8230; O livro de Giovanni Cucci e Hans Zollner, Igreja e pedofilia, Uma ferida aberta, Edições Loyola, 2011, 126 páginas, apresenta de forma sucinta e objetiva uma abordagem do tema sob os ângulos da psicologia e da pastoral. Sua intenção é oferecer uma visão mais realista da situação que, via de regra, aparece na mídia envolta em uma nuvem de escândalo e confusão, sem ir ao cerne da questão. As perguntas do cidadão comum parecem ser sempre as mesmas: como é que uma pessoa que se consagrou a Deus e ao serviço da Igreja chega a cometer crimes tão graves? Existe uma dinâmica psíquica por trás desse comportamento? Até onde chega a responsabilidade das autoridades da Igreja? Os autores não falam de modo teórico. Sua formação e experiência em psicoterapia dão a seu trabalho um peso considerável. Com o objetivo de ir além do alvoroço midiático, começam por perguntar se o DSM, Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, teve razões para eliminar o termo &#8220;perversão&#8221; da lista de desvios de comportamento humano, sob a alegação de evitar conotação &#8220;moral&#8221; a um trabalho científico. Um ponto importante do estudo diz respeito à verdade das estatísticas. Alguns exemplos. Na Arquidiocese de Boston, EUA, nos últimos 50 anos, trabalharam cerca de 3.000 sacerdotes. Destes, 60 padres foram acusados de abuso sexual, o que dá um percentual de 2%. Na Arquidiocese de Filadélfia, desde 1950, prestaram serviço 2.154 sacerdotes. Foram apresentadas &#8220;provas confiáveis&#8221; contra 35 deles, ou seja, 1,4%. Na Arquidiocese de Chicago, foram apresentadas queixas contra 40 padres em um total de 2.200 em serviço pastoral: apenas 1,8% deles, página 26. Outro desvio do noticiário tem sido associar de modo causal a pedofilia no clero ao estilo de vida celibatário. A tese é esta: se os padres fossem casados, os desvios não aconteceriam. Ora, os dados da realidade desmentem a tese. Citando G. Merchesi, o livro informa que &#8220;a recorrência do fenômeno da pedofilia entre os &#8216;ministros do culto&#8217; nas comunidades protestantes dos EUA, mórmons, batistas, metodistas e episcopalianos, bem como entre ortodoxos, judeus e muçulmanos, estaria entre 3% e 5%, um dado alarmante, mas ainda inferior ao percentual da população adulta como um todo, onde o recurso à pedofilia giraria em torno de 8%&#8221;, página 39. Assim, vai transparecendo a evidência de que a própria sociedade está [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a rel="attachment wp-att-6419" href="http://www.metro.org.br/antonio-carlos/igreja-a-ferida-aberta/ferida-aberta"><br />
<img class="aligncenter size-full wp-image-6419" title="ferida aberta" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2011/12/ferida-aberta.jpg" alt="" width="450" height="316" /></a></p>
<p>A Igreja é um corpo. Tem vida e pulsação. Mas pode ser ferido e sangrar&#8230;</p>
<p>O livro de Giovanni Cucci e Hans Zollner, <em>Igreja e pedofilia, Uma ferida aberta, </em>Edições Loyola, 2011, 126 páginas, apresenta de forma sucinta e objetiva uma abordagem do tema sob os ângulos da psicologia e da pastoral. Sua intenção é oferecer uma visão mais realista da situação que, via de regra, aparece na mídia envolta em uma nuvem de escândalo e confusão, sem ir ao cerne da questão.</p>
<p>As perguntas<strong> </strong>do cidadão comum parecem ser sempre as mesmas: como é que uma pessoa que se consagrou a Deus e ao serviço da Igreja chega a cometer crimes tão graves? Existe uma dinâmica psíquica por trás desse comportamento? Até onde chega a responsabilidade das autoridades da Igreja?</p>
<p>Os autores não falam de modo teórico. Sua formação e experiência em psicoterapia dão a seu trabalho um peso considerável. Com o objetivo de ir além do alvoroço midiático, começam por perguntar se o DSM, <em>Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, </em>teve razões para eliminar o termo &#8220;perversão&#8221; da lista de desvios de comportamento humano, sob a alegação de evitar conotação &#8220;moral&#8221; a um trabalho científico.</p>
<p>Um ponto importante do estudo diz respeito à verdade das estatísticas. Alguns exemplos. Na Arquidiocese de Boston, EUA, nos últimos 50 anos, trabalharam cerca de 3.000 sacerdotes. Destes, 60 padres foram acusados de abuso sexual, o que dá um percentual de 2%. Na Arquidiocese de Filadélfia, desde 1950, prestaram serviço 2.154 sacerdotes. Foram apresentadas &#8220;provas confiáveis&#8221; contra 35 deles, ou seja, 1,4%. Na Arquidiocese de Chicago, foram apresentadas queixas contra 40 padres em um total de 2.200 em serviço pastoral: apenas 1,8% deles, página 26.</p>
<p>Outro desvio do noticiário tem sido associar de modo causal a pedofilia no clero ao estilo de vida celibatário. A tese é esta: se os padres fossem casados, os desvios não aconteceriam. Ora, os dados da realidade desmentem a tese. Citando G. Merchesi, o livro informa que &#8220;a recorrência do fenômeno da pedofilia entre os &#8216;ministros do culto&#8217; nas comunidades protestantes dos EUA, mórmons, batistas, metodistas e episcopalianos, bem como entre ortodoxos, judeus e muçulmanos, estaria entre 3% e 5%, um dado alarmante, mas ainda inferior ao percentual da população adulta como um todo, onde o recurso à pedofilia giraria em torno de 8%&#8221;, página 39.</p>
<p>Assim, vai transparecendo a evidência de que a própria sociedade está pervertida, e tais desvios de conduta não são a marca registra de padres católicos e celibatários. Estamos vivendo uma cultura pedófila. Na Alemanha, por exemplo, Jan Carl Raspe, em seu <em>Kursbuch</em>, elogiou a Comune II, &#8220;onde os adultos incentivavam as crianças, apesar da resistência delas, a tentativas de relações sexuais. Entre os <em>Grüne</em>, ou Verdes, em 1985, houve a solicitação de descriminalizar o sexo com as crianças e, em l989, a célebre casa editora Deutscher Ärtzverlag publicou um livro que pedia abertamente que fossem permitidos os contatos pedossexuais&#8221;, página 48.</p>
<p>Na terceira parte do livro, trata-se da formação integral dos candidatos ao sacerdócio católico, com a busca de Deus, a necessária maturidade afetiva, o amor oblativo e a renúncia. E vem à luz o fato de que, hoje, os candidatos ao sacerdócio já não são privilegiados por um ambiente familiar onde sejam vivenciadas a religiosidade e a vida sacramental.</p>
<p>Na quarta parte, os autores realçam a importância do formador na seleção e discernimento, <em>screening,</em> dos jovens que se apresentam como candidatos. De fato, a má qualidade de muitos seminários e as falhas cometidas pelos formadores estão na raiz de grande parte dos desvios posteriormente verificados no clero.</p>
