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Separação

Publicado por Carlos Bittencourt Almeida em Psicologia
data: 02/07/2009

Quase sempre, no processo de separação, seja no casamento ou num namoro, um dos dois toma a iniciativa. Temos aquele que quer a separação e aquele que recebe a notícia. Se a relação foi algum dia intensa, profunda, se proporcionou muitos momentos de intimidade doce e feliz, o golpe pode ser muito violento, a dor muito forte. São sonhos desfeitos, esperanças que morrem. A pessoa pode entrar numa época de insegurança, de perda do sentido da vida, de profunda depressão, que pode até incluir desejos de morte.

O envolvimento sexual afetivo quase sempre gera nas pessoas um intenso sentimento de posse, o desejo de exclusividade, de ser único, especial. Quando a separação tem como fator uma terceira pessoa, a infidelidade, uma dor adicional se acrescenta àquilo que já era difícil de se suportar. É comum que aquele que se sente traído dirige a maior parte do seu ódio não ao ex-parceiro, mas à pessoa com a qual ele se envolveu. Há aqui um erro ético. Ninguém é infiel contra a própria vontade. É cômodo descarregar a raiva naquele que é o terceiro. Mas se não fosse essa pessoa seria outra. O responsável principal é o parceiro. Como, em geral, o queremos de volta, escolhemos como inimigo a pessoa com quem ele se envolveu. Nessas situações é que revelamos nosso caráter, nossa índole moral. O modo como tratamos nossos inimigos, as pessoas que nos frustam, revela mais sobre nossa índole do que o modo que tratamos aqueles que nos agradam.

Às vezes a pessoa abandonada se queixa: “Eu fiz tudo por ele (ela), fui gentil, carinhoso, dedicado, e veja o que recebo em troca!”. Toda relação afetiva é um investimento de risco, pode acabar. Todo investimento de risco dá lucro ou prejuízo. Quando nós cobramos aquilo que demos, que investimos, é porque na verdade não foi dado e sim emprestado. Quando o outro vai embora, sem pagar a “dívida”, ficamos magoados e enfurecidos. A dor de ser abandonado por alguém que gostamos, admiramos, com quem fomos felizes juntos é enorme. Saber perder com dignidade, com ética, é algo raro. Às vezes nos queixamos da falta de ética de alguém e nos vingamos do que ele fez. Aquele que se vinga se iguala. Se revela do mesmo nível moral. Enquanto ser correto, ser generoso for apenas parte de um jogo, estamos fingindo. Aquele que aspira ser íntegro mantém-se no caminho que escolheu.

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Carlos Bittencourt Almeida - Psicólogo Clínico e escritor, residente em Belo Horizonte - MG Consultas online? envie suas perguntas.
2 Comentários
  1. Marina Fernandes, Fortaleza, Ceará

    Gostaria de saber se o autor está disponível para consultas on line.
    Grata.

  2. Editor

    Prezada Marina,
    você pode fazer sua consulta que encaminharemos para o autor.
    Obrigado pela atenção.

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