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Mestre e Aluno

Publicado por Carlos Bittencourt Almeida em Psicologia
data: 18/08/2010

Existem momentos ou épocas em nossa vida em que conseguimos ter  um desempenho muito melhor do que o que temos normalmente.

Posso ter conseguido durante alguns dias ou semanas uma capacidade de estudo ou trabalho, disciplina, esforço, dedicação que habitualmente não tenho. Pode ser que o motivo fôsse desejo intenso. Queria passar de ano, passar num concurso. Queria provar para alguém importante para mim que eu era capaz. Ou tinha medo. Se eu não fizesse assim perderia o emprego, ou teria que repetir o ano, ou perderia um prêmio que tinham me prometido.

Quando estamos apaixonados e queremos conquistar esta pessoa, muitas vezes somos capazes de atitudes fora do comum. Por muitas semanas ou meses podemos ter com a pessoa um grau de atenção, compreensão, carinho e boa vontade que, talvez, um ano mais tarde, depois que a relação já se firmou, não temos mais.

Alguém que amamos pode estar passando por um momento muito difícil. Está com uma doença grave ou sofreu um acidente. Precisa de nossa ajuda, carinho e dedicação. Conseguimos então colocar muitos de nossos defeitos e atitudes impulsivas em suspenso, e, por algum tempo, oferecemos o que temos de melhor para ajudar esta pessoa.

Por motivo de saúde, ou incentivados por alguém muito próximo a nós, podemos, durante semanas ou meses modificar hábitos nocivos. Paramos de fumar, de beber, mudamos a alimentação, passamos a fazer caminhadas freqüentemente ou praticamos um esporte. Depois a saúde melhora ou a pessoa que nos fazia companhia se afasta, e, pouco a pouco, voltamos aos nossos maus hábitos.

Cada uma destas situações nos dão a prova de nossas capacidades latentes. Podemos ser melhores do que somos normalmente. A capacidade já está em nós, esperando apenas uma situação motivadora que a leve à manifestação. Aquilo que um dia conseguimos, por algum tempo, podemos conseguir novamente. Não podemos inventar a desculpa de que é algo além de nossa capacidade.

Não há nada tão convincente, para alguém que deseja crescer, melhorar, do que saber que pode ser mestre e professor de si mesmo. No momento em que damos o melhor de nós mesmos, em que somos capazes de atitudes fora do comum, nos tornamos um exemplo, alguém digno de admiração.

O nosso eu de todos os dias pode se tornar aluno do nosso eu dos grandes momentos. Podemos estudar a nossa vida calmamente, fazendo um inventário de nossos melhores momentos, tentando compreender por que naquele dia, naquela época, conseguimos ser tão bons. A partir desta compreensão podemos procurar repetir, recriar as condições internas que nos levaram àquela capacidade.

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Carlos Bittencourt Almeida - Psicólogo Clínico e escritor, residente em Belo Horizonte - MG Consultas online? envie suas perguntas.
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