<p>No Apêndice da obra, o leitor encontra a Carta Pastoral de Bento XVI aos católicos da Irlanda, onde foram verificados graves episódios no seio da comunidade católica. O texto fala de erros cometidos e lições aprendidas, de graves feridas e desafios à fé, de sofrimento humano e confiança traída, de dor e culpa, mas também de encorajamento e esperança, de propostas concretas e de oração.</p>
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		<title>I &#8211; Serra das Araras, Devoção e Superação</title>
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		<pubDate>Wed, 14 Dec 2011 16:54:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Padre Joao Delco Mesquita Penna</dc:creator>
				<category><![CDATA[Religião]]></category>

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		<description><![CDATA[Da série Peregrinações Religiosas no Grande Sertão Situada em pleno sertão norte mineiro, a Comunidade de Serra das Araras, hoje distrito do município de Chapada Gaúcha, a cada ano, na primeira quinzena de junho, é palco das diversas expressões de fé do povo de Deus. Milhares de romeiros e pagadores de promessas chegam em peregrinação, vindos a pé, a cavalo, em carros particulares ou de aluguel, ônibus, motos. Agradecem a Deus as graças recebidas pela intercessão de Santo Antônio da Serra das Araras, santo popular venerado há séculos na região. O pequeno povoado é destino obrigatório de milhares de romeiros devotos do Santo, vindos principalmente do Norte e Noroeste de Minas Gerais, mas também de outras regiões do Brasil, que sonharam e se prepararam esperançosos para a grande festa. São os chamados Peregrinos de Santo Antônio, que mudam a rotina do lugarejo durante os dias do evento e movimentam a economia local. De acordo com alguns relatos, a comunidade de Serra das Araras nasceu entre cem e cento e cinquenta anos atrás, em função do aparecimento de uma imagem de Santo Antônio no alto da Serra das Araras. A imagem foi levada para a Vila e uma capelinha de palha foi erguida. Mas a imagem não ficou. Reapareceu na serra, aonde havia sido achada. Depois de uma sequência de desaparecimentos e reaparecimentos no local de origem, ela foi respeitada como sendo encantada ou divina, porque andava, ou seja, sempre voltava para seu lugar de origem. A notícia se espalhou pelo sertão e foram surgindo as sucessivas ondas de visitação à imagem e com o passar do tempo as peregrinações se tornaram regulares ao lugar onde se desenvolveu a Vila, hoje distrito de Serra das Araras. Não se sabe ao certo quando começaram as primeiras peregrinações. Segundo a versão popular e alguns historiadores, há mais de cem anos que o povo daquela região agradece a intercessão do Santo dos Pobres, santo do povo sofredor do Grande Sertão, expressão imortalizada pela obra literária de Guimarães Rosa, esperanças fortalecidas pela fé em Deus. As romarias no Brasil e na América Latina sempre tiveram uma forte ligação com a Fé ou Mística, a vida sofrida do povo, a luta em defesa da vida, que passa pela luta e conquista da terra. Historicamente o distrito de Serra das Araras está situado em uma região de grandes conflitos de terra, marcada pela opressão dos grandes fazendeiros [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Da série Peregrinações Religiosas no Grande Sertão</p>
<p><a rel="attachment wp-att-6337" href="http://www.metro.org.br/padre-joao-delco-mesquita-penna/i-serra-das-araras-devocao-e-superacao/serra-das-araras"><img class="aligncenter size-medium wp-image-6337" title="serra das araras" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2011/12/serra-das-araras-500x375.jpg" alt="" width="500" height="375" /></a></p>
<p>Situada em pleno sertão norte mineiro, a Comunidade de Serra das Araras, hoje distrito do município de Chapada Gaúcha, a cada ano, na primeira quinzena de junho, é palco das diversas expressões de fé do povo de Deus. Milhares de romeiros e pagadores de promessas chegam em peregrinação, vindos a pé, a cavalo, em carros particulares ou de aluguel, ônibus, motos. Agradecem a Deus as graças recebidas pela intercessão de Santo Antônio da Serra das Araras, santo popular venerado há séculos na região.</p>
<p>O pequeno povoado é destino obrigatório de milhares de romeiros devotos do Santo, vindos principalmente do Norte e Noroeste de Minas Gerais, mas também de outras regiões do Brasil, que sonharam e se prepararam esperançosos para a grande festa. São os chamados Peregrinos de Santo Antônio, que mudam a rotina do lugarejo durante os dias do evento e movimentam a economia local.</p>
<p>De acordo com alguns relatos, a comunidade de Serra das Araras nasceu entre cem e cento e cinquenta anos atrás, em função do aparecimento de uma imagem de Santo Antônio no alto da Serra das Araras. A imagem foi levada para a Vila e uma capelinha de palha foi erguida. Mas a imagem não ficou. Reapareceu na serra, aonde havia sido achada. Depois de uma sequência de desaparecimentos e reaparecimentos no local de origem, ela foi respeitada como sendo encantada ou divina, porque andava, ou seja, sempre voltava para seu lugar de origem. A notícia se espalhou pelo sertão e foram surgindo as sucessivas ondas de visitação à imagem e com o passar do tempo as peregrinações se tornaram regulares ao lugar onde se desenvolveu a Vila, hoje distrito de Serra das Araras.</p>
<p><a rel="attachment wp-att-6338" href="http://www.metro.org.br/padre-joao-delco-mesquita-penna/i-serra-das-araras-devocao-e-superacao/serra-das-araras-2"><img class="aligncenter size-medium wp-image-6338" title="serra das araras 2" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2011/12/serra-das-araras-2-500x375.jpg" alt="" width="500" height="375" /></a></p>
<p>Não se sabe ao certo quando começaram as primeiras peregrinações. Segundo a versão popular e alguns historiadores, há mais de cem anos que o povo daquela região agradece a intercessão do Santo dos Pobres, santo do povo sofredor do <strong>Grande Sertão, </strong>expressão imortalizada pela obra literária de Guimarães Rosa, esperanças fortalecidas pela fé em Deus.</p>
<p>As romarias no Brasil e na América Latina sempre tiveram uma forte ligação com a Fé ou Mística, a vida sofrida do povo, a luta em defesa da vida, que passa pela luta e conquista da terra. Historicamente o distrito de Serra das Araras está situado em uma região de grandes conflitos de terra, marcada pela opressão dos grandes fazendeiros e coronéis latifundiários e pela extrema pobreza do povo. Foi no antigo lugarejo de Brejo da Passagem, nome original de Serra das Araras, que no inicio do século XX o justiceiro Antônio Dó, foragido da polícia, se estabeleceu e durante anos reinou como uma espécie de mandatário, dono da região. Por cinco vezes os seus feitos são lembrados no “Grande Sertão Veredas”, de Guimarães Rosa.</p>
