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Preconceito

Publicado por Carlos Bittencourt Almeida em Psicologia
data: 20/08/2009

Podemos ser superiores a outros em algum aspecto. Ou podemos nos sentir superiores. A superioridade pode ser real ou imaginária. Se o sentimento de superioridade está associado com desprezo, temos o preconceito. É uma forma de agressão, um modo de ferir, humilhar. Aquele que sente o preconceito pode se orgulhar disto e assumi-lo publicamente. Ou então dissimular, esconder-se. Em outros casos se envergonha de ter o preconceito, sente-se moralmente errado, culpado, mas não consegue deixar de senti-lo. A tendência a ter preconceitos invade todas as áreas de nossa vida. ”Eu te desprezo porque: minha cor é melhor do que a tua, minha religião, inteligência, condição econômica, saúde, grau de instrução, qualidade morais, país, idade, beleza física, etc.

Entre outros, temos dois impulsos opostos e complementares. Queremos nos sentir únicos, especiais, admiráveis. É o impulso de auto-afirmação. Por outro lado queremos nos unir, queremos companhia, ser compreendidos. Não queremos nos sentir completamente diferente dos outros. ”Sou humano, estou entre meus semelhantes, o que eu quero, sinto, temo, compreendo, outras pessoas sentem de modo semelhante. Não me sinto isolado.”

Quando desprezo alguém predomina o impulso de auto-afirmação, de superioridade arrogante. É uma forma de autopromoção, de dar parabéns a mim por ser tão melhor do que outros. Exagero o meu próprio valor, fico cego para perceber o quanto este que eu desprezo é parecido comigo. Muito daquilo que eu possa ter de melhor do que outros pode ser devido a circunstâncias que a vida me proporcionou e não por mérito pessoal. Se eu tivesse nascido em outro ambiente, país, raça, sexo, família, pode ser que eu teria desenvolvido hábitos, preferências e capacidades muito diferentes daquelas que eu tenho hoje.

O impulso de auto-afirmação pede o seu oposto: “Quero estar entre meus semelhantes”. Aquele que se corrompe no desprezo busca sua turma: outros que tenham atributos semelhantes aos seus e que também desprezem “o resto”.

Posso ter qualidades melhores do que outros, desenvolvidas com esforço e trabalho. Mas posso olhar para aquele que se desenvolveu menos do que eu como eu mesmo no passado, eu mesmo em outros aspectos de minha vida. Se somos capazes de nos ver potencialmente, em cada ser humano, o desprezo desmorona: “Nada que é humano me é estranho. O pior dos homens é meu irmão. Ele está em mim e eu nele. Quando sou capaz de amá-lo uma força radiosa desabrocha em mim. Quando eu o desprezo algo se apaga em mim.”

Todos nós temos preconceitos. É lentamente, a través de uma vigilância e auto-observação constante que podemos começar a dissolver o impulso a desprezar

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Carlos Bittencourt Almeida - Psicólogo Clínico e escritor, residente em Belo Horizonte - MG Consultas online? envie suas perguntas.
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