<p><a rel="attachment wp-att-6339" href="http://www.metro.org.br/padre-joao-delco-mesquita-penna/i-serra-das-araras-devocao-e-superacao/serra-das-araras-3"><img class="aligncenter size-full wp-image-6339" title="serra das araras 3" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2011/12/serra-das-araras-3.jpg" alt="" width="499" height="339" /></a></p>
<p>Vale acrescentar que no distrito de Serra das Araras existem várias comunidades remanescentes de quilombolas, sendo a principal delas o “Vão dos Buracos”. Ela se situa em um lugar paradisíaco no interior de um cânion de até 300 metros de desnível onde nasce o Rio Pardo, afluente da margem esquerda do Rio São Francisco. É nesses cânions que as araras fazem buracos que usam como ninhos, a mais de cem metros do solo e do topo, fenômeno que dá nome ao lugar. Pelo tipo de solo barrento e movediço é impossível se fazer estradas de acesso, mesmo para cavalos, ao interior do cânion, que se tornou merecedor de uma notável citação de Guimarães Rosa no Grande Sertão: “O Vão dos Buracos é o lugar onde nem o mais destemido dos jagunços se aventura a ir atrás de seus desafetos”. O Vão era o refúgio dos bandos enfraquecidos que buscavam a recuperação de forças. Também foi numa cidade vizinha, São Francisco, que em 16 de dezembro de 1984 o líder sindical dos trabalhadores rurais do município, Elói Ferreira da Silva, foi assassinado por sua luta em defesa da terra.</p>
<p><a rel="attachment wp-att-6340" href="http://www.metro.org.br/padre-joao-delco-mesquita-penna/i-serra-das-araras-devocao-e-superacao/serra-das-araras-4"><img class="aligncenter size-medium wp-image-6340" title="serra das araras 4" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2011/12/serra-das-araras-4-500x375.jpg" alt="" width="500" height="375" /></a></p>
<p>Com a criação do município da Chapada Gaúcha, desmembrado de São Francisco, a festa passou a receber maior incentivo do poder público. A organização fica por conta de representantes da Prefeitura Municipal, Conselho Paroquial e comunidade local. No ano de 2009 a Festa e Romaria de Santo Antônio de Serra das Araras foi registrada como Patrimônio Cultural do Município, com aprovação pelo COMPAC – Conselho Municipal do Patrimônio Cultural de Chapada Gaúcha e Câmara de Vereadores através de lei específica. Muito recentemente a Igreja de Santo Antônio, de Serra das Araras, por determinação da Diocese de Januária, foi reconhecida como Santuário e tornou-se o Primeiro Santuário “Antonino”, ou seja dedicado a Santo Antônio, da Igreja Católica no Norte de Minas Gerais.</p>
<p><a rel="attachment wp-att-6341" href="http://www.metro.org.br/padre-joao-delco-mesquita-penna/i-serra-das-araras-devocao-e-superacao/serra-das-araras-5"><img class="aligncenter size-medium wp-image-6341" title="serra das araras 5" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2011/12/serra-das-araras-5-500x375.jpg" alt="" width="500" height="375" /></a></p>
<p>A romaria centenária de Serra das Araras representa uma importante fonte de renda para os moradores locais, principalmente com a venda de produtos artesanais e dos serviços de hospedagem em quartos, ranchos e casas. Observamos também a intensificação do comércio nas ruas e avenidas tomadas pelos vendedores ambulantes que vão chegando de diversos lugares oferecendo seus produtos.</p>
<p>A cada ano a festa ganha novos atrativos como a chegada de cavalgadas e grupos de motociclistas, shows em praça pública com artistas locais e regionais. Enfim, é uma festa realmente única! O cotidiano calmo da vila sertaneja dá lugar à agitação de cidade grande. Diversas etnias, raças e credos interagem num ambiente de Fé e Devoção Popular, tornando a tradicional festa de Serra das Araras uma das maiores festas religiosas do interior de Minas Gerais. Talvez, através dos fatos históricos podemos encontrar explicações para tamanha grandeza de Fé e Devoção de um povo marcado ao longo do tempo pela extrema pobreza, conflitos sociais, sofrimento, mas também resistência e superação.</p>
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		<title>Quem tem medo de Deus?</title>
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		<pubDate>Tue, 28 Jun 2011 19:41:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Antonio Carlos Santini</dc:creator>
				<category><![CDATA[Religião]]></category>

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		<description><![CDATA[A intimidade intimida. Aproximar-se é correr riscos. Ficar à distância é sempre mais seguro do que arriscar um contato&#8230; Não foi sem motivos que tantas vezes tenhamos sentido medo de Deus. Desde os tempos de Júpiter Tonante até o Deus do Sinai, o povo temia e tremia diante das vulcânicas manifestações da divindade. E o ditado latino o confirma: “Procul a Iove, procul a fulmine!” [Longe de Júpiter, longe do raio!] Assim sendo, quanto mais longe, melhor&#8230; Ao longo dos meandros da Bíblia, quando os mensageiros divinos vão ao encontro dos homens, sempre assustados, o diálogo começa habitualmente por uma frase tranquilizadora: “Não temas! Não temais!” Foi assim com o velho Abraão (Gn 15,1). Foi assim com a Virgem de Nazaré (Lc 1,30). Foi assim com os sonolentos pastores de Belém (Lc 2,10). É curioso como os vocativos que iniciam nossas preces acabam por denunciar nossa intenção de permanecer à distância: Senhor (vocativo dos servos e escravos), Deus (genérico inofensivo), Deus Todo-poderoso (título que mantém o “Tu” divino em território seguro, bem acima das constelações e das nebulosas). No polo oposto, o Filho encarnado chamava a Deus de “Abbá”, o termo aramaico típico da fala infantil, que traduzimos ordinariamente por Pai, Papai, mas aceitaria alguma versão ainda mais ingênua e intimista: Papi, Painho, Paioco&#8230; Coisas da linguagem tatibitate que os meninos mais crescidos fazem questão de evitar para demonstrar sua independência e autonomia&#8230; Os mestres espirituais – com especial destaque para a esperta Teresinha de Lisieux – não se cansaram de nos apontar o caminho da “infância espiritual”, onde não cabe nenhum laivo de jansenismo e a humana miséria é simplesmente afogada no oceano da divina misericórdia&#8230; Os pequenos se alegram com essa informação. Mesmo entre religiosos e membros do clero, tenho percebido as frequentes reações de defesa quando se propõe uma atitude de intimidade com Deus. Salvo melhor juízo, trata-se de uma doença da afetividade, tantas vezes recalcada, quando tememos que a inundação do amor nos roube o controle da própria vida, a começar pelos sentimentos e emoções. Ora, a Aliança de Deus – a nova e eterna Aliança – com os homens foi finalizada em plena Paixão. Não admira, pois, que o poeta lírico tenha escrito as palavras da letra que cantamos distraidamente em nossas celebrações: “Um Deus apaixonado busca a mim e a ti&#8230;” Quando Deus começa a rondar nossos passos hesitantes, sentimo-nos ameaçados e preferimos fugir. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-5140" title="Quem-tem-medo-de-Deus" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2011/06/Quem-tem-medo-de-Deus.jpg" alt="" width="642" height="768" /></p>
<p>A intimidade intimida. Aproximar-se é correr riscos. Ficar à distância é sempre mais seguro do que arriscar um contato&#8230;</p>
<p>Não foi sem motivos que tantas vezes tenhamos sentido medo de Deus. Desde os tempos de Júpiter Tonante até o Deus do Sinai, o povo temia e tremia diante das vulcânicas manifestações da divindade. E o ditado latino o confirma: “<em>Procul a Iove, procul a fulmine!</em>” [Longe de Júpiter, longe do raio!] Assim sendo, quanto mais longe, melhor&#8230;</p>
<p>Ao longo dos meandros da Bíblia, quando os mensageiros divinos vão ao encontro dos homens, sempre assustados, o diálogo começa habitualmente por uma frase tranquilizadora: “Não temas! Não temais!” Foi assim com o velho Abraão (<em>Gn</em> 15,1). Foi assim com a Virgem de Nazaré (<em>Lc</em> 1,30). Foi assim com os sonolentos pastores de Belém (<em>Lc</em> 2,10).</p>
<p>É curioso como os vocativos que iniciam nossas preces acabam por denunciar nossa intenção de permanecer à distância: <em>Senhor</em> (vocativo dos servos e escravos), <em>Deus</em> (genérico inofensivo), <em>Deus Todo-poderoso</em> (título que mantém o “Tu” divino em território seguro, bem acima das constelações e das nebulosas).</p>
<p>No polo oposto, o Filho encarnado chamava a Deus de “<em>Abbá</em>”, o termo aramaico típico da fala infantil, que traduzimos ordinariamente por Pai, Papai, mas aceitaria alguma versão ainda mais ingênua e intimista: <em>Papi, Painho, Paioco</em>&#8230; Coisas da linguagem tatibitate que os meninos mais crescidos fazem questão de evitar para demonstrar sua independência e autonomia&#8230;</p>
<p>Os mestres espirituais – com especial destaque para a esperta Teresinha de Lisieux – não se cansaram de nos apontar o caminho da “infância espiritual”, onde não cabe nenhum laivo de jansenismo e a humana miséria é simplesmente afogada no oceano da divina misericórdia&#8230; Os pequenos se alegram com essa informação.</p>
<p>Mesmo entre religiosos e membros do clero, tenho percebido as frequentes reações de defesa quando se propõe uma atitude de intimidade com Deus. Salvo melhor juízo, trata-se de uma doença da afetividade, tantas vezes recalcada, quando tememos que a inundação do amor nos roube o controle da própria vida, a começar pelos sentimentos e emoções.</p>
<p>Ora, a Aliança de Deus – a nova e eterna Aliança – com os homens foi finalizada em plena Paixão. Não admira, pois, que o poeta lírico tenha escrito as palavras da letra que cantamos distraidamente em nossas celebrações: “Um Deus apaixonado busca a mim e a ti&#8230;”</p>
<p>Quando Deus começa a rondar nossos passos hesitantes, sentimo-nos ameaçados e preferimos fugir. Jonas no deserto, tememos qualquer interação mais íntima, sem títulos e sem máscaras. Isaías no Templo, só a brasa de um serafim chegará a acender uma paixão em nosso interior.</p>
<p>Definitivamente, a intimidade intimida&#8230;</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>A mulher de Potifar</title>
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		<pubDate>Wed, 21 Jul 2010 16:38:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tarzan Leão</dc:creator>
				<category><![CDATA[Comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[Religião]]></category>

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		<description><![CDATA[Rembrandt, A mulher de Potifar Citação bíblica, Gênesis caps 39 a 41 Tendo José sido vendido pelos próprios irmãos como escravo, foi adquirido por Potifar, general comandante da guarda do faraó Amós, do Egito. José logo ganhou a confiança de seu senhor, a quem fazia prosperar, passando a ser responsável pelos negócios da casa deste. A tal ponto confiara Potifar no seu servo que nada mais sabia de suas coisas, a não ser &#8220;do próprio pão que comia&#8221;. A este tempo, o jovem cativo crescia em formosura. Fato capital na vida de José foi o assédio que sofreu por parte da mulher do seu proprietário &#8211; cujo nome não é consignado nas Escrituras. A mulher de Potifar passou a assediar o jovem hebreu, convidando-o a deitar-se com ela. José recusa veementemente &#8211; diz-lha que o senhor confiara tudo em sua casa, menos ela e recusava tal crime contra ele e contra Deus. Continuou a mulher em suas tentativas até que, certo dia, em que nenhum dos homens da casa se encontrava lá, ela mais uma vez insistiu. José fugiu, mas ela segurou-lhe a capa, que ficou em sua mão. A mulher então, gritando, fez vir a si os homens da casa e, apresentando a capa de José como prova, acusou-o de tentar levá-la para a cama. Quando Potifar chegou em sua casa, repetiu-lhe a história engendrada e este encheu-se de ira. José foi então enviado para a prisão do faraó. Ali, tem José a oportunidade de interpretar os sonhos de dois outros prisioneiros, o que lhe habilitou a, dois anos depois, sair do cárcere para interpretar o Sonho do Faraó e se tornar o segundo homem mais importante do império. Fato do Cotidiano “Ah, tenho vivido tão sozinha!”, suspirou Amália, enquanto Leonardo, o técnico de informática, procurava uma solução para o seu computador, que parara de funcionar havia quase uma semana. “Você tem namorada?”, perguntou olhando sorridente para o rapaz que suava em bicas. “O problema do seu computador é vírus, dona Amália. A senhora mostrou ele a sêo Hitoshi?” “Há quanto tempo você trabalha pra meu marido, Leonardo? Ele lhe paga bem? Você está satisfeito com o seu salário?”, perguntou fingindo não ouvir o que ele dissera. “Acho que vou ter de levar seu computador pra loja. O serviço vai demorar muito, tenho de reinstalar o Windows.”. “Fique à vontade e não tenha pressa. Temos a tarde toda só [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-3329" title="image001" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2010/07/image0019-e1279730147546.jpg" alt="" width="480" height="527" /></p>
<p style="text-align: center;">Rembrandt, A mulher de Potifar</p>
<p><strong>Citação bíblica, Gênesis caps 39 a 41</strong></p>
<p>Tendo José sido vendido pelos próprios irmãos como escravo, foi adquirido por Potifar, general comandante da guarda do faraó Amós, do Egito. José logo ganhou a confiança de seu senhor, a quem fazia prosperar, passando a ser responsável pelos negócios da casa deste.</p>
<p>A tal ponto confiara Potifar no seu servo que nada mais sabia de suas coisas, a não ser &#8220;do próprio pão que comia&#8221;. A este tempo, o jovem cativo crescia em formosura. Fato capital na vida de José foi o assédio que sofreu por parte da mulher do seu proprietário &#8211; cujo nome não é consignado nas Escrituras. A mulher de Potifar passou a assediar o jovem hebreu, convidando-o a deitar-se com ela. José recusa veementemente &#8211; diz-lha que o senhor confiara tudo em sua casa, menos ela e recusava tal crime contra ele e contra Deus.</p>
<p>Continuou a mulher em suas tentativas até que, certo dia, em que nenhum dos homens da casa se encontrava lá, ela mais uma vez insistiu. José fugiu, mas ela segurou-lhe a capa, que ficou em sua mão. A mulher então, gritando, fez vir a si os homens da casa e, apresentando a capa de José como prova, acusou-o de tentar levá-la para a cama.</p>
<p>Quando Potifar chegou em sua casa, repetiu-lhe a história engendrada e este encheu-se de ira. José foi então enviado para a prisão do faraó. Ali, tem José a oportunidade de interpretar os sonhos de dois outros prisioneiros, o que lhe habilitou a, dois anos depois, sair do cárcere para interpretar o Sonho do Faraó e se tornar o segundo homem mais importante do império.</p>
<p><strong>Fato do Cotidiano</strong></p>
<p>“Ah, tenho vivido tão sozinha!”, suspirou Amália, enquanto Leonardo, o técnico de informática, procurava uma solução para o seu computador, que parara de funcionar havia quase uma semana. “Você tem namorada?”, perguntou olhando sorridente para o rapaz que suava em bicas.</p>
<p>“O problema do seu computador é vírus, dona Amália. A senhora mostrou ele a <em>sêo</em> Hitoshi?”</p>
<p>“Há quanto tempo você trabalha pra meu marido, Leonardo? Ele lhe paga bem? Você está satisfeito com o seu salário?”, perguntou fingindo não ouvir o que ele dissera.</p>
<p>“Acho que vou ter de levar seu computador pra loja. O serviço vai demorar muito, tenho de reinstalar o Windows.”.</p>
<p>“Fique à vontade e não tenha pressa. Temos a tarde toda só pra nós dois. E não se preocupe com meu marido, a vida do Hitoshi é só aquela loja. Ele nunca chega em casa antes das 8 horas”, completou, se espreguiçando na cama.</p>
<p>Havia meses que Amália estava de olho em Leonardo, o novo funcionário da <em>Amatoshi Informática</em>. Moreno alto, 25 anos, cabelo cortado à zero, corpo delineado de academia, a camiseta sempre muito apertada, deixando escapar parte do dragão tatuado em seu braço direito. Leonardo, desde que fora contratado, se transformara no sonho de consumo de Amália, que a cada dia andava mais sozinha e queixosa do seu marido que não parava em casa nem lhe dava atenção.</p>
<p>Depois de dias pensando, Amália chegara à conclusão de que a maneira mais prática e segura de ficar a sós com Leonardo era trazendo-o à sua casa. Para tanto, a primeira providência a tomar foi desinstalar o antivírus do seu computador e navegar atrás da mais recente versão do Cavalo de Tróia, um que fosse capaz de danificar o <em>RedStorm,</em> o supercomputador que controla as armas nucleares do Pentágono. Não deu outra: logo o computador parou de funcionar. Queixou-se ao marido:</p>
<p>“Amor, não sei o que houve, meu computador parou de funcionar.”</p>
<p>“Ligue depois na loja. Mando alguém aqui pra ver o que é”, respondeu Hitoshi se vestindo para deitar.</p>
<p>“Amanhã ligo então”, falou demonstrando total desinteresse.</p>
<p>Naquela manhã Amália levantou cedo, mas seu marido nem se deu conta disso. Tão logo Hitoshi saiu para a loja, ela ligou para Cássia, sua depiladora.</p>
<p>“Oi amiga. Está muito cheia hoje? Não? Ah que bom. Pode me atender hoje às nove? Combinado, então. Às 9 horas estarei aí. Quero uma sessão completa. Preciso ficar linda. Beijos”, e desligou.</p>
<p>Às 13 horas em ponto ela ligou para a loja solicitando os serviços.</p>
<p>Amália não era uma mulher que se pudesse simplesmente jogar fora: 38 anos, corpo em forma, cabelos longos, e uma profunda carência afetiva, que só mesmo Hitoshi não percebia, preocupado que estava em ganhar dinheiro com a sua loja de informática que ia de vento em popa.</p>
<p>“Dona Amália, sou eu, Leonardo”, disse o rapaz ao interfone, anunciando a sua chegada.</p>
<p>“Já vou abrir”, respondeu tensa enquanto se encaminhava para a porta.</p>
<p>Quando Leonardo viu a mulher do patrão vestida de <em>lingerie</em> vermelha e robe transparente que nada escondia, começou a suar frio de tanto medo: pensava no emprego, na mãe que tinha de sustentar. Ao mesmo tempo olhava para aquela mulher que o fitava como se quisesse devorá-lo com os olhos. De maneira que, ao entrar no quarto do casal onde ficava o computador, logo percebeu que ela queria muito mais que uma simples assistência técnica &#8230;</p>
<p style="text-align: left;"> </p>
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		<title>Domingo: um dia para o homem!</title>
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		<pubDate>Tue, 06 Apr 2010 16:32:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Antonio Carlos Santini</dc:creator>
				<category><![CDATA[Religião]]></category>

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		<description><![CDATA[No dia 24 de março, em Bruxelas, foi iniciada uma campanha pelo “domingo sem trabalho”. E não se trata de uma iniciativa de cunho “religioso”, inspirada por alguma Igreja. É apenas um grito que parte do coração do homem: não somos máquinas! Para o bem da família A campanha nasce de uma iniciativa do eurodeputado alemão Thomas Mann e da eurodeputada socialista italiana Patriza Toia junto ao Parlamento Europeu. Naturalmente, as ACLI, Associações Cristãs dos Trabalhadores Italianos, de pronto apoiaram a iniciativa, ao lado de numerosos sindicatos e representantes das Igrejas européias. No Facebook, no espaço de 24 horas, já se reuniam 13 mil pessoas das mais variadas nacionalidades apondo sua assinatura no audacioso projeto. Thomas Mann declara: “Nós exigimos um domingo sem trabalho para todos os cidadãos europeus”. Para ele, “garantir um domingo sem trabalho é de máxima importância para compatibilizar o trabalho com a vida de família. Em especial para ter tempo de estar com os próprios filhos”. Como comenta Gianluca Cazzaniga, do jornal “Avvenire”, trata-se de um primeiro passo em direção a uma nova norma para o Continente Europeu. Para László Andor, Comissário Europeu para o Trabalho, “é uma questão de subsidiariedade entre as questões sociais e a integração. Nada impede aos Estados membros de proteger o domingo, como já ocorre em dezesseis países da União Européia”.   Mais que religião&#8230; Segundo Sebastián Maillard, do jornal “La Croix”, uma proteção geral do domingo já foi reconhecida, por um tempo, pela legislação européia. As primeiras normas datavam de 1993, ao estabelecerem que o repouso semanal devia incluir em princípio os domingos. Contestada, porém, pelo Reino Unido – os mesmos capitalistas que acorrentavam crianças às maquinas, no século XVIII – perante a Corte Européia de Justiça, a regra foi abandonada em 1996. Se a dimensão religiosa de um domingo “sagrado” não escapa a ninguém, enquanto “dia do Senhor” e dia da celebração comunitária, outras dimensões estão incluídas na questão. Aliás, mesmo na Índia, onde os cristãos são ínfima minoria (em torno de 2,5% da população), o domingo é dia de repouso obrigatório. Para Francesco Riccardi, historiador e redator da revista “Cristiani nel Mondo”, a proposta de um Free Sunday, domingo livre, evitará o agravamento das rupturas no tecido social, tão visíveis em toda a Europa. “O domingo – diz Riccardi &#8211; não é simplesmente o dia do repouso, mas o tempo dos afetos, da atenção familiar, de estar junto [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-2625  aligncenter" title="Domingo: um dia para o homem!" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2010/04/image001.jpg" alt="Domingo: um dia para o homem!" width="400" height="266" /></p>
<p><em>No dia 24 de março, em Bruxelas, foi iniciada uma campanha pelo “domingo sem trabalho”. E não se trata de uma iniciativa de cunho “religioso”, inspirada por alguma Igreja. É apenas um grito que parte do coração do homem: não somos máquinas!</em></p>
<h2><span style="font-weight: normal;">Para o bem da família</span></h2>
<p>A campanha nasce de uma iniciativa do eurodeputado alemão Thomas Mann e da eurodeputada socialista italiana Patriza Toia junto ao Parlamento Europeu. Naturalmente, as ACLI, Associações Cristãs dos Trabalhadores Italianos, de pronto apoiaram a iniciativa, ao lado de numerosos sindicatos e representantes das Igrejas européias. No <em>Facebook</em>, no espaço de 24 horas, já se reuniam 13 mil pessoas das mais variadas nacionalidades apondo sua assinatura no audacioso projeto.</p>
<p>Thomas Mann declara: “Nós exigimos um domingo sem trabalho para todos os cidadãos europeus”. Para ele, “garantir um domingo sem trabalho é de máxima importância para compatibilizar o trabalho com a vida de família. Em especial para ter tempo de estar com os próprios filhos”. Como comenta Gianluca Cazzaniga, do jornal “<em>Avvenire</em>”, trata-se de um primeiro passo em direção a uma nova norma para o Continente Europeu. Para László Andor, Comissário Europeu para o Trabalho, “é uma questão de subsidiariedade entre as questões sociais e a integração. Nada impede aos Estados membros de proteger o domingo, como já ocorre em dezesseis países da União Européia”.</p>
<p><strong> </strong></p>
<h2><span style="font-weight: normal;">Mais que religião&#8230;</span></h2>
<p>Segundo Sebastián Maillard, do jornal “<em>La Croix</em>”, uma proteção geral do domingo já foi reconhecida, por um tempo, pela legislação européia. As primeiras normas datavam de 1993, ao estabelecerem que o repouso semanal devia incluir em princípio os domingos. Contestada, porém, pelo Reino Unido – os mesmos capitalistas que acorrentavam crianças às maquinas, no século XVIII – perante a Corte Européia de Justiça, a regra foi abandonada em 1996.</p>
<p>Se a dimensão religiosa de um domingo “sagrado” não escapa a ninguém, enquanto “dia do Senhor” e dia da celebração comunitária, outras dimensões estão incluídas na questão. Aliás, mesmo na Índia, onde os cristãos são ínfima minoria (em torno de 2,5% da população), o domingo é dia de repouso obrigatório.</p>
<p>Para Francesco Riccardi, historiador e redator da revista “<em>Cristiani nel Mondo</em>”, a proposta de um <em>Free Sunday, </em>domingo livre, evitará o agravamento das rupturas no tecido social, tão visíveis em toda a Europa. “O domingo – diz Riccardi &#8211; não é simplesmente o dia do repouso, mas o tempo dos afetos, da atenção familiar, de estar junto com a comunidade. E ainda, da reflexão pessoal e da oração pelos que crêem. É um tempo especial, pois está sincronizado com o tempo dos outros. Tempo de festa, porque é tempo livre, no qual expressamos em profundidade aquilo de mais autêntico que nós somos.”</p>
<p><strong> </strong></p>
<h2><span style="font-weight: normal;">Luxo ou liberdade?</span></h2>
<p>O Eurofund &#8211; agência pública da União Européia para melhoria das condições de trabalho – assegura que o trabalho dominical obrigatório não deixaria de produzir efeitos negativos sobre o absenteísmo, a motivação do trabalhador e as doenças do trabalho.</p>
<p>Mas temos argumentos ainda melhores para preservar o domingo. Um domingo de trabalho é um domingo sem família. Sem biscoitos partilhados com as crianças, sem a macarronada com a turma reunida. Sim, o domingo pode ser <em>um luxo</em>, como dizem os vendilhões que pretendem vender também aos domingos. Esses vendilhões estão furiosos com nossa pretensão de não trabalhar aos domingos. Mas é este luxo que nos distingue dos escravos. E, no fundo, só a liberdade nos garante o domingo sem trabalho&#8230;</p>
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		<title>Graças a Deus, sou ateu!</title>
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		<pubDate>Mon, 29 Mar 2010 15:59:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tarzan Leão</dc:creator>
				<category><![CDATA[Religião]]></category>

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		<description><![CDATA[Sei que há muita curiosidade por parte de alguns leitores a respeito da minha fé. Destarte, embora a minha fé seja uma questão de foro íntimo, e só diga respeito a mim e a Deus, compus um pequeno des-Credo no qual exponho a questão da maneira mais clara possível. Ei-lo: Das questões que me atormentam, talvez a maior seja a idolatria contemporânea. Idolatra-se a Ciência, o Mercado, a Natureza, o Capital, a Opinião Pública; enfim, a idolatria campeia a nossa sociedade de maneira avassaladora; mas nós nem nos damos conta disso. Humildemente me confesso ateu. Não creio na Ciência como recurso único de salvação da humanidade, nem muito menos que ela por si só explique o Cosmo e que tenha a solução para todos os nossos problemas.  Não creio nos cientistas como os neo-sacerdotes de uma sociedade secularizada, onde não há espaço para o Absoluto, para o Mistério puro e simples. Não creio no Mercado: esse novo deus adorado e idolatrado, ao qual devemos oferecer sacrifícios humanos, sob a alegação do equilíbrio econômico mundial. Em nome do deus-Mercado, centenas de milhares de pessoas morrem de fome diariamente em todo o Planeta. Por isso, grito do alto da serra da Contagem: não creio em ti, deus-Mercado; e ainda que a ti ofereçam sacrifícios e oblações, saiba, sou ateu confesso e não creio em ti. Não creio na Natureza e muito menos em suas Leis como fonte única e irrefutável. A mim me custa acreditar que tenha de haver sempre pobres e ricos no mundo, e que isto seja absolutamente natural que assim aconteça. Sim, me confesso ateu também em relação a ti, deusa-Natureza, poderosa e soberana sobre todos os deuses. Não acredito que seja da vontade do Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó que apenas 15% da humanidade consumam 85% dos recursos naturais, em nome da lei do mais forte e da seleção natural. Não acredito no Capital. Não creio que ele seja fonte ou garantia de felicidade para ninguém, quando isto se dá à custa de fome e desolação. Sim, ateu me confesso e não temo os seus castigos. Não creio no deus-Dinheiro nem aceito a sua dominação. A ti jamais oferecerei sacrifícios. Sob a justificativa de amealhar dinheiro nunca me distanciei de minha família nem dos meus amigos, e, quando por ti me senti seduzido, não hesitei em voltar para a minha casa desempregado, muito embora isso [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-2579" title="Graças a Deus, sou ateu!" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2010/03/image00118-e1269878289753.jpg" alt="Graças a Deus, sou ateu!" width="500" height="326" /></p>
<p>Sei que há muita curiosidade por parte de alguns leitores a respeito da minha fé. Destarte, embora a minha fé seja uma questão de foro íntimo, e só diga respeito a mim e a Deus, compus um pequeno des-Credo no qual exponho a questão da maneira mais clara possível. Ei-lo:</p>
<p>Das questões que me atormentam, talvez a maior seja a idolatria contemporânea. Idolatra-se a Ciência, o Mercado, a Natureza, o Capital, a Opinião Pública; enfim, a idolatria campeia a nossa sociedade de maneira avassaladora; mas nós nem nos damos conta disso.</p>
<p>Humildemente me confesso ateu. Não creio na Ciência como recurso único de salvação da humanidade, nem muito menos que ela por si só explique o Cosmo e que tenha a solução para todos os nossos problemas.  Não creio nos cientistas como os neo-sacerdotes de uma sociedade secularizada, onde não há espaço para o Absoluto, para o Mistério puro e simples. Não creio no Mercado: esse novo deus adorado e idolatrado, ao qual devemos oferecer sacrifícios humanos, sob a alegação do equilíbrio econômico mundial. Em nome do deus-Mercado, centenas de milhares de pessoas morrem de fome diariamente em  todo o Planeta. Por isso, grito do alto da serra da Contagem: não creio em ti, deus-Mercado; e ainda que a ti ofereçam sacrifícios e oblações, saiba, sou ateu confesso e não creio em ti.</p>
<p>Não creio na Natureza e muito menos em suas Leis como fonte única e irrefutável. A mim me custa acreditar que tenha de haver sempre pobres e ricos no mundo, e que isto seja absolutamente natural que assim aconteça. Sim, me confesso ateu também em relação a ti, deusa-Natureza, poderosa e soberana sobre todos os deuses. Não acredito que seja da vontade do Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó que apenas 15% da humanidade consumam 85% dos recursos naturais, em nome da lei do mais forte e da seleção natural.</p>
<p>Não acredito no Capital. Não creio que ele seja fonte ou garantia de felicidade para ninguém, quando isto se dá à custa de fome e desolação. Sim, ateu me confesso e não temo os seus castigos. Não creio no deus-Dinheiro nem aceito a sua dominação. A ti jamais oferecerei sacrifícios. Sob a justificativa de amealhar dinheiro nunca me distanciei de minha família nem dos meus amigos, e, quando por ti me senti seduzido, não hesitei em voltar para a minha casa desempregado, muito embora isso viesse a me custar noites e noites de insônia. Não creio em ti e nem também serei teu servo, ó deus-Dinheiro, senhor todo-poderoso, capaz de irar-se por um nada e condenar os seus filhos ao desprezo e escárnio da sociedade. Eu, do mais profundo do meu coração me declaro ateu.</p>
<p>Não creio na Opinião Pública como fonte de verdade, pois o mesmo povo que, no Domingo de Ramos (Mt 21, 1-11; Mc 11, 1-11; Lc 19, 28-40; Jo 12, 12-36), recebeu Jesus Cristo como se recebe a um rei, não hesitou em condenar à morte um inocente quatro dias depois (Mt 27; Mc 15, Lc 23; Jo 18). Sim, eu me rebelo contra o deus-Povo e afirmo peremptoriamente que a máxima que diz “Vox populi, vox Dei”, não passa de uma armadilha do Demônio para trilharmos o fácil caminho ditado pela Opinião Pública, soberana e opressora; eu, do alto de minha descrença, reafirmo o meu público ateísmo.</p>
<p>Também não creio em preces poderosas, magias e amuletos, capazes de livrar nosso corpo de doenças e pestilências, ou de nos fazer tirar a sorte grande na loteria ou nos negócios. Sim, ateu me declaro, ainda que tenha de ir contra tudo e contra todos. De modo que repito, afasta de mim este cálice, Pai!</p>
<p>Para encerrar, querem saber quem é o Deus da minha fé? Pois eu respondo: eu creio em Deus Pai, Todo-poderoso, Criador do Céu e da terra.</p>
<p>Creio em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor, o qual foi concebido por obra do Espírito Santo; nasceu da virgem Maria; padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado; ressurgiu dos mortos ao terceiro dia; subiu ao Céu; está sentado à direita de Deus Pai Todo-poderoso, donde há de vir para julgar os vivos e os mortos.</p>
<p>Creio no Espírito Santo; na Santa Igreja Universal; na comunhão dos santos; na remissão dos pecados; na ressurreição do corpo; na vida eterna. Amém.</p>
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		<title>Imagens de Deus</title>
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		<pubDate>Mon, 22 Mar 2010 16:31:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Antonio Carlos Santini</dc:creator>
				<category><![CDATA[Religião]]></category>

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		<description><![CDATA[Segundo o Gênesis, Deus criou o homem à sua imagem. Como quem dá troco, temos a tendência a recriar Deus à nossa própria imagem. Quase, sempre, são imagens que desmerecem a perfeição e a santidade do Deus verdadeiro Deus. Quando os navegadores espanhóis cruzaram o Atlântico, no ocaso do Séc. XV, e chegaram à América Central, viram com espanto as pirâmides escalonadas erguidas ao deus Xipe-Totec, cujos degraus estavam cobertos de crânios de jovens sacrificados à sede de sangue daquela divindade pagã. Que “deus” é este, que bebe o sangue de seus adoradores? Que se compraz com a morte de seu povo? Em um de seus livros, o consagrado autor Anselm Grün recorda as imagens divinas que ousamos desenhar: o deus juiz, o deus perfeccionista, o deus do rendimento, o deus do arbítrio ou o deus-guarda-livros. Poderíamos acrescentar o deus-amuleto, que fecha o corpo e imuniza contra todo problema e sofrimento da condição humana. Ou o deus-vingador, especialista em “acertar contas”, que invocamos contra aqueles que nos desagradam. Religião e poder Para Grün, estas imagens seriam criadas na intenção de dominar as pessoas, como fazem os pais que ameaçam as crianças com os castigos divinos por mau comportamento. Como aqueles bordões de nossa infância: &#8211; “Papai do Céu não gosta de menino que faz coisa feia!” Aliás, nada mais falso! Se o pastor – imagem bíblica de Deus – abandona 99 ovelhas “no deserto” para sair em busca da ovelha negra número 100 que se perdeu, não é sinal de que os transviados são alvo de uma atenção especial, um amor de predileção por parte do Senhor? De qualquer modo, as imagens falsas de Deus despertam sentimentos de medo e de culpa, de vergonha e de insegurança, de servilismo e de passividade. Está na moda a imagem do deus-investimento: você dá 10 e ele devolve 100; você dá 100 e ele devolve 1000. (Estou usando iniciais minúsculas para esse tipo de deus. Não merece a caixa alta!) De um lado, espertalhões explorando o povo com promessas que não podem cumprir: um caso de PROCON! De outro, um misto de ingênuos e de interesseiros, que ousam acreditam em uma divindade que se deixa usar e abusar para gerar vantagens materiais em favor de seus “investidores”. Dá nojo! Deus não é ópio&#8230; Divulga-se ainda o deus-anestesia: tomou Doril, a dor sumiu! Como se Cristo não fosse um Deus crucificado&#8230; Nas palavras de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-2517  aligncenter" title="Imagens de Deus" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2010/03/image00114-e1269275389422.jpg" alt="Imagens de Deus" width="500" height="597" /></p>
<p>Segundo o Gênesis, Deus criou o homem à sua imagem. Como quem dá troco, temos a tendência a recriar Deus à nossa própria imagem. Quase, sempre, são imagens que desmerecem a perfeição e a santidade do Deus verdadeiro Deus.</p>
<p>Quando os navegadores espanhóis cruzaram o Atlântico, no ocaso do Séc. XV, e chegaram à América Central, viram com espanto as pirâmides escalonadas erguidas ao deus Xipe-Totec, cujos degraus estavam cobertos de crânios de jovens sacrificados à sede de sangue daquela divindade pagã. Que “deus” é este, que bebe o sangue de seus adoradores? Que se compraz com a morte de seu povo?</p>
<p>Em um de seus livros, o consagrado autor Anselm Grün recorda as imagens divinas que ousamos desenhar: o deus juiz, o deus perfeccionista, o deus do rendimento, o deus do arbítrio ou o deus-guarda-livros. Poderíamos acrescentar o deus-amuleto, que fecha o corpo e imuniza contra todo problema e sofrimento da condição humana. Ou o deus-vingador, especialista em “acertar contas”, que invocamos contra aqueles que nos desagradam.</p>
<h2><span style="font-weight: normal;">Religião e poder</span></h2>
<p>Para Grün, estas imagens seriam criadas na intenção de dominar as pessoas, como fazem os pais que ameaçam as crianças com os castigos divinos por mau comportamento. Como aqueles bordões de nossa infância: &#8211; “Papai do Céu não gosta de menino que faz coisa feia!”</p>
<p>Aliás, nada mais falso! Se o pastor – imagem bíblica de Deus – abandona 99 ovelhas “no deserto” para sair em busca da ovelha negra número 100 que se perdeu, não é sinal de que os transviados são alvo de uma atenção especial, um amor de predileção por parte do Senhor? De qualquer modo, as imagens falsas de Deus despertam sentimentos de medo e de culpa, de vergonha e de insegurança, de servilismo e de passividade.</p>
<p>Está na moda a imagem do deus-investimento: você dá 10 e ele devolve 100; você dá 100 e ele devolve 1000. (Estou usando iniciais minúsculas para esse tipo de deus. Não merece a caixa alta!) De um lado, espertalhões explorando o povo com promessas que não podem cumprir: um caso de PROCON! De outro, um misto de ingênuos e de interesseiros, que ousam acreditam em uma divindade que se deixa usar e abusar para gerar vantagens materiais em favor de seus “investidores”. Dá nojo!</p>
<h2><span style="font-weight: normal;">Deus não é ópio&#8230;</span></h2>
<p>Divulga-se ainda o deus-anestesia: tomou Doril, a dor sumiu! Como se Cristo não fosse um Deus crucificado&#8230; Nas palavras de Anselm Grün, “por vezes, Deus é usado como se fosse uma droga milagrosa. Eu só preciso entregar a Deus todas as minhas necessidades e preocupações, que então ele há de endireitar tudo, curar todas as minhas enfermidades, e eu não preciso mais me preocupar com nada. Não terei mais que enfrentar as consequências e os erros de minha vida passada. Posso passar por cima de tudo e ir diretamente a Deus, que magicamente fará desaparecer tudo quanto é negativo. Aqui a religião passa a ser uma droga”. Indico o livro “<em>Se quiser experimentar Deus”</em>, Editora Vozes, de 2001. Este tipo de “deus” não passa de caminho de fuga da minha realidade humana.</p>
<p>Mas ainda subsiste nas mentes o deus-policial, uma espécie de <em>big-brother</em> celeste, que tudo vê e registra em um grande livro de capa preta, cujo conteúdo será divulgado no juízo final, para vergonha dos réus e deleite dos espectadores. Como amar um deus assim?</p>
<p>Vendem a imagem de um deus perfeccionista que acolhe apenas os atletas espirituais, os alpinistas da alma, mas rejeita e frita no inferno qualquer fraqueza humana, como se o Criador não conhecesse os limites do barro humano, que Ele-mesmo amassou e modelou com as próprias mãos! Esses fariseus não conseguem ler no Evangelho a inclinação comovida de Jesus pelos mendigos e leprosos, pelos cegos e aleijados (naquele tampo, não se falava em deficientes&#8230;), pelos pecadores e pelas prostitutas que – segundo o próprio Mestre – nos precederão no Reino do Pai.</p>
<h2><span style="font-weight: normal;">Descobrir o Pai</span></h2>
<p>É hora de clamar bem alto: &#8211; Estão usando Deus! Estão abusando de seu Nome santo! Estão transformando Deus em mercadoria ao alcance de todos. E isto é um pecado terrível&#8230;</p>
<p>Precisamos divulgar, dia a dia, um Evangelho como o de São Lucas, onde as misericórdias de Deus escorrem como um grande rio de amor. Ou o Evangelho de São João, onde Deus é chamado de Pai nada menos que cem vezes!</p>
<p>Assim, quem sabe, chegaremos a falar de Deus como um filho amado se refere a um Pai amante. Assim, quem sabe, nos aproximaremos do modelo de Jesus, que nada pretendia de Deus, exceto cumprir a sua vontade.</p>
<p>O mais é crime, é fraude, é contrafação&#8230;</p>
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